Top thingy left
 
BACTÉRIAS MARCIANAS PODEM ENCONTRAR-SE POR BAIXO DO GELO
20 de Dezembro de 2005
 

Um estudo da Universidade de Berkeley, Califórnia, sobre bactérias produtoras de metano congeladas no fundo da camada de gelo com três quilómetros na Gronelândia poderá ajudar os cientistas a procurar formas de vida bacterial semelhantes em Marte.

O metano é um gás de efeito de estufa presente nas atmosferas da Terra e de Marte. Se uma classe de antigos micróbios chamados Archae são a fonte do metano de Marte, como já alguns cientistas propuseram, então sondas não tripuladas até à superfície de Marte poderiam procurá-los a profundidades onde a temperatura é cerca de 10 graus Celsius mais quente que a encontrada na base da camada gelada da Gronelândia, de acordo com o pesquisador principal da equipa da Berkeley, P. Buford Price, professor de Física.

Isto significa uma profundidade de algumas centenas de metros por baixo do solo, onde tais micróbios poderão encontrar-se na média de um por cada centímetro cúbico, ou cerca de 16 por cada polegada cúbica.

Price não está esperando num futuro próximo uma tal missão a Marte, para perfurar centenas de metros por baixo da superfície, mas os metanogenes (Archae que produzem metano) poderão facilmente ser detectados nos lados das crateras onde a rocha subterrânea foi expelida devido ao impacto.

"Detectar esta concentração de micróbios está dentro das capacidades dos intrumentos mais avançados hoje em dia, se pudessem ser transportados até Marte e se o lander pudesse aterrar num local onde as sondas marcianas detectaram as maiores concentrações de metano," disse Price. "Existem n crateras em Marte, de meteoritos e pequenos asteróides que colidiram com Marte e libertaram material desde uma profundidade adequada, por isso se procurarmos à volta do limite da cratera e levantarmos alguma poeira, até os poderemos encontrar se aterrarmos onde o metano sendo libertado do interior é maior."

Price e seus colegas publicaram os seus resultados há duas semanas na edição online do jornal da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e apresentaram-nos na reunião da União Geofísica Americana em São Francisco.

Variações na concentração de metano em núcleos de gelo, como o de 3,053 metros obtido pelo Projecto 2 da Camada de Gelo da Gronelândia, têm sido usados para estudar o clima passado. Nesse núcleo, no entanto, alguns segmentos a cerca de 100 metros do fim, registaram níveis de metano 10 vezes maiores que o esperado há 110,000 anos.

Price e seus colegas mostraram no seu artigo que estes picos anómalos podem ser explicados pela presença no gelo destes metanogenes. Estes são comuns na Terra, em lugares sem oxigénio, e podem facilmente ter sido empurrados por deslocações de gelo sobre o solo subglacial e incorporados nalgumas destas profundas camadas de gelo.

Price e seus colegas encontraram estes metanogenes nos mesmos segmendos nucleares onde o excesso de metano foi medido no gelo a 17, 35 e 100 metros. Calcularam que a quantidade medida de Archae, congelada e por pouco não activa, poderia ter produzido o excesso de metano observado no gelo.

"Encontrámos metanogenes precisamente nessas profundidades onde o metano em excesso estava, e em mais lado nenhum," disse Price.

Os biólogos da Universidade Estatal da Pennsylvania tinham já analizado alguns gelos que tinham uma aparência cinzenta-escura devido à sua alta quantidade de lodo, e identificaram dezenas de tipos de micróbios aeróbios (gostam de oxigénio) e anaeróbios (fobia de oxigénio). Estimaram que 80% destes micróbios ainda estavam vivos.

Embora o metano já tenha sido detectado na atmosfera de Marte, a luz ultravioleta do Sol quebraria a quantidade observada em 300 anos se não houvesse um qualquer processo de reabastecimento do metano, notou Price. Pode ser que a interacção entre fluídos ricos em carbono com rocha basáltica provoque a existência deste metano. Ou que os metanogenes agarrem no hidrogénio e dióxido de carbono à subsuperfície e produzam metano, disse.

Se os metanogenes forem os responsáveis, Price calculou que deveriam ocorrer numa concentração de um micróbio por centímetro cúbico a uma profundidade de algumas centenas de mtros, onde a temperatura - cerca de zero graus Celsius ou um pouco mais - permitiria conservá-los vivos, tal como está acontecer com os micróbios da Gronelândia.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Berkeley (Press release)


Esta série de 8 secções com 1 metro das partes mais baixas do núcleo GISP2 tornam-se mais escuras com a profundidade, devido à crescente quantidade de lodo. Os núcleos com mais de 13 metros a partir da parte de baixo estão limpos.
Crédito: Buford Price / UC Berkeley


Um micróbio do gelo profundo da Gronelândia no processo de divisão.
Crédito: Buford Price / UC Berkeley

 
Top Thingy Right