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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 577
De 28/08 a 30/08/2009
 
 
 
 

Dia 28/08: 240.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 Herschel descobria a lua de Saturno Encelado.

Observações: Antes do amanhecer, use binóculos para avistar o enxame aberto M35 em Gémeos, a menos de meio grau de Marte, a Este.

Dia 29/08: 241.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Vega é a estrela brilhante por cima das nossas cabeças após o anoitecer esta semana. Arcturo é a igualmente brilhante estrela a Oeste. A um terço do caminho entre Vega e Arcturo encontrará a constelação de Hércules. A dois-terços do caminho está o semicírculo da Coroa Boreal.

Dia 30/08: 242.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, aproximação máxima do cometa Forbes (0.978 UA).
Em 1984, o vaivém Discovery fazia a sua viagem inaugural, a missão STS-41.

Observações: A Lua brilha esta noite mesmo por cima da pega do bule de chá de Sagitário.

 
 
  Um ano-luz é equivalente a 9,46x10^12 km.  
 
 
AIA 2009
 
 
  PLANETA RECÉM-DESCOBERTO PODE ESTAR PERTO DA SUA MORTE  
 

Um planeta, recentemente descoberto, que gira em torno da sua estrela em menos de um dia, pode ter sido avistado a meros momentos cósmicos da sua morte.

O planeta, WASP-18b, é um dos "Júpiteres quentes", uma classe de planetas, enormes em tamanho (neste caso, 10 vezes a massa de Júpiter), mas que orbitam muito perto das suas estrelas. A sua própria existência apanhou os astrónomos de surpresa quando o primeiro foi descoberto há uns anos atrás. Agora tornaram-se descobertas comuns.

Mas este mundo infernal e gasoso é apenas um entre dois planetas extrasolares conhecidos que orbitam a sua estrela-mãe em menos de um dia terrestre (0,94, para ser exacto). Em conjunção com a sua grande massa, isto leva a enormes puxos gravitacionais entre o planeta e a sua estrela, WASP-18 (WASP significa "Wide Angle Search for Planets", gerido por várias universidades do Reino-Unido).

Estas interacções gravitacionais criam efeitos de marés que se pensa apertarem e esticarem o planeta, alterando até mesmo a sua órbita: se o planeta orbita mais depressa do que a estrela gira em torno de si própria, o planeta pode ser puxado na direcção da estrela; se a estrela girar mais depressa, o planeta deverá ser empurrado para fora (este último caso é o que se passa com a órbita da Lua em torno da Terra; a Lua está a afastar-se de nós à medida que lê este texto).

Impressão de artista que mostra um planeta extrasolar semelhante ao recém-descoberto WASP-18b. Vista do planeta, a estrela cobre uma área no céu com mais de 30º e paira perigosamente numa posição fixa no céu.
Crédito: C. CARREAU/ESA/Nature
 

Tendo em conta o que os astrofísicos sabem acerca da dinâmica envolvida, os astrónomos pensam que WASP-18b está a aproximar-se da sua estrela, mas isso faria da observação do planeta uma tarefa complicadíssima (probabilidade de uma em mil): enquanto os planetas passam as suas vidas como que a crescer, morrem num piscar de olhos cósmico. Por isso há apenas uma pequena janela de tempo onde o planeta estaria nesta posição de morte pendente - teria sido estatisticamente mais provável a sua descoberta muito mais cedo na sua vida, ou após a sua destruição (o que significa que não teria sido observado).

"Ou as probabilidades de o descobrir são muito pequenas, ou tivémos muita sorte," ou então existe algo fundamental acerca das interacções das marés entre as estrelas e os seus planetas que os astrónomos ainda não descobriram, afirma Douglas Hamilton, astrónomo da Universidade de Maryland, em College Park, EUA, que não esteve envolvido no estudo.

O que sabemos acerca das interacções dos efeitos de marés entre as estrelas e os planetas é em grande parte baseado no nosso próprio Sistema Solar, tendo a ver com toda a energia de rotação (ou de maré) que um sistema tem quando uma nuvem de gás e poeira se condensa para formar uma estrela. Posteriormente, o material que resta é achatado num disco em rotação, onde se formam os planetas. As estimativas da velocidade a que uma estrela dissipa toda essa energia de maré pode, no entanto, estar errada. Se a estrela não é muito eficiente a dissipar esta energia, o planeta poderá sobreviver bem mais tempo antes de espiralar na direcção da sua estrela-mãe.

Ou podem existir outras "possibilidades mais exóticas," disse Hamilton, tais como alguma força que impede o planeta de se aproximar da estrela. Hamilton descreveu as possibilidades num artigo publicado na edição de ontem da revista de Nature, onde a descoberta do planeta é também anunciada.

Os astrónomos serão capazes de testar qual o cenário (um planeta perto da sua morte ou uma física diferente) mais provável - apenas têm que esperar mais uns anos. Se o planeta está, de facto, a espiralar na direcção da estrela, a sua morte poderá só ocorrer daqui a uns milhares ou milhões de anos, mas deverão ser discerníveis mudanças significativas no seu período orbital no espaço de apenas uma década. Os astrónomos apenas têm que manter um olho atento no sistema.

"Apenas temos que ser pacientes," disse Hamilton. Qualquer que seja a resposta, "esta irá de certeza ensinar-nos qualquer coisa," conclui.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo na Nature (requer subscrição)
Artigo de Hamilton (Nature)
Sky & Telescope
National Geographic
Science
Discover
Scientific American
Science Daily
MSNBC
UPI

WASP-18b:
Wikipedia

SuperWASP:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
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  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

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