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Edição n.º 858
25/05 a 28/05/2012
 
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Observação Astronómica - Palestra e sessão de observação astronómica à vista desarmada e com telescópio, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, no dia 25 de Maio, das 21h30 às 24h00. A realização das actividades está dependente das condições meteorológicas favoráveis.
 
 
EFEMÉRIDES

Dia 25/05: 146.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 AC, primeira passagem registada do Cometa Halley pelo seu periélio.
Em 1961, o presidente americano John F. Kennedy anuncia perante uma sessão do Congresso o seu objectivo de "colocar um homem na Lua" antes do fim da década. 
Em 1966, lançamento do Explorer 32.
Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.

No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km!
Observações: Bem para a direita da Lua brilha Pollux e Castor. Procure Procyon bem para baixo e para a esquerda do satélite.

Dia 26/05: 147.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1730 nascia Charles Messier.

Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objectos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1949 foi descoberto o asteróide Ícaro, a partir de um telescópio de 48 polegadas, que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteróide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância periélica de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta. 
Em 1969, a Apollo 10 regressa à Terra após oito dias, durante os quais foram testados todos os componentes necessários para a primeira aterragem lunar.
Observações: Ao cair da noite, a constelação de Verão, Escorpião, está a nascer a Sudeste. Conseguirá primeiro avistar a alaranjada Antares, o coração de Escorpião. As restantes estrelas que constituem o torso do animal estão para cima e para baixo de Antares. As três estrelas da cabeça de Escorpião estão alinhadas diagonalmente e estão situadas para cima de Antares.

Dia 27/05: 148.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.

Observações: Conjunção superior de Mercúrio, pelas 12:13.

Dia 28/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates IIenfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas.
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 580 km. 
Em 1971 era lançada a Mars 3(USSR).

A 2 de Dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o lander enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteróide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteróide foi estimada em 10,7 minutos!
Em 2002, a Mars Odyssey descobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte.
Observações: Com o Verão a menos de um mês, o grande Triângulo de Verão começa a aparecer a Este. A sua estrela mais alta e mais brilhante, Vega, é fácil de observar. Procure mais para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois ou três punhos à distância de um braço esticado, Deneb, a estrela mais brilhante dessa área. Para baixo e para a direita de Vega está Altair, a última das três estrelas do Triângulo de Verão a nascer (por volta das 22 horas).
Lua em Quarto Crescente, pelas 21:16.

 
CURIOSIDADES

Dos mais de 53.000 meteoritos descobertos na Terra, 99 foram identificados como tendo origem o planeta Marte. Pensa-se que estes meteoritos sejam de Marte devido à sua composição isotópica e geológica, que é semelhante às rochas e aos gases atmosféricos analisados pelas missões em Marte.

 
PESQUISA MOSTRA EXISTÊNCIA DE CARBONO REDUZIDO EM MARTE

Estudos financiados pela NASA sobre meteoritos de Marte que aterraram na Terra mostram fortes evidências de muitas moléculas contendo carbono, um ingrediente-chave para os blocos de construção da vida, e que podem originar no Planeta Vermelho. Estas macromoléculas não têm origem biológica, mas são indicadores de química complexa envolvendo carbono que teve lugar em Marte.

Os cientistas do Instituto Carnegie para a Ciência em Washington, EUA, que descobriram as moléculas de carbono reduzido, têm agora melhores conhecimentos acerca dos processos químicos em Marte. O carbono reduzido é carbono ligado a hidrogénio ou a ele próprio. As suas descobertas também podem ajudar pesquisas futuras de evidências de vida no Planeta Vermelho. Os achados foram publicados ontem na edição online da revista Science Express.

"Estes achados mostram que o armazenamento de moléculas de carbono reduzido em Marte ocorreu ao longo da história do planeta e pode ter sido parecido com os processos que tiveram lugar no passado da Terra," afirma Andrew Steele, autor principal do artigo e cientista de Carnegie. "A compreensão da génese destas macromoléculas que contêm carbono não-biológico em Marte é crucial para o desenvolvimento de missões futuras e para detectar evidências de vida no nosso planeta vizinho."

Amostra de uma rocha marciana oriunda da queda do meteorito Tissint, que caíu no deserto marroquino em Julho de 2011.
Crédito: Darryl Pitt/Colecção Macovich
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta de moléculas que contêm grandes cadeias de carbono e hidrogénio tem sido um objectivo das missões marcianas passadas e presentes. Estas moléculas já foram descobertas em meteoritos de Marte, mas os cientistas discordavam sobre o modo como o carbono aí presente tinha sido formado ou se tinha vindo de Marte. Esta nova informação prova que Marte pode produzir carbono orgânico.

"Embora este estudo não tenha concebido evidências de que Marte tem ou já teve suporte para a vida, responde a algumas importantes questões acerca das fontes do carbono orgânico em Marte," afirma Mary Voytek, directora do Programa de Astrobiologia da NASA na sede da agência em Washington. "Com a aterragem do rover Curiosity prevista para Agosto, estes novos resultados podem ajudar os cientistas da missão a optimizar as suas investigações na superfície do planeta ao compreender onde o carbono orgânico pode ser avistado e como é preservado."

Os cientistas teorizaram que as grandes macromoléculas de carbono detectadas nos meteoritos marcianos podem ter surgido por contaminação terrestre da Terra ou de outros meteoritos, ou de reacções químicas ou actividade biológica em Marte.

A equipa de Steele examinou amostras de 11 meteoritos marcianos oriundos de um período que compreende cerca de 4,2 mil milhões de anos de história marciana. Detectaram grandes compostos de carbono em dez deles. As moléculas foram descobertas dentro de grãos de minerais cristalizados.

Usando uma rede de sofisticadas técnicas de pesquisa, a equipa foi capaz de mostrar que pelo menos algumas das macromoléculas de carbono são indígenas dos próprios meteoritos e não contaminação da Terra.

Seguidamente, a equipa estudou as moléculas de carbono em relação a outros minerais nos meteoritos para ver por que tipos de processos químicos estas amostras passaram antes de chegar à Terra. Os grãos cristalinos que contêm os compostos de carbono providenciam um olhar para como as moléculas foram criadas. Os seus dados indicam que o carbono foi criado por actividade vulcânica em Marte e mostram que Marte tem tido química orgânica ao longo da maioria da sua história.

Num artigo separado publicado pela revista American Mineralogist, Steele e a sua equipa detalham os seus achados sobre o mesmo meteorito anunciado em 1996 que continha possíveis -- mas subsequentemente refutadas -- relíquias de antigas formas de vida em Marte. Com o nome de ALH84001, descobriu-se que o meteorito contém também macromoléculas orgânicas de origem não-biológica.

Acredita-se que esta rocha com 4,5 mil milhões de anos, denominada ALH84001, tenha vindo de Marte.
Crédito: NASA/JSC/Universidade Stanford
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de Steele indica que Marte tem reservas de carbono reduzido. Os seus achados vão ajudar os cientistas envolvidos em missões presentes e futuras a distinguir as moléculas de carbono formadas não-biologicamente das de origem biológica.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie para a Ciência (comunicado de imprensa)
Artigo científico sobre ALH84001 (formato PDF)
Science (requer subscrição)
PHYSORG
New Scientist
SPACE.com

Meteoritos marcianos:
NASA
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Escorpião em Azul e Vermelho
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: John Davis
 
Nuvens de poeira cósmica atenuam a luz de estrelas de fundo. Mas também reflectem a luz de estrelas vizinhas. Dado que as estrelas brilhantes tendem a irradiar fortemente na porção azul do espectro visível, e que a poeira interestelar espalha mais facilmente a luz azul que a vermelha, as poeirentas nebulosas de reflexão tendem a ser azuis. Na imagem temos lindos exemplos perto das brilhantes estrelas Pi e Delta Scorpii (cima à direita e baixo à esquerda), nesta paisagem celeste da cabeça da constelação de Escorpião. Claro, as contrastantes nebulosas vermelhas de emissão são também instigadas pela energética radiação das estrelas quentes. Os fotões ultravioletas ionizam os átomos de hidrogénio nas nuvens interestelares produzindo a característica linha de emissão vermelha do hidrogénio alfa à medida que os electrões são recombinados. A cerca de 600 anos-luz de distância, as nebulosas encontram-se catalogadas na segunda versão do catálogo Sharpless como Sh2-1 (esquerda, com a nebulosa de reflexão VdB 99) e Sh2-7. A esta distância, o campo de visão cobre aproximadamente 400 anos-luz.
 

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