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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 639
De 20/04 a 22/04/2010
 
 
 

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 16aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares
Observações: Procure Pollux e Castor directamente para cima da Lua esta noite.

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento; à medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioactivo na sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomo Alexander Wolszczan.
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHOTRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejecção de massa coronal).

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 19:20.
Marte brilha esta noite por cima da Lua. Entre os dois encontra-se o enxame do Presépio (M44).

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente actual do Espaço.

Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como director científico do Projecto Manhattan. É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica".
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra. 
Observações: A Lua encontra-se esta para baixo de uma linha imaginária que liga Régulo (Leão) a Marte. Olha para baixo do nosso satélite e um pouco para a esquerda, para avistar Alphard, o coração vermelho-alaranjado de Hidra.

 
 
 
Saturno tem a densidade mais baixa que qualquer outro planeta do Sistema Solar. A sua densidade é inferior à da água, o que quer dizer que se houvesse um enorme oceano, Saturno flutuaria.
 
 
 
  EXPLICADA A ORIGEM DA MISTERIOSA LUZ ZODIACAL  
 

A origem do misterioso brilho que se prolonga pelo céu nocturno foi identificado por cientistas que examinaram as partículas que compõem a luminosa nuvem de poeira.

Com o nome de Luz Zodiacal, o ténue brilho é provocado por milhões de pequenas partículas ao longo do percurso seguido pelo Sol, pela Lua e pelos planetas, também conhecido como eclíptica.

O brilho ténue e esbranquiçado, que pode melhor ser observado no céu nocturno mesmo depois do pôr-do-Sol ou antes do nascer-do-Sol na Primavera e no Outono, foi pela primeira vez identificado por Joshua Childrey em 1661 como luz solar espalhada na nossa direcção por partículas de poeira no Sistema Solar.

Mesmo assim, a fonte desta espessa nuvem de poeira tem sido tópico de debate.

Luz Zodiacal observada em Paranal.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Num novo estudo, David Nesvorny e Peter Jenniskens descobriram que mais de 85% da poeira zodiacal é oriunda da família de cometas de Júpiter (assim denominados porque as suas órbitas são alteradas pela passagem próxima pelo gigante gasoso, Júpiter), e não de asteróides, como se pensava anteriormente.

"Este é o primeiro modelo inteiramente dinâmico da nuvem zodiacal," afirma Nesvorny, cientista planetário do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA. "Nós descobrimos que a poeira dos asteróides não é agitada o suficiente ao longo da sua vida para tornar a nuvem de poeira zodiacal tão espessa como é. Apenas a poeira de cometas de curto-período é suficientemente dispersada por Júpiter para tal acontecer."

Os investigadores identificaram a poeira oriunda da família de cometas de Júpiter após examinar a forma da nuvem zodiacal, afirma Nesvorny.

"Outros cometas, como os cometas tipo-Halley, têm grandes inclinações orbitais," salienta Nesvorny. "Eles aproximam-se do Sistema Solar interior a partir de todas as direcções, por isso se fossem estes os produtores da nuvem zodiacal, seria quase uma bola e não um disco. Os telescópios como o Spitzer, mostram que a nuvem zodiacal é um disco. Isto aponta para a família de cometas de Júpiter, que têm inclinações mais moderadas."

Estes resultados confirmam o que Jenniskens, um astrónomo do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, há muito suspeitava. Perito em chuvas de meteoros, Jenniskens notou que a maioria delas consiste de poeira que se move em órbitas similares às dos cometas da família de Júpiter.

Jenniskens descobriu um cometa inactivo na chuva de meteoros Quadrântidas em 2003 e desde aí já identificou vários corpos do mesmo género.

Embora a maioria deles estejam actualmente inactivos na sua órbita actual em torno do Sol, todos se fragmentaram violentamente à mesma altura, há milhares de anos atrás, criando detritos na forma de correntes de poeira que agora migraram para a órbita da Terra.

A poeira entre os planetas, que espalha a luz solar, não veio da cintura de asteróides (aqui a verde), mas da perturbação periódica de cometas que passam a maior parte do seu tempo perto da órbita de Júpiter.
Crédito: Andrew Blanchard, David Nesvorny e Peter Jenniskens/SWRI/Instituto SETI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Nesvorny e Jenniskens, com a ajuda de Harold Levison e William Bottke do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, David Vokrouhlicky do Instituto de Astronomia da Universidade Charles em Praga, e Matthieu Gounelle do Museu de História Natural em Paris, demonstraram que estas perturbações cometárias explicam a espessura observada na camada de poeira da nuvem zodiacal.

E ao fazê-lo, resolveram outro mistério.

Há muito que se sabe que a neve na Antártica contém uma percentagem notável de micrometeoritos, e que 80-90% destes têm uma composição primitiva peculiar, rara entre os meteoritos maiores que se formaram a partir de asteróides.

"Estes micrometeoritos são pequenos meteoritos com aproximadamente 0,1 mm em tamanho," explica Nesvorny. "São encontrados no gelo da Antártica, e não se sabia porque é que têm uma composição diferente dos maiores meteoritos encontrados noutros lados."

Nesvorny e Jenniskens sugerem que os micrometeoritos da Antártica são na realidade fragmentos de cometas, o que explica a composição diferente dos outros meteoritos que vêm da cintura de asteróides. De acordo com os seus cálculos, os grãos cometários mergulham pela atmosfera da Terra a velocidades baixas o suficiente para sobreviverem e alcançarem o chão.

O estudo encontra-se na edição de 20 de Abril do Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
Science
SPACE.com

Luz Zodiacal:
Wikipedia

 
     
 
 
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  Cinzas e Relâmpagos por Cima de um Vulcão na Islândia - Crédito: Marco Fulle (Stromboli Online)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Porque é que esta recente erupção vulcânica na Islândia tem criado tantas cinzas? Embora a grande pluma não seja rara, a sua localização é particularmente invulgar porque se espalhou para áreas muito habitadas. O vulcão Eyjafjallajökull no Sul da Islândia entrou em erupção no dia 20 de Março, com uma segunda erupção começando dia 14 de Abril no centro de um pequeno glaciar. Nenhuma das duas erupções foi particularmente poderosa. A segunda erupção, no entanto, derreteu uma grande quantidade de gelo glaciar, que depois arrefeceu e fragmentou lava em partículas arenosas de vidro, transportadas pela pluma vulcânica ascendente. Esta imagem, obtida há três dias atrás, mostra relâmpagos que iluminam a cinza que sai do vulcão Eyjafjallajökull.

 


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