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Edição n.º 784
09/09 a 12/09/2011
 
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EFEMÉRIDES

09/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1839, foi feita por John Herschel a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era a do telescópio de 12 metros de seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalthea. 

Observações: As duas estrelas mais brilhantes após o anoitecer são a esbranquiçada Vega, agora mesmo para Oeste do zénite, e Arcturo, uma pálida amarelo-alaranjada, brilhando mais para baixo a Oeste. A um terço do caminho de Vega a Arcturo está a constelação de Hércules. A dois-terços do caminho, procure o semi-círculo da Coroa Boreal.

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 1985, a sonda ICE (International Cometary Explorer) fez o primeiro voo rasante de um cometa, o cometa Giacobini-Zinner

Observações: Aproveite a noite para observar o Enxame de Hércules (M13).

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: A zona da cruz do Cisne é uma das mais ricas da Via Láctea. Faça uma viagem binocular ou telescópica para descobrir algumas das suas melhores jóias.

Dia 12/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a sonda soviética Luna 2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Observações: Lua Cheia, pelas 10:28.

 
CURIOSIDADES


O recorde de maior velocidade obtida à superfície da Lua é 18 km/h, pelo astronauta Gene Cernan da Apollo 17, quando conduzia o rover lunar.

 
CIÊNCIA DE "QUINTAL": COMO PODEMOS FAZER A DIFERENÇA

Estamos a viver numa grande época para se ser astrónomo amador! Hoje em dia, os astrónomos de "quintal" armados com câmaras CCD, montagens de alta-qualidade, computadores e a internet à sua disposição fazem contribuições de peso para a Astronomia.

Mas exactamente como é que os amadores estão actualmente a contribuir para a Ciência?

Consideremos que em 1991, o Telescópio Espacial Hubble foi lançado com uma câmara principal que tinha menos de um megapixel (a resolução da sua câmara era de 800x800 pixéis - um pouco acima de meio megapixel). Actualmente, mesmo até com um investimento "modesto", os amadores podem adquirir máquinas digitais que facilmente ultrapassam os 10 megapixéis. Basicamente, quantos mais pixéis tiverem, melhor a resolução da imagem e mais detalhe conseguimos capturar (não obstante as condições do céu).

Com fácil acesso a câmaras de alta-resolução e a outro equipamento, muitos amadores tiram imagens astronómicas de cortar a respiração. Usando equipamento similar outros amadores já obtiveram imagens de cometas, supernovas e manchas solares. Com fácil acesso a montagens super-precisas e a ópticas de alta-qualidade, não é novidade que os astrónomos amadores estejam a fazer maiores contribuições para a Astronomia.

Um perfeito exemplo de descobertas amadoras foi a de Kathryn Aurora Gray, uma rapariga de 10 anos que vive no Canadá, que descobriu uma supernova com a ajuda do seu pai e de outro astrónomo amador, David Lane. A descoberta da supernova 2010lt (localizada na galáxia UGC 3378 na constelação de Girafa) foi a primeira de Kathryn, a sétima do seu pai e a quarta de Lane.

Muitas vezes quando se detecta uma supernova, os cientistas têm que agir rapidamente para recolher dados antes que a supernova desvaneça. Na imagem abaixo, observe o ponto que pisca. A imagem é um "antes e depois" da área que rodeia a Supernova 2010lt.

Animação "antes e depois" da supernova 2010lt.
Crédito: Dave Lane
 

Antes de Kathryn Gray, o astrónomo David Levy já tinha estado nas manchetes com a sua descoberta do cometa Shoemaker-Levy 9. Em 1994, o cometa Shoemaker-Levy 9 quebrou-se e colidiu com a atmosfera de Júpiter. Desde aí, Levy já descobriu mais de 20 cometas e dúzias de asteróides. Levy também publicou vários livros e contribui regularmente com artigos para várias revistas de Astronomia.

O Cometa Shoemaker-Levy 9, fotografa pelo Telescópio Espacial Hubble em Janeiro de 1994.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Vale a pena também mencionar o astrofotógrafo Thierry Legault que produziu muitas imagens impressionantes. Ao longo do último ano, Thierry tem obtido espectaculares imagens da Estação Espacial Internacional e inúmeras imagens dos últimos voos do vaivém espacial. A astrofotografia de Thierry não está só limitada ao Sol, ou a objectos que orbitam a Terra.

A Estação Espacial Internacional e o vaivém espacial Atlantis, transitando o Sol.
Crédito: Thierry Legault
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A contribuição para a Ciência como amador não está limitada só àqueles com telescópios. Existem muitos outros projectos de pesquisa que pedem a ajuda do público. Por exemplo, existe o projecto Planet Hunters. O que pretende atingir é uma abordagem mais prática da interpretação das curvas de luz obtidas pela missão Kepler. Faz parte do Zooniverse, que é uma colecção de projectos científicos orientados para o cidadão comum.

Outro projecto científico recentemente anunciado é o projecto PAWM (Pro-Am White Dwarf Monitoring). Liderado por Bruce Gary, o objectivo do projecto é explorar a possibilidade de usar observadores astrónomos e profissionais para estimar a percentagem de anãs brancas que exibem trânsitos de planetas tipo-Terra na sua zona habitável. Pensa-se que os resultados de tal estudo sejam úteis no planeamento de uma pesquisa profissional detalhada de trânsitos por anãs brancas.

Um projecto público que existe já há anos é o AAVSO (American Association of Variable Star Observers). Fundado em 1911, o AAVSO coordena, avalia, compila, processa, publica e dissemina observações de estrelas variáveis da comunidade astronómica por todo o globo. Actualmente a celebrar o seu 100.º aniversário, o AAVSO não só fornece dados brutos, como também publica uma revista própria, uma colecção de artigos científicos focados nas estrelas variáveis. Além dos dados e da revista, o AAVSO está também activo na educação e na divulgação, com muitos programas que ajudam a disseminar a informação para os educadores e para o público.

Há já mais de uma década que os entusiastas do espaço utilizam a internet para fazer parte do SETI@Home. A descrição oficial do SETI@Home é: "uma experiência científica que usa computadores ligados através da internet na busca por inteligência extra-terrestre." Ao fazer download de um software, voluntários de todo o mundo ajudam a analisar sinais de rádio e auxiliam aos esforços do SETI em encontrar sinais de rádio enviados por "candidatos".

Os projectos e esforços exemplificados neste texto são apenas uma pequena amostra dos muitos projectos em que o público em geral pode participar. Existem muitos outros projectos que envolvem radioastronomia, classificação de galáxias, exoplanetas e até mesmo projectos que envolvem o nosso próprio Sistema Solar. Voluntários de todas as idades e experiências profissionais podem facilmente encontrar um projecto para ajudar a suportar.

Links:

Supernova 2010lt:
Observatório Abbey Ridge
Página de Kathryn Gray
Wikipedia

David Levy:
Página de David Levy
Podcasts de David Levy e Wendee Levy

Thierry Legault:
Página de astrofotografia
Equipamento de Thierry Legault

Zooniverse:
Página da Zooniverse
Planet Hunters

Projecto PAWN:
Página oficial

Projecto AAVSO:
Página oficial

SETI@Home:
Página oficial

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Descoberto Mundo Invisível (via CfA)
Regularmente, chegar atrasado cinco minutos é uma coisa má porque podemos perder o início do filme no cinema ou perder reservas num restaurante. Mas quanto um planeta chega cinco minutos atrasado, os astrónomos ficam excitados porque sugere que um outro mundo está próximo. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Local de aterragem da Apollo 17
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA / GSFC / Universidade Estatal do Arizona / Lunar Reconnaissance Orbiter
 
Esta imagem do local de aterragem da Apollo 17, no vale Taurus-Littrow, foi capturada o mês passado pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), a mais detalhada já capturada a partir do espaço. Os dados da imagem de alta-resolução foram obtidos durante um período da órbita da LRO, modificada para criar uma aproximação a 22 km por cima dos locais de aterragem das Apollo. A altitude corresponde apenas ao dobro da altura de um voo comercial cá na Terra. Na imagem encontra-se o estágio de descida da Apollo 17, o Challenger, o rover lunar no seu lugar de estacionamento final, e o pacote de experiências da Apollo, deixado para trás com o objectivo de estudar o ambiente lunar e o seu interior. São também facilmente visíveis os rastos das rodas do rover e as pegadas dos astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt, os últimos a pisar a superfície da Lua.
 

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