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Edição n.º 881
14/08 a 16/08/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 14/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no Missouri, EUA. 

Observações: Não menos que 9 objectos de Messier flutuam a apenas dois campos binoculares por cima da estrela que representa a tampa do Bule de Chá de Sagitário (agora o mais alto a Sul ao início da noite). Quantos consegue avistar? Alguns são fáceis de observar com binóculos, outros são mais difíceis ne requerem um céu escuro.
Aproveite também para observar Saturno, Marte e Espiga, baixos a Oeste ao anoitecer, que se encontram perto uns dos outros e quase parecem formar uma linha.

Dia 15/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o Big Ear, um rádio-telescópio operado pela Universidada Estatal do Ohio, como parte do projecto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projecto.

Observações: Maior elongação Oeste de Vénus, pelas 05:00.
Vega passa alto quase no zénite após o anoitecer para os observadores a latitudes médias norte. Altair é a estrela mais brilhante a Sudeste, marcando o brilhante olho da constelação de Águia.

Dia 16/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afecta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a detecção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas."David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Maior elongação Oeste de Mercúrio, pelas 14:36.
É novamente aquela altura do ano. Se acordar cedo (antes do amanhecer), conseguirá ver uma antevisão de Orionte a Este-Sudeste. Está para a direita de Vénus, que se encontra nos pés de Gémeos, perto do topo da ténue moca do Caçador.

 
CURIOSIDADES


No passado dia 6 de Agosto a União Astronómica Internacional aprovou nomes para 9 crateras em Mercúrio, e uma delas tem o nome de Tolkien (o autor dos livros "Senhor dos Anéis"). Mede 48 km de diâmetro e encontra-se na região polar norte do planeta.

 
CIENTISTAS OUVEM ESTRELA "GRITAR" À MEDIDA QUE É DEVORADA POR BURACO NEGRO SUPERMASSIVO DORMENTE

Os astrofísicos detectaram, pela primeira vez, o sinal oscilante que anuncia os últimos suspiros de uma estrela vítima de um buraco negro supermassivo anteriormente dormente.

Liderada por investigadores da Universidade do Michigan, EUA, a equipa documentou o evento com os telescópios de raios-X Suzaku e XMM-Newton. Estes instrumentos detectaram sinais semi-regulares na luz de uma galáxia a 3,9 mil milhões de anos-luz na constelação de Dragão.

Os sinais, cientificamente conhecidos como "oscilações quasiperiódicas," ocorreram firmemente a cada 200 segundos, mas ocasionalmente desapareciam. Tais sinais têm sido regularmente detectados em buracos negros mais pequenos e acredita-se expelirem material prestes a ser "sugado", explica Rubens Reis, pós-doutorado da Universidade e o autor principal do artigo publicado na revista Science Express.

Investigadores identificaram um sinal raios-X que vem de matéria à beira de cair para um buraco negro.
Crédito: NASA, Centro Aeroespacial Goddard
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Para que o buraco negro alimente uma estrela sendo despedaçada pela sua gravidade, os restos da estrela têm que formar um disco de acreção em torno do buraco negro," afirma Reis. "O disco aquece e conseguimos ver as emissões do disco muito perto do buraco negro em raios-X. À medida que esta matéria cai, oscila quasiperiodicamente e esse é o sinal que detectámos."

"Podemos associar os sinais como o ouvir de um grito da estrela à medida que é devorada," acrescenta Jon Miller, professor de astronomia da Universidade do Michigan e co-autor do artigo.

Os investigadores comparam o sinal com um som porque este repete-se a uma frequência característica, que dizem assemelhar-se com um Ré-sustenido ultra-baixo.

Os cientistas foram capazes de "ver" este evento com o Telescópio Swift da NASA o ano passado, mas não conseguiram detectar as oscilações dessa vez. As oscilações foram documentadas em buracos negros de massa estelar com cerca de dez vezes a massa do Sol na nossa Via Láctea. Também foram observadas num buraco negro supermassivo no núcleo de uma galáxia activa vizinha.

Os cientistas nunca tinham identificado um sinal quasiperiódico de um núcleo galáctico latente que havia sido reactivado, nem tinham observado um evento como este assim tão longe.

"A nossa descoberta abre a possibilidade de estudar órbitas perto de buracos negros muito distantes, e pode tornar possível o estudo da relatividade geral sob condições extremas," afirma Miller.

Para Reis, as descobertas confirmam a firmeza da física dos buracos negros.

"Isto diz-nos que o mesmo fenómeno físico que observamos nos buracos negros de massa estelar é também observado nos buracos negros com um milhão de vezes a massa do Sol, e também em buracos negros previamente adormecidos," afirma. "Relaciona-se com a natureza invariante da física, o que acho muito bonito."

Os investigadores detectaram a quasiperiodicidade nos sinais dos observatórios espaciais Suzaku da NASA e JAXA e do XMM-Newton da ESA. Para confirmar que o sinal não era apenas ruído, criaram um espectro de força dos sinais, que envolveu a contagem do número de fotões que os telescópios recebiam da fonte em função do tempo. É um modo de quantificar ligeiras flutuações na luz que não podiam de outro modo ser detectadas. O seu espectro de força confirmou a existência das oscilações quasiperiódicas no sinal. O evento foi originalmente detectado com o telescópio de raios-gama Swift da NASA.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science Express (requer subscrição)
PHYSORG
Sky & Telescope
Universe Today
astrobites

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Satélite Suzaku:
NASA
JAXA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral NGC 4038 em Colisão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Recolha de dados: Arquivo de Dados do HubbleProcessamento: Danny Lee Russell
 
Esta galáxia está a ter um mau milénio. De facto, os últimos 100 milhões de anos não têm sido muito bons, e provavelmente os próximos mil milhões vão ser também muito tumultuosos. Visível para cima e para a esquerda, NGC 4038 era uma galáxia espiral normal, nunca se metia nos assuntos das outras, até que NGC 4039, à sua direita, colidiu com ela. O desastre daí resultante, conhecido popularmente como as Antenas, é visto na imagem. À medida que a gravidade restrutura cada galáxia, nuvens de gás colidem umas com as outras, criando brilhantes nós azulados de formação estelar, estrelas massivas nascem e explodem, e os filamentos castanhos de poeira são espalhados. Eventualmente, as duas galáxias convergem numa única grande galáxia espiral. Este tipo de colisão não é incomum, até mesmo a nossa própria Via Láctea sofreu algumas no passado e prevê-se que irá colidir com a vizinha Galáxia de Andrómeda daqui a uns milhares de milhões de anos. As fotos que compõem a imagem foram obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble com o intuito de melhor compreender as colisões galácticas. Estas imagens -- e muitas outras imagens de céu profundo do Hubble -- foram tornadas públicas, permitindo a qualquer interessado fazer o download e processá-las neste mosaico visualmente espantoso.
 

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