BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 354
3 de Outubro de 2007
"FURACÃO" SOLAR SEPARA CAUDA DE COMETA
O satélite STEREO da NASA capturou pela primeira vez imagens de uma colisão entre um "furacão" solar, chamado de ejecção de massa coronal (CME), e um cometa. A colisão provocou a completa separação da cauda de plasma do cometa.
Estas quatro imagens foram tiradas pelo satélite STEREO durante uma passagem do cometa Encke pela tempestade solar. Note a cauda do Encke sendo separada pela ejecção de massa coronal na terceira imagem.
Crédito: NASA (clique na imagem para ver versão maior)
Os cometas são restos gelados da formação do Sistema Solar, há milhares de milhões de anos atrás. Normalmente viajam nas distantes e frias regiões do Sistema Solar, mas ocasionalmente um puxo gravitacional de um planeta, outro cometa, ou até de uma estrela vizinha envia-os para o Sistema Solar interior. Uma vez aí, o calor e radiação do Sol vaporiza o gás e a poeira do cometa, formando a sua cauda. Os cometas têm geralmente duas caudas, uma feita de poeira e uma mais ténue feita de gás que transmite electricidade, chamado plasma.
As CMEs são grandes nuvens de gás magnetizado e libertado para o espaço pelo Sol. São violentas erupções com massas de uns milhares de milhões de toneladas que viajam a velocidades entre 100 e 3000 km/s. Foram já comparadas a furacões devido às suas perturbações alargadas que trazem quando viajam na direcção da Terra; sabe-se que as CMEs causam tempestades geomagnéticas que podem ser um perigo para satélites, comunicações de rádio, e sistemas de energia.
O cometa Encke estava viajando dentro da órbita de Mercúrio quando uma CME triturou a sua cauda e eventualmente a separou do cometa. Os cientistas do Laboratório de Pesquisa Naval (NRL) fizeram as observações usando a câmara heliosférica do telescópio SECCHI (Sun Earth Connection Coronal and Heliospheric Investigation) do NRL a bordo do satélite STEREO-A (Solar Terrestrial Relations Observatory) da NASA.
Imagem tirada de uma animação que mostra o cometa Encke e a CME libertada pela superfície do Sol.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver o filme em formato MPG)
Os cientistas há muito que conhecem o fenómeno da separação completa da cauda de plasma de um cometa. No entanto, as condições que levavam a estes eventos permaneciam um mistério. Estes suspeitavam que as CMEs poderiam ser responsáveis por alguns eventos da separação, mas a interacção entre uma CME e um cometa nunca tinha sido até agora observada directamente.
As imagens obtidas foram combinadas num filme. Este, nunca antes visto, foi registado a 20 de Abril de 2007, quando uma CME encontrou o cometa Encke. As observações revelam o aumento de brilho da cauda cometária à medida que a CME passava e a sua separação subsequente e transporte pela frente da ejecção de massa coronal.
Uma análise preliminar sugere que a cauda foi rasgada quando os campos magnéticos colidiram numa processo explosivo de nome "nova ligação magnética". Os campos magnéticos em torno do cometa directamente opostos "colidiram uns com os outros" pelos campos magnéticos da CME. Subitamente, estes campos fundiram-se -- criaram uma "nova ligação" -- libertando uma grande quantidade de energia que separou a cauda cometária. Um processo semelhante tem lugar na magnetosfera da Terra durante as tempestades geomagnéticas despoletando, entre outras, as auroras boreais.
"O cometa teve o seu próprio evento meteorológico," disse Angelos Vourlidas, autor principal e cientistas do NRL em Washington, DC. "Pensamos que sofreu uma nova ligação magnética muito semelhante ao que a Terra sofre quando as CMEs colidem com a nossa própria magnetosfera protectora."
Os resultados foram publicados no website do Astrophysical Journal Letters Rapid Release e serão publicados na edição da revista de dia 10 de Outubro.
Tutulema: analema de um eclipse solar - Crédito:
TuncTezel e Cenk E. Tezel Se saísse de casa exactamente à mesma hora todos os dias e tirasse uma foto que incluísse o Sol, como pareceria este mover-se? Com grande planeamento e esforço, tal série de imagens pode ser obtida. O caminho com a figura de um 8 que o Sol segue ao longo de um ano é chamado analema. Com ainda maior planeamento e esforço, a série pode incluir um eclipse total do Sol numa das imagens. Na imagem do lado temos um analema com um eclipse solar total ou "Tutulema" - um termo inventado pelos fotógrafos, com base na palavra turca para eclipse. A sequência composta de imagens foi registada na Turquia começando em 2005. A base da imagem para a sequência é a fase total de um eclipse solar visto de Side, Turquia, a 26 de Março de 2006. Vénus foi também visível durante a totalidade, para baixo e para a direita. Ver imagem em alta-resolução
EFEMÉRIDES:
Dia 03/10: 276º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço exterior.
Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Lua em Quarto Minguante, por volta das 10:06.
Dia 04/10: 277º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical. Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (Missão soviética de flyby pela Lua).
Dia 05/10: 278º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões
Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orion. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: Antes do amanhecer, pode observar a Lua, que se encontra perto do enxame M44 (Presépio)
CURIOSIDADES:
O planeta Saturno tem uma densidade de 0.69, o que significa que se conseguíssemos fazer uma banheira suficientemente grande cheia de água, Saturno flutuaria no seu interior. Saturno é o único planeta do sistema solar com uma densidade inferior à da água.
PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.