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Telescópio espacial SPHEREx começou a captar todo o céu
6 de maio de 2025
 

A missão SPHEREx da NASA está a observar todo o céu em 102 cores infravermelhas, ou comprimentos de onda de luz não visíveis ao olho humano. Esta imagem mostra uma secção do céu num comprimento de onda (3,29 micrómetros), revelando uma nuvem de poeira feita de uma molécula semelhante à fuligem ou ao fumo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
     
 
 
 

Lançado a 11 de março, o observatório espacial SPHEREx da NASA passou as últimas seis semanas a ser submetido a verificações, calibrações e outras atividades para garantir que está a funcionar devidamente. Agora está a mapear todo o céu - e não apenas uma grande parte dele - para determinar as posições de centenas de milhões de galáxias em 3D e responder a algumas grandes questões sobre o Universo. No dia 1 de maio, a nave espacial iniciou as operações científicas regulares, que consistem em captar cerca de 3600 imagens por dia durante os próximos dois anos, com o objetivo de fornecer novos conhecimentos sobre as origens do Universo, as galáxias e os ingredientes para a vida na Via Láctea.

"Graças ao trabalho árduo das equipas da NASA, da indústria e do mundo académico que construíram esta missão, o SPHEREx está a funcionar tal como esperávamos e produzirá mapas do céu completo diferentes de todos os que já tivemos antes", disse Shawn Domagal-Goldman, diretor interino da Divisão de Astrofísica na sede da NASA em Washington, EUA. "Este novo observatório vem juntar-se ao conjunto de missões de pesquisa astrofísica baseadas no espaço que conduzem ao lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA. Juntamente com estas outras missões, o SPHEREx desempenhará um papel fundamental na resposta às grandes questões sobre o Universo que abordamos todos os dias na NASA".

A partir da sua posição em órbita da Terra, o SPHEREx olha para a escuridão, apontando para longe do planeta e do Sol. O observatório completará mais de 11.000 órbitas ao longo dos 25 meses de operações de pesquisa planeadas, dando a volta à Terra cerca de 14,5 vezes por dia. Orbita a Terra de norte a sul, passando sobre os polos, e todos os dias capta imagens ao longo de uma faixa circular do céu. À medida que os dias passam e o planeta se desloca em torno do Sol, o campo de visão do SPHEREx também se desloca, de modo que, ao fim de seis meses, o observatório terá olhado para o espaço em todas as direções.

Quando o SPHEREx tira uma fotografia do céu, a luz é enviada para seis detetores, cada um dos quais produz uma imagem única que capta diferentes comprimentos de onda da luz. A estes grupos de seis imagens chama-se uma exposição, e o SPHEREx efetua cerca de 600 exposições por dia. Quando termina uma exposição, todo o observatório muda de posição - os espelhos e os detetores não se movem como acontece com outros telescópios. Em vez de utilizar propulsores, o SPHEREx depende de um sistema de rodas de reação, que giram no interior da nave espacial para controlar a sua orientação.

Centenas de milhares de imagens do SPHEREx serão digitalmente combinadas para criar quatro mapas de todo o céu em dois anos. Ao mapear todo o céu, a missão fornecerá novos conhecimentos sobre o que aconteceu na primeira fração de segundo após o Big Bang. Nesse breve instante, um acontecimento chamado inflação cósmica fez com que o Universo se expandisse um quatrilião de vezes.

 
Esta imagem do SPHEREx da NASA mostra a mesma região do espaço que a anterior, mas num comprimento de onda infravermelho diferente (0,98 micrómetros) e a nuvem de poeira já não é visível. As moléculas que compõem a poeira - hidrocarbonetos aromáticos policíclicos - não irradiam luz nesta cor.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Vamos estudar o que aconteceu nas escalas mais pequenas dos primeiros momentos do Universo, observando o Universo moderno nas escalas maiores", disse Jim Fanson, gestor de projeto da missão no JPL da NASA, no sul da Califórnia. "Penso que há um arco poético nisso".

A inflação cósmica influenciou subtilmente a distribuição da matéria no Universo, e as pistas sobre como um tal acontecimento poderia ocorrer estão inscritas nas posições das galáxias em todo o Universo. Quando a inflação cósmica começou, o Universo era mais pequeno do que o tamanho de um átomo, mas as propriedades desse Universo primitivo foram esticadas e influenciam o que vemos hoje. Nenhum outro acontecimento ou processo conhecido envolve a quantidade de energia que teria sido necessária para impulsionar a inflação cósmica, pelo que o seu estudo constitui uma oportunidade única para compreender mais profundamente o funcionamento do nosso Universo.

"Alguns de nós têm vindo a trabalhar para este objetivo há 12 anos", disse Jamie Bock, o investigador principal da missão no Caltech e no JPL. "O desempenho do instrumento é tão bom quanto esperávamos. Isso significa que vamos poder fazer toda a ciência fantástica que planeámos e talvez até fazer algumas descobertas inesperadas".

Campo de cor

O observatório SPHEREx não será o primeiro a mapear todo o céu, mas será o primeiro a fazê-lo com tantas cores. Observa 102 comprimentos de onda, ou cores, de luz infravermelha, que não são detetáveis pelo olho humano. Através de uma técnica chamada espetroscopia, o telescópio separa a luz em comprimentos de onda - tal como um prisma cria um arco-íris a partir da luz solar - revelando todo o tipo de informação sobre fontes cósmicas.

Por exemplo, a espetroscopia pode ser utilizada para determinar a distância a uma galáxia longínqua, informação que pode ser usada para transformar um mapa 2D dessas galáxias num mapa 3D. A técnica também permitirá à missão medir o brilho coletivo de todas as galáxias que já existiram e ver como esse brilho se alterou ao longo do tempo cósmico.

E a espetroscopia pode revelar a composição dos objetos. Usando esta capacidade, a missão está a procurar água e outros ingredientes chave para a vida nestes sistemas da nossa Galáxia. Pensa-se que a água nos oceanos da Terra teve origem em moléculas de água gelada ligadas à poeira da nuvem interestelar onde o Sol se formou.

A missão SPHEREx fará mais de 9 milhões de observações de nuvens interestelares na Via Láctea, mapeando estes materiais em toda a Galáxia e ajudando os cientistas a compreender como diferentes condições podem afetar a química que produziu muitas das substâncias que hoje se encontram na Terra.

 

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão SPHEREx pelo CCVAlg - Astronomia:
04/02/2025 - Fique a conhecer o SPHEREx, o mais recente telescópio espacial da NASA
19/02/2019 - Selecionada nova missão para explorar as origens do Universo

SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer):
JPL/NASA
Caltech
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Inflação cósmica (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
   
 
 
 
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