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MARCO CIENTÍFICO: NASA CONFIRMA 5000 EXOPLANETAS
25 de março de 2022

 


Qual é o aspeto dos planetas para lá do nosso Sistema Solar? A imagem mostra uma variedade de possibilidades. Os cientistas descobriram os primeiros exoplanetas nos anos 90. A partir de 2022, a contagem é de pouco mais de 5000 exoplanetas confirmados.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

 

Não há muito tempo, vivíamos num Universo com apenas um pequeno número de planetas conhecidos, todos eles em órbita do nosso Sol. Mas uma nova fornada de descobertas assinala um marco científico: foram agora confirmados, no total, mais de 5000 planetas para lá do nosso Sistema Solar.

O odómetro planetário rodou a 21 de março, com o lote mais recente de 65 exoplanetas - planetas fora da nossa família solar imediata - adicionado ao Arquivo de Exoplanetas da NASA. O arquivo regista as descobertas de exoplanetas que aparecem em artigos científicos revistos por pares e que foram confirmados utilizando múltiplos métodos de deteção ou por técnicas analíticas.

Os mais de 5000 planetas encontrados até agora incluem mundos pequenos e rochosos como a Terra, gigantes de gás muitas vezes maiores que Júpiter e "Júpiteres quentes" em órbitas abrasadoramente íntimas em torno das suas estrelas. Existem "super-Terras", que são mundos rochosos maiores do que o nosso, e "mini-Neptunos", versões mais pequenas do que Neptuno do nosso Sistema Solar. Acrescente-se à mistura planetas que orbitam duas estrelas ao mesmo tempo e planetas que teimam em orbitar os remanescentes estelares de estrelas moribundas.

"Não é apenas um número," disse Jessie Christiansen, líder científica do arquivo e cientista de investigação do Instituto de Ciência Exoplanetária da NASA em Caltech, no estado norte-americano da Califórnia. "Cada um deles é um mundo novo, um planeta novinho em folha. Fico entusiasmada com cada um deles porque não sabemos nada sobre eles."

Mas sabemos isto: a nossa Galáxia contém provavelmente centenas de milhares de milhões de exoplanetas. A batida constante da descoberta começou em 1992 com estranhos novos mundos em órbita de uma estrela ainda mais estranha. Era um tipo de estrela de neutrões conhecida como pulsar, um cadáver estelar com rotação rápida que pulsa com rajadas de radiação de milissegundos. A medição de ligeiras alterações no tempo dos pulsos permitiu aos cientistas revelar planetas em órbita em torno do pulsar.

A descoberta de apenas três planetas em torno desta estrela giratória abriu essencialmente as comportas, disse Alexander Wolszczan, autor principal do artigo que, há 30 anos atrás, revelou os primeiros planetas a serem confirmados para lá do nosso Sistema Solar.

"Se conseguimos encontrar planetas em torno de uma estrela de neutrões, os planetas têm que estar basicamente por todo o lado," disse Wolszczan. "O processo de produção de planetas tem de ser muito robusto."

Wolszczan, que ainda procura exoplanetas como professor na Universidade Estatal da Pensilvânia, diz que estamos a abrir uma nova era de descobertas que irá além da simples adição de novos planetas à lista. O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), lançado em 2018, continua a fazer novas descobertas exoplanetárias. Mas em breve os poderosos telescópios de próxima geração e os seus instrumentos altamente sensíveis, a começar pelo recentemente lançado Telescópio Espacial James Webb, irão captar luz das atmosferas dos exoplanetas, lendo quais os gases presentes para potencialmente identificar sinais indicadores de condições habitáveis.

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para 2027, fará novas descobertas de exoplanetas utilizando uma variedade de métodos. A missão ARIEL (Atmospheric Remote-sensing Infrared Exoplanet Large-survey) da ESA, com lançamento previsto para 2029, irá observar as atmosferas de exoplanetas.

"Para mim, é inevitável que encontremos algum tipo de vida algures - muito provavelmente do tipo primitivo", disse Wolszczan. A estreita ligação entre a química da vida na Terra e a química encontrada por todo o Universo, bem como a deteção de moléculas orgânicas disseminadas, sugere que a deteção da própria vida é apenas uma questão de tempo, acrescentou.

 

Como encontrar outros mundos

Este quadro nem sempre pareceu tão promissor. O primeiro planeta detetado em torno de uma estrela parecida com o Sol, em 1995, revelou-se um Júpiter quente: um gigante gasoso com cerca de metade da massa do nosso próprio Júpiter numa órbita extremamente íntima, de quatro dias, em torno da sua estrela. Por outras palavras, um ano neste planeta dura apenas quatro dias.

Assim que os astrónomos aprenderam a reconhecê-los, apareceram mais planetas deste tipo nos dados de telescópios terrestres - primeiro dúzias, depois centenas. Foram encontrados utilizando o método de "oscilação": o rastreamento de movimentos ligeiros de uma estrela, provocados pela atração gravitacional de planetas em órbita. Mas mesmo assim, nada parecia ser habitável.

A descoberta de mundos pequenos e rochosos como o nosso exigiu o próximo grande salto na tecnologia de caça exoplanetária: o método de "trânsito". O astrónomo William Borucki teve a ideia de fixar detetores de luz extremamente sensíveis a um telescópio, lançando-o depois para o espaço. O telescópio olharia durante anos para um campo com mais de 170.000 estrelas, à procura de pequenas quedas no brilho das estrelas quando um planeta passava em frente, do ponto de vista do Sistema Solar.

Essa ideia foi concretizada no Telescópio Espacial Kepler.

Borucki, investigador principal da missão Kepler, missão esta agora aposentada, diz que o seu lançamento em 2009 abriu uma nova janela sobre o Universo.

"Tenho uma verdadeira sensação de satisfação e realmente de admiração pelo que existe por aí," disse. "Nenhum de nós esperava esta enorme variedade de sistemas planetários e estrelas. É realmente espantoso."

 

 

 


Os mais de 5000 exoplanetas confirmados na nossa Galáxia até agora incluem uma variedade de tipos - alguns que são semelhantes aos planetas do nosso Sistema Solar, outros muito diferentes. Entre estes encontra-se uma variedade misteriosa conhecida como "super-Terras" porque são maiores do que o nosso planeta e possivelmente rochosos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech


// NASA (comunicado de imprensa)

Saiba mais

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):
NASA
Wikipedia
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
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Blog do JWST (NASA)
Onde está o Webb? (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)

ARIEL (Atmospheric Remote-sensing Infrared Exoplanet Large-survey):
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ESA
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

 
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