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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 329
20 de Junho de 2007
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DESTRUÍDAS HIPÓTESES DE VIDA EM PLANETA DISTANTE

No início deste ano, cientistas anunciaram a descoberta de um pequeno planeta rochoso localizado longe o suficiente da sua estrela-mãe para permitir a existência de água líquida à sua superfície, e sendo assim suportar vida.

No entanto, parece agora que os cientistas escolheram a estrela acertada para "instalar" este mundo habitável, mas se "enganaram" no planeta. Conhecido como Gliese 581c, é provavelmente demasiado quente para suportar água líquida ou vida, sugerem os novos modelos computacionais, mas as condições do seu planeta vizinho, Gliese 581d, poderão ser as ideais.

As conclusões estão detalhadas na edição de 25 de Maio da revista Astronomy & Astrophysics.

Gliese 581c, descoberto em Abril por uma equipa liderada por Stephane Udry do Observatório de Geneva na Suíça, é aproximadamente 50% maior que a Terra e cerca de cinco vezes mais massivo. Está localizado a mais ou menos 20.5 anos-luz de distância, e orbita uma ténue anã vermelha chamada Gliese 581.

Dos mais de 200 planetas extrasolares já descobertos desde 1995, Gliese 581c foi o primeiro descoberto a residir dentro da zona habitável da sua estrela-mãe, se bem que nos limites. Esta é a região em torno de uma estrela onde a temperatura nem é muito quente nem muito fria, permitindo a existência de água, à superfície do planeta, no estado líquido. A água é um ingrediente essencial para a vida tal como a conhecemos.

Mas novas simulações do clima em Gliese 581c, criadas por Werner von Bloh do Instituto para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha, e sua equipa, sugerem que o planeta não é nenhum paraíso terrestre, mas ao invés um distante "Vénus", onde o dióxido de carbono e o metano na atmosfera criam um efeito de estufa que aquece o planeta bem acima dos 212 graus Fahrenheit (100 Celsius), evaporando a água líquida e com ela a promessa de vida.


Impressão de artista do sistema planetário em torno da anão vermelha Gliese 581. Novos modelos computacionais sugerem que o planeta possa ser demasiado quente para suportar água líquida e vida.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas o mesmo efeito de estufa que arrasa as hipóteses de vida em Gliese 581c levanta algumas esperanças para outro planeta no mesmo sistema, um mundo com cerca de oito massas terrestres de nome Gliese 581d, também descoberto pela equipa de Udry.

"Este planeta está na realidade fora da zona habitável," disse Manfred Cuntz, um astrónomo da Universidade do Texas em Arlington e um membro da equipa de von Bloh. "Parece à primeira vista muito frio. No entanto, com base no efeito de estufa, determinados processos físicos ocorrem e aquecem o planeta a uma temperatura que permite a existência de água líquida."

E onde esta água líquida fluir, há uma chance de poder haver vida. Os cientistas especulam que "pelo menos algumas primitivas formas de vida" poderão existir em Gliese 581d. Não existem, no entanto, provas para suportar esta especulação.

David Charbonneau, um astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica (cfA), que não esteve envolvido no estudo, disse que os resultados da equipa de von Bloh são "provavelmente teorias sãs mas que não sabemos na realidade se estão correctas."

Gliese 581d demonstra a importância de entrar em conta com as condições atmosféricas de um planeta quando considerando o seu potencial para a habitabilidade. O conceito de uma zona habitável "é algo muito útil porque nos fornece grande informação, e também explica muito no nosso próprio Sistema Solar. Mas não é a história toda," disse Charbonneau.

Jaymie Matthews, um astrónomo da Universidade de British Columbia no Canadá, não trata os novos achados como conclusivos, mas acha-os "interessantes como uma ilustração de como podemos usar os remotos ambientes exoplanetários como possíveis cobaias para os modelos climáticos."

Os modelos feitos pela equipa de von Bloh poderiam ser testados se os cientistas conseguissem medir as emissões térmicas e a reflectividade, ou "albedo", dos planetas, disse Matthews.

Os cientistas "já fizeram isto para HD 209458b, um Júpiter quente, mas necessitaremos de obrigatoriamente dar este passo para os possíveis planetas tipo-Terra de modo a determinar verdadeiramente a sua habitabilidade," acrescenta.

A própria pesquisa de Matthews, recentemente apresentada na reunião anual da Sociedade Astronómica Canadiana, sugere uma razão para Gliese 581 mostrar grandes esperanças como uma estrela com planetas habitáveis: é que aparenta ser similar ao nosso Sol no que respeita à sua espectacular estabilidade.

Matthews e sua equipa usaram um telescópio espacial Canadiano de nome MOST para monitorizar Gliese 581 durante seis semanas. Durante esse tempo, observaram muito poucas instâncias de poderosas proeminências solares, comuns entre as estrelas anãs vermelhas.

"Se a estrela mostrasse variações significativas no brilho durante as semanas que a estudámos, isso no mínimo complicaria o equilíbrio térmico dos planetas em seu redor," explicou Matthews.

A estabilidade da luz também sugere que Gliese 581 é velha e que existe há já uns quantos milhares de milhões de anos.

"As estrelas jovens, tal como os adolescentes, têm grandes casos de acne (grandes manchas estelares e diversa actividade) e rodam de modo invulgar," disse Matthews. "Estrelas mais velhas como o Sol têm uma aparência relativamente clara e rodam muito serenamente."

A idade avançada de Gliese 581 é uma boa notícia para os cientistas em busca de vida no sistema.

"Nós sabemos que demorou três mil milhões e meio de anos para a vida na Terra alcançar o nível de complexidade que chamamos de humana," disse Matthews, "por isso é encorajador para as hipóteses de vida complexa em qualquer planeta do sistema Gliese 581 se a estrela já existir há assim tanto tempo."

Links:

Notícias relacionadas:
MSNBC
People's Daily Online

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
 

CASSINI DESCOBRE OUTRAS LUAS DE SATURNO QUE SÃO ACTIVAS

De acordo com dados da sonda Cassini, duas das luas de Saturno, Tétis e Dione, estão libertando grandes jactos de partículas para o espaço. Esta descoberta sugere a possibilidade de algum tipo de actividade geológica, talvez até vulcânica, nestes mundos gelados.

Estes resultados aparecem na edição da semana passada da revista Nature. A missão Cassini é um projecto cooperativo da NASA, da ESA e da Agência Espacial Italiana.


Esta esplêndida vista mostra o turtuoso complexo de penhascos e desfiladeiros de Dione.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

As partículas foram traçadas até às duas luas devido ao dramático movimento para fora do gás carregado electricamente, que pode ser mapeado para as órbitas das luas no ambiente magnético de Saturno. Conhecido como plasma, o gás é composto por electrões carregados negativamente e iões carregados positivamente, que são átomos sem um ou mais electrões. Devido a estarem carregados, os electrões e os iões podem ser capturados dentro de um campo magnético.

Saturno completa uma volta em torno de si próprio em 10 horas e 46 minutos. Isto varre o campo magnético e o plasma capturado pelo espaço. Tal como uma criança num carrocel a grande velocidade, o gás capturado sente uma força que o empurra para fora do centro de rotação.

Pouco depois da sonda Cassini alcançar Saturno em Junho de 2004, os seus instrumentos revelaram que a rápida rotação do planeta esmaga o plasma num disco, e que os grandes dedos de gás estão sendo empurrados para o espaço a partir dos limites exteriores do disco. O plasma, mais ténue e quente, entra e preenche as lacunas.


Com este mosaico do seu disco, a Cassini apresenta a melhor imagem do pólo Sul da lua de Saturno, Tétis.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

Agora, Jim Burch, membro da equipa do Espectómetro de Plasma da Cassini no Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em San Antonio, Texas, e seus colegas, fizeram um cuidadoso estudo destes eventos usando o instrumento. Descobriram que a direcção dos electrões ejectados aponta para Tétis e Dione. "Estabelece Tétis e Dione como fontes importantes de plasma na magnetosfera de Saturno," disse Burch.

Até esta descoberta, as únicas luas de Saturno que se sabia serem mundos activos eram Titã e Encelado. "Este novo resultado parece ser uma forte indicação que existe actividade em Tétis e em Dione," disse Andrew Coates do Laboratório de Ciência Espacial Mullard, do Colégio Universitário de Londres, co-autor e membro da equipa do Espectómetro de Plasma da Cassini.

A actividade é um empate para os cientistas planetários, pois significa que o satélite ainda se tem que tornar geologicamente morto ou então está sendo fornecido de energia. A actividade em Encelado foi pela primeira vez detectada pelo Magnetómetro de Dupla Técnica da Cassini. Isto levou a equipa de voo a calendarizar um voo rasante particular por Encelado, que revelou uma riqueza de dados sobre os misteriosos geysers de Encelado - como também imagens espectaculares.

"Os melhores resultados surgem quando combinados com uma variedade de dados para compreender as obervações," disse Michelle Dougherty, do Colégio Imperial de Londres, investigadora principal do magnetómetro.

Passagens rasantes por Dione e Tétis irão permitir à equipa do magnetómetro e às outras equipas de outros instrumentos um olhar mais atento às luas. Antes que isso aconteça, têm que voltar atrás e procurar por mais sinais de actividade nos dados já recolhidos durante as passagens rasantes por Tétis e Dione em 2005.

Em adição, após tendo detectado os electrões, irão tentar determinar a composição do plasma de Tétis e Dione usando dados iónicos.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
Astrobiology Magazine
Sky & Telescope
Imperial College London
Wired Science
MSNBC
BBSNews
SPACE.com
PhysOrg.com
Science Daily
Monsters & Critics

Tétis:
Solarviews
Wikipedia

Dione:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Éris: mais massivo que Plutão - Crédito: Thierry Lombry
Sabe-se agora que Éris, um planeta anão actualmente em órbita do Sol a cerca do dobro da distância de Plutão, tem uma massa aproximadamente 27% superior à do antigo planeta principal. A sua massa foi determinada pela observação da órbita de sua lua, Disnomia. Imagens tiradas com o telescópio terrestre, Keck, e combinadas com as existentes do Telescópio Espacial Hubble, mostram que Disnomia tem uma órbita quase circular e uma duração aproximada de 16 dias. Catalogado como 2003 UB313 há apenas um ano atrás, imagens de infravermelho também mostraram que Éris é na realidade maior em diâmetro que Plutão. O plano orbital de Éris está bastante desfasado do plano em que orbitam os planetas do Sistema Solar. Na imagem do lado, um artista científico imaginou Éris e Disnomia em órbita do distante Sol. Não existe, de momento, nenhuma missão espacial tendo Éris como destino, embora a robótica New Horizons, a caminho de Plutão, tenha recentemente passado por Júpiter.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 23 de Junho de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 20/06: 171º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Com o Verão a chegar, as duas mais brilhantes estrelas da estação brilham bem alto. Procure a branca Vega no céu a Este mesmo depois de anoitecer, e a pálida amarela-alaranjada Acturo ainda mais alta a Sudoeste.

Dia 21/06: 172º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra no Corredor de Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição.
Observações: O solstício de Junho ocorre às 19:06. É quando o Sol está mais para Norte no céu da Terra e começa a sua viagem de seis meses para Sul. O Verão começa no Hemisfério Norte, e o Inverno no Sul.

Dia 22/06: 173º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1675 era fundado o Observatório Real de Greenwich.
Em 1978 James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos em Flagstaff, Arizona, descobre o satélite de Plutão, Caronte, acerca do qual quase nada se sabia mais de uma década depois. Plutão foi também descoberto em Flagstaff (no Observatório Lowell) em 1930.
Observações: Lua em Quarto Crescente, por volta das 14:15.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Um pulsar é uma estrela de neutrões que emite pulsos de sinal no rádio. Estas estrelas não são visíveis nas frequências que são observadas pelo olho humano embora possam estar associados a nuvens de gás resultantes da supernova que lhes deu origem, como é o caso da Nebulosa do Caranguejo (M1). Este pulsar foi o primeiro a ser descoberto por Jocelyn Bell, em 1967.
 
 
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