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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 245
11 de Julho de 2005
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OBJECTO MISTERIOSO DESCOBERTO NO CORAÇÃO DE SUPERNOVA

No coração de um resto de supernova a 10,000 anos-luz de distância, encontra-se um objecto estelar nunca antes visto na nossa Galáxia pelos astrónomos.

À primeira vista, o objecto parece um denso corpo estelar conhecido como estrela de neutrões, rodeado por uma bolha de material estelar ejectado, exactamente o que se esperava de uma explosão de supernova.

No entanto, um olhar mais detalhado ao longo de 24.5 horas, usando o telescópio de raios-X XMM Newton da ESA, revelou que as emissões energéticas do objecto azul ciclam a cada 6.7 horas - dezenas de milhares de vezes o tempo esperado para uma estrela de neutrões recém-criada.

É um comportamento mais comum nas estrelas de neutrões (ou pulsares) que existem há já milhões de anos, dizem os cientistas.

"O comportamento que vemos é especialmente confuso tendo em conta a sua jovem idade, menos de 2,000 anos," disse o líder do estudo, Andrea De Luca do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF) de Milão. "Durante anos tivémos a sensação de que este objecto era diferente, mas nunca soubémos quão diferente até agora," disse De Luca.

As descobertas estão detalhadas na edição de 7 de Julho da revista Science.


Imagem da supernova RCW103.
Crédito: ESA/XMM-Newton/A.De Luca (INAF-IASF)
(clique na imagem para ver versão maior)

De nome 1E161348-5055, ou apenas 1E, o objecto está embebido quaso no centro exacto de RCW103, um resto de supernova localizado a 10,000 anos-luz de distância na direcção da constelação do Esquadro. Os astrónomos pensam que 1E e RCW103 nasceram ambos do mesmo catastrófico evento.

Tal como outras estrelas de neutrões, que se formam quando uma estrela com pelo menos oito vezes a massa do Sol gasta o seu combustível e explode numa supernova, estima-se que 1E tenha apenas 20 km de diâmetro.

Uma explicação para o estranho comportamento da estrela de neutrões é que talvez possa ser um magnetar, uma exótica subclasse de estrelas de neutrões altamente magnetizadas. Dos cerca de uma dúzia de magnetares conhecidos, no entanto, a maioria geralmente gira algumas vezes por minuto - muito mais depressa que 1E.

Esta explicação pode ainda funcionar, no entanto, se o magnetar estiver rodeado por um disco de detritos que ajuda a diminuir a velocidade de rotação da estrela de neutrões. Este cenário nunca foi observado e marcaria a descoberta de um novo estágio na evolução das estrela de neutrões, se confirmado.

Outra explicação, dizem os cientistas, é que 1E faz parte de um sistema binário, em que a sua companheira é uma estrela de baixa-massa, com metade (ou menos) da massa do Sol.

Tais sistemas binários de raios-X são conhecidos, mas regularmente envolvem sistemas milhões de vezes mais velhos que 1E.

Apesar das muitas especulações, a curta resposta é que os cientistas simplesmente ainda não conseguem explicar o estranho comportamento de 1E.

"RCW103 é um enigma," disse o membro da equipa de estudo, Giovanni Bignami, director do CESR (Centre d'Etude Spatiale des Rayonnements), na França. "Quando descobrirmos a explicação, aprenderemos muito mais sobre supernovas, estrelas de neutrões e sua evolução."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA
New Scientist
SPACE.com
USA Today
Monsters & Critics

XMM-Newton:
Página oficial
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
O crepitante e escuro Sol - Crédito: TRACE Project, Stanford-Lockheed Institute for Space Research, NASA
É este o nosso Sol? Sim. Até mesmo num dia normal, o nosso Sol é uma crepitante bola de gás quente. Imprevisivelmente, nascem regiões de entrelaçados e fortes campos magnéticos, causando manchas solares e brilhantes regiões activas. A superfície do Sol borbulha com correntes gasosas de hidrogénio quente ao longo das linhas do campo magnético. Estas regiões activas transportam gás, regularmente caíndo de novo para a superfície, mas por vezes escapam para a coroa solar ou para o espaço, o chamado vento solar. Na imagem do lado temos o Sol a três cores na luz ultravioleta. Dado que apenas as regiões activas emitem quantidades significantes de luz ultravioleta energética, a maioria do Sol parece escuro. As porções coloridas brilham de modo espectacular, localizando as regiões mais quentes e violentas do Sol. Embora o Sol esteja constantemente a mudar, a quantidade de luz visível que emite tem estado relativamente estável ao longo dos últimos cinco mil milhões de anos, permitindo à vida emergir na Terra.
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De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
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História: Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra. A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco populada da parte Oeste da Austrália.
Observações: Lua Cheia às 04:02.

Dia 12/07: 193º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2. Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em Janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0.654 UA).
Observações: Pode observar a Grande Mancha Vermelha em Júpiter a partir das 23:00

Dia 13/07: 194º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Luna 15.

 
 
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