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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 241
27 de Junho de 2006
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TERRORISMO ESPACIAL

De acordo com testemunhas que depuseram em Washington DC a semana passada, se os EUA não protegerem os seus satélites em órbita da Terra, o equivalente a um carro-bomba no espaço poderá levar a economia de volta aos anos 50.

"Estamos num invulgar bom momento para os EUA no espaço, e não irá durar," disse Michael O'Hanlon, do Instituto Brookings, ao subcomité das Forças Armadas dos EUA na passada Terça. "Não pode durar."

Os satélites americanos de posicionamento global (GPS) e de telecomunicações comerciais estão já a sofrer interferências de armas de baixa tecnologia a partir da superfície. Uma pendente ameaça, disseram as testemunhas, é uma arma lançada para o espaço com o intuito de directamente atacar um satélite ou detonar um aparelho nuclear que poderá "fritar" as electrónicas de muitos satélites ao mesmo tempo.

Tal ataque poderia danificar a capacidade militar dos EUA e também afectar a vida civil do dia-a-dia. Por exemplo, as transacções dos cartões de crédito são autorizadas através de comunicações de satélite, e a maioria dos canais de cabo são enviados para a Terra através de satélites. "Não nos preocupamos muito com ataques nucleares nos nossos satélites como deveríamos, e penso que é um erro," disse O'Hanlon.

O Tratado Espacial de 1967 proíbe o uso de armas nucleares no espaço. Mas numa altura de guerra, um país poderá detonar uma bomba nuclear numa órbita terrestre baixa. Qualquer satélite a dezenas de quilómetros seria provavelmente destruído e qualquer satélite sem protecção num raio de centenas de quilómetros correria o risco de ser danificado ou ficar incapacitado.

Com o tempo, a explosão levaria um número adicional de partículas carregadas às cinturas de radiação de Van Allen que rodeiam a Terra, destruíndo a operação da maioria dos satélites em baixa órbita da Terra num espaço de um mês, discute O'Hanlon sob testemunho escrito.

"Penso que a maioria dos países poderia levar a cabo tal ataque anti-satélite logo na primeira tentativa. Não precisamos de estar tão perto para destruír algo." Mas seria consideravelmente mais difícil detonar uma arma nuclear numa órbita geosíncrona mais alta, onde muitos dos satélites militares e de comunicação orbitam.

Outra ameaça são satélites pequenos que podem colidir com maiores ou transportar explosivos convencionais. "Alguns países já tiveram no passado armas anti-satélites," (incluíndo os EUA), disse o tenente-general da Força Aérea do EUA, Robert Kehler. "Estamos atentos hoje em dia."

Uma possível resposta a esta ameaça de ataque é "fortalecer" os satélites de modo a tornar as suas electrónicas menos vulneráveis. As Forças Armadas dos EUA já fortalecem alguns dos seus satélites.

Mas se se pedisse às companhias americanas para fortalecerem os seus satélites, teriam mais dificuldade em competir com outras companhias internacionais que não precisam de tal requisito, notou Edward Morris, director do gabinete de comércio espacial da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

O'Hanlon recomendou a melhoria da observação de satélites de modo aos EUA saberem se os seus satélites estão a ser atacados. Alguns satélites, incluindo os satélites do NRO (National Reconnaissance Office), têm já sistemas de alerta, enquanto os radares da Força Aérea podem seguir foguetões ou outros objectos no espaço.

Outra maneira de lidar com um ataque a um satélite é bloqueando as comunicações do atacante. "De facto, já utilizámos algumas das nossas capacidades terrestres de bloquear comunicações, por isso estamos numa boa posição de lidar com um adversário," disse Kehler.

Kehler disse também que uma outra ameaça num futuro próximo poderá ser um ataque a estações terrestres que comunicam com os satélites militares. As Forças Armadas já tiveram que aumentar a segurança nestas instalações, disse. "Mas só podemos construír umas quantas vedações," comentou Kehler, por isso também deveriam haver estações de prevenção."

Links:

Sites relacionados:
Subcomité das Forças Armadas dos EUA
Michael O'Hanlon, Instituto Brookings
Departamento de Defesa dos EUA
Tratado Espacial de 1967 - Wikipedia
Explosão nuclear a alta altitude - Wikipedia

 
 

CÂMARA PRINCIPAL DO HUBBLE DEIXA DE TRABALHAR

A câmara principal do Telescópio Espacial Hubble está desligada desde o dia 19 de Junho. Os cientistas da missão estão desde aí a tentar usar as outras câmaras do observatório de modo a continuar com as operações científicas.

Entretanto, os engenheiros têm ainda que descobrir o que fez a ACS (Advanced Camera for Surveys) entrar em "modo de segurança", essencialmente um estado de hibernação que impede o funcionamento normal das operações. Mas espera-se uma boa resolução.

"Estamos muito optimistas" que a câmara seja reparada, disse Ed Ruitberg, gestor do programa Hubble no Centro Aerospacial Goddard da NASA. Ele disse que algumas causas potenciais para a avaria foram já postas de parte e que o problema tem provavelmente a ver com o interface de uma fonte de alimentação de baixa voltagem, algo entre umas pilhas e um componente da câmara. Se for esse o caso, então poder-se-á confiar na electrónica redundante para ultrapassar a área problemática.


O Telescópio Espacial Hubble, visto do vaivém Discovery, durante a segunda missão de reparação, STS-82.
Crédito: NASA/JPL, STS-82
(clique na imagem para ver versão maior)

"Estamos ainda a investigar o problema e a trabalhar em todos os tipos de contingências," disse Max Mutchler do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, onde decorrem as operações científicas do Hubble. "Esperamos o melhor mas também nos preparamos para outras contingências."

A ACS, instalada no observatório orbital pelos astronautas em 2002, já entrou em "modo de segurança" mais que uma vez recentemente, disse Mutchler, mas desta vez o problema é mais sério. "Já recuperámos destes problemas antes, mas este demora um pouco mais e é também mais complicado que os anteriores, simples 'resets' do software."

Estão a ser planeadas várias abordagens para resolver o problema, mas não podem ser implementadas até que se tenha a certeza do problema. "Até agora ainda não sabemos qual o problema em concreto."

Ruitberg disse que se a investigação revelar o que se suspeita, então uma reconfiguração poderá ter lugar Sexta, dia 30 e a câmara começará a funcionar novamente. Mesmo que o problema seja outro, disse, existem outras opções de reparação. Em resumo, espera-se que a câmara comece a funcionar a 100% em breve.

Se a ACS for reparada, então as operações científicas do Hubble não terão sofrido grandes danos, disse Bruce Margon, Vice-Director Científico do STScI.

"Teremos apenas que reajustar um bocado o calendário. Os alvos planeados [para a ACS] parecem estar convenientemente disponíveis durante o resto do ano."

O Hubble necessita de novas baterias e de giroscópios para continuar a funcionar para lá de 2007. A NASA já considerou uma missão de manutenção do Hubble, e possivelmente a instalação de uma nova câmara, mas a agência não planeia discutir esta possibilidade novamente até pelo menos Outubro.

Links:

Notícias relacionadas:
The Register
Monsters & Critics
CBC News
Reuters
Washington Post
MSNBC
Slashdot
Discovery Channel
ABC News

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
A Este de Antares - Crédito: Johannes Schedler (Panther Observatory)
A este de Antares, marcas escuras parecem surgir pelos intensos campos estelares na direcção do centro da nossa Via Láctea. Catalogadas no princípio do século XX pelo astrónomo E. E. Barnard, as nuvens de poeira interestelar incluem B72, B77, B78 e B59, vistas em silhueta contra o fundo estrelado. Aqui, a sua forma combinada sugere fumo a saír de um cachimbo, e por isso o nome popular da nebulosa escura é Nebulosa do Cachimbo. Esta espantosa imagem foi registada sob céus bastante escuros em Hakos, na Namíbia. Cobre um campo de 10 por 7 graus na constelação de Ofíuco.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ASTRONOMIA NO VERÃO  
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 27/06: 178º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Ao anoitecer, a finíssima Lua Crescente encontra-se perto de Pollux, Castor, com Mercúrio por baixo, e Saturno e Marte para cima e para a esquerda.

Dia 28/06: 179º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caíram na Terra, perto de Alexandria, Egipto. Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Observações: Tente procurar Saturno e Marte ao anoitecer.

Dia 29/06: 180º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas a Salyut 1. A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula.
Observações: A Lua esta noite encontra-se a 4.3º da estrela Régulo, de Leão.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Em Agosto de 1996, o satélite espião francês Cerise desintegrou-se após chocar, a 50 mil quilómetros por hora, com um fragmento de um foguete Ariane lançado dez anos antes.
 
 
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