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Edição n.º 819
10/01 a 12/01/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu. De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5. Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado com cada das missões Apollo.
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de Maio de 1969.

A pesquisa atmosférica enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão de Vénus. 
Observações: Ao início destas primeiras noites do ano, o Grande Quadrado de Pégaso fica apoiado num único canto, alto a Oeste. As vastas constelações de Pégaso-Andrómeda vêm desde perto do zénite (pé de Andrómeda) passam pelo Grande Quadrado (corpo de Pégaso), quase até ao horizonte Oeste (nariz de Pégaso).

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Urano.

Em 1996, missão STS-72 do vaivém Endeavour, no seu 10.º voo. 
Observações: Quase a meio de Janeiro, e Vega, e "Estrela de Verão", ainda brilha a Noroeste após o lusco-fusco. Embora já esteja muito baixa. Para cima e para a sua esquerda, Cisne está de cabeça para baixo por volta das 19 horas.

Dia 12/01: 12.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1820 é fundada a "British Royal Astronomical Society".
Em 2005 é lançada a partir de Cabo Canaveral a sonda Deep Impact.
Em 2007, o cometa C/2006 P1(McNaught) alcança o periélio e torna-se no cometa mais brilhante dos últimos 40 anos.

Observações: O ténue planeta Neptuno encontra-se a 1,3º Norte (cima e direita) de Vénus - que é 60.000 vezes mais brilhante à magnitude -4,0.

 
CURIOSIDADES


A luz zodiacal é um ténue cone de luz que sobe no ponto do horizonte a Oeste, onde o Sol se põe. Inclina-se num certo ângulo para Sul. Acredita-se que seja o reflexo da luz do Sol em pequenas partículas localizadas no percurso do Sol no céu (astrologicamente referida como "zodíaco").

 
ANUNCIADO MAIOR MAPA DA MATÉRIA ESCURA NO UNIVERSO ATÉ AGORA

O lado escondido do Universo está agora um pouco mais iluminado graças ao maior mapa já feito da matéria escura, a estranha substância que se pensa habitar a maioria do espaço.

Os cientistas criaram a representação em maior escala da matéria escura pelo Universo, revelando uma imagem da matéria invisível, que se pensa representar 98% de toda a matéria no Universo.

A matéria escura até agora nunca foi directamente detectada, mas a sua presença é sentida devido ao puxo gravitacional que exerce sobre a matéria normal. Os cientistas suspeitam que a matéria escura é constituída por alguma partícula exótica que não interage com os átomos normais.

As observações mostram que a matéria escura no Universo é distribuída como uma rede de gigantescas regiões densas (branco) e vazias (escuro), onde as maiores regiões brancas são do tamanho de várias Luas no céu da Terra.
Crédito: Van Waerbeke, Heymans, e colaboração CFHTLens
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Conhecemos muito pouco acerca do Universo escuro," afirma a co-autora do estudo, Catherine Heymans da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edinburgo, durante uma conferência de imprensa onde os achados foram anunciados, na 219.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana. "Nós não sabemos qual é esta partícula da matéria escura. A comunidade científica acredita que o conhecimento total do Universo escuro terá que implicar uma física nova."

O novo mapa revela a distribuição da matéria escura ao longo de uma área muito maior do espaço do que tinha sido previamente alcançado. Cobre mais de mil milhões de anos-luz. Um ano-luz é a distância que a luz viaja num ano, aproximadamente 10 biliões de quilómetros.

Para traçar a invisível matéria escura, os investigadores pesquisaram por sinais da sua influência gravitacional sob outra matéria. Mediram um efeito denominado de lentes gravitacionais, que ocorre quando a gravidade de um corpo massivo dobra o espaço-tempo, fazendo com que a luz viaje num percurso curvo através do espaço e apareça distorcida quando chega à Terra.

Os cientistas mediram esta luz a partir de 10 milhões de galáxias distantes em quatro regiões diferentes do céu, curvada quando a luz dessas galáxias passava por grandes quantidades de matéria escura.

"É fascinante conseguirmos 'ver' a matéria escura usando a distorção do espaço-tempo," afirma outro co-autor do estudo, Ludovic Van Waerbeke da Universidade da Colúmbia Britânica, num comunicado. "Dá-nos um acesso privilegiado a esta misteriosa massa no Universo que não conseguimos observar de outro modo. Conhecer a distribuição da matéria escura é o primeiro passo para compreender a sua natureza e como se encaixa com o nosso conhecimento actual da física."

As regiões mais densas da teia de matéria escura contêm gigantescos enxames de galáxias.
Crédito: Van Waerbeke, Heymans e colaboração CFHTLens
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas esperam que ao discernir a distribuição da matéria escura através do espaço, sejam capazes de melhor compreender o que é.

"Ao analisar a luz do Universo distante, podemos aprender através do que viajou até cá chegar," afirma Heymans. "Esperamos, ao mapear em grande detalhe a distribuição da matéria escura, dar um passo em frente para melhor compreender este material e a sua relação com as galáxias no nosso Universo."

Os novos mapas representam a primeira evidência directa da matéria em tão largas escalas.

"O que vemos aqui é muito similar às simulações," afirma Van Waerbeke. "A matéria escura está concentrada em aglomerados e o resto estica-se em filamentos."

A teia de matéria escura espalhada pelo Universo e revelada pelo mapa coincide bem com as previsões feitas graças a simulações em computador, com base nas melhores teorias científicas da matéria escura."

"Até agora não vimos nada de estranho, nenhuns desvios do que esperávamos," afirma Van Waerbeke.

Para criar o mapa, os astrónomos usaram dados recolhidos pelo Telescópio do Canadá-França-Hawaii no Hawaii, durante um projecto de cinco anos denominado CFHTLS (Canada-France-Hawaii Telescope Lensing Survey).

"Estes mapas são testes muito importantes do nosso paradigma cosmológico," afirma a astrónoma Rachel Mandelbaum da Universidade de Carnegie Mellon e da Universidade de Princeton, que não esteve envolvida no novo estudo. "Estes resultados podem ser usados como um teste da matéria escura, da energia escura e até da teoria da gravidade."

Num estudo separado, também apresentado na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Austin, no estado americano do Texas, Sukanya Chakrabarti da Universidade da Flórida desenvolveu um novo método de mapear a matéria escura em galáxias individuais.

Chakrabarti estudou ondulações nos limites de galáxias espirais para traçar a forma da matéria escura dentro e ao redor das galáxias.

Esta pesquisa, direccionada para esta matéria invisível mas numa escala muito mais pequena que a do primeiro estudo, também ajuda os astrónomos a melhor compreender a matéria escura.

"Estes resultados das galáxias espirais permitem o estudo da matéria num regime de galáxias individuais, que não tem sido possível com os efeitos fracos das lentes," afirma Mandelbaum. "Ambos estes resultados representam dois modos importantes de estudar a matéria escura, mas estão em dois regimes muito diferentes."

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
PHYSORG.com
Universe Today
Discovery News
UPI.com
BBC News

Matéria escura:
Wikipedia

CFHTLS:
Página principal

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Observando NGC 6946
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados da imagem -  Telescópio Subaru (NAOJ) e Robert Gendler; Processamento -  Robert Gendler
 
A partir do nosso ponto de vista da Via Láctea, vemos NGC 6946 de cima. A gigantesca e esplêndida galáxia espiral está localizada a apenas 10 milhões de anos-luz de distância, por trás de um véu de poeira e estrelas no pano da frente da constelação de Cefeu. A contar do núcleo e andando para fora, vemos as diferentes cores da galáxia, que mudam desde o amarelado de estrelas velhas no centro, até jovens enxames estelares azuis e regiões avermelhadas de formação estelar por entre os seus braços espirais fragmentados. NGC 6946 brilha também no infravermelho e é rica em gás e poeira, com sinais de um veloz nascimento e morte estelar. De facto, desde o início do século XX pelo menos nove supernovas, poderosas mortes de estrelas massivas, foram descobertas em NGC 6946. Com quase 40.000 anos-luz de diâmetro, NGC 6946 é também conhecida como a Galáxia Fogo-de-Artifício. Este espectacular retrato de NGC 6946 é uma composição que inclui dados do Telescópio Subaru, com 8,2 metros, no Mauna Kea, Hawaii.
 

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