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E SE OS MISTERIOSOS PLANETAS DE "ALGODÃO DOCE" TIVEREM NA REALIDADE ANÉIS?
6 de março de 2020

 


Impressão de artista do modelo de Piro e Vissapragada de um anel com anéis a transitar em frente da sua estrela hospedeira. Os cientistas usaram estes modelos para restringir quais dos planetas superinchados conhecidos podem ser explicados por anéis.
Crédito: Robin Dienel e cortesia do Instituto Carnegie para Ciência

 

De acordo com uma nova investigação publicada na revista The Astronomical Journal, por Anthony Piro do Instituto Carnegie para Ciência e Shreyas Vissapragada do Caltech, alguns dos exoplanetas de densidade extremamente baixa, chamados planetas de "algodão doce", podem na realidade ter anéis.

Estes planetas superinchados são conhecidos por terem raios extremamente grandes para as suas massas - o que lhes daria densidades aparentemente incrivelmente baixas. Os corpos com este nome adorável têm confundido os cientistas desde que foram descobertos, porque são diferentes de quaisquer planetas no nosso Sistema Solar e desafiam as nossas ideias do aspeto dos planetas distantes.

"Começámos a pensar, e se estes planetas não forem como algodão doce," disse Piro. "E se estes planetas superinchados só parecem muito grandes porque estão na verdade cercados por anéis?"

No nosso próprio Sistema Solar, todos os planetas gigantes de gás e gelo têm anéis, o exemplo mais conhecido sendo os majestosos anéis de Saturno. Mas tem sido difícil para os astrónomos descobrir planetas com anéis em órbita de estrelas distantes.

Os raios dos exoplanetas são medidos durante o trânsito - quando o exoplaneta cruza a frente da sua estrela hospedeira, provocando uma queda na luz estelar. Quanto maior a diminuição de brilho, maior o exoplaneta.

"Começámos a pensar: se olhássemos para o Sistema Solar, a partir de um mundo distante, será que conseguíamos reconhecer Saturno como um planeta com anéis, ou pareceria um planeta inchado para um astrónomo alienígena," perguntou Vissapragada.

Para testar esta hipótese, Piro e Vissapragada simularam o aspeto de um exoplaneta com anéis para um astrónomo com instrumentos de alta precisão que observava o seu trânsito em frente da estrela-mãe. Também investigaram os tipos de materiais no anel que poderiam explicar as observações de superinchados.

O seu trabalho demonstrou que os anéis podem explicar alguns, mas não todos, os planetas superinchados que a missão Kepler da NASA descobriu até agora.

"Estes planetas tendem a orbitar em íntima proximidade as suas estrelas hospedeiras, o que significa que os anéis teriam que ser rochosos e não gelados," explicou Piro. "Mas os raios dos anéis rochosos só podem ter um determinado tamanho, a não ser que as rochas sejam muito porosas, de modo que nem todos os superinchados encaixariam nestas restrições."

Segundo Piro e Vissapragada, três superinchados são candidatos especialmente bons para anéis - Kepler-87c e 177c, assim como HIP 41378f.

As observações de acompanhamento para confirmar o seu trabalho só serão possíveis depois do lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, previsto para o ano que vem, porque os atuais telescópios terrestres e espaciais não têm a precisão necessária para confirmar a presença de anéis em redor destes mundos distantes.

Se alguns dos superinchados forem confirmados como planetas com anéis, isto melhoraria a compreensão dos astrónomos de como estes sistemas planetários se formaram e evoluíram em torno das suas estrelas hospedeiras.

 


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// Instituto Carnegie para Ciência (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

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