Utilizando o Telescópio Hobby-Eberly, no Observatório McDonald, os astrónomos analisaram mais detalhadamente um exoplaneta próximo e descobriram que este pode ser mais semelhante à Terra do que se pensava anteriormente. O planeta, conhecido como GJ 3378 b, orbita uma estrela pequena e fria chamada anã vermelha. A apenas 25 anos-luz da Terra, na direção da constelação setentrional de Camelopardalis (Girafa), situa-se na "zona habitável" da sua estrela - a região onde as temperaturas poderiam permitir a existência de água líquida -, o que o torna um candidato a albergar vida.
"O nosso lema é 'seguir a água'", explicou Paul Robertson, astrónomo da Universidade da Califórnia em Irvine e autor principal do novo estudo acerca de GJ 3378 b. "É a única coisa de que todos os seres vivos conhecidos na Terra precisam, por isso é a primeira coisa que procuramos quando tentamos encontrar ambientes que possam sustentar a vida".
As anãs vermelhas são o grupo de estrelas mais frias que existe. São muito mais pequenas e ténues do que o nosso Sol e apresentam frequentemente uma tonalidade avermelhada, daí o seu nome. São as estrelas mais comuns na nossa Galáxia, o que as torna um alvo importante na busca por vida para lá do nosso Sistema Solar.
"Cerca de 70% das estrelas da nossa Galáxia são anãs vermelhas, pelo que representam o padrão", explicou Michael Endl, astrónomo da Universidade do Texas em Austin, membro do seu Centro de Habitabilidade de Sistemas Planetários e coautor do artigo científico. "É realmente importante compreendermos a população de planetas em torno destas estrelas".
No entanto, tendo em que conta que estas estrelas são tão pouco luminosas e os planetas semelhantes à Terra são tão pequenos, podem ser muito difíceis de detetar e exigem instrumentação especializada. Para estudar GJ 3378 b, a equipa utilizou o instrumento HPF (Habitable-zone Planet Finder) no Telescópio Hobby-Eberly para observar a sua estrela hospedeira. À medida que um planeta orbita, a sua força gravitacional exerce uma atração sobre a estrela. Isto cria uma oscilação subtil visível na estrela hospedeira, que pode ser utilizada para calcular a massa e a órbita do planeta.
"O HPF está otimizado para utilizar luz infravermelha", explicou Robertson. "À medida que as estrelas se tornam mais pequenas, ficam mais frias, e a maior parte da sua energia é emitida em comprimentos de onda infravermelhos. Por isso, colocámos um espetrómetro infravermelho num telescópio de 10 metros, o que nos dá maior capacidade de captação bruta de luz para observar estas estrelas ténues".
"O segredo está na precisão", acrescentou Endl. "Para encontrar esses planetas de baixa massa, estamos sempre à procura de sinais minúsculos. Se os instrumentos não forem suficientemente precisos, não os encontramos. É impossível encontrá-los".
GJ 3378 b é o que os astrónomos designam por "super-Terra". Estes planetas são rochosos e maiores do que o nosso, mas não tão grandes ao ponto de reterem uma atmosfera densa que esmagaria toda a vida na superfície. Quando o planeta foi descoberto pela primeira vez em 2024, pensava-se que tivesse cerca de cinco vezes a massa da Terra. Mas a nova análise revela que está mais próximo de 2,3 vezes a massa da Terra. Essa alteração aumenta a probabilidade de o planeta ser, de facto, rochoso e não possuir uma atmosfera sufocante.
A equipa também refinou a órbita do planeta, reduzindo-a de 25 para 21 dias. Embora qualquer uma destas órbitas seja minúscula - a título de comparação, a da Terra é de 365 dias -, com uma estrela hospedeira com cerca de um-terço do tamanho do nosso Sol, essa proximidade é necessária para situar o planeta na zona habitável. Dito isto, a sua órbita mais curta também pode sujeitar o planeta a radiação intensa, capaz de evaporar qualquer atmosfera presente. São necessárias mais observações para ter a certeza.
Desde 2018 que o HPF tem ajudado os astrónomos a procurar planetas para lá do nosso Sistema Solar e a catalogar aqueles que possam albergar vida, como GJ 3378 b. Esta lista estará disponível para a próxima geração de telescópios - o GMT (Giant Magellan Telescope), o ELT (Extremely Large Telescope) e o HWO (Habitable Worlds Observatory) - quando estes iniciarem as suas observações nos próximos anos. Com enormes espelhos (por exemplo, o do GMT terá 25,4 metros de diâmetro), estes telescópios serão capazes de observar diretamente estes planetas e, esperemos, encontrar sinais de vida.
"O objetivo final são as bioassinaturas. Queremos mesmo saber: 'Estamos sozinhos no universo?'", afirmou Endl. "Ainda estamos na fase de reconhecimento da nossa vizinhança solar, a tentar encontrar os planetas em torno das estrelas mais próximas, porque esses serão os mais fáceis de detetar uma bioassinatura. Este planeta aproxima-nos um passo mais de conhecer todos os nossos vizinhos e, em última análise, quais poderão ser adequados para a vida".
// Observatório McDonald (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia em Irvine (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Quer saber mais?
GJ 3378 b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu
Wikipedia
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu
Anãs vermelhas:
Wikipedia
Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia
Telescópio Hobby-Eberly (Observatório McDonald)
Telescópio Hobby-Eberly (Wikipedia)
HPF (Habitable Zone Planet Finder) |