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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 311
14 de Março de 2007
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UM COMEÇO QUENTE PODE EXPLICAR OS GEYSERS DE ENCELADO

De acordo com um novo estudo, as plumas observadas a serem libertadas pela lua de Saturno, Encelado, devem a sua existência a um flash de radioactividade que derreteu a lua gelada depois da sua formação.

Os cientistas ficaram espantados quando a sonda Cassini revelou plumas de vapor de água sendo ejectadas pela lua de Saturno, Encelado, em 2005. A observação sugeria a existência de água líquida por baixo da sua superfície, providenciando condições favoráveis para a vida.


Os jactos gelados de Encelado espalham partículas para o espaço, formando o difuso anel E de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Sciente Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas a fonte do calor necessário para produzir as plumas não tinha sido clarificado. Previamente, os cientistas sugeriram que era uma combinação de dois factores - o decaímento de isótopos radiocativos no núcleo rochoso da lua, e fricção à medida que a lua era esticada e comprimida pela gravidade de Saturno - um mecanismo chamado aquecimento das marés.

Mas esses dois processos só por si não poderiam explicar como Encelado desenvolveu um núcleo rochoso, pois deveria ter começado como uma mistura uniforme de rocha e gelo.

Um novo estudo propõe que um breve período de intenso decaímento radioactivo derreteu o gelo da lua, permitindo às rochas caírem para o seu centro e formarem um núcleo derretido. Julie Castillo-Rogez do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, liderou a equipa que estudou esta ideia.

Encelado podia ter acumulado uma grande proporção de breves isótopos chamados alumínio-26 e ferro-60 ao "varrer" pequenos objectos rochosos ricos nos dois isótopos. Chamados inclusões ricas em cálcio e alumínio, estes objectos com centímetros encontram-se embebidos em alguns meteoritos. Estão entre os primeiros sólidos a se formarem no Sistema Solar há cerca de 4.6 mil milhões de anos atrás, sugerindo que Encelado também coalesceu bem cedo.

Durante uns quantos milhões de anos, depois da formação de Encelado, estes isótopos terão decaído rapidamente e aquecido a lua. "O gelo dentro do satélite derreteu completamente," diz Castillo-Rogez. "Como resultado disto, a rocha separa-se do gelo e afunda-se para o centro."

No centro da lua, a rocha formaria um núcleo derretido, e a força das marés faria com que permanecesse aquecido até hoje em dia. O calor transportado do núcleo, que deveria ainda conter algumas bolsas derretidas, providenciaria calor suficiente para produzir as plumas, dizem os cientistas.

O quadro geral é que os isótopos de curta-duração - o alumínimo-26 tem um esperança média de vida de apenas 700,000 anos, por exemplo - são os responsáveis pelas plumas. "O decaímento dos radioisótopos de curta-duração não fazem este trabalho todo, mas podem iniciá-lo, para outros processos tomarem o seu lugar," diz Dennis Matson do JPL, membro da equipa de estudo.

O cenário poderá também explicar a observação do nitrogénio molecular nas plumas de Encelado observadas pela Cassini, explica Matson.

O nitrogénio poderá originar a quebra de amoníaco onde o núcleo da lua se encontra com a água e amoníaco. Para esta reacção ocorrer, a temperatura precisa de estar pelo menos a 300º Celsius. "Eventualmente chega à superfície e escapa para o espaço onde pode ser observado," afirma.

Os resultados foram anunciados na Segunda-feira passada na Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Houston, Texas, EUA.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
Forbes
FOXNews.com
ABC News
Wired News
Science Daily
Spaceflight Now
PHYSORG.com

Encelado:
Wikipedia
SEDS

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 

DESCOBERTA TORNA BURACOS NEGROS AINDA MAIS MISTERIOSOS

Um novo estudo revelando mais de mil buracos negros supermassivos em apenas uma região do céu, põe em dúvida um modelo popular de como estes monstros gravitacionais se comportam.

Os buracos negros não podem ser vistos, mas os astrónomos podem identificá-los pelos seus efeitos gravitacionais no material em redor e ao estudar as suas emissões de raios-X e outras radiações da sua "bocarra".


Um novo panorama de campo-largo revela que mais de mil buracos negros supermassivos em centros de galáxias, alguns com vários milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Este estudo foi levado a cabo numa região da constelação do Boieiro. Com 9.3 graus quadrados, é cerca de 40 vezes maior que o diâmetro aparente da Lua Cheia no céu nocturno, também sobreposto neste gráfico para efeitos de escala.
Crédito: Raios-X: NASA/CXC/CfA/R.Hickox et al.; Lua: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Normalmente, um buraco negro é rodeado por uma região com a forma de um donut, ou toro, de gás. A observação da vizinhança imediata do buraco negro é bloqueada por este toro, por diferentes quantidades e dependendo da orientação - se estamos a olhar de perfil ou de cima.

A ser verdade, então os astrónomos deverão descobrir um intervalo de absorção na radiação dos núcleos dos buracos negros - desde núcleos que estão bem escondidos e não são quase detectáveis, até àqueles nada obscurecidos.

"Em vez de descobrir uma grande variedade, descobrimos que quase todos os buracos negros, ou estão 'nus', ou cobertos por um denso véu de gás," disse Ryan Hickox do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica. "Muito poucos se encontram no meio, o que nos faz questionar quão bem conhecemos o ambiente em torno destes buracos negros."

Os objectos descobertos são chamados núcleos galácticos activos. São objectos muito brilhantes, envoltos em gás e poeira e pensa-se que sejam galáxias em desenvolvimento, ancoradas por buracos negros.

Este estudo encontrou mais de 600 objectos obscurecidos e 700 a descoberto, localizados entre 6 e 11 mil milhões de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz viaja num ano, cerca de 10 biliões de quilómetros. Por isso, estes objectos estão a ser observados como eram há milhares de milhões de anos atrás. O Universo tem cerca de 13.7 mil milhões de anos.

Os buracos negros foram detectados pela combinação de dados a partir do Observatório de Raios-X da NASA, Chandra, pelo Telescópio Espacial Spitzer e por telescópios ópticos terrestres.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
PHYSORG.com
Spaceflight Now

Observatório de Raios-X Chandra:
Página da NASA
Página de Harvard
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
FAQ por Ted Bunn

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Atacando Marte - Crédito: M. Di Lorenzo et al., Mars Exploration Rover Mission, Cornell U., JPL, NASA; Cortesia: Aviation Week
O rover Spirit atacou Marte outra vez em Setembro de 2005. O que poderia parecer, ao lado, como um ataque militar, no entanto, foi apenas mais um científico - a Spirit tinha ordens para estudar detalhadamente rochas interessantes perto do cume do Monte Husband. A câmara panorâmica da Spirit capturou o seu instrumento de perfuração à medida que se movia para melhor observar um grupo de rochas chamado Hillary. O rover, tal como o seu irmão gémeo Opportunity, já exploram o Planeta Vermelho há mais de três anos. Os dois já descobriram provas que partes de Marte estavam no seu passado debaixo de água.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 24 de Fevereiro de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 14/03: 73º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1879, nascia Albert Einstein.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Observações: Orionte brilha alto a Sudoeste à noite esta semana, já um pouco inclinado, estando as suas três estrelas da cintura quase na horizontal. Já reparou como as constelações parecem mover-se para Oeste nesta altura do ano? É porque a noite chega cada vez mais tarde, o que força a se fazerem observações mais tarde do que faria mais cedo na estação.

Dia 15/03: 74º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713 nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.
Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Observações: Ao amanhecer, olhe bem baixo para Sudeste e observe a Lua. O ponto brilhante para a sua esquerda é o planeta Marte.

Dia 16/03: 75º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticalidade dos foguetões e convence Goddard que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua. Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96.6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12.5 metros.
Em 1966 era lançada a Gemini 8 - o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejectado da Terra aquando do impacto com um objecto do tamanho de Marte.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Einstein ganhou o Prémio Nobel da Física, não pela sua famosíssima Teoria Geral da Relatividade, mas pela sua explicação do efeito fotoeléctrico.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
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