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MMX: a missão que vai trazer para a Terra pedaços de uma lua de Marte
2 de outubro de 2026
 
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Ilustração da aproximação da nave espacial MMX ao sistema de Marte.
Crédito: JAXA
 
     
 
 
 

Dentro de poucas semanas, partirá da Terra uma sonda japonesa com um destino pouco habitual: não Marte, mas uma das suas pequenas luas. A missão MMX (Martian Moons eXploration), liderada pela JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency), pretende estudar de perto as duas luas marcianas, aterrar em Fobos e, pela primeira vez, recolher material para o trazer de volta à Terra. O lançamento está atualmente previsto para 19 de outubro de 2026 às 20:41 (hora portuguesa), a bordo de um foguetão H3, a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão.

É invulgar dedicar uma missão tão ambiciosa a dois corpos com apenas alguns quilómetros de diâmetro, tendo um muito maior "logo ali ao lado". Mas as luas Fobos e Deimos escondem uma questão que há décadas intriga os cientistas: qual a origem dos satélites naturais de Marte?

Uma das possibilidades é que sejam remanescentes de material produzido por uma enorme colisão ocorrida quando Marte ainda estava a formar-se. Neste cenário, o impacto de outro corpo com o Planeta Vermelho teria lançado material para o espaço, que posteriormente se agregou e deu origem às duas luas. Outra hipótese é que Fobos e Deimos sejam, na realidade, asteroides formados noutra região do Sistema Solar e posteriormente capturados pela gravidade de Marte. Determinar qual destas duas possibilidades é a correta permite compreender melhor não só a história de Marte, mas também os processos que contribuíram para a formação dos planetas do Sistema Solar.

É precisamente aqui que entra a MMX. A missão foi desenvolvida pela JAXA, aproveitando a experiência adquirida pelas missões Hayabusa e Hayabusa2, que pousaram em pequenos corpos do Sistema Solar e trouxeram amostras para a Terra. Mas, desta vez, o desafio é consideravelmente maior: a sonda terá de viajar até ao sistema marciano, operar nas proximidades de Fobos, pousar na sua superfície, recolher amostras e fazer depois o caminho de regresso. O projeto envolve ainda importantes parceiros internacionais: a NASA, o CNES (Centre National d'Études Spatiales), o DLR (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt, o Centro Aeroespacial Alemão) e a ESA.

A colaboração internacional está presente em várias partes da missão. A NASA fornece, entre outros elementos, o instrumento MEGANE (Mars-moon Exploration with GAmma rays and NEutrons), destinado a determinar a composição elementar de Fobos, e o sistema pneumático de recolha de amostras P-Sampler. O CNES participa no desenvolvimento do espetrómetro infravermelho MIRS (MMX InfraRed Spectrometer) e, juntamente com o DLR, desenvolve o pequeno rover Idefix. A ESA contribui para o sistema de comunicações de espaço profundo e para o apoio através da sua rede de estações terrestres Estrack.

 
Missão MMX - a viagem até à lua marciana Fobos
Crédito: DLR
 

Uma vez lançada, a MMX deverá passar aproximadamente um ano em viagem até ao sistema de Marte, chegando em 2027. A sonda começará então uma fase de observação detalhada de Fobos. Em vez de simplesmente orbitar a lua como um satélite convencional, utilizará uma chamada órbita quasi-satélite, concebida para permitir operações próximas e controladas em torno de Fobos. Esta fase será fundamental para conhecer o terreno e determinar exatamente onde deverá ser recolhida a amostra.

Os instrumentos científicos da MMX permitirão estudar não apenas a forma e a superfície das luas, mas também a sua composição, estrutura interna, gravidade e ambiente espacial. Câmaras como a TENGOO (TElescopic Nadir imager for GeOmOrphology) e a OROCHI (Optical RadiOmeter composed of CHromatic Imagers) vão observar a superfície com diferentes níveis de detalhe e em vários comprimentos de onda. O instrumento LIDAR (Light Detection and Ranging) utilizará um laser para medir a topografia, enquanto o MIRS observará no infravermelho próximo, procurando, entre outros elementos, minerais hidratados, substâncias relacionadas com água e possíveis materiais orgânicos. O MEGANE, por sua vez, analisará os raios gama e neutrões produzidos na superfície de Fobos para determinar a sua composição química.

Estas observações são particularmente importantes porque Fobos não parece ser um corpo completamente uniforme. Diferentes regiões da sua superfície apresentam características distintas, pelo que a escolha do local de amostragem terá de ser feita com grande cuidado. Os instrumentos da sonda serão utilizados para identificar uma região que seja simultaneamente cientificamente interessante e suficientemente segura para a aproximação e recolha do material.

Antes da própria MMX tentar pousar, entrará em ação o Idefix, um rover de apenas cerca de 25 quilogramas desenvolvido pelo CNES e pelo DLR. A gravidade de Fobos é tão baixa que, na superfície da lua, o veículo terá um peso equivalente a apenas cerca de 15 gramas na Terra. O Idefix foi concebido precisamente para funcionar nessas condições extremas, deslocando-se sobre quatro rodas e estudando as propriedades físicas do rególito. Os seus resultados deverão ajudar a caracterizar o terreno e a reduzir os riscos associados à aterragem da sonda e à recolha das amostras.

 
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Imagem artística do rover da missão MMX, o Idefix. no seu destino. Depois de ter sido libertado pela nave-mãe (ao fundo) e de ter caído na superfície de Fobos, o rover Idefix endireitou-se e ligou-se. Agora está pronto para explorar a lua marciana. Crédito: DLR
 

Chegará então o momento central da missão: recolher material de Fobos. A MMX terá dois sistemas de amostragem. O C-Sampler foi concebido para penetrar cerca de dois centímetros no solo e recolher material à subsuperfície, enquanto o P-Sampler utiliza gás pressurizado para levantar partículas da superfície. A combinação dos dois métodos deverá permitir a recuperação duma amostra representativa, com uma massa prevista de mais de 10 gramas. Depois de recolhido, o material será cuidadosamente acondicionado numa cápsula de retorno.

A exploração do sistema marciano deverá prolongar-se entre 2027 e 2030. Durante este período, a MMX não ficará limitada a Fobos: depois das operações junto da lua maior e da recolha das amostras, a sonda realizará observações de Deimos, o mais distante e menos estudado dos dois satélites. A missão permitirá assim comparar diretamente os dois corpos e investigar a evolução conjunta do sistema de Marte. Ao mesmo tempo, serão estudados a atmosfera de Marte e o ambiente espacial próximo do planeta, com o objetivo de compreender melhor processos relacionados com a evolução e perda da atmosfera marciana.

Em 2030, concluída a fase de exploração, a MMX deverá abandonar o sistema de Marte e iniciar a viagem de regresso à Terra. Essa viagem demorará aproximadamente um ano. Em 2031, a cápsula contendo as amostras será libertada da sonda e entrará na atmosfera terrestre. A cápsula deverá ser recuperada na Austrália e posteriormente transportada para o Japão, onde as amostras serão extraídas e preparadas para estudo em laboratórios especializados.

O verdadeiro valor da MMX estará precisamente nesse regresso. Observações à distância podem revelar a composição de uma superfície, mas uma amostra permite fazer análises muito mais precisas e utilizar instrumentos demasiado grandes ou sofisticados para serem enviados numa missão espacial. Ao estudar diretamente amostras de Fobos, os investigadores poderão procurar a assinatura química e mineralógica que permita determinar a origem da lua - e, com ela, obter novas pistas sobre a própria formação de Marte e dos planetas do Sistema Solar.

Mas a missão terá também uma dimensão tecnológica. A JAXA pretende demonstrar técnicas para realizar viagens de ida e volta à região de Marte, alcançar e operar na superfície de uma pequena lua e efetuar recolhas de amostras em condições de gravidade extremamente reduzida. Estas capacidades poderão ser importantes para futuras missões robóticas de exploração do Sistema Solar e, a mais longo prazo, para a preparação de operações humanas no espaço profundo.

Assim, quando a MMX partir rumo às duas pequenas luas de Marte, estará a tentar responder a uma pergunta muito antiga com uma estratégia bastante simples na sua essência: ir até lá, observar, recolher e trazer para casa. Se tudo correr como planeado, em 2031 os cientistas terão finalmente nas mãos os primeiros fragmentos de um corpo proveniente do sistema de Marte - e talvez, nesses poucos gramas de material, estejam escondidas algumas das respostas acerca da origem das luas do Planeta Vermelho.

// DLR (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

MMX (Martian Moons eXploration):
JAXA
NASA
DLR
ESA
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Wikipedia
Rover Idefix (Wikipedia)

Fobos:
NASA
Wikipedia

Deimos:
NASA
Wikipedia

Marte:
NASA
Wikipedia
The Nine Planets

 
   
 
 
 
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