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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 629
De 16/03 a 18/03/2010
 
 
 

Dia 16/03: 75.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticabilidade dos foguetões e convence Goddard que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua.

Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96.6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12.5 metros.
Em 1966 era lançada a Gemini 8 - o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejectado da Terra aquando do impacto com um objecto do tamanho de Marte.
Observações: Olhe baixo para Oeste no lusco-fusco para encontrar Vénus e para a sua direita, uma Lua muito fina. Não se preocupe se não a encontrar hoje, nos dias seguintes ficará mais visível e mais para cima do planeta.

Dia 17/03: 76.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958 era lançada a primeira sonda a energia solar, a Vanguard 1.

Transportava um sensor de medição de temperatura e um transmissor de rádio. O seu sistema de energia parou em 1964, embora se pensasse que continuaria a orbitar a Terra e a transmitir dados durante 1.000 anos.
Observações: E hoje? Já consegue observar a Lua? Mostra já um pouco mais da sua fina fase Crescente.

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento matando 50 pessoas.
Observações: Se tiver um telescópio com pelo menos 10" de abertura e um céu realmente escuro, já alguma vez observou as ténues galáxias visíveis para a direita do Enxame do Presépio em Caranguejo?

 
 
 
O primeiro instrumento parecido com um foguete pode ser traçado até aos Gregos no ano de 400 A.C., quando Archytas de Tarentum construíu um pombo de madeira a vapor.
 
 
 
  SUPER SUPERNOVA: SISTEMA ESTELAR DE ANÃ BRANCA EXCEDE LIMITE DE MASSA  
 

Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Yale mediu, pela primeira vez, a massa de um tipo de supernova que se pensava pertencer a uma subclasse única e confirmou que ultrapassa o que se pensava ser um limite superior de massa. Os seus achados, que estão on-line e serão publicados numa edição futura da revista Astrophysical Journal, podem afectar o modo como os cosmólogos medem a expansão do Universo.

Os cosmólogos usam as supernovas Tipo Ia - violentas explosões de núcleos de estrelas mortas denominadas anãs brancas - como uma espécie de régua cósmica para medir a distância à galáxia da supernova e, como tal, compreender o passado e o futuro da expansão do Universo e explorar a natureza da energia escura. Até recentemente, pensava-se que as anãs brancas não podiam exceder o que é conhecido como o limite de Chandrasekhar, uma massa crítica equivalente a cerca de 1,4 vezes a massa do Sol, antes de explodirem numa supernova. Este limite uniforme é uma ferramenta-chave na medição da distância das supernovas.

Imagem da supernova de tipo Ia, SN 1572.
Crédito: NASA/CXC/JPL-Caltech/Observatório Calar Alto, Krause et al.)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde 2003, foram descobertas 4 supernovas tão brilhantes que os cosmólogos ficaram na dúvida se as suas anãs brancas tinham ultrapassado o limite de Chandrasekhar. Estas supernovas foram apelidadas de supernovas "super-Chandrasekhar".

Agora Richard Scalzo da Universidade de Yale, como parte de uma colaboração de físicos americanos e franceses com o nome de NSF (Nearby Supernova Factory), mediu a massa da anã branca que resultou numa destas raras supernovas, chamada SN 2007if, e confirmou que excede o limite de Chandrasekhar. Também descobriram que a invulgarmente brilhante supernova não só tinha uma massa central, como também uma concha de material que foi expelido durante a explosão, e um envelope de material pré-existente. A equipa espera que esta descoberta forneça um modelo estrutural a partir do qual se perceba melhor outras supernovas supermassivas.

Usando telescópios no Chile, Hawaii e Califórnia, a equipa foi capaz de medir a massa da estrela central, da concha e do invólucro individualmente, providenciando a primeira prova conclusiva de que o próprio sistema estelar realmente ultrapassou o limite de Chandrasekhar. Eles descobriram que a própria estrela parece ter tido uma massa 2,1 vezes a do Sol (+/- 10%), o que a coloca bem acima do limite.

O terem sido capazes de medir as massas de todas as partes do sistema solar fornece aos físicos mais informações acerca da evolução do sistema - um processo que é actualmente pouco conhecido. "Nós não sabemos muito acerca das estrelas que se transformam nestas supernovas," afirma Scalzo. "Queremos saber mais acerca de que tipo de estrelas eram, e como se formaram e evoluíram ao longo do tempo."

Scalzo acredita ser provável que SN2007if tenha resultado da fusão de duas anãs brancas, em vez da explosão de um única anã branca, e espera estudar outras supernovas super-Chandrasekhar para determinar se, também, podem ter envolvido uma fusão de duas anãs brancas.

Os teóricos continuam a explorar como estrelas com massa acima do limite de Chandrasekhar, que é baseado num modelo estelar simplificado, podem existir sem colapsar sobre o seu próprio peso. De qualquer modo, uma subclasse de supernovas dirigidas por uma física mais exótica pode ter um efeito mais dramático no modo como os cosmólogos as usam para medir a expansão do Universo.

"As supernovas são usadas para fazer afirmações acerca do destino do Universo e da nossa teoria da gravidade," afirma Scalzo. "Se o nosso conhecimento das supernovas mudar, pode impactar significativamente as nossas teorias e previsões."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Yale (comunicado de imprensa)
Artigo científico (em formato PDF)
PHYSORG.com

Nearby Supernova Factory:
Página oficial

Limite de Chandrasekhar:
Wikipedia

Supernovas:
Wikpedia (tipo Ia)
Wikipedia
NASA

Anãs brancas:
Wikipedia
Centro Aeroespacial Goddard da NASA

 
     
 
 
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  Centauro A - Crédito: Tim Carruthers  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A apenas 11 milhões de anos-luz de distância, Centauro A é a galáxia activa mais próxima do planeta Terra. Com um tamanho de mais de 60.000 anos-luz, a galáxia elíptica peculiar, também conhecida como NGC 5128, está aqui na imagem. Centauro A é aparentemente o resultado de uma colisão de duas galáxias normais, que resultou numa mistura fantástica de enxames estelares e correntes de poeira escura. Perto do centro da galáxia, restos de detritos cósmicos estão sendo devorados por um buraco negro central com mil milhões de vezes a massa do Sol. Tal como noutras galáxias activas, esse processo provavelmente gera a energia no rádio, em raios-X e em raios-gama irradiada por Centauro A.

 


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