DIA 12/09: 255.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14), torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.
Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira missão (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra.
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite).
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher afro-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2013, a NASA confirma que a sonda Voyager 1 se tornou no primeiro objeto feito pelo homem a entrar no espaço interestelar. HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce pelas 22:30, na direção da constelação de Touro. À medida que fica mais alta, note que as Plêiades estão poucos graus para cima e para a sua direita. Cubra a Lua com o seu dedo para que as estrelas sejam mais fáceis de observar.
DIA 13/09: 256.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase na sua fase de Quarto Minguante, nasce depois das 23 horas. Forma um triângulo com a brilhante Capella a quase dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a sua esquerda e com as Plêiades um pouco mais perto do nosso satélite natural mas para cima e para a direita. Para a direita da Lua está a estrela Aldebarã. Para baixo e para a esquerda da Lua brilha Elnath.
DIA 14/09: 257.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1915 nascia John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers" e inventor do telescópio dobsoniano.
Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio - e explicar o que estão a ver."
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objeto feito pelo Homem a lá chegar.
Em 2015, o LIGO faz a primeira observação direta de ondas gravitacionais com um instrumento na Terra, usando os interferómetros gémeos localizados em Livingston, Louisiana e em Hanford, Washington. O programa anunciou ou seus achados no dia 11 de fevereiro de 2016. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 11:33.
Altair é a estrela brilhante alta a sul ao início da noite.
Apenas um punho à distância do braço esticado acima de Altair, procure a pequena e ténue constelação da Seta. Aponta para cima e para a esquerda. Se a poluição luminosa a esconder, tente com binóculos. Tem 4,5º de comprimento desde as penas da cauda até à ponta, cabendo facilmente no campo de visão da maioria dos binóculos.
Agora imagine-se a girar a seta em torno da sua ponta um-terço de uma volta no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. A sua estrela do meio ficaria agora apenas um pouco (0,4º) abaixo de M27, a grande Nebulosa do Haltere.
Com uma magnitude total de 7,5, M27 é uma grande mas subtil mancha cinzenta com cerca de 0,1º de largura, facilmente visível com binóculos ou com uma mira sob um céu escuro. Através de um telescópio de 4 a 8 polegadas parece um retângulo ou uma ampulheta. É a nebulosa planetária mais brilhante do céu, se somarmos toda a sua luz dispersa.
DIA 15/09: 258.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.
Em 2017, termina a missão da sonda Cassini em Saturno, fragmentando-se na atmosfera do planeta. HOJE, NO COSMOS:
Vega passa o zénite uma hora depois do pôr-do-Sol, para os observadores que vivem a latitudes médias norte. Vega é maior, mais quente e 50 vezes mais brilhante do que o nosso Sol. Mas, a uma distância de 25 anos-luz, está 1,6 milhões de vezes mais longe.
À medida que o dia passa a noite, Arcturo brilha a oeste. Está a ficar mais baixa a cada semana que passa. A partir de Arcturo, o pequeno padrão em forma de "papagaio-de-papel" de Boieiro estende-se um pouco mais de dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a sua direita.
Para a direita, a noroeste, a Ursa Maior está agora a ficar mais nivelada.
Rover Perseverance descobre potenciais bioassinaturas em Marte
O rover Perseverance da NASA descobriu manchas de leopardo numa rocha avermelhada apelidada de "Cheyava Falls" na cratera Jezero de Marte em julho de 2024. Os cientistas pensam que as manchas podem indicar que, há milhares de milhões de anos, as reações químicas nesta rocha poderiam ter suportado vida microbiana; estão a ser consideradas outras explicações.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Uma amostra recolhida pelo rover Perseverance da NASA, num antigo leito seco de rio, situado na cratera Jezero, pode potencialmente preservar evidências de vida microbiana antiga. De acordo com um artigo científico publicado na passada quarta-feira na revista Nature, a amostra, chamada "Sapphire Canyon", que foi recolhida no ano passado de uma rocha chamada "Cheyava Falls", contém potenciais bioassinaturas.
Uma potencial bioassinatura é uma substância ou estrutura que pode ter uma origem biológica, mas que requer mais dados ou um estudo mais aprofundado antes de se poder chegar a uma conclusão sobre a ausência ou presença de vida.
"Esta descoberta do Perseverance, lançado aquando do primeiro mandato do Presidente Trump, é o mais próximo que alguma vez estivemos de descobrir vida em Marte. A identificação de uma potencial bioassinatura no Planeta Vermelho é uma descoberta revolucionária, que fará avançar a nossa compreensão de Marte", disse o administrador interino da NASA, Sean Duffy. "O compromisso da NASA para com a realização de ciência de excelência vai continuar à medida que perseguimos o nosso objetivo de colocar botas americanas no solo rochoso de Marte".
O Perseverance encontrou "Cheyava Falls" em julho de 2024, enquanto explorava a formação "Bright Angel", um conjunto de afloramentos rochosos nas extremidades norte e sul de Neretva Vallis, um antigo vale fluvial com 400 metros de largura que foi esculpido por água que corria, há muito tempo atrás, para a cratera Jezero.
"Esta descoberta é o resultado direto do esforço da NASA para planear estrategicamente, desenvolver e executar uma missão capaz de fornecer exatamente este tipo de ciência - a identificação de uma potencial bioassinatura em Marte", disse Nicky Fox, administradora associada do Directorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Com a publicação deste resultado revisto por pares, a NASA disponibiliza estes dados à comunidade científica em geral para um estudo mais aprofundado que confirme ou refute o seu potencial biológico".
Os instrumentos científicos do rover descobriram que as rochas sedimentares da formação são compostas por argila e silte, que, na Terra, são excelentes conservantes de vida microbiana passada. Também são ricas em carbono orgânico, enxofre, ferro oxidado (ferrugem) e fósforo.
"A combinação de elementos químicos que encontrámos na formação 'Bright Angel' pode ter sido uma fonte rica de energia para os metabolismos microbianos", disse Joel Hurowitz, cientista do Perseverance, da Universidade Stony Brook, em Nova Iorque, e principal autor do artigo científico. "Mas só porque vimos todas estas assinaturas químicas convincentes nos dados não significava que tínhamos uma potencial bioassinatura. Precisávamos de analisar o que esses dados poderiam significar".
Os primeiros instrumentos a recolherem desta rocha foram os instrumentos PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) e SHERLOC (Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals) do Perseverance. Enquanto investigavam "Cheyava Falls", que é uma rocha em forma de ponta de seta que mede 1 metro por 0,6 metros, encontraram o que pareciam ser manchas coloridas. As manchas na rocha podem ter sido deixadas pela vida microbiana se esta tivesse usado os ingredientes brutos na rocha, o carbono orgânico, o enxofre e o fósforo, como fonte de energia.
Em imagens de maior resolução, os instrumentos encontraram um padrão distinto de minerais dispostos em frentes de reação (pontos de contacto onde ocorrem reações químicas e físicas) a que a equipa chamou manchas de leopardo. As manchas tinham a assinatura de dois minerais ricos em ferro: vivianite (fosfato de ferro hidratado) e greigite (sulfureto de ferro). O mineral vivianite é frequentemente encontrado na Terra em sedimentos, pântanos e à volta de matéria orgânica em decomposição. Da mesma forma, certas formas de vida microbiana na Terra podem produzir greigite.
A combinação destes minerais, que parecem ter sido formados por reações de transferência de eletrões entre o sedimento e a matéria orgânica, é uma potencial impressão digital de vida microbiana, que utilizaria estas reações para produzir energia para crescer. Os minerais também podem ser gerados abioticamente, ou seja, sem a presença de vida. Assim, há formas de os produzir sem reações biológicas, incluindo temperaturas elevadas e sustentadas, condições ácidas e ligação por compostos orgânicos. No entanto, as rochas de "Bright Angel" não mostram evidências de que tenham sofrido altas temperaturas ou condições ácidas, e não se sabe se os compostos orgânicos presentes seriam capazes de catalisar a reação a baixas temperaturas.
A descoberta foi particularmente surpreendente porque envolve algumas das rochas sedimentares mais jovens que a missão já investigou. Uma hipótese anterior assumia que os sinais de vida antiga estariam confinados a formações rochosas mais velhas. Esta descoberta sugere que Marte pode ter sido habitável durante um período mais longo ou mais tarde na história do planeta do que se pensava anteriormente, e que as rochas mais antigas também podem conter sinais de vida que são simplesmente mais difíceis de detetar.
"As declarações astrobiológicas, particularmente as relacionadas com a potencial descoberta de vida extraterrestre passada, requerem evidências extraordinárias", disse Katie Stack Morgan, cientista do projeto Perseverance no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Conseguir publicar uma descoberta tão significativa de uma potencial bioassinatura em Marte, numa publicação revista por pares, é um passo crucial no processo científico porque garante o rigor, a validade e a importância dos nossos resultados. E embora as explicações abióticas para o que vemos em 'Bright Angel' sejam menos prováveis, dadas as conclusões do artigo científico, não as podemos excluir".
Com sete pontos de referência, a escala CoLD (Confidence of Life Detection) traça uma progressão na confiança de que um conjunto de observações constitui evidência de vida.
Crédito: NASA
A comunidade científica utiliza ferramentas e estruturas como a escala CoLD (Confidence of Life Detection) e os padrões de evidência para avaliar se os dados relacionados com a procura de vida respondem efetivamente à pergunta "Estamos sós?" Estas ferramentas ajudam a compreender melhor a confiança que se deve depositar nos dados que sugerem um possível sinal de vida encontrado para lá do nosso planeta.
"Sapphire Canyon" é um dos 27 núcleos rochosos que o rover recolheu desde que aterrou na cratera Jezero em fevereiro de 2021. Entre o conjunto de instrumentos científicos encontra-se uma estação meteorológica que fornece informações ambientais para futuras missões humanas, bem como amostras de material de fatos espaciais para que a NASA possa estudar a sua utilização em Marte.
Escala CoLD (Confidence of Life Detection): Wikipedia
Astrónomos detetam explosão de raios gama misteriosa, diferente de qualquer outra observada até à data
O ponto laranja que vemos no centro desta imagem trata-se de uma poderosa explosão que se repetiu várias vezes ao longo de um dia, um evento diferente de tudo o que já tinha sido observado anteriormente. Esta imagem, capturada pelo VLT do ESO, permitiu aos astrónomos determinar que a explosão não ocorreu na Via Láctea, mas sim noutra galáxia.
Esta explosão de raios gama, denominada GRB 250702B, foi observada pela primeira vez no dia 2 de julho por telescópios que capturam fotões de alta energia, mas a sua localização era incerta. A imagem que aqui vemos foi capturada no dia 3 de julho com a câmara infravermelha HAWK-I montada no VLT, e ajudou a localizar com precisão a origem da explosão. A explosão parecia ter origem no seio doutra galáxia, facto que foi posteriormente confirmado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.
Foram propostos diferentes cenários para explicar este evento, tais como o colapso de uma estrela massiva ou uma estrela destruída por um buraco negro. No entanto, nenhum deles consegue explicar totalmente todas as propriedades observadas durante a explosão, a menos que os objetos envolvidos sejam bastante invulgares.
Crédito: ESO/A. Levan, A. Martin-Carrillo et al.
Os astrónomos detetaram uma explosão de raios gama que se repetiu várias vezes ao longo de um dia, um evento diferente de tudo o que já tinha sido observado anteriormente. Descobriu-se que a fonte que deu origem a esta poderosa explosão de radiação se encontra fora da nossa Galáxia, tendo a sua localização sido identificada pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO. As explosões de raios gama são as mais poderosas do Universo, normalmente causadas pela destruição catastrófica de estrelas. No entanto, nenhum cenário conhecido consegue explicar completamente esta nova explosão agora observada, cuja verdadeira natureza permanece um mistério.
Esta explosão de raios gama é "diferente de qualquer outra observada durante os 50 anos em que temos observado este fenómeno", segundo Antonio Martin-Carrillo, astrónomo da UCD (University College Dublin), Irlanda, coautor principal deste estudo publicado recentemente na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.
As explosões de raios gama são as mais energéticas do Universo e têm origem em eventos catastróficos, como estrelas massivas que morrem em explosões poderosas ou são destruídas por buracos negros, entre outros. Geralmente duram entre alguns milésimos de segundos e alguns minutos, mas o sinal agora capturado, GRB 250702B (também conhecida como GRB 250702BDE. As explosões de raios gama, ou GRBs, sigla do inglês para "Gamma-ray Bursts", são nomeadas com um número que indica a data da sua deteção, seguido de uma letra, no caso de mais de uma explosão ser encontrada nesse dia; as explosões B, D e E estão todas ligadas ao mesmo objeto), durou cerca de um dia, o que é "100 a 1000 vezes mais longo do que a maioria das explosões de raios gama observadas até à data", explica Andrew Levan, astrónomo da Universidade Radboud, nos Países Baixos, também coautor principal deste estudo.
"Mais importante ainda, as explosões de raios gama nunca se repetem, uma vez que o evento que as produz é catastrófico", afirma Martin-Carrillo. O alerta inicial desta explosão surgiu a 2 de julho, proveniente do Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA. O Fermi detetou não apenas uma, mas três explosões vindas desta fonte ao longo de várias horas. Posteriormente, e em retrospetiva, descobriu-se que a fonte tinha estado ativa quase um dia antes, conforme observou a Einstein Probe, um telescópio espacial de raios X da Academia de Ciências Chinesa em conjunto com a ES) e com o Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. Nunca se tinha visto uma explosão de raios gama tão longa e repetitiva.
Esta sequência de imagens mostra a evolução ao longo de vários dias da explosão de raios gama GRB 250702B. Esta explosão foi observada pela primeira vez no dia 2 de julho com telescópios que recolhem fotões de alta energia e que detetaram vários surtos de raios gama ao longo de um dia.
Os astrónomos utilizaram então o VLT do ESO para localizar com precisão o local exato da explosão e monitorizar como é que o seu brilho pós-explosão se foi desvanescendo ao longo de vários dias.
As primeiras cinco imagens aqui apresentadas foram capturadas com a câmara infravermelha HAWK-I montada no VLT. A explosão, marcada com círculos vermelhos, parece ter ocorrido no seio de uma galáxia alongada, o que foi confirmado com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA no dia 15 de julho (imagem no canto inferior direito). Esta galáxia é vista de lado, com uma faixa de poeira escura a atravessá-la.
Crédito: ESO/A. Levan, A. Martin-Carrillo et al./NASA/ESA
As observações deram-nos apenas uma localização aproximada desta explosão de raios gama, a qual se encontrava na direção do plano da nossa Galáxia, uma região repleta de estrelas. Assim, a equipa recorreu ao VLT do ESO para identificar a fonte real dentro dessa área. "Antes das observações, a opinião geral na comunidade era de que esta explosão teria tido origem no interior da nossa Galáxia, no entanto, o VLT mudou fundamentalmente esse paradigma", diz Levan, também com afiliação à Universidade de Warwick, no Reino Unido.
Com o auxílio da câmara HAWK-I montada no VLT, a equipa encontrou evidências de que esta fonte poderia estar, de facto, localizada noutra galáxia, o que foi posteriormente confirmado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. "A nossa descoberta é bastante entusiasmante: o facto deste objeto ser extragalático significa que é consideravelmente mais potente", explica Martin-Carrillo. O tamanho e o brilho da galáxia hospedeira sugerem que esta pode estar localizada a alguns milhares de milhões de anos-luz de distância da Terra, no entanto são necessários mais dados para refinar esta distância.
A natureza do evento que deu origem a esta explosão de raios gama é ainda desconhecida. Um dos cenários possíveis corresponde a uma estrela massiva a colapsar sobre si mesma, um processo que liberta enormes quantidades de energia. "Se a origem desta explosão for de facto uma estrela massiva, tratar-se-á de um colapso diferente de tudo o que já testemunhámos até à data", afirma Levan, pois, nesse caso, a explosão deveria durar apenas alguns segundos. Alternativamente, uma estrela a ser dilacerada por um buraco negro poderá produzir uma explosão de raios gama com duração de um dia, mas para explicar outras propriedades observadas na explosão, teríamos de ter uma estrela bastante invulgar a ser destruída por um buraco negro ainda mais invulgar.
Os autores favorecem um cenário em que uma anã branca foi destruída por um buraco negro de massa intermédia. Uma anã branca é o núcleo pequeno e em lento arrefecimento que resta após a morte de uma estrela como o nosso Sol. Os buracos negros de massa intermédia têm entre 100 e 100 mil vezes mais massa do que o Sol. A maioria dos buracos negros conhecidos tem massas significativamente maiores ou mais pequenas do que estes valores e, por isso, os buracos negros de massa intermédia continuam a ser um tipo de objeto pouco compreendido.
Para saber mais sobre esta explosão de raios gama, a equipa tem monitorizado os resultados da explosão com diferentes telescópios e instrumentos, incluindo o espetrógrafo X-shooter do VLT e o Telescópio Espacial James Webb, um projeto conjunto da NASA, da ESA e da Agência Espacial Canadiana. Ter descoberto que esta explosão ocorreu noutra galáxia é fundamental para tentar descobrir a sua causa. "Ainda não temos a certeza do fenómeno que deu origem a esta explosão, mas com este trabalho de investigação demos um grande passo em frente na compreensão deste objeto extremamente interessante e invulgar", conclui Martin-Carrillo.
Esta ilustração mostra a volátil estrela anã vermelha TRAPPIST-1 e os seus quatro planetas em órbita mais íntima, todos eles observados pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. O Webb ainda não encontrou sinais definitivos de uma atmosfera à volta de nenhum destes mundos.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)
Os cientistas estão a observar o exoplaneta TRAPPIST-1 e com o Telescópio Espacial James Webb da NASA. A análise minuciosa dos resultados obtidos até agora apresenta vários potenciais cenários para a atmosfera e para a superfície do planeta, à medida que as missões científicas da NASA estabelecem as bases fundamentais para responder à pergunta: "estamos sós no Universo?"
"Os instrumentos infravermelhos do Webb estão a dar-nos mais detalhes do que alguma vez tivemos acesso, e as quatro observações iniciais que conseguimos fazer do planeta e estão a mostrar-nos com o que teremos de trabalhar quando o resto da informação chegar", disse Néstor Espinoza do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland, EUA, investigador principal da equipa de investigação. Dois artigos científicos que detalham os resultados iniciais da equipa foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.
Dos sete mundos do tamanho da Terra que orbitam a estrela anã vermelha TRAPPIST-1, o planeta e é de particular interesse porque orbita a estrela a uma distância em que a existência de água à superfície é teoricamente possível - nem demasiado quente, nem demasiado frio - mas apenas se o planeta tiver uma atmosfera. É aí que o Webb entra em ação. Os investigadores apontaram o poderoso instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do telescópio para o sistema enquanto o planeta e transitava, ou passava em frente, da sua estrela. A luz estelar que atravessa a atmosfera do planeta, caso exista, será parcialmente absorvida e as correspondentes quedas no espetro de luz que chega ao Webb dirão aos astrónomos quais os elementos químicos que aí se encontram. Com cada trânsito adicional, à medida que mais dados são recolhidos, os conteúdos atmosféricos tornam-se mais claros.
Atmosfera primária improvável
Embora permaneçam em aberto múltiplas possibilidades para o planeta e, dado que até agora só foram analisados quatro trânsitos, os investigadores estão confiantes de que o planeta já não tem a sua atmosfera primária, ou original. TRAPPIST-1 é uma estrela muito ativa, com erupções frequentes, por isso não é surpreendente para os investigadores que qualquer atmosfera de hidrogénio-hélio com a qual o planeta se possa ter formado tenha sido eliminada pela radiação estelar. No entanto, muitos planetas, incluindo a Terra, criam uma atmosfera secundária, mais pesada, depois de perderem a sua atmosfera primária. É possível que o planeta e nunca tenha sido capaz de o fazer e não tenha uma atmosfera secundária. No entanto, os investigadores dizem que há uma hipótese igual de existir uma atmosfera, e a equipa desenvolveu novas abordagens para trabalhar com os dados do Webb para determinar as potenciais atmosferas e ambientes de superfície do planeta e.
Este gráfico compara dados recolhidos pelo espetrógrafo NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb com modelos informáticos do exoplaneta TRAPPIST-1 e com (azul) e sem (laranja) atmosfera. As faixas coloridas estreitas mostram as localizações mais prováveis dos pontos de dados para cada modelo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)
Um mundo de (menos) possibilidades
Os investigadores dizem que é improvável que a atmosfera de TRAPPIST-1 e seja dominada por dióxido de carbono, à semelhança da espessa atmosfera de Vénus e da fina atmosfera de Marte. No entanto, os investigadores também têm o cuidado de notar que não existem paralelos diretos com o nosso Sistema Solar.
"TRAPPIST-1 é uma estrela muito diferente do nosso Sol e, por isso, o sistema planetário à sua volta é também muito diferente, o que desafia as nossas hipóteses teóricas e observacionais", disse Nikole Lewis, membro da equipa e professora associada de astronomia na Universidade de Cornell.
Se houver água líquida no exoplaneta TRAPPIST-1 e, os investigadores dizem que será acompanhada por um efeito de estufa, em que vários gases, particularmente o dióxido de carbono, mantêm a atmosfera estável e o planeta quente.
"Um pouco de efeito de estufa é muito importante", disse Lewis, e as medições não excluem a possibilidade de haver dióxido de carbono suficiente para sustentar alguma água à superfície. De acordo com a análise da equipa, a água poderia assumir a forma de um oceano global ou cobrir uma área mais pequena do planeta, onde a estrela está em perpétuo meio-dia, água esta rodeada de gelo. Isto seria possível porque, devido ao tamanho dos planetas TRAPPIST-1 e às suas órbitas próximas da estrela, pensa-se que todos eles sofram acoplamento de maré, com um lado sempre virado para a estrela e o outro sempre na escuridão.
Novo método inovador
Espinoza e a coinvestigadora principal Natalie Allen, da Universidade Johns Hopkins, lideram uma equipa que está atualmente a fazer 15 observações adicionais do planeta e, com um toque inovador. Os cientistas estão a programar as observações de modo a que o Webb apanhe ambos os planetas b e e a transitar pela estrela, um a seguir ao outro. Depois de observações anteriores do planeta b, o planeta que orbita mais perto de TRAPPIST-1, os cientistas estão bastante confiantes de que se trata de uma rocha sem atmosfera. Isto significa que os sinais detetados durante o trânsito do planeta b podem ser atribuídos apenas à estrela, e como o planeta e transita quase ao mesmo tempo, haverá menos complicações devido à variabilidade da estrela. Os cientistas planeiam comparar os dados de ambos os planetas, e quaisquer indicações de elementos químicos que apareçam apenas no espetro do planeta e podem ser atribuídas à sua atmosfera.
"Ainda estamos na fase inicial de aprender o tipo de ciência espantosa que podemos fazer com o Webb. É incrível medir os detalhes da luz estelar em torno de planetas do tamanho da Terra, a 40 anos-luz de distância, e saber como é que eles podem ser, se a vida é possível lá", disse Ana Glidden, investigadora de pós-doutoramento no Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que liderou a investigação sobre as possíveis atmosferas do planeta e. "Estamos numa nova era de exploração, da qual é muito excitante fazer parte", disse.
Os quatro trânsitos de TRAPPIST-1 e analisados nos novos artigos científicos foram recolhidos pela colaboração DREAMS (Deep Reconnaissance of Exoplanet Atmospheres using Multi-instrument Spectroscopy) da equipa de cientistas do telescópio Webb.
Sinal mais claro de dois buracos negros em fusão (via Sociedade Max Planck)
A rede internacional de detetores de ondas gravitacionais LVK (LIGO-Virgo-KAGRA) publicou o sinal mais claro de ondas gravitacionais alguma vez medido na Terra, proveniente da fusão de dois buracos negros. Os investigadores designam-no por GW250114. A onda de espaço-tempo chegou à Terra a 14 de janeiro de 2025, comprimindo ou esticando os longos braços acoplados a laser dos detetores numa quantidade mensurável de cerca de um-milésimo do diâmetro de um protão. Ler fonte
Estrela faminta come a sua gémea cósmica a um ritmo nunca antes visto (via Universidade de Southampton)
Uma estrela anã branca gulosa, não muito longe da Terra, está a devorar a sua companheira celeste mais próxima a um ritmo nunca antes visto, descobriram cientistas espaciais. O seu estudo revelou que a estrela dupla, denominada V Sagittae, é invulgarmente brilhante à medida que a anã branca superdensa está a devorar a sua gémea maior num frenesim alimentar. Ler fonte
Álbum de fotografias IRAS 04302: Disco de Formação Planetária em Forma de Borboleta
Esta borboleta pode criar planetas. A nebulosa que se estende a partir da estrela IRAS 04302+2247 pode parecer as asas de uma borboleta, enquanto que a risca castanha vertical ao centro pode parecer o corpo da borboleta - mas juntas indicam um sistema ativo de formação planetária. A imagem em destaque foi obtida recentemente no infravermelho pelo Telescópio Espacial Webb. Na imagem, o disco vertical é denso com o gás e a poeira a partir dos quais se formam os planetas. O disco obscurece a luz visível e (a maior parte) da luz infravermelha da estrela central, permitindo uma boa visão da poeira circundante que reflete a luz. Nos próximos milhões de anos, o disco de poeira irá provavelmente fragmentar-se em anéis devido à gravidade dos planetas recém-criados. E daqui a mil milhões de anos, o restante gás e poeira dissipar-se-ão, deixando apenas os planetas - como no nosso Sistema Solar.
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