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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 402
De 02/04 a 04/04/2008
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  CELULOSE COMO ALVO NA PROCURA DE PROVAS DE VIDA NOUTROS PLANETAS
   

 


Um punhado de microfibras de celulose com cerca de 253 milhões de anos, observadas num microscópio. O material foi recolhido a partir de depósitos de sal a 600 metros de profundidade, no Novo México, EUA.
Crédito: Jack Griffith, Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill
(clique na imagem para ver versão maior)

Em busca de provas de vida em Marte ou noutros planetas? De acordo com uma nova pesquisa da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, a descoberta de microfibras de celulose seria a melhor coisa a seguir a um encontro imediato. Capa da edição de Abril da revista Astrobiology, a nova pesquisa também coloca as mais antigas evidências directas de material biológico aqui na Terra 200 milhões de anos mais para o passado.

A celulose é uma substância dura e resiliente mais conhecida como o principal componente estrutural da matéria vegetal. É um dos materiais biológicos mais abundantes da Terra, com as plantas, algas e bactérias gerando umas estimadas 100 gigatoneladas cada ano. As formas prehistóricas de celulose foram feitas pelas cianobactérias, as algas azul-verde e bactérias que ainda se encontram em quase todos os habitats conhecidos em terra e nos oceanos, que se sabe que existam na Terra ha já 2.8 mil milhões de anos.

Jack D. Griffith, professor de Microbiologia e Imunologia na Escola Médica da UNC, descobriu microfibras de celulose em amostras retiradas de antigos e pristinos depósitos de sal a grande profundidade no deserto do Novo México.

Perfurar as bolhas capturadas em antigas amostras de sal, revelou microfibras de celulose feitas por micróbios que podem ficar perfeitamente intactas pelo menos durante 250 milhões de anos. Os cientistas pensam que procurar celulose em depósitos de sal em Marte pode ser a melhor maneira de confirmar a existência de vida passada em Marte.
Crédito: Jack Griffith, Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill

"A idade das microfibras de celulose que descrevemos no estudo tem uma idade estimada em 253 milhões de anos. Sendo assim, são as macromoléculas nativas mais antigas até à data a serem isoladas directamente, visualizadas e examinadas bioquimicamente," disse Griffith.

Até agora, as provas mais antigas de material biológico a partir de fragmentos de proteínas antigas - encontradas em fósseis do dinossauro Tyrannosaurus Rex - estavam datadas em 68 milhões de anos.

De acordo com Griffith, as formas de vida mais primitivas provavelmente desenvolveram meios de polimerizar a glucose - o câmbio energético de todas as formas de vida conhecidas com base no carbono - em celulose como uma molécula estrutural. "A celulose é como a casa de uma bactéria, a biopelícula que a rodeia. As plantas adoptaram a celulose como a sua entidade estrutural, e os insectos mudaram a celulose ligeiramente para fazer quitina, o material que forma os seus exoesqueletos," disse.

O estudo de Griffith levou-o à Estação Piloto de Isolamento de Desperdícios (WIPP) do Departamento Americano de Energia, o primeiro repositório subterrâneo mundial licensiado para, em segurança e permanentemente, acolher os restos radioactivos deixados para trás pela pesquisa e produção de armas nucleares, localizado perto de Carlsbad, Novo México.

Este material radioactivo é colocado a mais de 600 metros de profundidade, em salas escavadas em depósitos salinos que foram aí colocados há mais de 200 milhões de anos atrás. O local foi escolhido para albergar os restos porque o sal é ligeiramente plástico e adapta-se a quaisquer brechas que se possam desenvolver.

As amostras de sal que Griffith recolheu do WIPP foram estudadas no seu laboratório do Centro Cancerígeno Lineberger. Ao examinar o conteúdo de "inclusões" de fluídos, ou bolhas microscópicas, no sal e em cristais de sal-gema, ele e a sua equipa descobriram abundantes microfibras de celulose que estavam "excepcionalmente intactas".


Bolhas cúbicas de ar capturadas em sal. Fibras de celulose feitas por micróbios com mais de 250 milhões de anos foram descobertas em inclusões deste género.
Crédito: Jack Griffith, Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill

A sua examinação revelou claramente que a celulose estava sob a forma de microfibras tão pequenas quanto cinco nanómetros em diâmetro. "A celulose que isolámos a partir dos antigos depósitos de sal é bem como a celulose de hoje em dia: parece celulose, comporta-se como celulose, quebra-se pelas mesmas enzimas que cortam a celulose moderna e está praticamente intacta," disse Griffith.

No que respeita a provas antigas de ADN, Griffith diz que foram observadas, mas em quantidades muito menores que a celulose.

"Por isso, ao procurar evidências de vida em Marte, bactérias ou possivelmente plantas que existiram em Marte ou noutros planetas do Sistema Solar, então procurar celulose em depósitos de sal é provavelmente uma muito boa maneira de começar. A celulose parece ser altamente estável e mais resistente à radiação ionizante que o ADN. E se é relativamente resistente às duras condições como aquelas que se encontram no espaço, pode ser a 'pista' ideal para a busca de vida noutros planetas."

Algumas das regiões mais antigas da superfície de Marte parecem conter minerais de cloreto (azul), que pode ser cloreto de sódio, ou sal. De acordo com os cientistas, a dispersão e tamanho dos depósitos sugerem que foram formados por evaporação de água, aumentando a hipótese da existência de vida passada em Marte.
Crédito: Science

Links:

Notícias relacionadas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (22/03/08)
Universidade da Carolina do Norte (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG.com
Science Daily

Celulose:
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 02/04: 88.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Por baixo de Betelgeuse, a um punho, está a Cintura de Orionte, e por baixo ainda brilha Rigel. Muitos guias do céu dizem que Rigel é "azul-esbranquiçada", por contraste com a laranja-avermelhada Betelgeuse, mas olhe com cuidado. Vê alguns tons de azul em Rigel?

Dia 03/04: 89.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, era lançada a Mariner 7.

Observações: Aproveite a noite para observar Saturno e os seus anéis. Conte quantos satélites pode observar.

Dia 04/04: 90.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, era lançada a Apollo 6.
Em 1983, o Space Shuttle Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço.

Observações: Está chegando a altura ideal para observar a Ursa Maior, quanto está bem alto a Nordeste estas noites. E tem galáxias espalhadas por todo o sítio.

 
 
CURIOSIDADES:

O Sol tem uma temperatura média à superfície de cerca de 6000 K, não sendo por isso uma estrela nem muito quente, nem muito fria.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

As listas de tigre de Encelado
Crédito:
Paul Shenk (LPI), USRA; Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA

Será que pode existir vida por baixo de Encelado? Um recente voo rasante pela lua gelada de Saturno levantou esta ideia fascinante. Há dois anos atrás, imagens da sonda Cassini em órbita de Saturno levou os astrónomos à inegável conclusão que a lua de Saturno, Encelado, expelia enormes quantidades de gás e cristais de gelo através de fissuras à sua superfície, de nome listas de tigre. O mês passado, a Cassini viajou por dentro destas plumas e determinou que contêm vapor de água entrelaçado com pequenas quantidades de metano bem como moléculas orgânicas simples e complexas. Surpreendentemente, as plumas de Encelado têm uma composição semelhante à dos cometas. Mais: a temperatura e densidade das plumas indica que podem ter originado de uma fonte mais quente -- possivelmente uma fonte líquida -- por baixo da superfície. Um mar de água líquida contendo moléculas orgânicas é um bom lugar para procurar vida. Na imagem do lado está uma aproximação exagerada verticalmente de várias longas listas de tigre. O compósito computacional foi criado a partir de imagens e sombras tiradas durante a passagem recente da Cassini. Estão ainda planeados outros nove voos rasantes da Cassini por Encelado.
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