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TEORIA DE VIDA EM MARTE IMPULSIONADA POR NOVO ESTUDO DE METANO
11 de Dezembro de 2009

 

Num estudo publicado anteontem (9 de Dezembro), na revista Earth and Planetary Science Letters, cientistas excluem a possibilidade do metano ser entregue a Marte por meteoritos, levantando novas esperanças que o gás seja gerado por vida no Planeta Vermelho.

O metano tem um tempo de vida na ordem das poucas centenas de anos em Marte porque é constantemente empobrecido por uma reacção química na atmosfera do planeta, provocada pela luz solar. Os cientistas analisaram dados de observações telescópicas e missões espaciais não-tripuladas, descobrindo que o metano em Marte é constantemente reabastecido por uma fonte desconhecida. Estão ansiosos por descobrir como os níveis de metano são complementados.

Os investigadores pensavam que os meteoritos eram responsáveis pelos níveis de metano marciano porque quando as rochas entram na atmosfera do planeta são submetidas a calor intenso, devido a uma reacção química que liberta metano e outros gases para a atmosfera.

No entanto, o novo estudo, elaborado por investigadores do Imperial College em Londres, mostra que os volumes de metano potencialmente libertado por meteoritos que entrem na atmosfera de Marte são demasiado baixos para manter os actuais níveis de metano atmosférico. Os estudos anteriores também excluíram a possibilidade do metano ser distribuído por actividade vulcânica.

De acordo com os cientistas do estudo, isto deixa-nos apenas com duas teorias plausíveis para explicar a presença do gás. Ou existem microorganismos a viver no solo marciano, que produzem gás metano como um subproduto dos seus processos metabólicos, ou o metano está a ser produzido como um subproduto de reacções entre rochas vulcânicas e água.

O co-autor do estudo, Dr. Richard Court, do Departamento de Ciências da Terra e de Engenharia no Imperial College London, afirma: "As nossas experiências ajudam a resolver o mistério do metano em Marte. Os meteoritos que se vaporizam na atmosfera são uma proposta fonte de metano, mas quando recreamos a sua escaldante entrada em laboratório, obtemos quantidades muito pequenas do gás. Em Marte, os meteoritos falham o teste do metano."

A equipa afirma que o seu estudo vai ajudar os cientistas da NASA e da ESA a planear uma missão conjunta ao Planeta Vermelho em 2018, com o objectivo de descobrir a fonte do metano. Os investigadores dizem, agora que descobriram que os meteoritos não são a fonte do metano em Marte, que os cientistas da ESA e da NASA podem centrar a sua atenção nas últimas e restantes opções.

Mark Sephton, professor do Departamento de Ciências da Terra e de Engenharia no Imperial College London, também co-autor do estudo, acrescenta: "Este estudo é um grande passo em frente. Como Sherlock Holmes dizia, eliminem-se todos os outros factores e o que resta deve ser o correcto. A lista de possíveis fontes do metano está cada vez mais pequena e excitante, e a vida extraterrestre ainda é uma opção. Em última análise, o teste final tem que ser feito em Marte."

A equipa usou uma técnica chamada QPFTIS (Quantitive Pyrolysis-Fourier Transform Infrared Spectroscopy) para reproduzir as mesmas extremas condições da atmosfera marciana à medida que os meteoritos aí entram. A equipa aqueceu os fragmentos meteóricos até 1000 graus Celsius e mediu os gases libertados usando um feixe infravermelho.

Quando os gases libertados pelas experiências laboratoriais foram combinados com os cálculos publicados dos valores das quedas de meteoritos em Marte, os cientistas calcularam que são produzidos por ano apenas 10 kg de metano meteórico, bem abaixo das 100 a 300 toneladas necessárias para reabastecer os níveis de metano na atmosfera marciana.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2004/11/16 - Marte, metano e cientistas
2004/12/21 - Gigante rover irá procurar vida em Marte
2005/02/18 - Uma lufada de vida em Marte
2005/06/10 - Metano de Marte explicado sem biologia
2005/12/20 - Bactérias marcianas pode encontrar-se por baixo do gelo
2008/11/05 - Metano em Marte permanece ainda um mistério
2009/01/19 - Metano revela que Marte não é um planeta morto

Notícias relacionadas:
Imperial College London (comunicado de imprensa)
Universe Today
BBC News
Science Daily
World Science
Scientific American

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
Nesta ilustração, a água subsuperficial, o dióxido de carbono e o aquecimento interno do planeta combinam-se para libertar metano. Embora não tenhamos nenhuma prova de vulcões activos hoje em dia, o metano "velho" preso em "jaulas" de gelo pode agora ser libertado.
Crédito: NASA/Susan Twardy
(clique na imagem para ver versão maior)
 
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