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Estrelas mortas na nossa vizinhança cósmica: cientistas descobrem quatro anãs brancas escondidas mesmo debaixo do nosso nariz
17 de julho de 2026
 
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Uma representação artística de uma anã vermelha com uma anã branca como companheira binária a espreitar por trás. Os diâmetros das duas estrelas são apresentados à escala.
Crédito: Mark A. Garlick/Universidade de Warwick
 
     
 
 
 

Investigadores da Universidade de Warwick e da Universidade do Colorado em Boulder observaram diretamente, pela primeira vez, quatro anãs brancas a orbitar em sistemas estelares duplos na nossa região próxima do espaço. Estes sistemas binários estão todos localizados a menos de 65 anos-luz da Terra, e um deles é a nona anã branca mais próxima do nosso Sol.

Os quatro sistemas têm, todos, estrelas anãs vermelhas como companheiras - estrelas maiores e mais brilhantes -, o que faz com que pareçam sistemas estelares simples. Os novos resultados, publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revelaram que cada uma destas estrelas anãs vermelhas próximas albergava uma estrela anã branca companheira oculta.

A primeira autora, Dra. Mairi O'Brien, investigadora da Universidade de Warwick, afirmou: "As anãs brancas isoladas próximas são normalmente fáceis de encontrar, mas não conseguimos ver estas quatro estrelas diretamente nos comprimentos de onda visíveis porque as suas companheiras anãs vermelhas estavam a ofuscar a sua luz. Isto serve para nos lembrar que, mesmo na nossa própria vizinhança cósmica, ainda podemos encontrar surpresas se olharmos da forma correta, nos comprimentos de onda corretos".

Os astrónomos têm vindo a realizar levantamentos detalhados da nossa vizinhança local há décadas, mas anãs brancas como estas têm sido notoriamente difíceis de encontrar. Estes quatro sistemas próximos suscitaram interesse porque apresentavam uma substancial oscilação radial, um fenómeno em que uma estrela oscila subtilmente para a frente e para trás, indicando que um objeto companheiro massivo está em órbita.

Utilizando os dados do espetrógrafo ultravioleta do Telescópio Espacial Hubble, a equipa obteve então observações detalhadas dos quatro sistemas. As anãs brancas destacam-se normalmente nas observações ultravioletas, mas as anãs vermelhas complicam a situação devido às suas intensas erupções, que muitas vezes podem imitar o sinal de uma anã branca. Os investigadores recorreram a técnicas de calibração personalizadas para confirmar oficialmente a presença das quatro anãs brancas.

Um dos sistemas, G 203-47, revelou-se particularmente enigmático. Apesar de se encontrar a apenas 25 anos-luz de distância, foram necessários 27 anos após a observação inicial da sua oscilação radial para se descobrir a anã branca companheira. É agora oficialmente a nona anã branca mais próxima do Sol.

G 203-47 também é invulgar porque a sua anã vermelha gira uma vez a cada mais de 100 dias, mas orbita a sua anã branca a cada 14,9 dias. Normalmente, as forças gravitacionais levariam ao acoplamento de maré, tal como a Lua e a Terra, em que a mesma face está sempre voltada uma para a outra. Em vez disso, a anã vermelha gira demasiado devagar para que isso aconteça.

O coautor, Dr. David Wilson, investigador associado da Universidade do Colorado em Boulder, afirmou: "O que é fascinante é que G 203-47 não deveria estar a girar tão lentamente se se tivesse formado da mesma forma que sistemas semelhantes. Isto sugere que estes sistemas binários tiveram histórias evolutivas muito diferentes. Alguns sofreram interações violentas e prolongadas numa fase inicial, que os sincronizaram por forças de maré. Outros, como G 203-47, passaram por encontros mais gentis e breves, que os deixaram neste estado invulgar".

Estas quatro novas anãs brancas permitiram aos investigadores atualizar o censo local de anãs brancas num raio de 20 parsecs (65 anos-luz). Fundamentalmente, os modelos populacionais tinham previsto anteriormente que deveriam existir cerca de 4 a 5 pares de anãs brancas e anãs vermelhas em órbitas íntimas, e a equipa encontrou exatamente 4, o que é comparável ao trabalho teórico.

O professor Pier-Emmanuel Tremblay, do Grupo de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Warwick, afirmou: "Apenas cerca de 30 por cento das anãs vermelhas num raio de 20 parsecs foram sistematicamente analisadas em busca de companheiras anãs brancas ocultas. Pensamos que poderá haver até 9 ou 10 sistemas binários adicionais no nosso ambiente estelar local que ainda não encontrámos. Se dedicarmos esforços mais direcionados à observação de anãs vermelhas, talvez encontremos mais surpresas como esta".

// Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Anã branca:
NASA
Wikipedia

Anã vermelha:
Wikipedia

G 203-47:
Simbad
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
   
 
 
 
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