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Ceres pode ter tido uma fonte de energia para alimentar a habitabilidade
22 de agosto de 2025
 

O planeta anão Ceres é visto nesta representação a cores melhoradas que utiliza imagens da missão Dawn da NASA. Novos modelos térmicos e químicos, baseados nos dados da missão, indicam que Ceres pode ter tido, há muito tempo, condições adequadas à vida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
 
     
 
 
 

Uma nova investigação da NASA descobriu que Ceres poderá ter tido uma fonte duradoura de energia química: os tipos certos de moléculas necessárias para alimentar alguns metabolismos microbianos. Embora não existam evidências de que alguma vez tenham existido micro-organismos em Ceres, a descoberta apoia as teorias de que este intrigante planeta anão, que é o maior corpo da cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter, pode ter tido, em tempos, condições adequadas para suportar formas de vida unicelulares.

Os dados científicos da missão Dawn da NASA, que terminou em 2018, mostraram anteriormente que as regiões brilhantes e refletivas da superfície de Ceres são maioritariamente feitas de sais deixados pelo líquido que se infiltrou do subsolo. Análises posteriores em 2020 descobriram que a fonte deste líquido era um enorme reservatório de salmoura, ou água salgada, abaixo da superfície. Noutra investigação, a missão Dawn também revelou evidências de que Ceres tem material orgânico sob a forma de moléculas de carbono - essencial, embora não suficiente só por si, para suportar células microbianas.

A presença de água e de moléculas de carbono são duas peças fundamentais do puzzle da habitabilidade de Ceres. As novas descobertas oferecem a terceira: uma fonte duradoura de energia química no passado antigo de Ceres que poderia ter possibilitado a sobrevivência de micro-organismos. Este resultado não significa que Ceres tenha tido vida, mas sim que provavelmente havia "comida" disponível caso alguma vez tivesse surgido vida em Ceres.

No estudo, publicado a 20 de agosto na revista Science Advances, os autores construíram modelos térmicos e químicos que imitam a temperatura e a composição do interior de Ceres ao longo do tempo. Descobriram que, há cerca de 2,5 mil milhões de anos, o oceano subsuperficial de Ceres pode ter tido um fornecimento constante de água quente contendo gases dissolvidos que subiam das rochas metamorfoseadas do núcleo rochoso. O calor provinha da decomposição de elementos radioativos no interior rochoso do planeta anão, que ocorreu quando Ceres era jovem - um processo interno que se pensa ser comum no nosso Sistema solar.

 
Esta ilustração mostra o interior do planeta anão Ceres, incluindo a transferência de água e gases do núcleo rochoso para um reservatório de água salgada. O dióxido de carbono e o metano estão entre as moléculas que transportam energia química sob a superfície de Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Na Terra, quando a água quente das profundezas do subsolo se mistura com o oceano, o resultado é frequentemente um buffet para os micróbios - um festim de energia química. Por isso, poderia ter grandes implicações se pudéssemos determinar se o oceano de Ceres teve um fluxo de fluido hidrotermal no passado", disse Sam Courville, autor principal do estudo. Atualmente na Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, liderou a investigação enquanto trabalhava como estagiário no JPL da NASA, no sul da Califórnia, que também geriu a missão Dawn.

Apanhando calafrios

É pouco provável que o Ceres que conhecemos atualmente seja habitável. É mais frio, com mais gelo e menos água do que no passado. Atualmente, o calor do decaimento radioativo em Ceres é insuficiente para evitar que a água congele e o líquido que resta tornou-se uma salmoura concentrada.

O período em que Ceres teria sido mais provavelmente habitável foi entre 0,5 mil milhões e 2 mil milhões de anos após a sua formação (ou seja, há cerca de 2,5 mil milhões a 4 mil milhões de anos atrás), quando o seu núcleo rochoso atingiu a temperatura máxima. Seria nessa altura que os fluidos quentes teriam sido introduzidos na água subterrânea de Ceres.

O planeta anão também não tem o benefício do atual aquecimento interno gerado pelo empurrar e puxar da órbita de um grande planeta, como acontece com a lua Encélado de Saturno e a lua Europa de Júpiter. Por isso, o maior potencial de energia de Ceres para alimentar a habitabilidade está no passado.

Este resultado também tem implicações para objetos ricos em água em todo o Sistema Solar exterior. Muitas das outras luas geladas e planetas anões com dimensões semelhantes às de Ceres (cerca de 940 quilómetros de diâmetro) e que não têm um aquecimento interno significativo graças à atração gravitacional dos planetas, podem também ter tido um período de habitabilidade no passado.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
NASA
"Toolkit" da missão (NASA)
Wikipedia

 
   
 
 
 
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