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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 674
De 20/08 a 23/08/2010
 
 
 
 

Dia 20/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, Galileu Galileié julgado diante a Congregação da Doutrina da Fé por ensinar que a Terra orbita o Sol.

Em 1975, a NASA lança a sonda Viking 1 para Marte.
Em 1977, a nasa lança a sonda Voyager 2.
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas.
Observações: Neptuno em oposição, pelas 10:41.

Dia 21/08: 233.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, a NASA perdia o contacto com a sonda Mars Observer

Observações: A brilhante Vega passa o zénite pouco depois do anoitecer esta semana a partir de latitudes médias Norte (exactamente a partir dos 39º). Quando Vega está na sua posição mais alta, sabemos que o Bule de Chá de Sagitário, rico em maravilhas telescópicas, está na sua posição mais alta a Sul.

Dia 22/08: 234.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era descoberto o primeiro anel de Neptuno.

Observações: Com o Verão a terminar, sabemos que o brilhante e dourado Arcturo brilha cada vez mais baixo a Oeste depois do caír da noite. E a Ursa Maior fica cada vez mais baixa a Noroeste.

Dia 23/08: 235.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 estreia a série televisiva, "The Jetsons", uma produção da Hanna-Barbara que introduziu a uma geração um futuro com base na tecnologia. 

Em 1966, a Lunar Orbiter 1 tira a primeira fotografia da Terra a partir de órbita lunar. 
Em 2001, um fogo causa estragos na ordem dos 2,5 milhões de dólares ao Planetário Bishop em Brandenton, Flórida, EUA. 
Observações: Aproveite a noite para observar Albireu. Consegue discernir as diferentes cores das estrelas?

 
 
 
A razão porque a Via Láctea é mais visível no início das noites de Verão, está associada ao facto de nesta altura do ano estarmos voltados para o Centro da Galáxia que fica entre as constelações de Escorpião e Sagitário.
 
 
 
  QUE QUANTIDADE DE MASSA DÁ ORIGEM A UM BURACO NEGRO?  
 

Utilizando o Very Large Telescope do ESO, astrónomos europeus demonstraram, pela primeira vez, que uma estrela magnética - um tipo invulgar de estrela de neutrões - se formou a partir de uma estrela com pelo menos 40 vezes a massa do Sol. O resultado desafia grandemente as actuais teorias de evolução estelar uma vez que, segundo estas teorias, uma estrela com massa desta magnitude deveria transformar-se num buraco negro, e não numa estrela magnética. Levanta-se assim uma questão fundamental: que quantidade de massa deve possuir uma estrela para dar origem a um buraco negro?

Para chegarem a estas conclusões, os astrónomos observaram em grande detalhe o enxame estelar Westerlund 1, situado a 16.000 anos-luz de distância na constelação austral do Altar. A partir de estudos anteriores, os astrónomos sabiam já que Westerlund 1 é o super enxame estelar mais próximo conhecido, contendo centenas de estrelas de grande massa, algumas que brilham com a luminosidade de quase um milhão de sóis e outras com duas mil vezes o diâmetro do Sol (tão grandes como a órbita de Saturno).

Impressão de artista do magnetar no extraordinário enxame estelar Westerlund 1.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Se o Sol estivesse situado no centro deste enxame, o nosso céu nocturno estaria repleto de centenas de estrelas tão brilhantes como a Lua Cheia," diz Ben Richie, autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados.

Westerlund 1 é um fantástico zoo estelar que apresenta uma população de estrelas diversa e exótica. As estrelas no enxame partilham uma coisa em comum: todas têm a mesma idade, estimada entre os 3,5 e os 5 milhões de anos, já que o enxame se formou a partir de um único evento de formação estelar.

Uma estrela magnética é um tipo de estrela de neutrões que possui um campo magnético extremamente forte - mil biliões de vezes mais forte que o da Terra - a qual se forma quando certos tipos de estrelas sofrem explosões de supernova. O enxame Westerlund 1 alberga uma das poucas estrelas magnéticas conhecidas na Via Láctea. Uma vez que pertence a este enxame, os astrónomos puderam deduzir que esta estrela magnética deve ter-se formado a partir de uma estrela com pelo menos 40 vezes a massa do Sol.

Uma vez que todas as estrelas no Westerlund 1 têm a mesma idade, a estrela que explodiu e deixou como resto uma estrela magnética deve ter tido uma vida mais curta do que as restantes estrelas do enxame. "Como o tempo de vida de uma estrela está directamente relacionado com a sua massa - quanto mais massa tem uma estrela, mais curta é a sua vida - se medirmos a massa de qualquer das estrelas sobreviventes, saberemos de certeza que a estrela de vida mais curta que deu origem à estrela magnética deve ter tido ainda mais massa do que a massa medida", diz o co-autor e líder da equipa Simon Clark. "Isto é extremamente importante, já que não existe nenhuma teoria aceite de como se formam estes objectos extremamente magnéticos."

Imagem de campo-largo do enxame Westerlund 1.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos estudaram por isso as estrelas que pertencem ao sistema duplo em eclipse W13 no Westerlund 1, utilizando o facto de que, num tal sistema, as massas podem ser determinadas directamente a partir do movimento das estrelas.

Comparando com estas estrelas, descobriram que a estrela que deu origem à estrela magnética deve ter tido pelo menos 40 vezes a massa do Sol. O que prova pela primeira vez que as estrelas magnéticas podem formar-se a partir de estrelas de tão grande massa, estrelas essas que esperaríamos que formassem buracos negros. O que assumíamos anteriormente era que estrelas com massas iniciais entre 10 e 25 massas solares formariam estrelas de neutrões e aquelas com massas iniciais superiores a 25 massas solares dariam origem a buracos negros.

"Estas estrelas têm que se ver livres de mais de nove décimos das suas massas antes de explodirem como supernovas, porque senão darão antes origem a um buraco negro," diz o co-autor Ignacio Negueruela. "Perdas de massa tão elevadas antes da explosão apresentam um grande desafio às actuais teorias de evolução estelar."

"O que levanta a questão de saber quanta massa deve ter uma estrela para que ao colapsar forme um buraco negro, uma vez que estrelas com mais de 40 massas solares não o conseguem," conclui o co-autor Norbert Langer.

O mecanismo de formação preferido dos astrónomos postula que a estrela que se transforma em estrela magnética - a progenitora - tenha nascido com uma companheira estelar. À medida que ambas as estrelas evoluem começam a interagir, utilizando a energia derivada dos seus movimentos orbitais na ejecção, por parte da estrela progenitora, das enormes quantidades de massa necessárias. Embora não se observe actualmente nenhuma estrela companheira, isto pode dever-se ao facto da supernova que formou a estrela magnética ter originado a separação do binário, ejectando do enxame ambas as estrelas a alta velocidade.

"Se este é o caso, então os sistemas binários poderão ter um papel importante na evolução estelar ao originar perda de massa - o derradeiro 'plano de dieta' cósmico para estrelas de grande massa, o qual faz deslocar mais de 95% da sua massa inicial," conclui Clark.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
PHYSORG.com
Science Now
AFP
UPI
Discover
BBC News

Westerlund 1:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
Press Kit (formato PDF)

Magnetares:
Wikipedia
Artigo científico (formato PDF)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Ampliação da Nebulosa do Pelicano - Crédito: Tony Hallas  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A proeminente crista de emissão presente nesta intensa e colorida paisagem celeste é designada IC 5067. Parte de uma maior nebulosa de emissão com uma forma bastante distinta, popularmente chamada Nebulosa do Pelicano, a crista prolonga-se por 10 anos-luz e segue a curva da cabeça e pescoço do pelicano cósmico. As fantásticas e escuras formas que habitam na imagem são nuvens de gás frio e poeira esculpida por radiação energética de estrelas quentes e massivas. Mas as estrelas estão também a formar-se dentro das formas escuras. De facto, jactos gémeos emergindo da ponta da gavinha central e escura são sinais tantalizantes de uma protoestrela catalogada como Herbig-Haro 555. A própria Nebulosa do Pelicano, também conhecida como IC 5070, está a cerca de 2000 anos-luz de distância. Para a descobrir, olhe para Nordeste da brilhante estrela Deneb na grande constelação de Cisne.

 


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