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Edição n.º 1040
25/02 a 27/02/2014
 
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ACTIVIDADES

28.02.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 25/02: 56.º dia do calendário gregoriano.
Observações: As estações estão a mudar; entre as 20 e as 21 horas, a Ursa Maior está à mesma altura a Nordeste que Cassiopeia a Noroeste.

Dia 26/02: 57.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1880 nascia Kenneth Edgeworth, astrónomo irlandês conhecido por propôr a existência de um disco de corpos gelados para lá da órbita de Neptuno na década de 1940, como Gerard Kuiper publicaria dez anos depois.
Em 1966, lançamento do AS-201, do programa Apollo, o primeiro voo do foguetão Saturno IB.

Observações: Antes do amanhecer, Vénus brilha para cima e para a direita da Lua, baixos a Sudeste.

Dia 27/02: 58.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1897, nascia Bernard Lyot, inventor do coronógrafo.

Observações: Sirius brilha na sua posição mais alta a Sul um pouco antes das 21 horas. Use binóculos para observar o ténue enxame aberto M41, mesmo por baixo da estrela, separados por 4º.

 
CURIOSIDADES


85% das estrelas da Via Láctea pertencem a sistemas estelares múltiplos.

 
SUBARU DETECTA FORMA RARA DE AZOTO NO COMETA ISON

Uma equipa de astrónomos, liderada pelo candidato a doutoramento Yoshiharu Shinnaka e pelo professor Hideyo Kawakita, ambos da Kyoto Sangyo University, observou com sucesso o Cometa ISON durante o seu aumento de brilho em meados de Novembro de 2013. O espectrógrafo HDS (High Dispersion Spectrograph) do Telescópio Subaru detectou duas formas de azoto (ou nitrogénio) - 14NH2 e 15NH2 - no cometa. Esta é a primeira vez que os astrónomos anunciaram uma clara detecção do isótopo relativamente raro 15NH2 num único cometa e que também mediram a abundância relativa de duas formas diferentes de azoto na amónia cometária (1.ª figura). Os seus resultados suportam a hipótese da existência de dois reservatórios distintos de azoto na nuvem (nebulosa solar) densa e maciça a partir do qual o Sistema pode ter-se formado e evoluído.

Espectro das linhas de emissão de NH2 (das mesmas transições tanto para 14NH2 como para 15NH2) no cometa ISON, que mostram a diferença nos comprimentos de onda e intensidade relativa entre os isótopos. As linhas vermelhas e verdes indicam o espectro observado. A linha azul indica 15NH2, claramente observado pela primeira vez.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Porque é que a equipa concentrou-se em estudar estas formas de azoto no cometa? Os cometas são objectos relativamente pequenos do Sistema Solar compostos por gelo e poeira, formados há 4,6 mil milhões de anos na nebulosa solar quando o nosso Sistema Solar estava na sua infância. Dado que geralmente residem nas regiões frias longe do Sol, por exemplo na cintura de Kuiper e na Nuvem de Oort, provavelmente preservam informação acerca das condições físicas e químicas do início do Sistema Solar. As formas diferentes e abundâncias da mesma molécula fornecem informações sobre a sua origem e evolução. Seriam de um berço estelar (uma nuvem interestelar primordial) ou de uma nuvem distinta (nebulosa solar) que formou a estrela do nosso Sistema Solar, o Sol? Os cientistas não compreendem ainda muito bem como as moléculas dos cometas se separam em isótopos com abundâncias diferentes. Os isótopos de azoto presentes em amónia (NH3) podem ser a chave.

O composto químico amónia (NH3) é uma molécula particularmente importante, porque é o volátil (substância que vaporiza) com azoto mais abundante no gelo cometário e uma das moléculas mais simples num grupo amino (-NH2) intimamente relacionado com a vida. Isto significa que estas formas diferentes de azoto podem ligar os componentes do espaço interestelar com a vida na Terra como a conhecemos.

Como a amónia é o principal transportador de azoto num cometa, é necessário limpá-la da abundância relativa dos seus isótopos para entender como 15NH2 se separa em moléculas cometárias. No entanto, a detecção directa da amónia cometária é difícil, e existem apenas alguns relatos da sua detecção clara. Portanto, a equipa concentrou-se no estudo da forma de NH2 desenvolvida após a quebra da amónia pela luz ("fotodissociação") na cabeleira do cometa. A equipa teve a sorte de observar o cometa à medida que se aproximava do Sol, quando a sua composição gelada evaporava. Também tiveram sorte que o NH2, um derivado da amónia (NH3), é fácil de observar no comprimento de onda óptico, e a abundância relativa dos isótopos de azoto na amónia cometária é provavelmente próxima da de NH2.

A equipa usou o HDS do Telescópio Subaru para observar com sucesso o Cometa ISON nos dias 15 e 16 de Novembro, após o aumento de brilho do cometa a 14 de Novembro. A observação detectou claramente 15NH2 no Cometa ISON, e a equipa inferiu que a proporção de amónia cometária 14N/15N (139±38) é consistente com a média (14N/15N~130) dos espectros de outros 12 cometas. Por outras palavras, o ISON tem uma abundância relativa típica de 14N/15N na amónia cometária.

Estes resultados suportam a hipótese da existência de dois reservatórios distintos de azoto na nebulosa solar: 1) o gás primordial N2 tendo um valor protosolar de 14/15N, e 2) moléculas menos voláteis e provavelmente sólidas com uma proporção de aproximadamente 14N/15N~150 na nebulosa solar. No caso de uma nuvem com um denso núcleo molecular, o rácio isotópico do cianeto de hidrogénio (HCN) é semelhante ao dos cometas enquanto a sua proporção de amónia é diferente do seu valor cometário (2.ª figura).

Comparação dos rácios isotópicos de azoto obtidos de cometas (esquerda) e do núcleo da nuvem molecular (direita). A linha azul indica a proporção de isótopos de azoto na atmosfera da Terra, enquanto a linha amarela e mais espessa indica a proporção na nebulosa protosolar. A figura também mostra que os rácios isotópicos de azoto obtidos de moléculas cometárias são similares umas às outras enquanto que as de HCN (cianeto de hidrogénio) e NH3 (amónia) no núcleo da nuvem molecular são diferentes.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Isto pode significar que a amónia formou-se num ambiente poeirento a baixas temperaturas, não no gás da nuvem molecular. As experiências de laboratório mostram que as várias moléculas complexas podem formar-se na superfície de poeiras a baixas temperaturas. Se a molécula de amónia formou-se na superfície de poeira a baixas temperaturas, o núcleo cometário pode conter uma molécula complexa que se relaciona com a origem da vida, para além da amónia. A ser verdade, levanta a possibilidade de que os cometas tenham trazido estes materiais para a Terra.

No futuro, a equipa gostaria de aumentar a amostra de cometas para o qual os rácios isotópicos de azoto na amónia cometária foram determinados. Gostariam também de realizar análises laboratoriais de 15NH2 para obter proporções isotópicas mais precisas. Numa maior escala, a equipa espera investigar a origem do Cometa ISON e os mecanismos que provocaram o seu aumento de brilho, para que possamos melhor compreender a evolução do Sistema Solar.

Links:

Notícias relacionadas:
NAOJ (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
Universe Today
Astronomy
spaceref
PHYSORG

Cometa ISON:
Wikipedia
NASA
Centro de Planetas Menores da UAI
Gary W. Kronk's Cometography
Stereo Science Center

Cometas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
NASA

Telescópio Subaru:
NAOJ
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cassini Atravessa Plano dos Anéis de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniISSJPLESANASA
 
Se este é Saturno, onde estão os anéis? Quando os "apêndices" de Saturno desapareceram em 1612, Galileu não entendia o porquê. Mais tarde, naquele século, percebeu-se que as protuberâncias invulgares de Saturno eram anéis e que quando a Terra atravessava o plano dos anéis, estes pareciam desaparecer. Isto ocorre porque os anéis de Saturno estão confinados a um plano muitas vezes mais fino, em proporção, do que uma lâmina de barbear. Nos tempos modernos, a sonda Cassini actualmente em órbita de Saturno, também atravessa o plano dos anéis. O astrónomo amador espanhol Fernando Garcia Navarro "desenterrou" do vasto arquivo online de imagens não-processadas da sonda uma série de imagens da passagem de Fevereiro de 2005. O resultado impressionante é esta imagem, digitalmente cortada e ajustada em cores representativas. O fino plano dos anéis de Saturno aparece a azul, as bandas e nuvens na atmosfera superior de Saturno aparecem em tons de dourado. Os detalhes dos anéis de Saturno podem ser vistos no topo, graças às escuras sombras que provoca na atmosfera do planeta. As luas aparecem como "solavancos" nos anéis.
 

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