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Edição n.º 869
03/07 a 05/07/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2006, o asteróide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: A Lua Cheia (atinge esta fase por volta das 19:52) brilha a Sudeste após o anoitecer. A estrela mais brilhante para cima e para a sua esquerda é Altair. Mesmo para cima de Altair, procure a mais ténue Tarazed (Gamma Aquilae). Tarazed, uma gigante laranja, é muito mais luminosa que Altair mas está quase 20 vezes mais distante (330 anos-luz, em comparação com os 17 de Altair).

Dia 04/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054 foi detectada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses.

Deu origem ao resto de supernova que recebeu o nome de Nebulosa do Caranguejo e que é também conhecido por M1.
Em 1997, a sonda Pathfinder aterrava em Marte.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery
Observações: À medida que anoitecer, observe as duas estrelas mais brilhantes deste céu de Verão: Vega, bem alta a Este, e Arcturo muito alta a Sudoeste. Bem para baixo de Arcturo está Saturno e, mesmo para baixo, Espiga. Para a sua direita e um pouco mais para baixo está o alaranjado planeta Marte.

Dia 05/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Observações: A Terra alcança o afélio, o ponto mais distante da sua órbita em torno do Sol (apenas 1/30 mais que o periélio em Janeiro).
A Lua nasce por volta do anoitecer. A estrela mais alta e para a esquerda é Altair. Um pouco para a sua esquerda e para baixo, está a pequena constelação de Delfim ou Golfinho. O seu nariz aponta para a esquerda.

 
CURIOSIDADES


A maior cratera do Sistema Solar é a Bacia Polar Norte de Marte, com um diâmetro de 10.600 x 8.500 km. Embora esteja no topo da lista das maiores crateras, não está ainda confirmada como bacia resultante de um impacto.

 
CRATERA DE IMPACTO MAIS ANTIGA QUE SE CONHECE DESCOBERTA NA GRONELÂNDIA

Se olharmos para a Lua numa noite limpa através de um simples par de binóculos, veremos inúmeras crateras. Algumas têm mais de 1000 km em diâmetro e são facilmente visíveis a olho nu. Durante os primeiros 500 milhões de anos da história do Sistema Solar, tanto a Lua como a Terra eram constantemente bombardeadas por meteoritos e cometas. Alguns cientistas até pensam que a vida foi trazida para a Terra por cometas. A Lua preservou os restos de milhares de impactos, mas na Terra apenas se conhecem cerca de 180 estruturas de impacto, e a maioria delas são muito pequenas, jovens e rapidamente sofrem erosão.

Ao contrário da Lua, a Terra é um planeta dinâmico com placas tectónicas, cinturas montanhosas e erosão, o que significa que a maioria das estruturas de impacto é facilmente destruída, quer seja pelo processo de construção de montanhas ou subterradas por depósitos mais jovens ao longo do tempo. Até recentemente, a cratera Vredefort na África do Sul, com 2,02 mil milhões de anos e 300 km de diâmetro, era considerada tanto a mais antiga como a maior estrutura de impacto na Terra. Estima-se que o meteorito tinha um diâmetro de aproximadamente 15 km. Durante o desenvolvimento da estrutura final da cratera, uma camada de rochas sedimentares com um quilómetro de espessura, contendo os maiores depósitos de ouro do mundo, colapsou na cavidade escavada pelo meteorito e deste modo ficou protegida da erosão e preservada até hoje. A segunda maior estrutura de impacto na Terra, a antiga cratera Sudbury no Canadá, com 1,85 mil milhões de anos, também contém depósitos minerais - neste caso minerais ricos em níquel que foram derretidos e concentrados pelo calor extremo provocado pelo impacto.

No dia 3 de Setembro de 2009, os restos de uma estrutura de impacto ainda maior e mais antiga, perto de Maniitsoq (Sukkertoppen) na Gronelândia foram "descobertos" num escritório em Copenhaga, mais especificamente na sede da GEUS (Geological Survey of Denmark and Greenland). A pedido do seu empregador, o cientista Adam A. Garde preparava-se para um workshop sobre ocorrências de níquel e platina na região de Maniitsoq na Gronelândia Ocidental. A reunião foi organizada pela companhia de exploração NunaMinerals A/S e teve lugar na semana seguinte em Nuuk, Gronelândia. Durante as suas preparações dessa manhã de Quinta-feira, Adam subitamente viu uma explicação simples e extrema para várias características geológicas estranhas nesta região. Já tinha trabalhado com estes fenómenos várias vezes durante a sua carreira mas nunca os tinha compreendido, embora até tenham constituído o suporte principal da sua tese científica em 1997.

Impressão de artista de como um grande impacto de meteorito no mar pode ter sido no primeiro segundo. Não se sabe se a área atingida pelo meteorito de Maniitsoq estava coberta por água ou se apenas havia um mar por perto.
Crédito: Carsten Egestal Thuesen, GEUS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde que a ideia de um impacto de meteorito surgiu em Setembro de 2009, um pequeno grupo de cientistas do GEUS, da Universidade de Lund na Suécia, da Universidade de Cardiff no País-de-Gales e do Instituto de Ciências Planetárias em Moscovo investigava, documentava e modelava a estrutura de impacto, e o primeiro artigo científico foi recentemente publicado na revista Earth and Planetary Science Letters. A equipa conseguiu visitar a estrutura de impacto em 2010 e 2011, primeiro com o auxílio de um helicóptero e depois de barco, levando a cabo um estudo mais íntimo, no próprio local, das rochas afectadas pelo impacto.

Actualmente não existem expressões superficiais óbvias da estrutura de impacto. As rochas desta parte da Gronelândia têm mais de 3 mil milhões de anos, cerca de dois-terços da idade da Terra, e o próprio impacto teve lugar exactamente há 3001 ± 2 milhões de anos atrás no meio de uma região onde a construção de montanhas tinha lugar cativo e num local muito provavelmente parecido com o arquipélago japonês de hoje em dia. É possível ou até provável que o meteorito tenha atingido o mar, pois as rochas preservadas foram intensamente alteradas pela circulação de fluídos aquosos e quentes. Estes líquidos foram provavelmente derivados de água do mar que teria sido capaz de penetrar bem a crosta da Terra através de inúmeras fissuras e zonas de queda geradas pelo impacto.

Durante os 3 mil milhões de anos que seguiram o impacto, o solo sofreu erosão até uma profundidade de 25 km abaixo da superfície original, e recentemente também foi esculpida e escavada pela camada de gelo da Gronelândia. Todas as partes externas da estrutura de impacto há muito que desapareceram, mas os efeitos do intenso choque penetraram bem dentro do interior da Terra e estes são visíveis ainda hoje. O invulgar tamanho do corpo extraterrestre impactante e a forte gravidade da Terra (comparada, por exemplo, com a da Lua) implica que muito do material esmagado e derretido permaneceu a profundidades em vez de ser expulso verticalmente e lateralmente a partir do centro durante os primeiros segundos do impacto, como acontece com todas as outras estruturas de impacto da Terra.

O círculo preto no mapa mostra a localização do impacto do meteorito, perto da cidade de Maniitsoq na Gronelândia.
 

Boris A. Ivanov do Instituto de Ciências Planetárias, da Academia Russa de Ciências em Moscovo, levou a cabo uma série de cálculos de modelos, que sugerem que o meteorito que colidiu com a Terra em Maniitsoq possa ter tido um diâmetro de mais de 30 km, isto é, o dobro do tamanho do meteorito Vredefort, e uma massa dez vezes maior. Se este meteorito tivesse atingido a Lua, a estrutura de impacto final teria tido um diâmetro bem acima dos 1000 km e seria facilmente visível da Terra. No entanto, devido à muito maior gravidade do nosso planeta, a estrutura de Maniitsoq poderá ter tido um diâmetro de apenas 500 a 600 km. Se um impacto deste tamanho atingisse a Terra hoje, não só pulverizava uma região nacional média, como os seus efeitos globais matariam toda a vida superior na Terra. Nessa altura, há 3 mil milhões de anos atrás, não havia grande vida para extinguir, apenas algas e cianobactérias, mas até agora não foram identificados depósitos rochosos com a mesma idade que pudessem esclarecer os efeitos do impacto Maniitsoq, tais como tsunamis extremos, depósitos de partículas atmosféricas recondensadas a partir do meteorito evaporado ou outros sinais de efeitos globais atmosféricos e oceânicos.

Porque é que estas antigas estruturas de impacto são de interesse para a Humanidade? Existem várias razões óbvias. Primeiro, devido aos ricos legados de minerais, petróleo e gás ou recursos de água que tais estruturas providenciam. A descoberta de um impacto gigante em Maniitsoq promove a exploração do níquel na região. Em segundo lugar, quanto mais informações tivermos sobre estes processos extremamente complexos e velozes, melhor o nosso conhecimento da acreção inicial do Sistema Solar, e as pequenas crateras de meteoritos foram usadas para modelar a ligação com testes nucleares durante a Guerra Fria. No entanto, o dano físico até das maiores bombas nucleares é minúsculo quando comparado com o impacto de um modesto meteorito na classe dos 100 metros. Finalmente, os impactos de meteoritos e cometas representam um contacto com o espaço - um tema que continua a fascinar os filósofos, artistas e crianças de todas as idades.

Porque é que se passaram quase três anos desde a descoberta da estrutura de Maniitsoq até à publicação numa revista científica? Existem várias explicações. Em primeiro lugar, a ideia era tão radical que o grupo de pesquisa quis levar a cabo mais trabalho de campo para ter a certeza dos seus achados. Em segundo lugar, o enorme tamanho da estrutura e grande profundidade inicial dos seus restos significa que os critérios técnicos mais usados para identificar impactos hipervelozes não podem ser usados directamente. Os efeitos de um impacto gigante em rochas a grande profundidade e a uma temperatura ambiente de 800º C são, de várias maneiras, qualitativamente diferentes das rochas subsuperficiais ou superficiais mais frias - os alvos de todas as outras estruturas de impacto conhecidas - e tem sido difícil convencer a comunidade a aceitar as evidências. Tem sido um processo lento de documentar as características extraordinárias que caracterizam a estrutura de Maniitsoq e estudar as evidências até que se tornassem avassaladoras.

Links:

Notícias relacionadas:
GEUS (comunicado de imprensa)
Universidade de Cardiff (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
New Scientist
SPACE.com
Universe Today
io9

Crateras de impacto:
Wikipedia
Lista de crateras de impacto na Terra (Wikipedia)

Meteoritos:
Wikipedia

 
CASSINI DESCOBRE PROVÁVEL OCEANO SUBSUPERFICIAL EM LUA DE SATURNO

Dados da sonda Cassini da NASA revelaram que a lua de Saturno, Titã, provavelmente contém uma camada de água líquida por baixo da sua concha de gelo.

Os investigadores viram que a lua era espremida e esticada à medida que orbita Saturno. Então deduziram que se Titã fosse composta inteiramente por rocha sólida, a atracção gravitacional de Saturno provocaria bojos, ou "marés" sólidas na lua até 1 metro de altura. Os dados da sonda mostram que Saturno cria marés sólidas de aproximadamente 10 metros em altura, o que sugere que Titã não é inteiramente constituída por material rochoso sólido. A descoberta aparece na edição da semana passada da revista Science.

"A detecção de grandes marés em Titã pela Cassini aponta para a conclusão quase inevitável de que existe um oceano escondido nas suas profundezas," afirma Luciano Iess, autor principal do artigo e membro da equipa da Cassini da Universidade Sapienza em Roma, Itália. "A procura por água é um objectivo importante na exploração do Sistema Solar, e agora descobrimos outro local onde é abundante."

Esta impressão de artista mostra um cenário possível para a estrutura interna de Titã, como sugerido pelos dados da sonda Cassini.
Crédito: A. Tavani
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Titã demora apenas 16 dias a orbitar Saturno, e os cientistas foram capazes de estudar a forma da lua em diferentes partes da sua órbita. Dado que Titã não é esférica, mas ligeiramente alongada como uma bola de râguebi, o seu eixo longo cresceu quando estava mais próxima de Saturno. Oito dias mais tarde, quando Titã estava mais longe de saturno, tornou-se menos alongada e mais arredondada. A Cassini mediu o efeito gravitacional desse aperto e dilatação.

Os cientistas não tinham a certeza que a Cassini era capaz de detectar os bojos provocados pela atracção de Saturno em Titã. Ao estudar seis voos rasantes por Titã desde 27 de Fevereiro de 2006 até 18 de Fevereiro de 2011, os investigadores foram capazes de determinar a estrutura interna da lua ao medir variações na atracção gravitacional de Titã usando dados enviados pela DSN (Deep Space Network) da NASA.

"Nós estávamos fazendo medições ultra-sensíveis, e felizmente a Cassini e a DSN foram capazes de manter uma ligação muito estável," afirma Sami Asmar, membro da equipa da Cassini no JPL da NASA em Pasadena Califórnia, EUA. "As marés em Titã puxadas por Saturno não são muito grandes em comparação com a atracção que o maior planeta, Júpiter, tem sobre algumas das suas luas. Mas, longe de ser capaz de perfurar na superfície de Titã, as medições de gravidade fornecem os melhores dados que temos da estrutura interna de Titã."

Uma camada oceânica não tem que ser grande ou profunda para criar estas marés. Uma camada líquida entre a concha externa e deformável e um manto sólido permite com que Titã crie bojos e se comprima e expanda à medida que orbita Saturno. Dado que a superfície de Titã é composta na maioria por água gelada, que é abundante em luas do Sistema Solar exterior, os cientistas inferem que o oceano subterrâneo de Titã é provavelmente constituído por água líquida.

Na Terra, as marés resultam da atracção gravitacional da Lua e do Sol puxando os oceanos. Nos oceanos abertos, podem chegar a 60 centímetros. Embora a água seja mais fácil de mover, a atracção gravitacional do Sol e da Lua também faz com que a crosta da Terra crie bojos em marés sólidas de aproximadamente 50 centímetros.

A presença de uma camada subsuperficial de água líquida em Titã não é por si só um indicador de vida. Os cientistas pensam que a vida tem mais probabilidade de surgir quando a água líquida está em contacto com rocha, e estas medições não conseguem dizer se o chão do oceano é feito de rocha ou gelo Os resultados têm uma implicação maior para o mistério do reabastecimento do metano em Titã.

"A presença de uma camada de água líquida em Titã é importante porque queremos compreender como o metano é armazenado no interior de Titã e como chega à superfície," afirma Jonathan Lunine, membro da equipa da Cassini da Universidade de Cornell, em Ithaca, no estado americano de Nova Iorque. "Isto é importante porque tudo o que é único em Titã deriva da presença abundante do metano, mas mesmo assim o metano na atmosfera é instável e será destruído em curtas escalas de tempo geológico."

Um oceano de água líquida, "salgado" com amónia, pode produzir líquidos flutuantes de amónia-água que borbulham através da crosta e libertam metano do gelo. Tal oceano pode servir como um reservatório profundo para armazenar metano.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
Spacedaily
PHYSORG
Scientific American
New Scientist
Nature
Discovery News
Reuters
ars technica
astroPT

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
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