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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 638
De 16/04 a 19/04/2010
 
 
 

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua. 

Observações: Olhe para Oeste ao lusco-fusco para observar a Lua Crescente por cima de Vénus. À medida que anoitece, as Plêiades brilham por cima da Lua.

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Riccioli, astrónomo italiano que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre.
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava a salvo à Terra

Observações: Olhe para a esquerda e para baixo da Lua para encontrar Aldebarã e as Híades, e para a direita e para baixo para encontrar as Plêiades, à medida que anoitece.

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para observar telescopicamente Saturno e os seus anéis.

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.

Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.
Observações: Antes da meia-noite já é possível observar o espectacular Enxame de Hércules, M13.

 
 
 
Europa é um satélite cuja superfície é feita de gelo e em que por baixo contém água líquida, o que faz com que muitos dos que acreditam em vida no Sistema Solar para além da Terra pensem que poderá ser um bom planeta para procurar vida. No entanto, a Terra é o único planeta onde ocorrem condições próximas do ponto triplo da água, isto é, existe água nos estados sólido, líquido e gasoso. Será isto importante?
 
 
 
  MODESTO TELESCÓPIO TERRESTRE FOTOGRAFA TRÊS EXOPLANETAS  
 

Astrónomos capturaram uma imagem de três planetas em órbita de uma estrela para lá do Sistema Solar usando um telescópio terrestre de tamanho modesto. O feito surpreendente foi alcançado por uma equipa do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA, ao usar uma pequena porção do Telescópio Hale do Observatório Palomar.

Os planetas já tinham sido fotografados por dois dos maiores telescópios terrestres do mundo -- por um dos dois telescópios de 10 metros do Observatório Keck e pelo telescópio de 8 metros do Observatório Gemini Norte, ambos em Mauna Kea, Hawaii. Os planetas, que orbitam a estrela HR 8799, estiveram entre os primeiros a ser observados directamente, numa descoberta anunciada em Novembro de 2008.

Esta imagem mostra a luz dos três planetas em órbita de uma estrela a 120 anos-luz de distância. A estrela, HR 8799, encontra-se no ponto marcado por um X.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Observatório Palomar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A nova imagem dos planetas, obtida, tal como anteriormente, no infravermelho, foi capturada usando apenas uma porção de 1,5 metros do espelho do Telescópio Hale. A equipa de astrónomos fez imensos esforços no desenvolvimento de nova tecnologia, até ao ponto de usarem apenas um telescópio assim tão pequeno. Depois, combinaram duas técnicas -- ópticas adaptivas e um coronógrafo -- para minimizar o brilho da estrela e revelar o brilho dos planetas muito mais ténues.

"A nossa técnica poderá ser usada em telescópios terrestres maiores, para fotografar planetas que estão muito mais perto das suas estrelas-mãe, ou poderá ser usada em pequenos telescópios espaciais para descobrir mundos tipo-Terra perto de estrelas brilhantes," afirma Gene Serabyn, astrofísico do JPL em associação com o Instituto de Tecnologia da Califórnia. Serabyn é o autor principal do artigo científico que reporta as descobertas na edição de 15 de Abril da revista Nature.

Pensa-se que os três planetas, denominados HR8799b, c e d, sejam gigantes gasosos como Júpiter, mas mais massivos. Orbitam a sua estrela a aproximadamente 24, 37 e 68 vezes a distância entre a Terra e o Sol, respectivamente (Júpiter orbita a 5 vezes a distância Terra-Sol). É possível que mundos rochosos orbitem mais perto da estrela, mas com a tecnologia actual, são impossíveis de ver devido ao seu brilho.

A estrela HR 8799 é um pouco mais massiva que o nosso Sol, mas muito mais jovem, com cerca de 60 milhões de anos, em comparação com os mais ou menos 4,6 mil milhões de anos do Sol. Está a 120 anos-luz de distância na direcção da constelação de Pégaso. O sistema planetário desta estrela é ainda activo, com corpos em colisão e expelindo poeira, recentemente detectada pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Tal como pão acabado de fazer, os planetas estão ainda quentes da sua formação e emitem suficiente radiação infravermelha para serem observados pelos telescópios.

Para obter uma imagem dos planetas de HR 8799, Serabyn e seus colegas usam ao início um método chamado ópticas adaptivas para reduzir a quantidade de desfocagem atmosférica, ou para retirar o "cintilar" da estrela. Esta técnica foi optimizada ao usar apenas uma pequena parte do telescópio. Após removerem o cintilar, a luz da própria estrela foi bloqueada usando o coronógrafo da equipa, um instrumento que selectivamente tapa a estrela. Um novo "coronógrafo vórtice", inventado pelo membro da equipa Dimitri Mawet do JPL, foi usado neste passo. O resultado final foi uma imagem que mostra a luz dos três planetas.

"O truque está em suprimir a luz estelar sem suprimir a luz planetária," afirma Serabyn.

A técnica pode ser usada para observar o espaço a apenas uma fracção de grau da estrela (cerca de um grau dividido por 10.000). Esta separação angular é mais ou menos a mesma atingida pelo Gemini e pelo Keck -- telescópios que são, respectivamente, cinco e sete vezes maiores.

Manter os telescópios pequenos é muito importante para as missões espaciais. "Este é o tipo de tecnologia que conseguirá fotografar outras Terras," afirma Wesley Traub, líder científico do Programa de Exploração Exoplanetária do JPL. "Estamos a caminho de obter uma imagem de outro pálido ponto azul no espaço."

Links:

Notícias relacionadas:
15/11/08 - Grandes descobertas: primeiras imagens de planetas em torno de outras estrelas (CCVAlg)
JPL/NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
Scientific American
PHYSORG.com
MSNBC

Observatório Palomar:
Página oficial
Telescópio Hale

HR 8799:
Artigo científico sobre HR 8799, via Exoplanet.eu (formato PDF) 
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
     
 
     
  Galáxia Espiral Invulgar M66 pelo Hubble - Crédito: NASAESAHubble HeritageS. Van Dyk (JPL/IPAC), R. Chandar (U. Toledo), D. De Martin & R. Gendler  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Porque é que a galáxia espiral M66 não é simétrica? Normalmente ondas densas de gás, poeira e estrelas recém-formadas circulam o centro de uma galáxia espiral e criam uma galáxia quase simétrica. As diferenças entre os braços espirais de M66 e o deslocamento aparente do seu núcleo são provavelmente provocadas por interacções próximas e por puxos gravitacionais dos vizinhos galácticos M65 e NGC 3628. A galáxia espiral M66, na imagem, mede 100.000 anos-luz, situa-se a cerca de 35 milhões de anos-luz de distância, e é a maior galáxia do grupo conhecido como Tripleto de Leão. Tal como muitas galáxias espirais, as longas e complexas torrentes de poeira de M66 estão entrelaçadas com estrelas brilhantes e nebulosas que acendem os braços espirais.

 


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