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Edição n.º 1036
11/02 a 13/02/2014
 
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ACTIVIDADES

14.02.14 - LUA CHEIA DE "AMOR"
20:00 – 22:00 - Observação astronómica nocturna dedicada a dois satélites naturais no Sistema Solar: o nosso, completamente iluminado, e um outro que se esconderá atrás do seu planeta.
Pré-inscrição obrigatória: info@ccvalg.pt
Realização sujeita a condições meteorológicas favoráveis.
Cada casal entra pelo preço de um visitante. Preço: 2€ - adultos, 1€ - jovens.

28.02.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 11/02: 42.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, o vaivém espacial Discovery é lançado numa missão com o objectivo de reparar o Hubble.

Observações: Júpiter brilha para cima da Lua ao início da noite. Para a esquerda do nosso satélite natural encontra-se Pollux e, um pouco para cima, Castor.
Saturno na quadratura Oeste, pelas 19:45.

Dia 12/02: 43.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1947, um meteoro cria uma cratera de impacto em Sikhote-Alin, na União Soviética.
Em 1961, era lançada a sonda soviética Venera 1, para Vénus.
Em 2001, a sonda NEAR Shoemaker tornava-se a primeira nave humana a pousar num asteróide, de nome 433 Eros.

Observações: Para a direita da Lua esta noite, cintila Procyon, a estrela de Cão Maior, uma das quatro estrelas vizinhas a uma distância de 11,5 anos-luz. Ao dobro da distância entre a Lua e Procyon, está a mais brilhante Sirius, a estrela de Cão Maior, a apenas 8,6 anos-luz de distância.

Dia 13/02: 44.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para ser julgado pela Inquisição.

Em 2004, o Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian descobre o maior diamante conhecido do Universo, a anã branca BPM 37093.
Em 2012, a Agência Espacial Europeia (ESA) leva a cabo o primeiro lançamento do foguetão europeu Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa. 
Observações: Trânsito de Io, entre as 00:47 e as 03:06.
Trânsito da sombra de Io, entre as 01:41 e as 04:01.
O ano não pára, e a Primavera está a pouco mais de um mês. Por isso, por volta das 22 horas, já encontra a Ursa Maior apoiada na sua "pega" a Nordeste, à altura de Cassiopeia a Noroeste.

 
CURIOSIDADES


Sabia que também existe uma Nebulosa de Saturno? O seu número de catálogo é NGC 7009. É uma nebulosa planetária e está situada entre 2000 e 4000 anos-luz na direcção da constelação de Aquário.

 
SONDAS MARCIANAS VÊM PISTAS DE POSSÍVEIS FLUXOS DE ÁGUA

Sondas em órbita de Marte forneceram pistas para compreender características sazonais que são a indicação mais forte de possível água líquida no Planeta Vermelho de hoje em dia.

As características são marcas escuras tipo-dedos que avançam para baixo em algumas encostas marcianas quando as temperaturas sobem. As novas pistas incluem mudanças sazonais correspondentes nos minerais de ferro nas mesmas encostas, um estudo sobre as temperaturas do solo e outras características em locais activos. Estas suportam a sugestão de que salmouras com um anticongelante ferro-mineral, como o sulfato férrico, podem fluir sazonalmente, embora ainda existam outras explicações possíveis.

Os cientistas chamam a estes fluxos escuros RSL ("lineae recorrentes em encostas" ou "recurring slope lineae" em inglês). Como resultado, RSL tornou-se numa das siglas mais populares das reuniões de cientistas de Marte.

Fluxos escuros e sazonais emanam de exposições rochosas na Cratera Palikir em Marte, nesta imagem obtida pela câmara HiRISE da MRO.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós ainda não temos provas definitivas da existência de água nos RSL, embora não tenhamos a certeza como este processo teria lugar sem água," afirma Lujendra Ojha, estudante de pós-graduação no Instituto de Tecnologia da Georgia, em Atlanta, e autor principal de dois novos artigos acerca destes fluxos. Ele descobriu-os originalmente enquanto estudava na Universidade do Arizona, em Tucson, há três anos atrás, em imagens da câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.

Ojha e o professor assistente James Wray, de Georgia Tech, observaram mais recentemente 13 RSL confirmados usando imagens do instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) da mesma sonda. Procuraram minerais que os RSL podiam deixar para trás como forma de entender a natureza destas características: têm ou não relação com a água?

Eles não encontraram nenhuma assinatura espectral relacionada com água ou sais. Mas encontraram assinaturas espectrais distintas e consistentes com minerais férricos e ferrosos na maioria dos locais. Estes minerais portadores de ferro eram mais abundantes ou apresentavam granulometrias distintas em materiais relacionados com os RSL, em comparação com encostas sem RSL. Estes resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

Ojha afirma: "Tal como os próprios RSL, a força das assinaturas espectrais varia de acordo com as estações. São mais fortes quando está mais quente e menos significativas quando está mais frio."

Animação que demonstra a criação dos RSL num encosta de Marte, à medida que a temperatura aumenta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma possível explicação para estas mudanças é uma triagem dos tamanhos dos grãos, como a remoção de poeira fina a partir da superfície, o que poderia resultar de um processo molhado ou de um processo seco. Duas outras possíveis explicações são um aumento do componente mais oxidado (férrico) dos minerais, ou um escurecimento geral devido a humidade. Qualquer um destes apontaria para água, mesmo que não tenha sido detectada directamente. As observações espectrais podem não detectar a presença de água, porque os fluxos escuros são muito mais estreitos do que a área de solo analisada em cada leitura do CRISM. Além disso, as observações orbitais foram feitas apenas durante as tardes marcianas e podem perder alguma humidade da manhã.

A hipótese principal para estas características é o fluxo de água perto da superfície, mantida líquida por sais que diminuem o ponto de congelamento da água pura. "O fluxo de água, até mesmo água salgada, em qualquer lugar de Marte no presente, seria uma grande descoberta, impactando a nossa compreensão da mudança climática actual no planeta e possivelmente indicando potenciais habitats para a vida perto da superfície," realça Richard Zurek, cientista do projecto MRO, do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Numa pesquisa relacionada, relatada num artigo a ser publicado o próximo mês na revista Icarus, cientistas de Georgia Tech e colegas da Universidade do Arizona; do USGS em Flagstaff, Arizona; e da Academia Polaca de Ciências em Varsóvia, usaram a MRO e a Mars Odyssey para procurar padrões de onde e quando os fluxos escuros sazonais existem em Marte. Os seus resultados indicam que muitos locais com encostas, latitudes e temperaturas que coincidem com locais RSL conhecidos não têm RSL evidentes.

Esta imagem combina uma fotografia de fluxos escuros sazonais numa encosta marciana com uma grelha de cores baseada em dados recolhidos por um espectrómetro de mapeamento mineral observando a mesma área.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UA/JHU-APL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Eles procuraram áreas que eram locais ideais para a formação de RSL: áreas próximas de latitudes médias Sul em penhascos rochosos. Encontraram 200, mas quase nenhuma tinha RSL. "Apenas 13 dos 200 locais tinham RSL confirmados," acrescenta Ojha. "O facto de que os RSL ocorrem em alguns locais e não noutros, indica factores adicionais desconhecidos, tais como a disponibilidade de água ou sais que podem desempenhar um papel crucial na formação dos RSL."

Compararam as novas observações com imagens obtidas em anos anteriores, revelando que os RSL são muito mais abundantes em alguns anos do que noutros.

"A NASA gosta de 'seguir a água' na exploração do Planeta Vermelho, por isso gostaríamos de saber com antecedência onde e quando irá aparecer," salienta Wray. "Os RSL reacenderam a nossa esperança de aceder a água marciana moderna, mas a previsão de condições húmidas permanece um desafio."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/12/2013 - Sonda marciana revela um Planeta Vermelho mais dinâmico

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
PHYSORG
SPACE.com
redOrbit
e! Science News
Universe Today
Forbes
RT

MRO:
Página oficial da NASA 
Página oficial do JPL 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Fluxos sazonais em encostas marcianas (Wikipedia)

 
CÉUS VERMELHOS DESCOBERTOS EM ANÃ CASTANHA EXTREMA

Um exemplo peculiar de corpo celeste, conhecido como anã castanha, com céus excepcionalmente vermelhos foi descoberto por uma equipa de astrónomos do Centro para Pesquisa de Astrofísica da Universidade de Hertfordshire. Os cientistas publicaram os seus resultados na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society".

As anãs castanhas situam-se na linha entre as estrelas e os planetas. São demasiado grandes para serem consideradas planetas; e não têm material suficiente para fundir hidrogénio nos seus núcleos e desenvolverem-se como estrelas. São objectos de massa intermédia entre estrelas, como o nosso Sol, e os planetas gigantes, como Júpiter e Saturno. Por vezes descritas como estrelas falhadas, não têm uma fonte de energia interna - por isso são frias e muito ténues, e continuam a arrefecer com o passar do tempo.

A anã castanha, de nome ULAS J222711-004547, chamou a atenção dos cientistas devido à sua aparência extremamente avermelhada em comparação com anãs castanhas "normais". Observações subsequentes com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e o uso de uma técnica inovadora de análise de dados mostraram que a razão para a sua peculiaridade é a presença de uma camada muito espessa de nuvens na sua atmosfera superior.

Impressão de artista de ULAS J222711-004547. Esta anã castanha recentemente descoberta é caracterizada por uma camada invulgarmente espessa de nuvens, composta por poeira mineral. Estas nuvens espessas dão à anã castanha uma cor extremamente vermelha, distinguindo-a das anãs castanhas "normais".
Crédito: Neil J. Cook, Centro para Pesquisa de Astrofísica, Universidade de Hertfordshire
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Federico Marocco, que liderou a equipa de pesquisa da Universidade de Hertfordshire, afirma: "Estes não são os tipos de nuvens que vemos na Terra. As nuvens espessas nesta anã castanha em particular são principalmente constituídas por poeira mineral, como enstatite e corindo.

"Não só fomos capazes de inferir a sua presença, como também conseguimos estimar o tamanho dos grãos de poeira nas nuvens."

O tamanho dos grãos de poeira influencia a cor do céu. Um céu avermelhado numa anã castanha sugere uma atmosfera repleta de partículas de poeira e humidade. Se os nossos céus da manhã são avermelhados, é porque o céu limpo a Este permite com que o Sol ilumine a parte inferior de nuvens que vêm de Oeste. Por outro lado, a fim de ver nuvens vermelhas ao anoitecer, a luz do Sol deve ter um caminho livre a Oeste de modo a iluminar as nuvens a Este. No entanto, a anã castanha recentemente descoberta (ULAS J222711-004547) tem uma atmosfera muito diferente, onde o céu é sempre vermelho.

Os planetas gigantes do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, mostram várias camadas de nuvens, incluindo amónia e sulfeto de hidrogénio bem como vapor de água. A atmosfera observada nesta anã castanha em específico é mais quente - com vapor de água, metano e provavelmente alguma amónia mas, invulgarmente, é dominada por partículas minerais argilosas.

Uma boa compreensão de como uma atmosfera tão extrema funciona ajudar-nos-á a melhor entender a gama de atmosferas que podem existir.

Avril Day-Jones, do mesmo instituto universitário, que contribuiu para a descoberta e análise, realça: "ULAS J222711-004547 é uma das anãs castanhas mais vermelhas já observadas, o que a torna num alvo ideal para múltiplas observações em ordem a compreender o clima numa atmosfera tão extrema."

"Ao estudar a composição e variabilidade na luminosidade e cores de objectos como este, podemos compreender como o clima funciona nas anãs castanhas e como se relaciona com outros planetas gigantes."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Hertfordshire (comunicado de imprensa)
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
Astronomy
Universe Today
Space Daily

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Kepler volta ao trabalho (via NewScientist)
Está vivo! Após sofrer um problema crítico o ano passado, o telescópio espacial Kepler observou o seu primeiro planeta em meses. O mundo com o tamanho de Júpiter não é uma nova descoberta, mas avistá-lo novamente com o Kepler é prova que, após algumas modificações, o famoso caçador de exoplanetas está pronto para voltar ao trabalho. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 5101 e Amigas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Este nítido campo telescópico contém duas galáxias brilhantes. A galáxia espiral barrada NGC 5101 (topo à direita) e a galáxia vista quase de lado, NGC 5078, estão separadas no céu por aproximadamente 0,5 graus ou mais ou menos o tamanho aparente da Lua Cheia. Situadas dentro dos limites da constelação serpenteante de Hidra, ambas têm uma distância estimada em cerca de 90 milhões de anos-luz e são similares em tamanho à nossa Via Láctea. De facto, se ambas estão à mesma distância a sua separação projectada será de apenas 800.000 anos-luz. Este valor corresponde a menos de metade da distância entre a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda. NGC 5078 interage com uma companheira galáctica mais pequena, catalogada como IC 879, vista para baixo e para a esquerda do brilhante núcleo da galáxia maior. Galáxias de fundo, ainda mais distantes, estão espalhadas por todo o colorido campo. Algumas até são visíveis através do disco de NGC 5101. Mas as proeminentes estrelas pontiagudas estão em primeiro plano, bem dentro da nossa própria Galáxia.
 

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