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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 263
12 de Setembro de 2006
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OPPORTUNITY APROXIMA-SE DA CRATERA VICTÓRIA

Foi uma longa viagem para o rover Opportunity da NASA.

Percorrendo os espaços abertos dos campos de dunas de Meridiani Planum, o robot está prestes a alcançar um grande marco: a cratera Victória, com aproximadamente 750 metros de diâmetro e 70 de profundidade.

Mas antes de chegar ao seu destino, o robot inspecciona uma característica mais pequena de nome Emma Dean, disse Steve Squyres, líder da equipa científica da missão e cientista espacial da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.


A Opportunity está actualmente a estudar a cratera Emma Dean, antes de seguir caminho para a muito maior Victória.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

"Emma Dean deverá ser a nossa última paragem antes de alcançarmos o limite da cratera Victória," disse Squyres. "É um alvo importante, porque podemos escavar o material que foi ejectado pela colisão. Como tal, pode oferecer uma das melhores oportunidades que teremos para estudar tal material. Uma vez que acabemos de estudar Emma Dean, vamos fazer 'sprint' até Victória."

Desde que a Opportunity aterrou em Marte em Janeiro de 2004, Victória tem sido o destino da sonda durante mais de metade da missão, afirmou Ray Arvidson da Universidade de Washington em St. Louis. Arvidson é um dos investigadores principais para a Opportunity e a sua irmã gémea, a Spirit, na cratera Gusev, do outro lado planeta.

Arvidson disse numa conferência de imprensa que os estudos das rochas expostas nas paredes da cratera Victória irão permitir um muito maior conhecimento das condições passadas de Marte e do papel da água.

"Em particular, estamos bastante interessados em saber se as rochas continuam a mostrar evidências de terem sido formadas em lagos pouco profundos," disse Arvidson.

Os cientistas e controladores terrestres estão "prontos para correr até Victória com tudo o que temos," acrescentou Byron Jones, gestor da missão no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

Graças a imagens de Meridiani Planum obtidas pela sonda Mars Global Surveyor, da NASA, os operadores do rover sabem antemão o que esperar em Victória. As suas paredes expõem camadas de rochas com aproximadamente 30, 40 metros de espessura.


Mapa do progresso do rover Opportunity na direcção da cratera Victória.
Crédito: OSU Mapping, GIS Laboratory
(clique na imagem para ver versão maior)

Uma vez que a Opportunity alcance o limite da cratera, tirará um conjunto inicial de imagens. Com estas, os cientistas e engenheiros do JPL continuarão a planear o melhor percurso dentro da grande cratera.

A Opportunity tem atravessado vários anéis de material escuro em torno de Victória, disse William Farrand, cientista no Instituto de Ciência Espacial. É também membro da equipa científica dos rovers.

"Tem havido alguns receios de este ser um terreno solto, difícil de percorrer, mas afinal é bem compacto e uma boa superfície de condução. Estamos a planear estudar um pouco mais do material antes de seguirmos caminho para Victória," disse Farrand. Está em vias de planeamento uma estratégia para estudar a cratera.

Na lista de prioridades, disse Farrand, está a descoberta de um bom ponto de vantagem para tirar o que será um espectacular panorama a cores da cratera. Durante a viagem da sonda pelo limite da cratera, estará ainda pendente a decisão de conduzir a Opportunity numa direcção a favor ou contra os ponteiros do relógio, de uma perspectiva orbital.

"Penso que toda a gente na equipa está muito excitada em alcançar o limite da cratera e de olhar para o que está lá dentro," afirma Farrand.

John Callas, líder do projecto dos rovers do JPL, elogiou a longa lista de feitos que ambas as sondas completaram desde que aterraram em Marte em Janeiro de 2004.

Os dois rovers já mostram sinais de velhice, explica Callas. Por exemplo, uma junção no braço robótico da Opportunity emperrou há algum tempo à medida que tentava tirar medições de um local que tinha escavado.

"Não conseguimos dizer quanto tempo mais irão durar os rovers," disse, "mas tentaremos espremer o máximo de ciência possível destes tesouros enquanto funcionarem. A cratera Victória pode bem ser o local mais produtivo e excitante de toda a missão."

Entretanto, na cratera Gusev, o local de exploração da sonda Spirit, esta recentemente sofreu um «reset» no seu software. A causa do problema pensa-se que tenha sido uma falha no seu CPU.

Mesmo assim, ambas as sondas estão aptas a continuar os seus trabalhos científicos nos seus modos operacionais de Inverno. As gémeas estão também a aguentar a um bom nível eléctrico, retirando energia dos seus painéis solares.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa da NASA
Mars Daily
Monsters & Critics
MSNBC
The Register
BBC News

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Lua eclipsada na Inglaterra - Crédito: Gain Lee
Na passada Quinta-feira, parte da nossa Lua permaneceu mais escura. A causa, desta vez, não foi uma fase lunar parcial -- A Lua estava cheia -- mas uma parte da Lua que ficou "à sombra" da Terra. O eclipse lunar parcial daí resultante foi visível pela Europa, África e Ásia. A parte mais escura do eclipse lunar, quando parte da Lua está completamente protegida da luz do Sol, durou cerca de 90 minutos. Na imagem do lado, uma Lua parcialmente eclipsada, foi vista a nascer por cima de uma residência em Huddersfield, Inglaterra. A imagem foi tirada bem longe da casa, pois só assim permitiria parecer angularmente pequena quando comparada com o meio-grau da Lua. O lusco-fusco ilumina o céu. O próximo eclipse lunar apenas terá lugar em Março de 2007.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
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