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Edição n.º 798
28/10 a 31/10/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 28/10: 301.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o Prospero, o seu primeiro satélite. 
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23.
Em 2009, a NASA lança com sucesso a sua missão Ares I-X, o único lançamento do cancelado programa Constellation

Observações: Ao pôr-do-Sol, procure a fina Lua Crescente muito baixa a Sudoeste. Consegue avistar Vénus para baixo e para a direita? Estão separados por cerca de 6º. Use binóculos para tentar discernir a muito mais ténue Antares, para a esquerda da Lua.
Com o caír da noite, é possível observar telescopicamente a sombra de Europa na atmosfera de Júpiter. Este evento termina por volta das 21:10.

Dia 29/10: 302.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1991, a sonda Galileu faz a sua maior aproximação de 951 Gaspra, a primeira a visitar um asteróide.
Em 1998 o Space Shuttle Discovery partia para o espaço levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos.

Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço. 
Observações: Júpiter encontra-se em oposição, na noite de 28 para 29, às 3 da manhã. Oposição significa que a Terra está exactamente entre o Sol e o planeta. Tal como a oposição do ano passado, esta é invulgarmente próxima.
Aproveite a noite de 29 para observar novamente Júpiter. A partir das 22:50, é possível observar novamente a sombra de um satélite, desta vez Io, na atmosfera do planeta. Ao mesmo tempo, é também visível a Grande Mancha Vermelha. A sombra desaparece por volta da 1 da manhã de dia 30.

Dia 30/10: 303.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida.

Observações: Ao início da noite, olhe bem para cima, perto do zénite, e observe o Grande Quadrado de Pégaso. Para a sua esquerda, encontra-se a constelação de Andrómeda. Aí, está situada a melhor galáxia visível do Hemisfério Norte: a famosa Galáxia de Andrómeda, ou M31. Utilize uns binóculos e com a ajuda de um mapa estelar, tente observá-la.
Hoje tem início a Hora de Inverno. Atrase o seu relógio uma hora às 2 horas de Domingo, passando para a 1 hora.

Dia 31/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1998 era lançada a sonda Deep Space 1 na sua missão de estudo de asteróides/cometas.

Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
Observações: A Lua esta noite encontra-se por cima do Bule de Chá da constelação de Sagitário.

 
CURIOSIDADES


Pan foi descoberta em 1990 por Mark. R. Showalter graças a análises de fotos obtidas pela sonda Voyager 2. A sua existência já tinha sido prevista em 1985 por Jeffrey N. Cuzzi e Jeffrey D. Scargle.

 
DISTANTE ÉRIS É GÉMEO DE PLUTÃO

Astrónomos mediram pela primeira vez de modo preciso o diâmetro de Éris, o longínquo planeta anão, no momento em que este passou em frente de uma estrela de luminosidade baixa. Este fenómeno foi observado no final de 2010 por telescópios no Chile, incluindo o telescópio belga TRAPPIST que se encontra instalado no Observatório de La Silla do ESO. As observações mostram que Éris é um gémeo quase perfeito de Plutão em termos de tamanho. Éris parece ter uma superfície muito reflectora, sugerindo que se encontra uniformemente coberto por uma fina camada de gelo, provavelmente uma atmosfera gelada. Os resultados foram publicados ontem (27 de Outubro) na revista Nature.

Em Novembro de 2010 o distante planeta anão Éris passou em frente de uma estrela de fundo de luminosidade baixa, num acontecimento a que chamamos ocultação. Estes eventos são muito raros e difíceis de observar, uma vez que o planeta anão se encontra muito longe e é muito pequeno. O próximo acontecimento do género envolvendo Éris terá lugar apenas em 2013. As ocultações oferecem-nos a maneira mais precisa, e muitas vezes a única maneira, de medir o tamanho e estimar a forma de corpos muito distantes do Sistema Solar.

A ocultação do planeta anão Éris em Novembro de 2010.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estrela candidata a ocultação foi identificada ao serem estudadas imagens obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO. As observações foram planeadas cuidadosamente e levadas a cabo por uma equipa internacional de astrónomos de várias universidades (principalmente da França, Bélgica, Espanha e Brasil), que utilizaram, entre outros, o telescópio TRAPPIST (sigla do inglês TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope), também instalado em La Silla.

"Observar ocultações de pequenos corpos do Sistema Solar situados para além de Neptuno requer grande precisão e planeamento. Esta é a melhor maneira de medir o tamanho de Éris, para além de ir até lá, claro!" explica Bruno Sicardy, o autor principal do trabalho.

As observações da ocultação foram feitas em 26 locais diferentes espalhados por toda a Terra e que se encontravam na trajectória prevista da sombra do planeta anão - incluindo alguns telescópios de observatórios amadores. No entanto, só foi possível observar o evento directamente em dois lugares apenas, ambos situados no Chile: um no Observatório de La Silla do ESO com o telescópio TRAPPIST e o outro em São Pedro de Atacama, onde se utilizaram dois telescópios. Os três telescópios registaram uma diminuição do brilho da estrela distante correspondente à altura em que Éris bloqueou a sua radiação.

As observações combinadas dos dois locais chilenos indicam que Éris tem uma forma praticamente esférica. Estas medições são bastante precisas no que dizem respeito à forma e ao tamanho do objecto, mas apenas se não tiverem sido distorcidas pela presença de montanhas altas, o que dificilmente existirá num corpo gelado tão grande.

Éris foi identificado como sendo um objecto grande situado no Sistema Solar exterior em 2005. A sua descoberta foi um dos motivos que levou à criação de uma nova classe de objectos chamados planetas anões e à reclassificação de Plutão de planeta para planeta anão em 2006. Éris encontra-se actualmente três vezes mais longe do Sol do que Plutão.

Impressão de artista do planeta anão Éris.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Embora observações anteriores utilizando métodos diferentes sugerissem que Éris era provavelmente 25% maior do que Plutão, com uma estimativa para o diâmetro de 3000 quilómetros, este novo estudo prova que os dois objectos têm essencialmente o mesmo tamanho. O novo diâmetro calculado para Éris é de 2326 quilómetros com uma precisão de 12 quilómetros, o que torna o seu tamanho melhor conhecido que o de Plutão, que tem um diâmetro estimado entre 2300 e 2400 quilómetros. O diâmetro de Plutão é mais difícil de medir devido à presença de uma atmosfera que torna impossível detectar directamente o seu bordo utilizando ocultações. O movimento do satélite de Éris, Disnomia, foi utilizado para estimar a massa de Éris. Descobriu-se que Éris é 27% mais pesado do que Plutão. Combinando este resultado com o diâmetro estimou-se que a densidade de Éris é de 2,52 gramas por cm^3.

"Esta densidade significa que Éris é provavelmente um grande corpo rochoso coberto por um manto relativamente fino de gelo," comenta Emmanuel Jehin, que participou neste trabalho.

Descobriu-se que a superfície de Éris é muito reflectora, reflectindo 96% da luz que lhe chega (albedo visível de 0,96). Este valor corresponde a uma superfície ainda mais brilhante do que neve fresca na Terra, o que torna Éris um dos objectos do Sistema Solar mais reflectores, em simultâneo com a lua gelada de Saturno, Enceladus. A superfície brilhante de Éris é muito provavelmente composta por uma mistura de gelo rico em azoto e metano gelado - como nos indica o espectro do planeta - que cobre todo o planeta com uma camada de gelo fina muito reflectora com menos de um milímetro de espessura.

"Esta camada de gelo pode ter resultado da condensação em gelo da atmosfera de azoto ou metano do planeta anão, que atinge a superfície à medida que o planeta se afasta do Sol ao longo da sua órbita alongada e entra cada vez mais num ambiente frio," acrescenta Jehin. O gelo pode posteriormente voltar a transformar-se em gás à medida que Éris se aproxima do ponto mais próximo do Sol, a uma distância de cerca de 5,7 mil milhões de quilómetros.

Com os novos resultados a equipa pôde também estimar a temperatura à superfície do planeta anão, obtendo um resultado de no máximo -238º Celsius para a superfície iluminada pelo Sol e menos ainda para o lado nocturno de Éris.

"É extraordinário o quanto podemos aprender sobre um objecto distante pequeno como Éris quando o observamos a passar em frente de uma estrela ténue, utilizando telescópios relativamente pequenos. Cinco anos depois da criação da nova classe dos planetas anões estamos finalmente a conhecer bem um dos seus membros fundadores," conclui Bruno Sicardy.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG.com
COSMOS
Universe Today
National Geographic
UPI.com
AFP

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Plutão:
Wikipedia
Nine Planets
NASA

Eris:
Wikipedia
Michael Brown

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Dentro, Através e para lá dos Anéis de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniISSJPLESANASA
 
Uma quarta lua é visível na imagem acima se olhar com atenção. Primeiro -- a mais distante no fundo -- está Titã, a maior lua de Saturno e uma das maiores luas do Sistema Solar. A característica escura no topo deste mundo perpetuamente nublado é o seu "capuz" polar norte. A próxima lua óbvia é a brilhante Dione, visível no plano da frente, recheada de crateras e longos desfiladeiros gelados. Surgindo da esquerda estão vários dos enormes anéis de Saturno, incluindo o anel A que contém a escura Divisão de Encke. À direita dos anéis está Pandora, uma lua com apenas 80 km de diâmetro que "pastoreia" o anel F de Saturno. A quarta lua? Se observar atentamente a Divisão de Encke encontrará o ponto que é na realidade Pan. Embora seja uma das luas mais pequenas de Saturno, com apenas 35 km de diâmetro, Pan é massiva o suficiente para ajudar a "limpar" a Divisão de Encke de partículas anulares.
 

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