MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data: Data: 24 de outubro de 2025 Hora: 10:30 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 30/09: 273.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.
Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 00:54.
A Lua brilha para a esquerda da "pega" do "bule de chá" de Sagitário. As grandes crateras perto do terminador, ontem, estão agora expostas à luz solar, apesar das suas orlas ainda provocarem sombras. O terminador quase que divide Mare Imbrium em duas partes e, perto do polo sul, atravessa a grande cratera Clavius que tem no seu interior um arco de quatro (ou cinco) crateras mais pequenas.
DIA 01/10: 274.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA.
Em 1962, entra em operação o radiotelescópio de 91 metros do NRAO. Este telescópio, que colapsou subitamente no dia 15 de novembro de 1988, era o segundo maior do mundo. HOJE, NO COSMOS:
Ceres, o maior asteroide e o primeiro a ser descoberto, está em oposição esta semana (a 2 de outubro). É observável através de binóculos (magnitude 7,6) perto da estrela Eta Ceti.
DIA 02/10: 275.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Lançamento da Explorer 14. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite a Lua forma um enorme triângulo com Saturno, para a esquerda a cerca de 4 punhos à distância do braço esticado, e com Altair quase tão longe mas para cima e para a direita do nosso satélite natural. A própria Lua habita a ténue constelação de Capricórnio.
Para cima e para a esquerda de Saturno, o Grande Quadrado de Pégaso apoia-se num canto, alto a este, durante praticamente toda a noite.
Do canto esquerdo do Grande Quadrado estende-se uma grande linha de três estrelas de segunda magnitude, dirigindo-se para baixo à esquerda, que assinalam a cabeça, a espinha dorsal e a perna da constelação de Andrómeda (a linha de três inclui o canto do Quadrado, a sua cabeça). Para cima e para a esquerda do pé desta linha, encontra-se Cassiopeia, em forma de W, inclinada para cima.
O tempo para hoje: auroras num planeta errante
Impressão de artista do objeto de massa planetária SIMP-0136.
Crédito: Dr. Evert Nasedkin
Uma forte atividade semelhante à das auroras boreais é a característica principal do boletim meteorológico de hoje, que nos chega de um estranho exoplaneta, em vez de um normal estúdio de televisão. Isto graças a uma equipa de astrónomos do Trinity College, Dublin, que utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para observar de perto o clima de um vizinho planeta errante, SIMP-0136.
A sensibilidade requintada dos instrumentos a bordo do telescópio espacial permitiu à equipa observar alterações minúsculas no brilho do planeta à medida que este girava, as quais foram utilizadas para seguir as mudanças de temperatura, cobertura de nuvens e química.
Surpreendentemente, estas observações também iluminaram a forte atividade auroral de SIMP-0136, semelhante às auroras boreais aqui na Terra ou às poderosas auroras de Júpiter, que aquecem a sua atmosfera superior.
"Estas são algumas das medições mais precisas da atmosfera de qualquer objeto extrassolar até à data, e a primeira vez que foram medidas diretamente alterações nas propriedades atmosféricas", disse o Dr. Evert Nasedkin, do Canadá, pós-doc na Escola de Física de Trinity, o autor principal do artigo científico que foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.
"E com mais de 1500° C, SIMP-0136 faz com que a onda de calor deste verão pareça amena", continuou. "As observações precisas que fizemos permitiram-nos registar com precisão alterações de temperatura inferiores a 5° C. Estas mudanças de temperatura estavam relacionadas com alterações subtis na composição química deste planeta flutuante, o que sugere a existência de tempestades - semelhantes à Grande Mancha Vermelha de Júpiter - a ficarem visíveis com a rotação do objeto."
Outra descoberta surpreendente foi a falta de variabilidade das nuvens em SIMP-0136. Poder-se-ia esperar que mudanças na cobertura de nuvens levassem a mudanças na atmosfera, semelhante à observação de manchas de nuvens e céu azul aqui na Terra.
Em vez disso, a equipa descobriu que a cobertura de nuvens era constante na superfície de SIMP-0136. Às temperaturas de SIMP-0136, estas nuvens são diferentes das da Terra, sendo compostas por grãos de silicato, semelhantes à areia da praia.
Esta é a primeira publicação do novo grupo "Exo-Aimsir" liderado pela professora Johanna Vos da Escola de Física da Trinity, e inclui contribuições de todos os membros do grupo, incluindo os candidatos a doutoramento Merle Schrader, Madeline Lam e Cian O'Toole.
Estes dados foram inicialmente publicados por uma equipa semelhante liderada por Allison McCarthy da Universidade de Boston, mas a nova análise revelou mais pormenores sobre a atmosfera.
"Diferentes comprimentos de onda da luz estão relacionados com diferentes características atmosféricas. À semelhança da observação das mudanças de cor acima da superfície da Terra, as mudanças de cor em SIMP-0136 são determinadas por alterações nas propriedades atmosféricas", acrescentou o Dr. Nasedkin.
"Assim, utilizando modelos de última geração, podemos inferir a temperatura da atmosfera, a composição química e a posição das nuvens".
A professora Vos afirmou: "Este trabalho é empolgante porque mostra que, aplicando as nossas técnicas de modelação de ponta a conjuntos de dados de ponta do JWST, podemos começar a juntar as peças dos processos que conduzem o clima em mundos para além do nosso Sistema Solar. Compreender estes processos meteorológicos será crucial para continuarmos a descobrir e a caracterizar exoplanetas no futuro".
"Embora, por enquanto, este tipo de observações de variabilidade espetroscópica esteja limitado a anãs castanhas isoladas, como esta, as futuras observações com o ELT (Extremely Large Telescope) e, eventualmente, com o HWO (Habitable Worlds Observatory) permitirão o estudo da dinâmica atmosférica de exoplanetas, desde gigantes gasosos semelhantes a Júpiter até mundos rochosos".
Observações ALMA dos padrões espirais no disco em torno da jovem estrelas IM Lup.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), T. Yoshida et al.
Astrónomos, utilizando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), captaram pela primeira vez, em vídeo, o movimento de estruturas espirais num disco de formação planetária. Estas espirais, que há muito se suspeitam de desempenharem um papel crucial no nascimento de planetas, foram agora observadas a girar dinamicamente em torno da jovem estrela IM Lupi, fornecendo um vislumbre direto das primeiras fases da formação de sistemas planetários.
O nosso Sistema Solar contém oito planetas, mas fora dele já foram descobertos cerca de 6000 exoplanetas. O processo exato pelo qual esses planetas se formam continua por esclarecer. Pensa-se que os discos protoplanetários - discos giratórios de gás e poeira em torno de estrelas jovens - são o berço dos planetas, e as estruturas espirais no seu interior são consideradas um fator chave. Os planetas podem surgir à medida que partículas sólidas se acumulam nos braços espirais, ou à medida que as próprias espirais se fragmentam em planetas individuais.
Porém, até agora, os astrónomos não conseguiam distinguir se uma espiral era um precursor da formação de um planeta ou um produto de um planeta jovem já em formação. As previsões teóricas sugerem que as espirais formadas pela própria gravidade do disco devem acabar por desaparecer. Em contraste, as espirais induzidas pela gravidade de um planeta permanecem estáveis e giram juntamente com o planeta.
Para testar esta ideia, os investigadores examinaram o disco protoplanetário de IM Lupi, que exibe braços espirais impressionantes. Usando observações do ALMA feitas em 2017, 2019 e 2024, a equipa criou um vídeo que abrange sete anos. As espirais mostraram claramente um movimento dinâmico e em espiral, com uma velocidade que corresponde aos modelos teóricos de espirais movidas pelo disco. Isto confirma que a gravidade do próprio disco cria as espirais em IM Lupi, e que o sistema está provavelmente em vésperas de formar novos planetas.
"Esta é a primeira deteção bem-sucedida do movimento das espirais", disse Tomohiro Yoshida, que liderou a equipa de investigação. "Quando vi o resultado da análise - a visualização dinâmica da espiral em movimento - gritei de entusiasmo. Este feito foi possível graças às operações estáveis e a longo prazo do telescópio ALMA, que demonstra o melhor desempenho do mundo. No futuro, planeamos realizar observações semelhantes noutros discos protoplanetários para criar um documentário de todo o processo de formação do sistema planetário".
Esta descoberta abre uma nova janela para as primeiras fases da formação dos planetas. Novos estudos de IM Lupi e de sistemas semelhantes poderão em breve revelar, com um pormenor sem precedentes, como sistemas planetários como o nosso se formam.
Colisão entre dois corpos de massas semelhantes pode explicar a formação de Mercúrio
Esta imagem de Mercúrio foi obtida em 2008 pela sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/JHUAPL/Instituto Carnegie
A formação de Mercúrio ainda é um problema por resolver. O planeta mais próximo do Sol possui um núcleo metálico desproporcionalmente grande - cerca de 70% de sua massa - e um manto rochoso relativamente pequeno. A explicação mais aceite até agora era a de que Mercúrio teria perdido boa parte da sua crosta e do seu manto após uma colisão catastrófica com um corpo celeste de grande porte. Mas simulações dinâmicas mostram que esse tipo de impacto, envolvendo corpos de massas muito diferentes, é extremamente raro. E um novo estudo propõe uma explicação alternativa, com base num tipo de evento bem mais comum no início do Sistema Solar: colisão rasante entre corpos de massas semelhantes.
O artigo científico, que teve como primeiro autor o astrónomo Patrick Franco, do Observatório Nacional do Brasil e pós-doutorado no Institut de Physique du Globe de Paris (França), foi publicado na revista Nature Astronomy.
"Por meio de simulação, mostramos que a formação de Mercúrio não exige colisões excecionais. Um impacto rasante entre dois protoplanetas de massas semelhantes pode explicar sua composição. Este é um cenário muito mais plausível do ponto de vista estatístico e dinâmico", diz Franco. "Nosso trabalho parte da constatação, feita em simulações anteriores, de que colisões entre corpos muito desiguais são eventos extremamente raros. Já colisões entre objetos de massas semelhantes são mais comuns e o objetivo do estudo foi justamente verificar se essas colisões seriam capazes de produzir um planeta com as características observadas em Mercúrio".
Essa possível colisão teria ocorrido numa fase relativamente tardia da formação do Sistema Solar, quando corpos rochosos, de tamanhos semelhantes, disputavam espaço nas regiões interiores, mais próximas do Sol. "Eram objetos em evolução, dentro de um berçário de embriões planetários, interagindo gravitacionalmente, perturbando as órbitas uns dos outros, e inclusive colidindo, até que restassem apenas as configurações orbitais bem definidas e estáveis que conhecemos hoje", descreve Franco, que se formou (licenciatura em matemática e mestrado em física) na Faculdade de Engenharias e Ciências da Universidade Estadual Paulista, campus Guaratinguetá (FEG-Unesp).
Para recriar esse cenário hipotético, os investigadores utilizaram um método numérico computacional chamado de "hidrodinâmica de partículas suavizadas" (do inglês smoothed particle hydrodynamics, SPH), que possibilita simular gases, líquidos e materiais sólidos em movimento, especialmente em contextos nos quais ocorrem grandes deformações, colisões ou fragmentações.
Esse método, amplamente utilizado tanto em cosmologia, astrofísica e dinâmica planetária quanto em engenharia e computação gráfica, emprega como recurso matemático a função lagrangiana (de Joseph Louis Lagrange, 1736-1813), que descreve a evolução de um sistema considerando como cada ponto ou partícula constituinte se move individualmente no espaço ao longo do tempo. Em contraste com o formalismo euleriano (de Leonhard Paul Euler, 1707-1783), que observa o que acontece em pontos fixos do espaço, a função lagrangiana segue, por assim dizer, o "ponto de vista" da partícula em movimento.
"Por meio de simulações detalhadas em hidrodinâmica de partículas suavizadas, verificamos que é possível reproduzir com alta precisão tanto a massa total de Mercúrio quanto sua incomum razão entre metal e silicato. A margem de erro do modelo ficou abaixo de 5%", conta Franco.
A proposta ajuda a explicar por que Mercúrio apresenta uma baixa massa total, apesar de ter um núcleo metálico grande, e por que retém apenas uma fina camada de material rochoso. "Assumimos que Mercúrio possuiria, inicialmente, composição semelhante à dos outros planetas terrestres. A colisão teria arrancado até 60% de seu manto original, o que explicaria sua metalicidade exacerbada", detalha o cientista.
Onde estão os destroços?
Além disso, o novo modelo evita uma limitação dos cenários anteriores. "Nesses cenários, o material arrancado durante a colisão é reincorporado pelo próprio planeta. Se assim fosse, Mercúrio não exibiria sua atual desproporção entre núcleo e manto. Mas, no modelo que estamos propondo, dependendo das condições iniciais, parte do material arrancado pode ser ejetada e não retornar mais, o que preserva a desproporção entre núcleo e manto", argumenta Franco.
Nesse caso, a questão óbvia que se coloca é saber para onde foi o material ejetado. "Caso o impacto tenha ocorrido em órbitas próximas, uma possibilidade é que esse material tenha sido incorporado por outro planeta em formação, talvez Vénus. É uma hipótese que ainda precisa ser investigada com mais profundidade", diz o investigador.
Segundo ele, o modelo proposto pode ser estendido para investigar a formação de outros planetas rochosos e contribuir para o entendimento dos processos de diferenciação e de perda de material nos primórdios do Sistema Solar. As próximas etapas da pesquisa devem incluir comparações com dados geoquímicos de meteoritos e amostras de missões espaciais que estudam Mercúrio, como a BepiColombo, iniciativa conjunta da ESA e JAXA.
"Mercúrio continua sendo o planeta menos explorado do nosso sistema. Mas isso está mudando. Há uma nova geração de pesquisas e missões em curso, e muita coisa interessante ainda vai surgir", afirma Franco.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jin Wang
Este ano, Saturno atingiu a sua oposição no dia 21 de setembro, no lado oposto ao Sol a partir da perspetiva do céu do planeta Terra. Na sua posição mais próxima da Terra, Saturno também atingiu o seu brilho máximo deste ano, nascendo ao mesmo tempo que o Sol se punha e brilhando acima do horizonte durante toda a noite, entre as estrelas mais ténues da constelação de Peixes. Nesta fotografia do Observatório Qinghai Lenghu, no Planalto Tibetano, sudoeste da China, o planeta exterior está imerso numa ténue e difusa oval de luz conhecida como gegenschein ou brilho de oposição. O difuso gegenschein é produzido pela luz solar retrodifundida pela poeira interplanetária ao longo do plano eclítico do Sistema Solar, oposto ao Sol no céu do planeta Terra. Como um olho gigante, nesta noite escura Saturno e o gegenschein parecem olhar para as cúpulas dos telescópios do observatório a partir da sua perspetiva anti-solar. O forte brilho atmosférico forma um fundo colorido ao longo do horizonte.
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