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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 501
De 20/02 a 22/02/2009
 
 
 

Dia 20/02: 51.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, o astronauta John Glenn, a bordo da nave Friendship 7, orbita a Terra 3 vezes no âmbito do programa Mercúrio.

Em 1965, A sonda Ranger 8 despenha-se sobre a Lua após uma missão bem sucedida a fotografar locais para a alunagem das missões Apollo.
Observações: Esta é a altura do ano em que Orionte se situa mais alto a Sul à hora de jantar, por volta das ou 20 horas. Por isso é esta a altura ideal para apontar o seu telescópio para a Grande Nebulosa de Orionte - e em particular, se o céu estiver limpo, escuro e com pouca turbulência atmosférica, ver as difícieis quinta e sexta estrelas do sistema múltiplo do Trapézio, no coração da nebulosa.

Dia 21/02: 52.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0.2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1972, a sonda soviética Luna 20 aterra na Lua.
Observações: Observe o aglomerado estelar das Híades, junto a Aldebarã, na constelação de Touro.

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo", de Galileu.
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander.

Compilador de catálogos estelares, estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1995, o asteróide 1995CR passa a 7.2 milhões de quilómetros da Terra.
Em 1996, lançamento da missão STS-76 do vaivém Atlantis. O seu objectivo era acoplar com a Mir, e transferir Shannon Lucid, que se torna na primeira mulher a fazer parte da tripulação de uma estação espacial.
Observações: Meia hora antes do nascer-do-Sol no Domingo, procure bem baixo a Este-Sudeste, se possível com binóculos, o alinhamento diagonal com Mercúrio, Júpiter, a Lua e possivelmente o ténue Marte.

 
 
 
A Astronomia é uma das poucas ciências onde os amadores dão importantes contribuições para o seu avanço.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  ÁGUA LÍQUIDA PODERÁ TER SIDO AVISTADA EM MARTE  
 

De acordo com alguns membros da sua equipa científica, a sonda Phoenix da NASA poderá ter capturado as primeiras imagens de água líquida em Marte - pequenas gotículas que aparentemente salpicaram a perna da sonda durante a aterragem.

A observação controversa pode ser explicada pela descoberta prévia da missão, sais de perclorato no solo, pois os sais podem manter a água no seu estado líquido em temperaturas negativas. Os investigadores dizem que este efeito anticongelante torna possível a existência de água líquida mesmo por baixo da superfície de Marte, mas salientam que mesmo que aí se encontre, poderá ser demasiado salgada para suportar vida tal como a conhecemos.

Poucos dias depois da aterragem da Phoenix a 25 de Maio de 2008, enviou de volta uma imagem que mostrava misteriosas manchas de material sujo, presas a uma das suas pernas. Misteriosamente, estas manchas cresceram em tamanho ao longo das semanas seguintes, e os cientistas da Phoenix têm debatido desde aí a origem deste material.

Uma possibilidade intrigante é que seriam pequenas gotas de água salgada que cresceram ao absorver vapor de água da atmosfera. Os argumentos para esta ideia estão explicados num estudo do membro da equipa da Phoenix, Nilton Renno da Universidade de Michigan em Ann Arbor, e co-escrito por outros 21 investigadores, incluindo o cientista principal da missão, Peter Smith da Universidade do Arizona em Tucson. O estudo será apresentado em Março na Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Houston, Texas, EUA.

Os grandes desfiladeiros e canais tipo-rio atestam o facto de que grandes quantidades de água líquida já se encontraram à superfície de Marte, algures no seu passado. A superfície parece agora seca, embora a aparente mudança em "gullies", presentes em algumas crateras, ao longo de um período de vários anos, aponte a existência de aquíferos subsuperficiais que ocasionalmente libertam água.

Certamente, o local de aterragem da Phoenix, no ártico marciano, é demasiado frio para a água existir na sua forma líquida - a temperatura nunca subiu acima dos -20º C durante os cinco meses da missão.

Mas a água salgada pode permanecer líquida a temperaturas muito mais baixas. E os sais de perclorato, que foram detectados pela primeira vez em Marte graças à Phoenix, teriam um efeito 'anticongelante' especialmente dramático. Uma mistura extremamente salgada de água e percloratos poderia permanecer líquida até aos -70º C.

Se os percloratos estão espalhados por Marte em grandes concentrações, então poços de água líquida poderão também estar espalhados por baixo da superfície do planeta. "De acordo com os meus cálculos, podemos ter soluções líquidas salinas mesmo por baixo da superfície em quase a totalidade de Marte," afirma Renno.

E a Phoenix pode até já ter capturado imagens de água líquida, graças aos sais de perclorato.


Um dos aglomerados na perna da Phoenix (caixa branca) parece crescer aparentemente após ter absorvido o líquido da sua vizinha. As imagens foram obtidas no 8.º, 31.º e 44.º dias marcianos (ou sols) da missão da Phoenix.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Instituto Max Planck
(clique na imagem para ver versão maior)

Os aglomerados poderão ter vindo de gelo derretido pelos motores da sonda. Os motores da Phoenix desbravaram o topo do solo no local de aterragem, expondo uma camada de gelo por baixo.

As experiências de laboratório que a equipa levou a cabo na Terra sugerem que os motores poderão ter derretido aproximadamente o primeiro milímetro da camada gelada, que então poderá ter sido salpicada até à perna da Phoenix. Se suficientes percloratos foram misturados com as gotas, poderiam ter ficado líquidas durante o dia, embora tenham sido congeladas cada noite.

Alternativamente, Renno diz que estas gostas poderão ter vindo de uma fina camada de água rica em perclorato, já líquida.

Porque é que a equipa pensa que estas manchas de sujidade possam ser água líquida? O argumento situa-se no facto do que o sal é higroscópico, ou seja, atrai água. Por isso, gotas de fluídos salgados em Marte tendem a absorver vapor de água da atmosfera, explicando porque é que cresceram com o passar do tempo. De facto, às temperaturas e humidades observadas no local da Phoenix, o crescimento esperado das gotículas salgadas coincide com as observações, salienta a equipa.

Ainda mais controversas e provocantes, uma série de imagens parecem mostrar uma gotícula candidata, crescendo após ter absorvido líquido da sua vizinha - um comportamento que a equipa atribui à água líquida.

Mark Bullock do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, que já fez experiências com água salgada sobre condições marcianas, mas que não esteve envolvido no estudo de Renno, está impressionado com os resultados. "Penso que é uma história muito convincente para a existência de salmoura exótica na perna da Phoenix," afirma.

Mas o membro da equipa da Phoenix, Michael Hecht, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, discorda. Ele diz que os aglomerados eram provavelmente bocados de gelo que se formaram e cresceram a partir do vapor de água que congelava na perna.

Renno contrapõe, dizendo que o gelo mais provavelmente sublimaria do que cresceria na perna, que teria sido aquecido pelo calor emanado pelo corpo da sonda. De facto, observou-se que a camada de gelo, exposta por baixo da Phoenix, evaporava com o passar do tempo.

Mas Hecht argumenta que a perna poderia estar mais fria do que outras partes da Phoenix. Embora não existissem sensores de temperatura na perna, ele diz que a superfície da camada de gelo foi aquecida directamente pela luz solar, e que a perna da sonda estava à sombra. O vapor de água que sublimou a partir do gelo por baixo da Phoenix poderia ter-se recondensado como gelo na sua perna, argumenta.

Não se espera que a Phoenix, que ficou sem energia solar cinco meses após a aterragem, acorde novamente, por isso não há maneira de investigar este material na sua perna. Mas Renno espera estudar este caso de gotas salgadas com experiências futuras em água rica em perclorato sobre condições tipo-Marte. Ele diz que esses testes deverão estar acabados daqui a alguns meses.

Independentemente do seu resultado, a descoberta de percloratos no solo marciano sugere que poços de água líquida possam sarapintar a subsuperfície do Planeta Vermelho. Poderá existir vida nestas regiões? "É possível, diz Renno, salientando que existem micro-organismos na Terra que podem sobreviver em condições extremas," incluindo em água bastante salgada.

Mas pode ser difícil. Uma maneira de descrever estas concentrações de sal é com um valor denominado actividade da água, que é de 1 para a água pura, e mais pequeno para soluções salinas. O organismo conhecido na Terra, mais tolerante ao sal, é um fungo que pode sobreviver numa actividade da água de 0,61.

No entanto, para baixar o ponto de solidificação da água até -70º C com os percloratos, a concentração necessária de sais de perclorato daria à actividade da água um valor de apenas 0,5. "Se tentássemos pôr qualquer forma de vida que pudéssemos imaginar aqui da Terra, numa solução de salmoura desse género, a água seria literalmente arrancada das suas células," disse Peter Smith, líder científico da missão.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (em formato PDF)
Universe Today
New Scientist
National Geographic
Diário de Notícias

Perclorato:
Wikipedia

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
  NOVA RECEITA PARA GALÁXIAS ANÃS: COMECE COM RESTOS GASOSOS  
 

Existe mais do que uma maneira de fazer uma galáxia anã, e o GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA descobriu uma nova receita. O satélite identificou, pela primeira vez, galáxias anãs formando-se a partir de pouco mais do que gás pristino provavelmente deixado para trás no princípio do Universo. As galáxias anãs são aglomerados relativamente pequenos de estrelas que geralmente orbitam em torno de galáxias maiores como a nossa Via Láctea.

As descobertas surpreenderam os astrónomos porque a maioria das galáxias formam-se em associação com uma substância misteriosa apelidada de matéria escura ou a partir de gás contendo metais. Estas galáxias bebés, avistadas pelo GALEX, estão a nascer de gás que nem contém matéria escura nem metais. Embora nunca antes observado, este novo tipo de galáxia anã pode ser comum pelo mais distante e jovem Universo, onde o antigo gás era mais difuso.

Os astrónomos avistaram as inesperadas e novas galáxias em formação dentro do Anel de Leão, uma grande nuvem de hidrogénio e hélio que traça um percurso irregular em torno de duas galáxias massivas na constelação de Leão. Pensa-se que a nuvem seja um objecto primordial, um resto de material antigo que permaneceu relativamente inalterado desde os primeiros dias do Universo. Identificado há cerca de 25 anos no rádio, o anel não pode ser observado no visível.

A visão ultravioleta sem paralelos do GALEX da NASA revela, pela primeira vez, a formação de galáxias anãs a partide pouco mais que gás antigo, deixado para trás pelo Universo jovem. As galáxias anãs são aglomerados relativamente pequenos de estrelas que geralmente orbitam em torno de galáxias muito maiores, como por exemplo a Via Láctea.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
(clique na imagem para ver versão maior)

"Este objecto intrigante é já estudado há décadas com telescópios de calibre mundial, operando em comprimentos de onda no visível e no rádio," disse David Thilker da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, EUA. "Apesar destes esforços, nada além do gás foi detectado. Nenhumas estrelas, novas ou velhas, foram descobertas. Mas quando observámos o anel com o GALEX, que é particularmente sensível à radiação ultravioleta, vimos evidências tantalizantes de recente formação estelar massiva. Foi realmente uma surpresa. Estamos a observar a formação de galáxias a partir de uma nuvem de gás primordial."

Num estudo recente, Thilker e seus colegas descobriram a assinatura ultravioleta de estrelas jovens, emanando de várias zonas gasosas dentro do Anel de Leão. "Especulamos que estes complexos estelares jovens são galáxias anãs, embora, como previamente mencionado pelos rádio-astrónomos, os aglomerados de gás que formam estas galáxias não contêm matéria escura," acrescentou. "Quase todas as outras galáxias que conhecemos são dominadas pela matéria escura, que actuam como uma semente para a recolha dos seus componentes luminosos - estrelas, gás e poeira. O que vemos acontecer no Anel de Leão é um novo modo para a formação de galáxias anãs em material deixado para trás da muito mais antiga aglomeração deste grupo galáctico."

O nosso Universo local contém duas grandes galáxias, a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda, cada com centenas de milhares de milhões de estrelas, e a galáxia do Triângulo, com algumas dezenas de milhares de milhões de estrelas. Também conta com mais de 40 galáxias anãs muito mais pequenas, cada com apenas alguns milhares de milhões de estrelas. A invisível matéria escura, detectada pela sua influência gravitacional, é um importante factor, tanto das galáxias gigantes como das anãs, com uma excepção - as galáxias anãs com efeitos de marés.

Estas galáxias anãs com efeitos de marés condensam-se a partir do gás reciclado de outras galáxias e foram separadas da maioria da matéria escura, à qual estavam originalmente associadas. São produzidas quando as galáxias colidem e as suas massas gravíticas interagem. Na violência do encontro, correntes de material galáctico são retiradas das suas galáxias-mãe e dos halos de matéria escura que as rodeiam.

Porque não contêm matéria escura, as novas galáxias observadas no Anel de Leão assemelham-se a galáxias anãs com efeitos de marés, mas com uma diferença fundamental. O material gasoso que perfaz estas anãs de marés já foi filtrado por uma galáxia. Já foi enriquecido com metais - elementos mais pesados que o hélio - produzidos enquanto as estrelas evoluem. "As anãs do Anel de Leão são compostas por material muito mais pristino e sem metais," afirma Thilker. "Esta descoberta permite-nos estudar os processos de formação estelar no gás que não foi ainda enriquecido."

Grandes nuvens primitivas, parecidas às do Anel de Leão, já poderão ter sido mais comuns pelo Universo jovem, de acordo com Thilker, e consequentemente poderão ter produzido muitas outras galáxias anãs sem matéria escura, ainda por descobrir.

Imagem da área do Anel de Leão no visível, junto com a sua sobreposição a azul (não visível).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
(clique na imagem para ver versão maior)

Os resultados do novo estudo acerca da formação estelar no Anel de Leão aparecem na edição de 19 de Fevereiro da revista Nature.

O Caltech lidera a missão GALEX e é responsável pelas operações científicas e análises de dados. O JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, gere a missão e construiu o instrumento científico. A missão foi desenvolvida de acordo com o Programa de Exploradores da NASA, gerido pelo Centro Aeroespacial Goddard, em Greenbelt, Maryland, EUA. A Coreia do Sul e a França são parceiros internacionais da missão.

Links:

Notícias relacionadas:
GALEX (comunicado de imprensa)
Nature (requer subcrição)
New Scientist
PHYSORG.com
Universe Today

GALEX:
Página principal
Wikipedia

 
     
 
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