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Edição n.º 815
27/12 a 29/12/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 27/12: 361.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1571, nascia Johannes Kepler

Em 1968, a Apollo 8 aterra no Oceano Pacífico, terminando a primeira missão tripulada à Lua.
Em 2004, radiação de uma explosão no magnetar SGR 1806-20 alcança a Terra. É o evento extrasolar mais brilhante alguma vez observado.
Observações: A Lua brilha para cima de Vénus ao lusco-fusco, a Sudoeste.

Dia 28/12: 362.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1612, Galileu Galileitorna-se no primeiro astrónomo a observar o planeta Neptuno, embora o catalogue erradamente como uma estrela fixa.
Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (portuguesa nessa época).

Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação das forças fundamentais.
Observações: Sirius, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior, encontra-se baixa a Este-Sudeste após a hora de jantar esta semana. Procyon, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Menor, brilha a este a cerca de dois punhos fechados à distância de um braço esticado para a esquerda de Sirius.

Dia 29/12: 363.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Com o Inverno no Hemisfério Norte já a caminho, Orionte encontra-se baixo a Este-Sudeste ao início da noite. Se estiver oculto por árvores ou prédios, para onde poderá vê-lo a emergir? Desenhe uma linha a partir das Plêiades até Aldebarã e continue para baixo; a linha aponta para a parte de Norte de Orionte.

 
CURIOSIDADES


O telescópio Kepler já detectou 2326 candidatos a planeta em torno de outras estrelas, e os astrónomos acreditam que apenas 10% (e quem sabe, até 5%) destes serão falsos positivos, ou seja, sistemas estelares que imitam a presença de planetas onde estes não existem.

 
KEPLER DESCOBRE DOIS PLANETAS "TORRISCADOS"

Na semana passada foi anunciada a descoberta pelo Kepler de dois planetas com o tamanho aproximado da Terra em órbita de outra estrela tipo-Sol. Mas houve outro achado semelhante que não recebeu tanta atenção. O Kepler também descobriu outros dois planetas com o tamanho da Terra em órbita de outra estrela. No entanto, neste caso a estrela é velha e moribunda, e já passou a sua fase de gigante vermelha onde cresce enormemente, destruindo (ou possivelmente queimando) quaisquer planetas próximos antes de expelir as suas camadas exteriores e deixar o seu núcleo exposto. O artigo da descoberta foi publicado na revista Nature.

Os dois planetas, KOI 55.01 e KOI 55.02, orbitam a estrela KOI 55 (KOI significa "Kepler Object of Interest"; o nome de catálogo da estrela é KIC 05807616), uma estrela sub-anã B, que é o núcleo deixado para trás de uma estrela gigante vermelha. Ambos os planetas têm órbitas muito próximas da estrela, por isso foram provavelmente engolidos durante a fase de gigante vermelha mas conseguiram sobreviver. Estima-se que tenham raios de 0,76 e 0,87 vezes o da Terra respectivamente, os planetas extra-solares mais pequenos conhecidos em órbita de uma estrela activa.

De acordo com o autor principal do artigo, Stéphane Charpinet, "ao terem migrado para tão perto, provavelmente mergulharam nas profundezas da estrela durante a sua fase de gigante vermelha, e sobreviveram."

Dois planetas "torriscados", ambos mais pequenos que a Terra, sobreviveram serem engolidos pela sua estrela-mãe quando inchou para uma gigante vermelha.
Crédito: Stéphane Charpinet/Institut de Recherche en Astrophysique et Planétologie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"À medida que a estrela incha e rodeia o planeta, este tem que atravessar a quente atmosfera, isso provoca fricção e começa a espiralar na direcção da estrela," acrescenta Elizabeth 'Betsy' Green, astrónoma do Observatório Steward da Universidade do Arizona. "Ao fazê-lo, ajuda a expelir partes da atmosfera da estrela. Ao mesmo tempo, a fricção com o invólucro estelar também queima as camadas gasosas e líquidas do planeta, deixando para trás apenas uma parte do seu núcleo sólido, queimado mas ainda existente."

A descoberta foi também inesperada; a estrela já foi objecto de estudo com os telescópios do Observatório Nacional em Kitt Peak, como parte de um projecto que examina estrelas pulsantes. Para medições mais precisas, no entanto, a equipa usou dados do telescópio espacial Kepler, que estão livres da interferência atmosférica da Terra. De acordo com Green, "já tinha obtido excelentes espectros da estrela KOI 55 com os nossos telescópios em Kitt Peak, antes do Kepler ter sido lançado. Assim que este foi para órbita e começou a descobrir todos estes modos pulsantes, os meus co-autores da Universidade de Toulouse e da Universidade de Montreal foram capazes de analisar esta estrela imediatamente graças aos seus modelos computacionais topo-de-gama."

Descobriu-se duas pequenas modulações nos pulsos da estrela, cujas análises posteriores indicaram que vinham somente da passagem de planetas em frente da estrela (a partir do nosso ponto de vista) a cada 5,76 e 8,23 horas.

O nosso Sol tem um destino semelhante agendado para daqui a alguns milhares de milhões de anos e pensa-se que engula Mercúrio, Vénus, a Terra e Marte durante a sua fase de expansão. "Quando o nosso Sol inchar para se tornar numa gigante vermelha, engolirá a Terra," afirma Green. "Se um planeta pequeno como a Terra passar mil milhões de anos num ambiente como aquele, é evaporado. Apenas os planetas com massas muito maiores que a Terra, como Júpiter ou Saturno, podem conseguir sobreviver." A descoberta deverá ajudar os cientistas a melhor compreender o destino dos sistemas planetários, incluindo o nosso.

O achado é importante porque não só confirma a existência de planetas com o tamanho da Terra, que cada vez parecem ser mais comuns, mas que estes e outros planetas (de uma grande variedade até agora) são descobertos em órbita de vários tipos diferentes de estrelas, desde estrelas recém-nascidas, a estrelas adultas e a estrelas moribundas (ou mortas, no caso dos pulsares). São um produto natural da formação estelar que, claro, tem implicações para a busca de vida para lá do Sistema Solar.

Links:

Notícias relacionadas:
Nature (requer subscrição)
Comunicado de imprensa (irap - em francês)
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
Space Daily
COSMOS
POPSCI
BBC News
ScienceNews

IRAP:
Página oficial

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Grande Tempestade em Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniSSIJPLESANASA
 
É uma das maiores e mais antigas tempestades já registadas no nosso Sistema Solar. Observada pela primeira vez no final do ano passado, a formação de nuvens no hemisfério norte de Saturno começou com um tamanho maior do que a Terra e em pouco tempo alargou-se a todo o planeta. A tempestade tem sido seguida desde aí, não só da Terra mas também de perto pela sonda robótica Cassini, actualmente em órbita do gigante gasoso. Na imagem, em cores falsas, obtida no infravermelho em Fevereiro, as cores laranja indicam nuvens profundas na atmosfera, enquanto as nuvens claras salientam nuvens mais altas. Os anéis de saturno podem ser vistos quase de lado como a fina linha horizonal azul. As bandas escuras curvadas são as sombras dos anéis no topo das nuvens, provocadas pelo Sol para cima e para a esquerda da perspectiva da Cassini. Uma fonte de rádio devido aos relâmpagos, a intensa tempestade pode estar relacionada com mudanças sazonais à medida que a Primavera emerge lentamente no norte de Saturno.
 

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