UM COMEÇO QUENTE PODE EXPLICAR OS GEYSERS DE ENCELADO
De acordo com um novo estudo, as plumas observadas a serem libertadas pela lua de Saturno, Encelado, devem a sua existência a um flash de radioactividade que derreteu a lua gelada depois da sua formação.
Os cientistas ficaram espantados quando a sonda Cassini revelou plumas de vapor de água sendo ejectadas pela lua de Saturno, Encelado, em 2005. A observação sugeria a existência de água líquida por baixo da sua superfície, providenciando condições favoráveis para a vida.

Os jactos gelados de Encelado espalham partículas para o espaço, formando o difuso anel E de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Sciente Institute
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Mas a fonte do calor necessário para produzir as plumas não tinha sido clarificado. Previamente, os cientistas sugeriram que era uma combinação de dois factores - o decaímento de isótopos radiocativos no núcleo rochoso da lua, e fricção à medida que a lua era esticada e comprimida pela gravidade de Saturno - um mecanismo chamado aquecimento das marés.
Mas esses dois processos só por si não poderiam explicar como Encelado desenvolveu um núcleo rochoso, pois deveria ter começado como uma mistura uniforme de rocha e gelo.
Um novo estudo propõe que um breve período de intenso decaímento radioactivo derreteu o gelo da lua, permitindo às rochas caírem para o seu centro e formarem um núcleo derretido. Julie Castillo-Rogez do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, liderou a equipa que estudou esta ideia.
Encelado podia ter acumulado uma grande proporção de breves isótopos chamados alumínio-26 e ferro-60 ao "varrer" pequenos objectos rochosos ricos nos dois isótopos. Chamados inclusões ricas em cálcio e alumínio, estes objectos com centímetros encontram-se embebidos em alguns meteoritos. Estão entre os primeiros sólidos a se formarem no Sistema Solar há cerca de 4.6 mil milhões de anos atrás, sugerindo que Encelado também coalesceu bem cedo.
Durante uns quantos milhões de anos, depois da formação de Encelado, estes isótopos terão decaído rapidamente e aquecido a lua. "O gelo dentro do satélite derreteu completamente," diz Castillo-Rogez. "Como resultado disto, a rocha separa-se do gelo e afunda-se para o centro."
No centro da lua, a rocha formaria um núcleo derretido, e a força das marés faria com que permanecesse aquecido até hoje em dia. O calor transportado do núcleo, que deveria ainda conter algumas bolsas derretidas, providenciaria calor suficiente para produzir as plumas, dizem os cientistas.
O quadro geral é que os isótopos de curta-duração - o alumínimo-26 tem um esperança média de vida de apenas 700,000 anos, por exemplo - são os responsáveis pelas plumas. "O decaímento dos radioisótopos de curta-duração não fazem este trabalho todo, mas podem iniciá-lo, para outros processos tomarem o seu lugar," diz Dennis Matson do JPL, membro da equipa de estudo.
O cenário poderá também explicar a observação do nitrogénio molecular nas plumas de Encelado observadas pela Cassini, explica Matson.
O nitrogénio poderá originar a quebra de amoníaco onde o núcleo da lua se encontra com a água e amoníaco. Para esta reacção ocorrer, a temperatura precisa de estar pelo menos a 300º Celsius. "Eventualmente chega à superfície e escapa para o espaço onde pode ser observado," afirma.
Os resultados foram anunciados na Segunda-feira passada na Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Houston, Texas, EUA.
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Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
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Encelado:
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SEDS
Cassini:
Página oficial (NASA)
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DESCOBERTA TORNA BURACOS NEGROS AINDA MAIS MISTERIOSOS
Um novo estudo revelando mais de mil buracos negros supermassivos em apenas uma região do céu, põe em dúvida um modelo popular de como estes monstros gravitacionais se comportam.
Os buracos negros não podem ser vistos, mas os astrónomos podem identificá-los pelos seus efeitos gravitacionais no material em redor e ao estudar as suas emissões de raios-X e outras radiações da sua "bocarra".

Um novo panorama de campo-largo revela que mais de mil buracos negros supermassivos em centros de galáxias, alguns com vários milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Este estudo foi levado a cabo numa região da constelação do Boieiro. Com 9.3 graus quadrados, é cerca de 40 vezes maior que o diâmetro aparente da Lua Cheia no céu nocturno, também sobreposto neste gráfico para efeitos de escala.
Crédito: Raios-X: NASA/CXC/CfA/R.Hickox et al.; Lua: NASA/JPL
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Normalmente, um buraco negro é rodeado por uma região com a forma de um donut, ou toro, de gás. A observação da vizinhança imediata do buraco negro é bloqueada por este toro, por diferentes quantidades e dependendo da orientação - se estamos a olhar de perfil ou de cima.
A ser verdade, então os astrónomos deverão descobrir um intervalo de absorção na radiação dos núcleos dos buracos negros - desde núcleos que estão bem escondidos e não são quase detectáveis, até àqueles nada obscurecidos.
"Em vez de descobrir uma grande variedade, descobrimos que quase todos os buracos negros, ou estão 'nus', ou cobertos por um denso véu de gás," disse Ryan Hickox do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica. "Muito poucos se encontram no meio, o que nos faz questionar quão bem conhecemos o ambiente em torno destes buracos negros."
Os objectos descobertos são chamados núcleos galácticos activos. São objectos muito brilhantes, envoltos em gás e poeira e pensa-se que sejam galáxias em desenvolvimento, ancoradas por buracos negros.
Este estudo encontrou mais de 600 objectos obscurecidos e 700 a descoberto, localizados entre 6 e 11 mil milhões de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz viaja num ano, cerca de 10 biliões de quilómetros. Por isso, estes objectos estão a ser observados como eram há milhares de milhões de anos atrás. O Universo tem cerca de 13.7 mil milhões de anos.
Os buracos negros foram detectados pela combinação de dados a partir do Observatório de Raios-X da NASA, Chandra, pelo Telescópio Espacial Spitzer e por telescópios ópticos terrestres.
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Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
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Buracos negros:
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