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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 729
De 01/03 a 03/03/2011
 
 
 

Dia 01/03: 60.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galácticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 torna-se na primeira a impactar noutro planeta, nomeadamente Vénus, mas a sonda falha mesmo antes de chegar ao planeta e não envia nenhuns dados.
Em 1980, a sonda Voyager 1 confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno. 
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).

Foi lançada a 30 de Outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de Novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objectivo de manutenção do Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Ao amanhecer, a Lua encontra-se a menos de 2º de Vénus, baixo a Sudeste.

Dia 02/03: 61.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a sonda americana Pioneer 10 é lançada. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteróides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se na primeira sonda a sair do Sistema Solar. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa superfície de gelo.
Observações: Já explorou a zona dos chifres de Touro com um telescópio? Tente observar a Nebulosa do Caranguejo (ou M1).

Dia 03/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, o antecessor da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objectivo de testar o módulo lunar.
Observações: Aproveite a noite para observar a Grande Nebulosa de Orionte (M42) com binóculos. Quantas estrelas consegue observar?

 
 
 
Um dos objectivos da missão actual do vaivém espacial da NASA, STS-133, é o transporte do Robonaut2 para a ISS, um robot humanóide que vai ser usado para trabalhar fora da estação e para seguir o seu desempenho no espaço.
 
 
  DESCOBERTOS DOIS PLANETAS QUE PARTILHAM MESMA ÓRBITA  
 

Enterrado no dilúvio de dados obtidos pelo telescópio Kepler está um sistema planetário nunca antes visto. Dois dos seus planetas aparentes partilham a mesma órbita em torno da sua estrela. Se a descoberta for confirmada, apoia a teoria de que a Terra partilhou já a sua órbita com um corpo com o tamanho de Marte e que mais tarde colidiu com o nosso planeta, resultando na formação da Lua.

Os dois planetas são parte de um sistema de quatro planetas denominado KOI-730. Circulam a sua estrela tipo-Sol a cada 9,8 dias exactamente à mesma distância orbital, um permanentemente cerca de 60 graus à frente do outro. No céu nocturno de um planeta, o outro mundo seria uma luz constante, nunca diminuindo nem aumentando de brilho.

São uns certos "refúgios" gravitacionais que tornam isto possível. Quando um corpo (tal como um planeta) orbita um outro muito mais massivo (uma estrela), existem dois pontos de Largrange, ao longo da órbita do planeta, onde um terceiro corpo pode orbitar estavelmente. Estes situam-se 60º graus para a frente e 60º para trás do objecto mais pequeno. Por exemplo, um grupo de asteróides, denominados Troianos, situam-se nestes pontos ao longo da órbita de Júpiter.

Espaço para dois.
Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em teoria, a matéria no disco de material em torno de uma estrela recém-nascida coalesce nos assim denominados planetas "co-orbitantes", mas até agora nunca tinham sido avistados. "Sistemas como este não são comuns, dado que é a primeira vez que os observamos," afirma Jack Lissauer do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, Califórnia, EUA. Lissauer e colegas descrevem o sistema KOI-730 num artigo submetido à revista Astrophysical Journal.

Richard Gott e Edward Belbruno da Universidade de Princeton dizem que até podemos ter evidências do fenómeno no nosso próprio "quintal cósmico." Pensa-se que a Lua tenha sido formada cerca de 50 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar, a partir dos detritos de uma colisão entre um corpo com o tamanho de Marte e a Terra. As simulações sugerem que este corpo, denominado Theia, deve ter colidido a baixa velocidade. De acordo com Gott e Belbruno, isto só pode ter acontecido se Theia estava num ponto de Lagrange, atrás ou à frente na órbita da Terra. Estes novos achados "mostram que este género de eventos imaginados podem acontecer," afirma Gott.

Será que os planetas de KOI-730 vão formar uma lua no futuro? "Isso seria espectacular," diz Gott. Mas as simulações, feitas por Bob Vanderbei da Universidade de Princeton, sugerem que os planetas vão continuar a orbitar em sincronia pelo menos durante os próximos 2,22 milhões de anos.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
New Scientist
PopularScience
Wired

KOI-730:
Universidade de Princeton
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
     
 
 
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  Galáxias-concha em Peixes - Crédito: Stephen Leshin  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta paisagem celeste cósmica e colorida contém um sistema peculiar de galáxias catalogado como Arp 227 a uns 100 milhões de anos-luz de distância. Nadando dentro dos limites da constelação de Peixes, as duas galáxias proeminentes à esquerda perfazem Arp 227 - a curiosa galáxia-concha NGC 474 e a sua vizinha espiral azulada NGC 470. Os ténues e largos arcos ou conchas de NGC 474 podem ter sido formados por um encontro gravitacional com a vizinha NGC 470. Alternativamente, as conchas podem ter sido provocadas por uma fusão com outra galáxia mais pequena, produzindo um efeito análogo a pequenas ondulações à superfície de um lago. Notavelmente, a grande galáxia à direita da imagem progunda, NGC 467, parece estar também rodeada por ténues conchas, provas de outro sistema galáctico em interacção. Intrigrantes galáxias de fundo estão espalhadas pelo campo, que também inclui pontiagudas estrelas no pano da frente. Claro, estas estrelas pertencem à nossa Via Láctea. O campo de visão mede 25 minutos de arco ou cerca de 1/2 grau no céu.

 


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