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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 536
De 13/05 a 14/05/2009
 
 
Correcção: na edição anterior, referia-se nas efemérides que em 1916 tinha nascido Karl Schwarzschild. De facto, não nasceu, mas morreu no ano em questão. Pedimos desculpa pelo erro.
 
 

Dia 13/05: 133.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1733, num registo de um eclipse solar transmitido para a Sociedade Real, o astrónomo sueco Bigerus Vassenius torna-se na primeira pessoa a notar o brilho da Terra na Lua durante a totalidade.

Ele escreve que o seu telescópio, com um diâmetro focal de 6.4 metros, consegue observar algumas das principais características da Lua durante a obscuridade total.
Em 1999, lançamento do SETI@Home. Depois de alguns anos de preparação, o maior projecto informático distribuído do mundo começa a pesquisar os céus em busca de sinais enviados por uma civilização extraterrestre inteligente.
Observações: A brilhante estrela Acturo domina o céu a Este estas noites. É uma estrela tão familiar, mas na realidade é quase uma desconhecida. Está apenas a 37 anos-luz de distância, mas a sua alta velocidade, em comparação com a maioria das estrelas na nossa vizinhança, significa que está apenas a passar pela nossa parte da Galáxia. De facto, Arcturo parece ser parte de uma corrente estelar dispersa e de alta-velocidade, o último elemento identificável de uma antiga galáxia anã que se fundiu com a Via Láctea.

Dia 14/05: 134.º dia do calendário gregoriano.
História: Lançamento da primeira estação espacial americana, o Skylab.

É a última descolagem do foguetão Saturno V.
Observações: Vega, o homólogo de Verão de Arcturo (no que respeita ao brilho), já se encontra a subir por cima do horizonte a Nordeste após o anoitecer. Está mais perto, a 25 anos-luz. À medida que se torna mesmo noite, procure para baixo e para a esquerda de Vega, a estrela Deneb.

 
 
 
E lá partiu! Após uma série de atrasos, finalmente descolou o vaivém Atlantis, tendo como destino o telescópio espacial Hubble. Esta será a última missão de serviço ao Hubble, que prolongará a sua vida até pelo menos 2014.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  SATÉLITE PLANCK PRONTO PARA MEDIR O BIG BANG  
 

De acordo com o modelo padrão da cosmologia, o nosso Universo começou há 13,7 mil milhões de anos, a origem do espaço e do tempo. A radiação cósmica de fundo é o calor (uma relíquia) deste Big Bang, libertada 380.000 anos após o seu começo e ainda viajando livremente pelo espaço hoje em dia. Nessa altura, as fracas flutuações de densidade de matéria estavam presentes, vistas como variações de temperatura na radiação cósmica de fundo. Ao observar estas flutuações, os cosmólogos podem inferir como a estrutura a larga-escala do Universo actual - galáxias, enxames galácticos e filamentos - se formou.

O satélite Planck será colocado no segundo ponto de Lagrange do sistema Sol-Terra-Lua (L2), localizado a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra - quatro vezes a distância à Lua. O satélite começará a rodar sobre o seu próprio eixo, sempre a apontar para o Sol, com cada rotação registando outra faixa do céu e mapeando a temperatura do céu com uma precisão de um milionésimo de um grau. Os dados são então enviados para a Terra e convertidos em mapas de temperaturas em centros de processamento de dados na França e na Itália. Os mapas irão variar de acordo com certas características do Universo, como por exemplo a curvatura do espaço. Para Universos hipotéticos com propriedades específicas, as simulações computacionais usando software do Instituto Max Planck para Astrofísica, geram mapas virtuais que serão comparados com mapas reais do céu. "A partir da comparação podemos retirar conclusões acerca da estrutura do nosso próprio Universo, por exemplo quanta matéria comum e energia escura aí existem", explica Torsten Enßlin, líder do grupo Planck no mesmo Instituto.

Impressão de artista do satélite Planck.
Crédito: ESA/AOES Medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A física da formação da estrutura e da formação das galáxias será estudada via o denominado efeito Sunyaev Zel'dovich - o aquecimento de fotões da radiação cósmica de fundo pela dispersão na atmosfera dos enxames galácticos. Devido a este efeito, os distantes enxames galácticos tornam-se visíveis como "sombras" em frente da radiação cósmica de fundo.

No entanto, os enxames de galáxias são apenas as partes mais densas da distribuição cósmica de matéria. 85% da matéria cósmica permanece invisível e escura. A composição desta Matéria Escura é ainda desconhecida. A partir das suas simulações computacionais, os cosmólogos do Instituto Max Planck mostraram como a radiação cósmica de fundo é influenciada pelo campo gravitacional da matéria escura. As estruturas invisíveis da matéria escura podem por isso ser deduzidas a partir das variações na temperatura da radiação cósmica de fundo. Isto requer que os cientistas analisem os dados do Planck com métodos estatísticos, obtendo importantes informações sobre a estrutura e o desenvolvimento futuro do Universo.

Mais, espera-se que a missão detecte milhares de objectos distantes em frequências raramente estudadas até agora, e por isso proporcione novos elementos acerca da física das galáxias, núcleos galácticos activos e quasares no domínio submilimétrico. Estes irão mostrar aos cientistas processos energéticos na vizinhança imediata dos buracos negros supermassivos. O Planck também ajudará a melhor compreender o nascimento das primeiras estrelas no Universo e a estrutura da nossa própria Galáxia, a Via Láctea.

"Com o começo das operações do satélite Planck, um sonho torna-se realidade," diz Rashid Sunyaev, director do Instituto Max Planck para Astrofísica e pioneiro da pesquisa da radiação cósmica de fundo. "O Planck irá dar-nos os dados mais precisos do início do Universo. Nunca estivémos tão perto do Big Bang." "Iremos perceber o passado do passado do nosso Universo e vislumbrar o seu futuro", acrescenta Simon White, colega de Sunyaev. "Será que continuará a expandir-se para sempre ou colapsará um dia? Qual é a natureza da misteriosa energia escura, que provoca esta expansão? O Planck dar-nos-á resposta a muitas das importantes questões da cosmologia. O satélite é a ferramenta mais poderosa já construída para estudar a radiação cósmica de fundo."

O satélite Planck será lançado no dia 14 de Maio, juntamente com o telescópio espacial Herschel.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck para Astrofísica (comunicado de imprensa)
BBC News
New Scientist
Nature
PHYSORG.com
Science Daily
08/04/09 - Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Satélite Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
Vídeo sobre o Herschel (formato Flash)
Wikipedia

Radiação cósmica de fundo:
Wikipedia

 
     
 
 
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  Quarenta Mil Origens de Meteoros pelo Céu - Crédito: Rede SonotaCo, Japão  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

De onde vêm os meteoros? Os meteoros visíveis são habitualmente pequenos grãos de gelo e rocha que se libertaram dos cometas. Muitas chuvas de estrelas têm sido associadas a cometas, embora algumas intrigantes chuvas ainda permaneçam orfãs. Recentemente, um grupo de entusiastas da matéria criou uma rede de mais de 100 câmaras de vídeo colocadas em 25 locais bem separados do Japão. Esta rede sem precedentes registou não apenas 240.000 brilhantes meteoros ao longo de dois anos, mas quase 40.000 meteoros observados por mais de uma estação. Estes eventos de múltiplas-estações foram particularmente interessantes porque permitiram aos observadores extrapolar as trajectórias dos meteoros de volta para o Sistema Solar. O resultado é o mapa de radiante visto acima, contendo muitas chuvas de meteoros conhecidas, legendadas pelas primeiras três letras da constelação a que pertencem. Além destas, onze novas chuvas foram identificadas por novos radiantes no céu a partir do local de onde estas parecem saír. O céu dos meteoros está sempre a mudar, e pode muito bem ser possível que novos radiantes apareçam no futuro. As pesquisas deste género podem também potencialmente identificar cometas previamente desconhecidos ou asteróides que possam um dia ter passado perto da Terra.

 


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