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A missão Swift chega ao fim, deixando para trás uma "mina de ouro" científica
27 de outubro de 2026
 
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O Observatório Neil Gehrels Swift da NASA orbita acima da Terra nesta representação artística.
Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA
 
     
 
 
 

O Observatório Neil Gehrels Swift da NASA concluiu a sua missão científica, agora que a nave espacial se encontra a orbitar a menos de 275 quilómetros acima da superfície da Terra. O maior arrasto atmosférico a esta altitude impede que os telescópios do satélite observem de forma constante os seus alvos astronómicos.

O Swift realizou a sua última observação a 20 de outubro. Prevê-se que reentre na atmosfera nas próximas semanas.

"O Swift proporcionou um retorno sobre o investimento incrível e duradouro, tendo sido concebido para uma missão principal de dois anos, mas tendo-se mantido produtivo durante mais de dez vezes esse período", afirmou Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica na sede da NASA, em Washington. "Durante esse período, o Swift desempenhou um papel fundamental no avanço da nossa compreensão do Universo em constante mudança e fez parte de uma revolução na astrofísica que demonstrou o quão críticas são, para toda a comunidade, as observações de resposta rápida. Para apoiar uma resposta rápida a eventos cósmicos num mundo pós-Swift, estamos a explorar a nossa capacidade de utilizar e ampliar a frota de telescópios espaciais existentes da NASA, desde capacidades comerciais de entrada rápida em órbita até novas missões eficientes e inovadoras. E o Swift deixa-nos um arquivo extraordinário de observações em múltiplos comprimentos de onda que irá alimentar novas descobertas durante décadas mais".

Ao longo da sua carreira lendária, o Swift observou mais de 2000 GRBs ("gamma-ray burst", em português erupções de raios gama), as explosões mais poderosas do cosmos. Estudou mais de 1400 explosões de supernova, testemunhou estrelas a serem dilaceradas por buracos negros, monitorizou galáxias ativas, realizou um levantamento de raios X de todo o céu, estudou asteroides e cometas, entre outras atividades. Os dados do Swift contribuíram para cerca de 7000 artigos científicos publicados.

"O Swift foi concebido como um satélite dedicado ao estudo de erupções de raios gama, fenómenos que surgiam e desapareciam tão rapidamente que ninguém conseguia apontar grandes telescópios para eles a fim de obter mais informações", afirmou S. Bradley Cenko, investigador principal da missão no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA. "O Swift precisava de detetar e localizar erupções de raios gama, comunicar a sua posição a outros observatórios e, em seguida, orientar os seus telescópios para captar imagens dos locais das explosões antes que o seu brilho residual se desvanecesse. Normalmente, o Swift demorava cerca de um minuto a fazer isto".

Liderada pelo seu primeiro investigador principal, Neil Gehrels, o Swift surgiu como um observatório de múltiplos comprimentos de onda, com telescópios óticos/ultravioleta e de raios X coalinhados, capazes de captar rapidamente imagens e refinar a posição de uma explosão. A missão foi lançada para órbita a 20 de novembro de 2004 e entrou em funcionamento no mês seguinte. Em 2018, a NASA renomeou a missão em homenagem a Gehrels, na sequência do seu falecimento.

 
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A nave espacial Swift, já concluída, vista numa sala limpa do Centro Goddard da NASA, a 9 de setembro de 2003. À sua frente, Neil Gehrels, o primeiro investigador principal da missão, aponta para os instrumentos na parte superior.
Crédito: NASA
 

A rapidez era especialmente importante para uma população difícil de detetar, conhecida como "explosões curtas de raios gama", que atingem o pico de brilho em menos de dois segundos. Antes do Swift, era impossível localizar estas erupções com rapidez e precisão suficientes para observar os seus brilhos remanescentes. Em maio de 2005, o Swift alcançou este marco com o GRB 050509B, que durou apenas 0,03 segundos. O Swift virou-se para a explosão com rapidez suficiente para detetar 11 fotões de raios X, tornando esta a primeira explosão curta com um remanescente detetado. Estas observações validaram modelos teóricos de longa data, demonstrando que as explosões curtas de raios gama provavelmente resultam da fusão de duas estrelas de neutrões - objetos com a massa do Sol que foram comprimidos até ao tamanho de uma cidade.

Outro fator contribuiu para o sucesso do Swift como uma espécie de ferramenta astronómica multifuncional. O seu sistema de planeamento flexível permitiu aos astrónomos solicitar observações de "alvos de oportunidade" que podiam ser comandadas a partir do solo em apenas alguns minutos, ou configurar programas de monitorização para observar fontes específicas com duração que variava entre alguns minutos e meses. O sistema conseguia agendar até 75 alvos independentes por dia.

"A velocidade de resposta única do hardware do Swift, o extraordinário sucesso das operações rápidas da missão e o trabalho íntimo em equipa das equipas de Operações de Voo e de Operações Científicas colocaram o Swift na encruzilhada de áreas de investigação em franca expansão", afirmou John Nousek, diretor de operações da missão e professor de astronomia e astrofísica na Faculdade Eberly de Ciências da Universidade do Estado da Pensilvânia, em University Park.

O arquivo do Swift contém quase 22 anos de medições de brilho de todos os tipos de explosões cósmicas, espetros em múltiplos comprimentos de onda, mais de 1,5 milhões de imagens do seu instrumento UVOT (Ultraviolet/Optical Telescope) e muito mais. O conjunto de dados completo, disponível ao público como parte do compromisso da NASA com uma ciência aberta e de referência, abrange aproximadamente 12 terabytes, o equivalente a cerca de 600 filmes em alta-definição.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

GRB ("gamma-ray burst", em português erupção de raios gama):
Wikipedia

GRB 050509B:
Wikipedia

 
   
 
 
 
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