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A primeira deteção, via rádio, de um tipo raro de supernova
16 de dezembro de 2025
 
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Uma estrela explode num disco denso de material rico em hélio, gerando pela primeira vez fortes ondas de rádio. Como é que isto aconteceu? Uma ideia é que, anos antes de qualquer explosão, uma pequena estrela despojada do seu hidrogénio e feita principalmente de hélio orbita uma estrela ultradensa ainda mais pequena, feita de neutrões. À medida que as estrelas se aproximam uma da outra, a estrela de hélio começa a perder cada vez mais massa para a estrela de neutrões, formando um disco caótico de material à volta do sistema. Eventualmente, dá-se uma explosão, cuja causa exata não é clara. O material ejetado na explosão embate no disco de massa perdida, criando choques que produzem uma forte emissão de rádio. Esta emissão foi então observada por astrónomos usando o VLA.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/B. Saxton
 
     
 
 
 

Os astrónomos utilizaram o VLA (Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) dos EUA para fazer uma descoberta sem precedentes, captando os primeiros sinais de rádio de uma classe rara de explosão estelar conhecida como supernova do Tipo Ibn. Este feito revela uma nova visão sobre os momentos finais da vida de estrelas massivas e proporciona um raro vislumbre dos últimos anos de uma estrela, anteriormente ocultos.

A supernova, designada SN 2023fyq, representa uma oportunidade única para observar o ato final de uma estrela massiva. As supernovas do Tipo Ibn resultam da explosão de uma estrela em gás rico em hélio previamente ejetado da sua superfície. Utilizando a poderosa visão rádio do VLA, os astrónomos rastrearam as emissões de rádio desta explosão durante um período de 18 meses, descobrindo evidências convincentes acerca do ambiente em torno da estrela moribunda.

"Captámos um sinal de rádio raro, o primeiro de sempre, de uma estrela a explodir em gás rico em hélio que expeliu pouco antes da explosão", disse Raphael Baer-Way, estudante da Universidade da Virgínia que trabalha com Maryam Modjaz (também da Universidade da Virgínia) e Poonam Chandra (National Radio Astronomy Observatory) e investigador principal do estudo. "As observações de rádio permitiram-nos 'ver' a última década de vida da estrela antes do seu desaparecimento. Estas observações revelaram que a estrela libertou as suas camadas de hélio, incluindo um aumento significativo na perda de massa imediatamente antes da supernova, fornecendo novas evidências de explosões exóticas de origem binária". Esta descoberta revela que a estrela passou por um período dramático de perda de massa, provavelmente causado pela influência de uma companheira estelar gravitacionalmente ligada.

Dados de rádio e de raios X revelaram a densidade e a extensão do material rico em hélio ejetado antes da explosão. Os astrónomos determinaram que a estrela ejetou material a uma velocidade espantosa - até 0,4% da massa do Sol por ano - durante uma fase curta, mas intensa que antecedeu a explosão de supernova. Este processo dinâmico está de acordo com as previsões para estrelas em sistemas binários íntimos e dá aos astrofísicos novas evidências diretas dos mecanismos que impulsionam estas raras supernovas.

Até agora, a existência de material denso em torno da maioria das supernovas de Tipo Ibn só tinha sido inferida a partir de estudos óticos. O Dr. A.J. Nayana da Universidade da Califórnia em Berkeley, coinvestigador principal, afirma: "O nosso estudo analisa o material ejetado anos antes da explosão - revelando que a estrela passou por uma fase intensa de perda de massa nos últimos 0,7-3 anos da sua vida". Ao determinar o período de tempo e a magnitude da perda de massa, os astrónomos preencheram uma lacuna crucial na história de como as estrelas massivas terminam as suas vidas e enriquecem o Universo.

Esta deteção histórica prepara o terreno para futuros estudos de supernovas com radiotelescópios, prometendo aprofundar a nossa compreensão dos ciclos de vida das estrelas e das forças que moldam a nossa Galáxia. O Dr. Wynn Jacobson-Galan, do Caltech, outro investigador principal e diretor do programa do VLA, afirma que "este estudo abriu uma nova via para determinar os pontos finais de certas estrelas massivas e realça a necessidade de um acompanhamento radioelétrico sistemático de eventos semelhantes com instrumentos incríveis como o VLA e o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope)".

 

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

SN 2023 fyq:
Wikipedia

Supernova:
Wikipedia
Supernovas do Tipo Ib e Ic (Wikipedia)

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

 
   
 
 
 
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