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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 274
21 de Outubro de 2006
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A ESTRELA, A ANÃ E O PLANETA

Uma equipa de astrónomos detectou uma pequena companheira em torno da estrela HD3651, que já era sabido que albergava um planeta. Esta companheira, uma anã castanha, é até hoje a mais pequena companheira detectada directamente em imagem numa estrela contendo um exoplaneta. É também uma das ténues anãs T detectadas nas vizinhanças do Sol até ao momento. Esta detecção ajuda a compreender melhor as condições nas quais os planetas se formam.

"Este sistema é um exemplo interessante que pode provar que os planetas e anãs castanhas se podem formar em torno da mesma estrela", disse Markus Mugrauer, primeiro autor do artigo sobre a descoberta.

HD 3651 é uma estrela ligeiramente menos massiva que o Sol que se localiza a 36 anos-luz na direcção da constelação de Peixes. Há vários anos que se sabe que alberga um planeta mais pequeno que Saturno, que está localizado mais próximo da sua estrela do que Mercúrio está do Sol, o que lhe confere um período orbital de 62 dias.


A companheira da HD 3651.
Crédito: ESO

(clique na imagem para ver maior)

Mugrauer e os seus colegas fizeram inicialmente a detecção da anã castanha em 2003 usando um telescópio de 3,8 m chamado United Kingdom Infrared Telescope (UKIRT), localizado no monte Mauna Kea, no Hawaii. Observações em 2004 e 2006 usando o telescópio de 3.6 m New Technology Telescope (NTT) pertencente ao ESO e localizado em La Silla, no Chile, forneceram a confirmação crucial de que o espectro não é o de uma espúria estrela de fundo mas é de facto o de uma companheira. A companheira, chamada HD 3651B, está 16 vezes mais distante da estrela do que Neptuno se encontra afastado do Sol.

HD 3651B é a mais ténue companheira já observada de uma estrela albergando um planeta extrasolar. Além disso não aparece sequer nas placas fotográficas do Palomar All Sky Survey, pelo que este companheiro deve ser ainda mais ténue no visível que no infravermelho, o que significa que se trata de um objecto estelar de pequena massa muito frio. Comparando as suas características com modelos teóricos, os astrónomos inferiram que este objecto estelar terá entre 20 e 60 massas de Júpiter e uma temperatura à superfície de 500 a 600ºC. Isto significa que é cerca de 300.000 vezes menos luminoso que o Sol. Estas propriedades colocam-na na categoria anã castanha fria do tipo-T.


Posição relativa da companheira da HD3651.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver maior)

"Devido a serem muito ténues, mesmo no infravermelho, estas estrelas são muito difíceis de encontrar", disse Mugrauer. "Apenas são conhecidas actualmente mais duas anãs castanhas com brilho semelhante. O seu estudo fornecerá importantes dados sobre as propriedades atmosféricas dos objectos sub-estelares frios."

Actualmente são conhecidas mais de 170 estrelas com exoplanetas. Algumas delas têm um ou mais companheiros estelares, o que revela que o ambiente de formação de planetas pode ocorrer em ambientes substancialmente mais complicados que o nosso Sistema Solar, onde os planetas se formaram em torno de uma única estrela.

Em 2001, Mugrauer e os seus colegas começaram um programa observacional para determinar se as estrelas que têm exoplanetas são simples ou múltiplas, observando as estrelas em duas épocas diferentes para verificar a existência de relações orbitais entre elas (que não existem relativamente às estrelas de fundo). A maior parte dos companheiros detectados são estrelas de pequena massa no mesmo estado evolutivo que o Sol. Em dois casos foram já encontradas como companheiras anãs brancas que são estrelas no final da sua vida. Estes sistemas vieram provar que os planetas podem sobreviver aos últimos momentos problemáticos associados à morte de uma estrela próxima.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (Nota de imprensa)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 

SWAN encontra galáxia - Crédito: Andrea Tamanti
Na noite de 9 de Outubro o cometa SWAN esteve "muito próximo" da galáxia NGC 5005 localizada na constelação Canes Venatici (Cães de Caça). Nessa data o cometa encontrava-se a cerca de 9 minutos-luz de nós, enquanto a estrela se encontra a 60 milhões de anos-luz. O cometa SWAN não está relacionado com um cisne como o nome parece indiciar. O seu nome é a sigla da primeira câmara que o detectou, a câmara SWAN (Solar Wind ANisotropies) que se encontra a bordo da sonda SOHO. O cometa SWAN terá a sua máxima aproximação à Terra no dia 24 de Outubro e é neste momento visível com pequenos binóculos pelos habitantes do hemisfério Norte, logo após o anoitecer junto à cauda da Ursa Maior.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 21/10: 294º dia do  calendário gregoriano.
História: em 2003 foram tiradas as imagens do planeta Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo, e David L. Rabinowitz.
Observações: Não perca oportunidade de observar o cometa SWAN com uns pequenos binóculos ao anoitecer junto à cauda da Ursa Maior.

Dia 22/10: 295º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2067 AC eram decapitados na China dois astrónomos por terem falhado a sua previsão de um eclipse total do Sol.
Em 1967, a Apollo 7 amarava em segurança, após ter orbitado a Terra 163 vezes.
Em 1979 a sonda Venera 9 aterrava em Vénus e transmitia imagens de televisão durante cerca de 119 minutos.
Observações: Lua Nova às 06h (hora local).

Dia 23/10: 296º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Marte em conjunção com o Sol às 08h (hora local)

Dia 24/10: 297º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1998 era lançada a sonda Deep Space 1 na sua missão de estudo de asteróides/cometas.
Observações: Júpiter a 5ºN da Lua às 09h (hora local). Mercúrio a 1º,4N da Lua às09h (hora local.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Saturno tem uma densidade média inferior à da água.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
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