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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 417
De 24/05 a 27/05/2008
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  SATÉLITE SWIFT CAPTURA UMA ESTRELA A FAZER "KABOOM!"
   


A supernova 2008d, capturada no visível.
Crédito: NASA/Equipa Científica do Swift/Stefan Immler
(clique na imagem para ver versão maior)

Quando uma estrela gigante explode, os astrónomos chamam-lhe "supernova". Ao longo dos últimos 100 anos, os astrónomos observaram milhares destas explosões. Mas em cada caso, estavam a ver a estrela depois da explosão ter acontecido. Estavam a observar os detritos quentes da explosão, expelidos para fora. Era como ver fogo-de-artifício uns poucos segundos depois de ter explodido, quando as coloridas luzes são disparadas da carga pirotécnica ou do fumo que marca o local da explosão.

Agora, graças ao satélite Swift da NASA, os astrónomos conseguiram observar mesmo uma estrela a explodir. A descoberta é devida às capacidades do Swift e a vários astrónomos em alerta, mas também graças à boa sorte.

No dia 9 de Janeiro de 2008, Alicia Soderberg e Edo Berger da Universidade de Princeton, em Princeton, New Jersey, EUA, utilizavam o Telescópio de raios-X Swift da NASA para observar uma distante galáxia espiral conhecida como NGC 2770. Subitamente, às 9:33 da manhã (EST), o telescópio detecta uma poderosa libertação de raios-X oriunda da galáxia. A libertação dura cinco minutos antes de se desvanecer.

Os astrónomos tiveram sorte, pois o Swift estava a olhar exactamente para o local ideal, à hora ideal, quando a explosão ocorreu, mas o grande biólogo francês Louis Pasteur disse uma vez, "A sorte favorece a mente preparada." Soderberg e Berger imediatamente se aperceberam que o Swift tinha feito uma observação importante e rapidamente organizaram um plano para usar os telescópios no espaço e na Terra para seguir a descoberta do Swift.


No dia 9 de Janeiro, o Swift capturou uma explosão de raios-X oriunda de uma estrela. Dias depois, SN 2008D apareceu no visível.
Crédito: NASA/Equipa Científica do Swift/Stefan Immler
(clique na imagem para ver versão maior)

Ao longo das semanas seguintes, as observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e pelo Observatório de raios-X Chandra, bem como as do Swift e de outros grandes telescópios, mostraram, sem qualquer sombra de dúvida, que a explosão de 9 de Janeiro assinalava a certeira explosão de uma estrela gigante. Pela primeira vez, astrónomos tinham visto uma estrela explodir em tempo real!

Os raios-X foram devidos a uma poderosa onda de choque libertada através das camadas exteriores da estrela, literalmente desfazendo-a em milhões de pedaços. A onda de choque foi despoletada bem dentro da estrela, quando o motor nuclear no seu centro esgotou o combustível e colapsou. Durante décadas, os astrónomos esperavam ver tal explosão. E agora, pela primeira vez, viram realmente o que acontece quando uma estrela se transforma em supernova.

"Há anos que sonhávamos em ver uma estrela a explodir, mas realmente encontrá-la é um evento único na vida," diz Soderberg. "Esta recém-nascida supernova vai ser como a Pedra da Roseta para os estudos de supernovas durante anos a fio."

"Foi uma oferenda da Natureza para o Swift estar a observar aquela área do céu quando a supernova explodiu. Mas graças à flexibilidade do Swift, fomos capazes de traçar a sua evolução em detalhe todos os dias a partir daí," acrescenta o cientista do Swift, Neil Gehrels, do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Princeton
New Scientist
Universe Today
Sky & Telescope
Science Daily
National Geographic
FOX News
New York Times
Reuters
BBC News

Satélite Swift:
NASA
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia

 
  OS DERRADEIROS MOMENTOS DA ATERRAGEM DA PHOENIX MARS LANDER
   

É chegada a hora da Phoenix Mars Lander.

Depois de quase 10 meses a percorrer 679 milhões de quilómetros, a sonda Phoenix está a meras horas de entrar na atmosfera marciana no Domingo à noite e de aterrar perto do pólo norte de Marte.


Imagem de um vídeo da NASA que mostra a Mars Phoenix Lander durante a sua viagem até ao Planeta Vermelho.
Crédito: NASA/JPL

"Temos trabalhado arduamente durante todo este caminho," disse Deborah Bass, vice-investigadora principal no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA em Pasadena, Califórnia. "O sentimento por aqui é que estamos cautelosamente optimistas."

A Phoenix irá aterrar nas planícies árticas marcianas, numa região chamada Vastitas Borealis, onde irá usar um braço robótico para escavar em busca de água gelada e, esperançosamente, determinar se o local já foi capaz de suportar vida primitiva.

As engrenagens da máquina que é a missão Phoenix da NASA começaram a trabalhar em força dia 22 pelas 19:30 (hora de Portugal), com a primeira de uma série de conferências sobre o estado da missão, levando até ao que se espera ser o primeiro sinal da sonda pelas 00:53 de Domingo para Segunda (hora de Portugal). Devido à distância de 275 milhões de quilómetros entre Marte e a Terra durante a chegada da Phoenix ao Planeta Vermelho, os sinais demorarão entre 15 a 20 minutos a alcançar o centro de controlo da NASA no JPL uma vez que sejam enviados.

"Iremos estar a trabalhar à noite, porque é quando a sonda irá aterrar," disse Bass, acrescentando que toda a equipa da Phoenix estará já preparada no JPL e no centro de controlo da missão primária na Universidade do Arizona, em Tucson. "Esta irá ser uma experiência absolutamente emocionante."


Impressão de artista da Mars Phoenix Lander.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

A Phoenix é a primeira sonda a tentar uma aterragem motorizada em Marte desde a queda falhada Mars Polar Lander em 1999. Segue as chegadas em 2004 dos dois rovers da NASA, Spirit e Opportunity - ainda activos - e marcará a primeira aterragem motorizada bem sucedida depois das duas Viking em 1976.

Os engenheiros da missão e os cientistas trabalharam aplicadamente ao longo destes últimos 10 meses para se prepararem para o dia da aterragem da Phoenix, mas o passo irá de certeza acelerar durante o fim-de-semana.

Hoje (Sábado), os cientistas e engenheiros da missão darão outra conferência sobre o estado da missão por volta das 20:00 (hora de Portugal), que será transmitida na Internet pela NASA TV.

Mais tarde nessa noite, por volta das 03:46 de dia 25 (hora de Portugal), a Phoenix disparará os seus motores para aperfeiçoar a sua aproximação na direcção do ártico marciano.

Outra correcção de percurso poderá ser necessária no Domingo - dia da aterragem - pelas 16:46 (hora de Portugal), seguida por outra conferência às 20:00 (hora de Portugal), antes da NASA começar com a sua cobertura contínua em directo às 23:30 (hora de Portugal) via canal da NASA ou transmissão online no seu site.

A própria Phoenix retransmitirá sinais por sondas da NASA e da ESA em órbita de Marte, enviando dados e telemetria.

A Phoenix Mars Lander seguirá o seu caminho às 23:39 GMT (00:39 da noite de Domingo para Segunda, hora de Portugal) de Domingo, quando a sonda se separar do seu invólucro de viagem, e estará a apenas 14 minutos de aterrar na superfície marciana.


Um sumário dos eventos que terão lugar durante a aterragem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona

(clique na imagem para ver versão maior)

"Existem muitos eventos," disse Barry Goldstein, gestor do projecto Phoenix no JPL. "Disparamos 26 eventos pirotécnicos nos últimos 14 minutos deste veículo, e cada um tem que correr perfeitamente para a missão correr como planeado."

A Phoenix entrará pela atmosfera marciana às 00:46:33 (hora de Portugal) a uma velocidade de 20.277 km/h, começando uma descida de sete minutos que acabará muito antes que os controladores da missão na Terra recebam o seu primeiro sinal que assinala o seu começo. Espera-se que a sonda liberte o seu pára-quedas cerca de quatro minutos depois, às 00:50:15 (hora de Portugal) e caia em queda livre momentos depois. Aí, a sonda liga os seus motores para a aproximação final.

Se tudo correr como planeado, o primeiro sinal de uma aterragem bem sucedida chegará às 00:53:52 (hora de Portugal), embora a Phoenix tenha que esperar 15 minutos para a poeira assentar antes de desmontar os seus vitais painéis solares, dizem os gestores da missão.

"O nosso objectivo principal é ver se esta área era um ambiente habitável em Marte," disse Peter Smith, investigador principal da Phoenix da Universidade do Arizona, Tucson. "Não há nenhum sinal que nos indique onde aterrar, e isso faz parte da vida. Por isso é apenas uma hipótese."

Os derradeiros momentos da aterragem da Phoenix serão transmitidos via Internet na NASA TV.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA
SPACE.com
The Register
Reuters

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia
Kit de aterragem (formato PDF)
Descida de entrada e aterragem (vídeo em formato Flash, cortesia YouTube)
NASA TV

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Procurar água nos locais certos (vídeo em formato Flash)

 
ESPAÇO ABERTO 2008

Observação astronómica, dia 24 de Maio de 2008, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
.
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 24/05: 145.º dia do calendário gregoriano.
História: Morre em 1543 Nicolau Copérnico, famoso astrónomo, autor do livro "Das revoluções dos Mundos Celestes".

Adiou a publicação da sua teoria por uns 30 anos; a primeira obra completa foi imprimida umas poucas horas antes da sua morte. Foi colocada na sua cama, de modo que pudesse tê-la a seu lado. Mas nessa altura já a sua mente delirava, e não pôde comentar o prefácio anónimo do livro, que dizia aos leitores que o conteúdo do livro poderia não ser verdadeiro, ou até mesmo provável. Nunca se soube com certeza se autorizou aquele prefácio, ou se realmente acreditava no seu sistema ou não.
Observações: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar Titã,a maior lua de Saturno. Hoje, Titã encontra-se a quatro diâmetros anulares para Este de Saturno.

Dia 25/05: 146.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, o presidente John F. Kennedy anuncia a decisão de enviar Americanos à Lua.

Observações: Se quiser, levante-se bem cedinho hoje e vá para a rua observar a Lua e Júpiter, o ponto brilhante para a sua direita, a Sul.

Dia 26/05: 147.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1951 nascia Sally Ride, a primeira americana no espaço, a bordo da STS-7 a 18 de Junho de 1983.

Observações: Com saudades do céu de Verão? Não perca mais tempo: grande parte já é visível antes da meia-noite!

Dia 27/05: 148.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.

 
 
CURIOSIDADES:

A ideia de que existiriam outros sistemas estelares é extremamente antiga. Mesmo geocentristas como Nicolau de Cusa admitiam a possibilidade do Sistema Solar (Sistema dos Mundos, nesse tempo) ser um entre muitos.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

As três manchas vermelhas de Júpiter
Crédito:
NASA, ESA, M. Wong, I. de Pater (UC Berkeley), et al.

Durante 300 anos a atmosfera listada de Júpiter mostrou uma impressionante característica aos observadores telescópicos, um enorme e rodopiante sistema de tempestades conhecido como a Grande Mancha Vermelha. Em 2006, outro sistema vermelho apareceu devido à fusão de tempestades ovais esbranquiçadas mais pequenas, desenvolvendo o curioso tom avermelhado. Agora, Júpiter tem uma terceira mancha, novamente produzida a partir de tempestades esbranquiçadas mais pequenas. Todas as três podem ser vistas nesta imagem obtida a partir de dados registados nos dias 9 e 10 de Maio com a câmara WFPC2 do Telescópio Espacial Hubble. As manchas prolongam-se acima das nuvens nos arredores e a sua cor vermelha pode ser devida a material mais profundo sendo elevado pelas tempestades e expostas à radiação ultravioleta, mas os exactos processos químicos são ainda desconhecidos. Para a escala, a Grande Mancha Vermelha tem quase o dobro do diâmetro do planeta Terra, o que torna as duas novas manchas menores que o planeta Terra. A mais recente mancha vermelha está mais à esquerda (Oeste), ao longo da mesma banda de nuvens em que a Grande Mancha Vermelha se encontra, e está a aproximar-se. Se o movimento continuar, a nova mancha irá encontrar a muito maior mancha em Agosto. O aparecimento recente de novas manchas vermelhas pode estar relacionado com mudanças climáticas a larga escala, à medida que o planeta gasoso gigante fica mais quente perto do equador.
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