Top thingy left
 
PRIMEIRA MEDIÇÃO DE ISÓTOPOS NA ATMOSFERA DE UM EXOPLANETA
16 de julho de 2021

 


Cartoon que se foca na descoberta de carbono-13 na atmosfera de um exoplaneta. Na realidade, os astrónomos estavam sentados em frente às suas secretárias analisando o espectro do exoplaneta TYC-8998 b obtido pelo VLT do ESO no Chile.
Crédito: Daniëlle Futselaar (Artsource)

 

Uma equipa internacional de astrónomos tornou-se na primeira do mundo a detetar isótopos na atmosfera de um exoplaneta. Diz respeito a diferentes formas de carbono no planeta gigante gasoso TYC 8998-760-1 b. A investigação foi publicada na revista científica Nature.

O planeta está a 300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Mosca. O sinal fraco foi medido com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e parece indicar que o planeta é relativamente rico em carbono-13. Os astrónomos especulam que assim é porque o planeta se formou a uma grande distância da sua estrela-mãe.

Doenças, mudanças climáticas e datação por carbono

Os isótopos são formas diferentes do mesmo átomo, mas com um número variável de neutrões no núcleo. Por exemplo, o carbono com seis protões normalmente tem seis neutrões (carbono-12), mas ocasionalmente sete (carbono-13) ou oito (carbono-14). Isto não muda muito as propriedades químicas do carbono, mas os isótopos são formados de maneiras diferentes e reagem frequentemente de maneira ligeiramente diferente às condições dominantes. Os isótopos são, portanto, usados numa ampla gama de campos de pesquisa: desde a deteção de doenças cardiovasculares ou cancro até ao estudo das mudanças climáticas e à determinação da idade de fósseis e rochas.

Medição especial

Os astrónomos foram capazes de distinguir o carbono-13 do carbono-12 porque absorve radiação em cores ligeiramente diferentes. "É realmente muito especial medir isto numa atmosfera exoplanetária," a uma distância tão grande," disse Yapeng Zhang, candidata a doutoramento na Universidade de Leiden, autora principal do artigo.

Os astrónomos esperavam detetar cerca de um átomo de carbono-13 por cada 70 de carbono mas, para este planeta, parece ser o dobro. A ideia é que a mais alta concentração de carbono-13 está de alguma forma ligada à formação do exoplaneta.

O coautor Paul Mollière, ex-pós-doutorado em Leiden e agora investigador do Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha, explica: "O planeta está mais de 150 vezes mais longe da sua estrela-mãe do que a Terra está do nosso Sol. A uma distância tão grande, os gelos possivelmente formaram-se com mais carbono-13, levando hoje a uma maior fração deste isótopo na atmosfera do planeta."

Novo planeta

O planeta propriamente dito, TYC 8998-760-1 b, foi descoberto há dois anos pelo candidato a doutoramento na Universidade de Leiden, Alexander Bohn, coautor do presente artigo. "É incrível que esta descoberta tenha sido feita perto do 'meu' planeta. Provavelmente será a primeira de muitas."

Ignas Snellen, professor em Leiden e durante muitos anos a força por trás deste campo, está orgulhoso. "A expetativa é que, no futuro, os isótopos ajudem ainda mais a entender exatamente como, onde e quando os planetas se formam. Isto é apenas o começo."

 

 


comments powered by Disqus

 


Ilustração dos ambientes natais num disco protoplanetário que se formou em torno de uma jovem estrela. Os dois planetas dentro da linha de neve do CO denotam Júpiter e Neptuno nas suas posições atuais, enquanto TYC 8998 b foi formado bem para lá desta fronteira. A uma distância tão grande da sua estrela, espera-se que a maioria do carbono esteja "fechado" em monóxido de carbono gelado e tenha construído o reservatório principal de carbono do planeta. Consequentemente, o gelo era rico em carbono-13, resultando no rácio isotópico observado na atmosfera do planeta.
Crédito: Yapeng Zhang (Observatório de Leiden)/departamento gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia


// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)

Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
24/07/2020 - Telescópio do ESO captura a primeira imagem de sempre de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela do tipo do Sol

Carbono-13:
Wikipedia

TYC 8998-760-1 b:
NASA
NASA (IPAC)
Exoplanet.eu
Simbad
TYC 8998-760-1 (Wikipedia)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
Top Thingy Right