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O "fantasma" na concha de Oríon
14 de julho de 2026
 
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Emissão de rádio proveniente de átomos de hidrogénio neutro na direção da Nebulosa de Oríon, a grande região de formação estelar mais próxima da Terra. As cores vermelhas mostram a emissão de 21 cm do hidrogénio, resolvida pela primeira vez com este nível de detalhe através de observações do projeto NeAtHood (Neutral Atomic Hydrogen in the Solar Neighborhood), liderado por Juan Diego Soler, da Universidade de Viena. As cores ciano mostram a emissão proveniente da poeira interestelar quente no infravermelho próximo.
Crédito: Juan D. Soler, Universidade de Viena, VLA do NRAO e WISE
 
     
 
 
 

A Nebulosa de Oríon é um dos objetos mais conhecidos do céu noturno. Visível até mesmo a olho nu, há séculos que é estudada e observada com praticamente todos os instrumentos astronómicos modernos. No entanto, os astrónomos descobriram agora que um dos seus componentes mais importantes permanecia, em grande parte, oculto.

Utilizando alguns dos radiotelescópios mais avançados e potentes do mundo, uma equipa internacional liderada por Juan Diego Soler, da Universidade de Viena, produziu os mapas mais detalhados de sempre do hidrogénio atómico neutro na Nebulosa de Oríon. As observações revelam conchas gigantes em expansão, cavidades até então desconhecidas e misteriosas estruturas alongadas que rodeiam a região de formação estelar.

O hidrogénio é o elemento mais abundante no Universo. Na sua forma atómica neutra, emite ondas de rádio fracas com um comprimento de onda de 21 centímetros, o que permite aos astrónomos detetar gás, de outra forma invisível, entre as estrelas. Para detetar esta emissão com um nível de detalhe sem precedentes, os investigadores combinaram observações do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), nos Estados Unidos, e do FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Radio Telescope), na China.

Estrutura complexa em forma de concha

Estudos anteriores sugeriam que a concha que envolve Oríon contém cerca de mil vezes a massa do Sol. As novas observações do hidrogénio indicam uma massa quase dez vezes inferior. "Medir a massa é fundamental", afirma Soler, "porque nos dá informações sobre a eficácia com que estas estrelas recém-formadas moldam o seu ambiente através do vento e da radiação".

Os novos mapas revelam também o que parece ser uma segunda cavidade em expansão no interior da camada principal, juntamente com uma "protuberância" alongada de gás atómico que se estende cerca de quatro anos-luz para fora da bolha. Estas estruturas sugerem que a Nebulosa de Oríon foi moldada por múltiplos episódios de "feedback" estelar, em vez de uma única bolha em expansão.

A complexidade revelada por estas observações desafia o entendimento atual sobre a formação estelar, explica Daniel Seifried, coautor da publicação e investigador da Universidade de Colónia: "Estas observações impressionantes servem de referência para muitas simulações astrofísicas modernas que investigam a evolução do gás e das estrelas na Via Láctea. São o tipo de imagens que desafiam os modelos teóricos e as simulações numéricas que utilizamos para compreender como as estrelas massivas afetam os seus imediatos arredores".

"Este estudo é uma demonstração excitante do poder dos radiotelescópios de última geração para revelar novas peças do quebra-cabeças da formação estelar", afirma a coautora Claire Murray, do STScI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, EUA.

"Oríon é apenas o começo. Os nossos métodos recém-desenvolvidos mostram como os futuros interferómetros irão revelar a estrutura e a dinâmica ocultas do meio interestelar - mesmo em regiões que os astrónomos já acreditavam compreender bem", explica o primeiro autor, Soler, da Universidade de Viena.

// Universidade de Viena (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Nebulosa de Oríon:
SEDS
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope):
Página principal
Wikipedia

 
   
 
 
 
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