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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 292
23 de Dezembro de 2006
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CIENTISTAS PREVÊEM GRANDE CICLO SOLAR


Erupção de uma protuberância solar.
Crédito: SOHO-EIT Consortium, ESA, NASA

O ciclo solar 24 que se espera tenha um pico por volta de 2010 ou 2011, poderá vir a ser o mais intenso desde que se fazem registos da actividade solar há cerca de 400 anos, segundo o astrónomo solar David Hathaway do Marshall Space Flight Center. Ele e o seu colega Robert Wilson apresentaram esta conclusão na reunião da semana passada da União Geofísica Americana que se realizou em São Francisco, Califórnia.

A sua previsão está baseada em registos históricos das tempestades geomagnéticas.

Hathaway explicou que "quando uma frente de vento solar atinge o campo magnético da Terra, isso provoca deformações ligeiras (pequenos abanões) na forma do campo magnético. Se o campo abanar demasiado temos o que se chama uma tempestade solar." Nos casos mais extremos, estas tempestades podem causar cortes de electricidade e fazer com que as agulhas das bússolas apontem em direcções erradas. As auroras (boreais e austrais) são bonitos efeitos colaterais.

Hathaway e Wilson analisaram os registos da actividade geomagnética durante os últimos 150 anos e segundo Hathaway verificaram que "a quantidade de actividade geomagnética nos diz como é que o ciclo solar vai ser dentro de 6 a 8 anos"

Uma imagem vale mais que mil palavras :


Picos na actividade geomagnética (vermelho) antecedem os máximos solares (preto) com 6 a 8 anos de avanço.
Crédito: NASA

No gráfico acima, a curva a negro representa os ciclos solares, enquanto a curva a vermelho representa os índices geomagnético, particularmente a Variabilidade Interhorária ou IHV. "Estes índices são obtidos a partir de dados de magnetómetros localizados em pontos opostos da superfície da Terra: um na Inglaterra e o outro na Austrália. Os dados de IHV têm sido tirados diariamente desde 1868," disse Hathaway.

Correlacionando o número de manchas solares com o IHV, verificaram que o IHV permite prever a amplitude do ciclo solar com mais de 6 anos de antecedência com um coeficiente de correlação de 94%.

"Não sabemos como funciona," diz Hathaway, pois a Física subjacente é um mistério. "No entanto, parece funcionar."


Previsão de Hathaway e Wilson para o ciclo solar 24.
Crédito: Hathaway e Wilson, NASA

De acordo com a sua análise, o próximo máximo solar deverá ocorrer por volta de 2010 com número de manchas solares de +160 ou -25. Isto faria deste o ciclo solar e mais intenso dos últimos 50 anos, ou seja, um dos mais intensos da história com registos.

Os astrónomos têm estado a contar manchas solares desde o tempo de Galileu, vendo a actividade solar aumentar e diminuir a cada 11 anos. Curiosamente, os quatro ou cinco ciclos de maior intensidade foram registados nos últimos cinquenta anos. "O ciclo 24 pode ajustar-se a este padrão," disse Hathaway.

Estes resultados são apenas os últimos a sugerir um grande Ciclo 24. No trabalho de Hathaway com Mausumi Dikpati e outros colegas do National Center for Atmospheric Research (NCAR) em Boulder, no Colorado, combinaram observações do Grande Cinturão de Convecção do Sol com um sofisticado modelo computacional do campo magnético interno do Sol para obter uma previsão Física do próximo ciclo solar. Resumidamente, concluíram que vai ser intenso. Esperemos então por 2010.

Links:
Notícias da NASA

Notícias Relacionadas:
O Ciclo Solar (NASA)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
Analema e o Templo de Zeus - Crédito: Anthony Ayiomamitis
Um analema é um figura em forma de 8 que se obtém quando se marca a posição do Sol todos os dias à mesma hora durante o períodos de um ano. Nesta imagem, 47 exposições separadas (mais uma de enquadramento com o magnifico Templo de Zeus) foram registadas na mesma imagem de um rolo fotográfico de modo a mostrar o movimento solar entre 30 de Março de 2003 e 30 de Março de 2004. Os solstícios correspondem aos pontos mais alto e mais baixo do analema. Esta curva deve-se ao facto de a Terra possuir um eixo inclinado relativamente ao plano da órbita, que aponta na mesma direcção ao longo de todo o ano.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 23/12: 346º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno Rea.
Observações:Tente descobrir o lado exterior da Via Láctea que atravessa a constelação de Touro junto às Hiades, muito menos glorioso que o brilhante centro da Via Láctea com que nos brinda o céu do final de Verão entre as constelações de Escorpião e Sagitário.

Dia 24/12: 347º dia do calendário gregoriano.
Observações: Mostre o céu à sua família nesta noite de consoada. Neptuno a 3ºN da Lua às 3h (hora local)

Dia 25/12: 348º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton.
Em 2004, a sonda Huygens foi largada pela Cassini sobre Titã.
Observações: Urano a 0,08ºS da Lua às 21h (hora local)

Dia 26/12: 349º dia do  calendário gregoriano.
História:  Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada regressava à Terra.
Em 1973, o cometa Kohoutek atingia o periélio.
No mesmo dia a Soyuz 13 voltava à Terra. Em 1974 era lançada a Salyut 4.
Observações: Aproveite para fazer fotografias da Grande Nebulosa de Orionte (M42).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

A Terra vai atingir o ponto mais próximo do Sol da sua órbita (periélio) no próximo dia 3 de Janeiro, no entanto estamos no pino do Inverno.
As estações do ano não têm nada a ver com a distância da Terra ao Sol mas sim com o facto de a Terra possuir um eixo inclinado relativamente ao plano da órbita, que aponta na mesma direcção ao longo de todo o ano.
Assim, numa parte do ano é o hemisfério Sul que está mais directamente exposto à radiação solar, pelo que é Verão nesse hemisfério enquanto é inverno no nosso, ocorrendo o inverso seis meses mais tarde. Assim, nesta altura em que o Sol se encontrará a 147.093.602 km estaremos no frio Inverno em Portugal, esperando-se tempos mais quentes quando a 7 de Julho a Terra atingir o afélio a 152.097.053 km do Sol.

 
 
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