Tem sido um ano em cheio para a missão Proba-3 da ESA. A dupla de satélites já criou mais de 50 eclipses solares artificiais em órbita desde o início das operações da missão, há menos de um ano. Os dados resultantes confirmam a capacidade da Proba-3 para fornecer a peça do puzzle que faltava nas observações da enigmática atmosfera do Sol - a coroa solar.
Desde o seu lançamento, em dezembro de 2024, a dupla de satélites Proba-3 conquistou não uma, mas duas estreias absolutas - o primeiro voo em formação precisa, preparando a missão para o primeiro eclipse solar artificial em órbita.
As centenas de horas de observações que se seguiram não deixam dúvidas de que a Proba-3 fornece os dados em falta necessários para colmatar a atual lacuna de observação, fornecendo informações sobre as regiões interiores da coroa solar.
De olhos postos na coroa interior
Até agora, os instrumentos espaciais só eram capazes de obter imagens fiáveis do disco solar e da região exterior da coroa, e a coroa completa só podia ser observada da Terra durante os curtos períodos de eclipses totais. Embora não sejam totalmente impossíveis de efetuar, quaisquer observações da região coronal interna têm sido pouco frequentes ou inconsistentes, deixando-nos com uma lacuna na observação.
"Graças a um conjunto de tecnologias de posicionamento a bordo que permitem à dupla Proba-3 criar um eclipse solar em órbita, a missão está a cumprir a sua promessa de preencher esta lacuna", explica Damien Galano, gestor da missão Proba-3.
Nesta região largamente inexplorada da coroa solar, o vento solar ganha velocidade antes de se espalhar pelo Sistema Solar, acabando por atingir a nave espacial e a Terra. É também aqui que tem origem a maior parte das ejeções de massa coronal (EMCs). Ao captar imagens pormenorizadas, a Proba-3 está a permitir que os cientistas avancem na compreensão da forma como o vento solar acelera e como as EMCs são desencadeadas.
A animação em time-lapse capta uma EMC no canto superior direito, combinando observações feitas durante uma hora e meia no dia 16 de julho por três instrumentos europeus diferentes a bordo de missões diferentes: o disco do Sol e a coroa inferior (colorida artificialmente a amarelo), captados pelo telescópio ultravioleta extremo SWAP a bordo da Proba-2; a coroa exterior (a vermelho) observada pelo coronógrafo LASCO C2 a bordo da SOHO; e a coroa interior (a verde), captada em pormenor pelo coronógrafo ASPIICS do Proba-3, que preenche a lacuna.
Andrei Zhukov do Observatório Real da Bélgica, investigador principal do coronógrafo ASPIICS a bordo da Proba-3, comenta: "É possível ver a formação da EMC na orla do disco solar, [disco solar este] captado pela Proba-2. Estende-se até à região coronal interna, que é agora visível graças à Proba-3, antes de atingir a coroa alta observada pela SOHO. A continuidade com que podemos agora observar a estrutura da EMC a estender-se para fora do Sol é incrível".
Eclipse solar total "on-demand"
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A coroa interna do Sol aparece esverdeada nesta imagem obtida no dia 23 de maio de 2025 pelo coronógrafo ASPIICS a bordo da Proba-3, a missão de voo em formação da ESA capaz de criar eclipses solares totais artificiais em órbita. Esta imagem, captada no espetro da luz visível, mostra a coroa solar de forma semelhante à que um olho humano veria durante um eclipse através de um filtro verde. As estruturas semelhantes a cabelos foram reveladas utilizando um algoritmo especializado de processamento de imagem.
Crédito: ESA/Proba-3/ASPIICS/algoritmo WOW |
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"As nossas imagens de eclipse artificial são comparáveis às obtidas durante um eclipse natural", acrescenta Andrei. "A diferença é que podemos criar o nosso eclipse uma vez em cada órbita, que demora 19 horas e 40 minutos, enquanto os eclipses solares totais só ocorrem naturalmente cerca de uma vez, muito raramente duas vezes por ano. Para além disso, os eclipses totais naturais duram apenas alguns minutos, enquanto a Proba-3 pode manter o seu eclipse artificial até 6 horas".
Joe Zender, cientista do projeto Proba-3, acrescenta: "Até agora, o tempo de observação da missão ascendeu a cerca de 250 horas em 50 órbitas. Isto significa que só estes últimos meses fornecem a mesma quantidade de dados que poderíamos obter em 6000 campanhas de eclipses totais na Terra".
Um ano de Proba-3
Há um ano, a 5 de dezembro de 2024, as duas naves Proba-3 foram lançadas para órbita, onde foram cuidadosamente separadas seis semanas mais tarde. Em março deste ano, a dupla de satélites realizou o seu primeiro voo de formação autónoma.
Apenas um mês depois, a missão atingiu o seu ambicioso objetivo - pela primeira vez, duas naves espaciais em órbita alinharam-se em formação com uma precisão milimétrica e mantiveram a sua posição relativa durante várias horas sem qualquer controlo a partir do solo.
// ESA (comunicado de imprensa)
Quer saber mais?
Proba-3 (Project for On-Board Autonomy 3):
ESA
ESA – 2
Kit para os media (PDF)
Wikipedia
Sol:
Wikipedia
Coroa solar (Wikipedia)
Ejeção de massa coronal (Wikipedia) |