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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 268
30 de Setembro de 2006
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OBSERVANDO A FORMAÇÃO DE PLANETAS

Usando o instrumento VISIR no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), um grupo de astrónomos mapeou o disco circumestelar de uma estrela mais massiva que o Sol. O disco, que é alongado e tem protuberâncias, contém gás e poeiras suficientes para a formação de planetas. Aparece como um percursor dos restos de discos já encontrados em estrelas do parecidas com Vega e fornece assim uma rara oportunidade para assistir às condições que ocorrem antes ou durante a formação estelar.

A equipa de astrónomos que fez a descoberta é composta por Pierre-Olivier Lagage, Coralie Doucet e Eric Pantin, (CEA Saclay, França), Sébastien Charnoz (Universidade Denis Diderot de Paris), Emilie Habart (Institut d'Astrophysique Spatiale, Orsay, França), Gaspard Duchêne, François Ménard e Christophe Pinte (Laboratoire d'Astrophysique de Grenoble, França), e Jan-Willem Pel (Universidade de Groningen, Holanda). Os cientistas apresentaram a descoberta na edição de 28 de Setembro da revista Science Express com o título: "Anatomy of a flaring proto-planetary disc around a young intermediate-mass star".



Impressão de artista do disco protoplanetário.
Crédito: ESO

"Os planetas formam-se em discos protoplanetários massivos de gás e poeiras que rodeiam as estrelas em formação. Este processo deve ser algo generalizado dado que foram já descobertos mais de 200 planetas em torno de estrelas que não o Sol", disse Pierre-Olivier Lagage, o coordenador da equipa que levou a cabo as observações. "No entanto, há muito pouco que se saiba acerca destes discos, em particular em torno de estrelas que são mais massivas que o Sol. Estas estrelas são muito luminosas e podem ter uma forte influência sobre o disco, destruindo rapidamente a sua parte mais interior."

Com uma idade de apenas poucos milhões de anos (o Sol tem 4600 milhões de anos), a estrela HD 97048 agora mapeada pertence à nuvem escura Chameleon I, uma maternidade estelar localizada a cerca de 600 anos-luz do Sol. A estrela é 40 vezes mais luminosa que o nosso Sol e 2,5 vezes mais massiva.

Os astrónomos apenas poderiam obter uma observação tão detalhada usando a resolução angular que é possível obter com um telescópio de 8 metros de diâmetro trabalhando no infravermelho. O VLT permite uma resolução de 0,33 segundos de arco. Os astrónomos descobriram um disco muito largo, que se estende até pelo menos um raio 12 vezes maior que o do planeta mais exterior do sistema solar, Neptuno. As observações sugerem que o disco é alargado. "Isto embora fosse previsto por alguns modelos teóricos, é observado pela primeira vez em torno de uma estrela massiva," disse Lagage.

Esta geometria apenas pode ser explicada se o disco contiver uma grande quantidade de gás (pelo menos 10 vezes a massa de Júpiter), devendo ter também uma grande quantidade de poeiras (pelo menos 50 massas terrestres).

A massa de poeiras aqui implicada é mais de mil vezes superior à que se observa em restos de discos e estruturas tipo cinturão de Kuiper que se encontram em torno de estrelas do tipo Vega como, por exemplo, Beta Pictoris, Vega, Fomalhaut e HR 4796. Pensa-se que a poeira em torno destas estrelas resulta da colisão entre corpos mais massivos. A poeira em torno da HD 97048 é semelhante àquela que se pensa ser necessária para os corpos maiores que se observam nestes sistemas mais evoluídos. O disco da HD 97048 é provavelmente o percursor destes discos de restos observados nas estrelas um pouco mais velhas.

"Da estrutura do disco, inferimos que no seu interior se encontrarão embriões planetários" disse Lagage. "Estamos agora a planear observações com o interferómetro do VLT para podermos sondar melhor estas regiões."

Links:

Notícias relacionadas:
Nota de imprensa (ESO)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
NGC 5905 and 5908 - Crédito: Stefan Seip
Estas duas belas galáxias, NGC 5905 (esquerda) and NGC 5908 (direita), encontram-se a 140 milhões de anos-luz na direcção da constelação do Dragão. Separadas por cerca de 500.000 anos-luz, as duas galáxias do par são na realidade duas galáxias espirais e ilustram de forma perfeita os contrastes possíveis quando se observa galáxias espirais de perspectivas diferentes.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 30/09: 273º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orion. A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do HST.
Em 1999, aproximação máxima da Terra pelo asteróide 1992 SK (0.479 UA).
Observações: A Lua atinge o Quarto Crescente às 12h (hora local).
Mercúrio atinge o afélio (maior distância ao Sol).

Dia 01/10: 274º dia do calendário gregoriano.
História:Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA.
Observações: Aproximam-se as últimas noites para observar Júpiter, após o por-do sol e aproveitar para tirar algumas fotografias.

Dia 02/10: 275º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Prolongando a cauda da Ursa Maior vamos encontrar a estrela Arcturus. Esta noite, pouco depois do por-do-Sol, será possível encontrar a estrela Arcturus a oeste-noroeste à mesma altura que a estrela Capela, de igual brilho, que se encontrará a nordeste. Consegue dizer a que hora isso acontece?

Dia 03/10: 276º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço exterior.
Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Neptuno a 3º N da Lua às 8h (hora local).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vénus é o planeta do Sistema Solar com o dia mais longo (247 dias). De facto, o dia venusiano dura mais que o seu ano, que dura 224,7 dias.
 
 
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