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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 380
De 09/01 a 11/01/2008
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  "SUPER"- HUBBLE SERÁ 90 VEZES MAIS PODEROSO
   

Cientistas da NASA e um astronauta do vaivém espacial delinearam os detalhes de uma difícil missão que irá reparar e actualizar o Telescópio Espacial Hubble em 2008. A missão de manutenção do Hubble, designada STS-125, irá equipar o observatório orbital com capacidades muito maiores que jamais teve para explorar a natureza e história do nosso Universo. Estima-se que será 90 vezes mais poderoso do que era no seu auge tecnológico.

Espera-se que o Vaivém Espacial Atlantis descole em Agosto com uma tripulação de sete astronautas e uma carga de equipamento, ferramentas e novos instrumentos na quinta e final missão de manutenção do venerável telescópio, que orbita 560 km acima da Terra. O vaivém irá também transportar uma câmara IMAX para registar a missão histórica para um filme com lançamento previsto para 2010.


O Telescópio Espacial Hubble, visto do vaivém Discovery, durante a segunda missão de reparação, STS-82.
Crédito: NASA/JPL, STS-82
(clique na imagem para ver versão maior)

Na reunião de Inverno da Sociedade Astronómica Americana, Alan Stern, vice-administrador da Direcção de Missões Científicas na sede da NASA em Washington, disse: "O Hubble é, sem exagero, um tesouro nacional, e a NASA está ansiosa por vê-lo receber esta reparação e upgrade. Penso que as pessoas ficarão excitadas quando virem desabrochar os resultados desta excitante missão do vaivém em novas descobertas sobre o Sistema Solar e o Universo em que vivemos. E há que dizê-lo: não há nada mais excitante do que mandar uma equipa de astronautas e instrumentos altamente sofisticados para tornar o Hubble melhor do que alguma vez foi."

A missão do vaivém durará 11 dias e terá cinco passeios espaciais. Durante estes, os astronautas instalarão dois poderosos e novos instrumentos científicos, um novo conjunto de giroscópios que ajudará a estabilizar o telescópio, baterias e mantas térmicas para prolongar a vida operacional do Hubble pelo menos até 2013. Também, se tudo correr bem, um desactualizado sensor de guiagem, um dos três a bordo do Hubble, será substituído por uma nova unidade, que ajudará a manter a capacidade do Hubble apontar e focar objectos astronómicos pelo Universo fora.

"Tanto como astronauta e astrónomo, a oportunidade de voltar ao Hubble é mais do que um sonho tornado realidade," disse John Grunsfeld, que será o líder dos passeios espaciais da missão. "Esta missão promete dar desafios. A NASA juntou a mais experiente tripulação do Hubble, com três veteranos do Hubble. A tripulação e a equipa da missão estão já a treinar arduamente, ansiando o lançamento e o complicado trabalho de reparar o Hubble."

Os astronautas tentarão fazer a primeira (de sempre) reparação em órbita de dois instrumentos em existência - o STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) e o ACS (Advanced Camera for Surveys). O ACS foi o instrumento mais usado no telescópio até que falhou em Janeiro último após cinco anos de operações. O STIS - o mais sofisticado espectógrafo a bordo do Hubble - tirou imagens detalhadas de objectos celestes e separou a luz nos seus componentes para avaliar as condições físicas das galáxias, estrelas, planetas e nebulosas.

Os novos instrumentos a serem instalados no telescópio são o COS (Cosmic Origins Spectrograph) e o WFC3 (Wide Field Camera 3). Entre muitos dos seus objectivos, o COS estudará a "rede cósmica." Esta estrutura do Universo a grande escala tem a sua forma determinada pela gravidade da matéria escura e pode ser traçada pelas galáxias e pelo gás intergaláctico. O COS irá também explorar como é que esta rede evoluíu ao longo dos milhares de milhões de anos e o papel que desempenha na formação e evolução das galáxias. O WFC3 será a primeira câmara "pancromática" do Hubble, providenciando um largo campo de visão e imagens esplendidamente detalhadas, ao longo de um grande espectro de cores de modo a servir de complemento a outras capacidades de imagem a bordo do Hubble.

"O nosso objectivo para esta missão é deixar o Hubble com o expoente máximo das suas capacidades científicas," disse David Leckrone, cientista sénior do projecto Hubble no Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "Com os nossos dois novos instrumentos, e mais as esperadas reparações do STIS e do ACS, teremos uma 'caixa de ferramentas' completa para atacar alguns dos realmente profundos problemas que existem hoje em dia na Astronomia, que variam entre a natureza da matéria escura e da energia escura, até à composição química das atmosferas dos planetas em torno das estrelas."

Os cientistas estão confiantes que muitas das maiores descobertas do Hubble estão ainda por vir.

"Com as novas capacidades que esperamos ter após esta missão de manutenção, prevejo que é no futuro que serão alcançados os maiores feitos do Hubble, eclipsando até os seus mais famosos sucessos passados," disse Stern.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
New Scientist
Wired
ABC News
Reuters

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
  COMEÇOU UM NOVO CICLO SOLAR
   

Agora que uma mancha solar se descobriu com um campo magnético apontando na direcção oposta àquela do ciclo anterior, um novo ciclo solar de 11 anos começou oficialmente. Mas os cientistas estão ainda indecisos sobre quão activo - e potencialmente perigoso para os satélites em órbita da Terra e para as redes eléctricas - será o novo ciclo.

As manchas solares são zonas relativamente frias do Sol onde o campo magnético de dentro da estrela sobe e quebra a sua superfície. Variam em número - desde um mínimo até um máximo e de novo até um mínimo - a cada mais ou menos 11 anos, a mesma escala de tempo nos quais os pólos magnéticos do Sol invertem de direcção.


Uma mancha solar com um campo magnético apontado na direcção oposta à de outras vistas anteriormente no hemisfério Norte do Sol apareceram na Sexta-feira passada (topo, a 0981), assinalando o começo do ciclo solar 24.
Crédito: SOHO/ESA/NASA

Mas prever quando estes ciclos solares começam e quando terminam, e quantas manchas solares estes irão produzir, é um negócio arriscado, diz David Hathaway do Centro Aeroespacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, EUA. Por exemplo, previu que este novo ciclo solar, o ciclo 24, seria bastante activo. Dado que os ciclos activos geralmente começam mais cedo que a média, esperava que a primeira mancha solar aparecesse há um ano atrás - mas foi só observada na Sexta-feira, dia 4 de Janeiro.

"Fico feliz ao ver esta mancha," disse. "Há já mais de um ano, vinha todas as manhãs e observava as imagens da SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) e dizia, 'Não, ainda não.' E hoje, alguém chegou mais cedo do que eu e disse, 'Vai dar uma olhadela - penso que há lá uma mancha."

A mancha - bem como um par de pistas magnéticas prévias que indicavam o começo do ciclo 24 - sugere que o Sol está no ou perto do mínimo solar, uma altura em que as manchas solares do novo ciclo ultrapassam em número as do antigo.

Quando o máximo solar irá ocorrer é ainda tema de debate, com algumas equipas de pesquisa prevendo 2011 e outras 2012. "Quanto maior o ciclo, mais curto o tempo que demora a lá chegar," diz Hathaway. "Alguns de nós acreditam que será um grande ciclo e por isso alcançará o máximo mais cedo."

As diferenças das previsões resumem-se a quão rapidamente os campos magnéticos se misturam dentro do Sol, afirma.

Um modelo por Mausumi Dikpati e colegas, do Observatório de Alta Altitude em Boulder, Colorado, EUA, sugere que os restos das manchas solares no campo magnético viajam num fluxo tipo cintura de convecção de plasma pelo Sol.

O fluxo leva-as desde o local de aparência das manchas até latitudes baixas no pólos, e depois arrasta-as até uma profundidade de 200.000 quilómetros, onde são esticadas e fortalecidas antes de alcançar de novo baixas latitudes. "Uma vez que se fortaleçam novamente, sobem como balões ou bolhas e onde aparecem à superfície, podem dar origem a manchas solares," diz Hathaway.

"O seu modelo explica bem muitas coisas," acrescenta. "Em particular, o porquê do ciclo de manchas solares ser de 11 anos, e não de 7 ou 20. No seu modelo, resume-se à velocidade de movimento da cintura de convecção."

De acordo com o modelo, dado que a cintura demora tanto tempo a mover os campos magnéticos pelo Sol, os campos magnéticos perto dos pólos a qualquer altura não deveriam ser usados como um indicador para seguir a força do ciclo. Ao invés, juntam-se ao ciclo depois disso. Os restos das manchas do ciclo 23, por exemplo, aparecem relativamente fracas nos pólos, sugerindo que o ciclo 25 das manchas solares deverá ser fraco.

O modelo prevê que o novo ciclo, o 24, seja bastante activo, no entanto, gerando cerca de 150 manchas solares por dia perto do máximo solar.

Em modelos alternativos, a cintura de convecção não é tão importante para mover os campos magnéticos pelo Sol. Nesses modelos, os campos espalham-se para baixo rapidamente, "baralhados por movimentos borbulhantes dentro do Sol," diz Hathaway. Esses modelos prevêm que os campos magnéticos nos pólos afectem a força do ciclo de manchas solares que imediatamente se segue. Isso sugere que o novo ciclo seja pouco impressionante, produzindo apenas 75 manchas por dia perto do máximo solar.

"Este ciclo dir-nos-á bastante," diz Hathaway. "Deverá discriminar entre estes modelos e até nos poderá dizer que nenhum está correcto, o que tornará as coisas ainda mais interessantes."

Se o novo ciclo solar se revelar forte, isso significa apuros para os satélites e redes eléctricas, dado que podem ser perturbados por erupções solares, de nome ejecções de massa coronal, que regularmente acompanham as manchas solares.

Mas Hathaway diz que os observatórios solares, tal como satélite japonês Hinode, estão ajudando os cientistas com 'avisos' para tempestades solares potencialmente perigosas, para que os instrumentos dos satélites, sensíveis a este tipo de interferências e libertações de radiação e de partículas carregadas, possam ser desligados com antecedência.

"Dispomos já da tecnologia que nos permite basicamente ver os sinais que assinalam uma ejecção de massa coronal," diz. "É ainda um pouco como prever tornados - um meteorologista pode olhar para um radar Doppler e ventos numa nuvem e dizer que pode produzir um tornado. Mas [se irá de facto produzir um] aqui, nesta altura - ainda não conseguem fazer isso."

Conclui que a constante observação das manchas solares que aparecem a partir de agora até meados de 2009 deverão responder à questão de quando ocorrerá o máximo solar - o número de manchas solares deverá subir rapidamente se for um ciclo activo.

Links:

Notícias relacionadas:
Nature
Sky & Telescope

Science Daily

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

Hinode:
Página oficial (NASA)
Página oficial (JAXA)
Wikipedia

 
EFEMÉRIDES:

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A fina Lua Crescente encontra-se perto de Mercúrio, muito baixos no brilho do pôr-do-Sol - uma bonita mas difícil visão. Utilize binóculos.

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de Maio de 1969.

A pesquisa atmosférica enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão de Vénus.
Observações: Aviste a Lua a Sudoeste depois do pôr-do-Sol. Se fosse um arco, estaria a apontar a sua seta directamente para Mercúrio, mais para baixo e para a sua direita.

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Urano.

Observações: O arco crescente da Lua continua a apontar a sua seta invisível a Mercúrio depois do pôr-do-Sol, embora se tenha afastado do planeta.

 
 
CURIOSIDADES:

O Cometa Ikeya-Seki de 1965 foi o cometa mais brilhante desde 1935. Teve magnitude -7 e chegou a ser visível durante o dia.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Montagem de Júpiter-Io da New Horizons
Crédito:
NASA, Johns Hopkins U. APL, SWRI

À medida que a sonda New Horizons viaja pelo Sistema Solar, vai tirando imagens espectaculares dos planetas. Em Fevereiro do ano passado, a New Horizons passou Júpiter e a sempre-activa lua joviana, Io. Nesta montagem, Júpiter foi capturado em três bandas do espectro infravermelho, tornando a Grande Mancha Vermelha branca. As complexas ovais tipo-furacão, remoinhos e bandas horizontais no planeta são visíveis na complexa atmosfera de Júpiter. Io foi digitalmente superimposto em cores naturais. Fortuitamente, uma pluma estava emanando do vulcão Tvashtar em Io. Gelo e lava sulfúrica cobrem a lua vulcânica, enquanto a brilhante e avermelhada lava é visível por baixo da pluma azulada. A sonda New Horizons alcançará Plutão em 2015.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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