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Edição n.º 1046
18/03 a 20/03/2014
 
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ACTIVIDADES

28.03.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

29.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela, podendo incluir outras atividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento, no Cosmódromo de Plesetsk, matando 50 pessoas.
Observações: A Lua, Marte e Espiga estão esta noite bem próximos uns dos outros. O nosso satélite natural encontra-se para a direita de Marte e para a esquerda de Espiga.

Dia 19/03: 78.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Plutão era fotografado pela primeira vez. No entanto, não foi identificado como planeta.

Em 2008, GRB 080319B, uma explosão cósmica que se torna no objecto mais distante visível [brevemente] a olho nu.
Observações: Esta noite a Lua nasce a Este-Sudeste pelas 21:40. Assim que seja visível, olhe 13º para cima e um pouco para a direita. Verá um ponto brilhante e alaranjado. É o planeta Marte.

Dia 20/03: 79.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lecturesapresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de Novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).

Observações: Equinócio da Primavera, pelas 16:57.
Trânsito de Europa, entre as 23:24 e as 02:12 (já de dia 21).
Conjunção entre a Lua e Saturno. Passam a menos de 0,5º um do outro e são visíveis juntos desde as 23:30 até ao amanhecer já de dia 21.

 
CURIOSIDADES


O evento de dia 20/21 de Março entre Saturno e a Lua torna-se numa ocultação do planeta pelo nosso satélite natural quando visto, por exemplo, no Nordeste do Brasil. O Observatório Otto de Alencar, no estado do Ceará, vai transmitir o evento em directo pela Internet.

 
PRIMEIRA EVIDÊNCIA DIRECTA DA INFLAÇÃO CÓSMICA

Há quase 14 mil milhões de anos, o Universo em que vivemos foi criado num evento extraordinário a que chamamos Big Bang. Na primeira fracção de segundo, o Universo expandiu-se exponencialmente, esticando-se muito além da visão dos nossos melhores telescópios. Tudo isto, claro, era apenas teoria.

Cientistas da colaboração BICEP2 anunciaram ontem a primeira evidência directa desta inflação cósmica. Os seus dados também representam as primeiras imagens de ondas gravitacionais, ou ondulações no espaço-tempo. Estas ondas têm sido descritas como os "primeiros tremores do Big Bang". Por fim, os dados confirmam uma profunda ligação entre a mecânica quântica e a relatividade geral.

"A detecção deste sinal é um dos objectivos mais importantes da cosmologia. Chegámos a este ponto graças a muito trabalho, feito por muita gente," afirma John Kovac (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica), líder da colaboração BICEP2.

As ondas gravitacionais da inflação geram um padrão de torção, ténue mas distinto, na polarização da radiação cósmica de fundo, conhecido como modo-B. A imagem é o padrão observado com o telescópio BICEP2. As linhas mostram a força da polarização e a orientação de diferentes locais no céu. Os tons azul e vermelho mostram o grau de torção a favor e contra o movimento dos ponteiros do relógio.
Crédito: Colaboração BICEP2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estes resultados revolucionários vêm de observações da radiação cósmica de fundo pelo telescópio BICEP2 - um brilho fraco, relíquia remanescente do Big Bang. As minúsculas flutuações neste brilho fornecem pistas das condições do Universo primitivo. Por exemplo, pequenas diferenças de temperatura em todo o céu mostram partes mais densas do Universo, eventualmente condensando-se em galáxias e enxames galácticos.

Uma vez que a radiação cósmica de fundo em microondas é uma forma de luz, ela exibe todas as propriedades da luz, incluindo polarização. Na Terra, a luz solar é espalhada pela atmosfera e torna-se polarizada, razão pela qual os óculos polarizados ajudam a reduzir o brilho. No espaço, a radiação cósmica de fundo foi espalhada por átomos e electrões e tornou-se também polarizada.

"A nossa equipa procurou um tipo especial de polarização chamada 'modos-B', que representa uma torção ou padrão 'ondulatório' nas orientações polarizadas desta luz antiga," afirma Jamie Bock, co-líder do estudo (Caltech-JPL).

As ondas gravitacionais apertam o espaço à medida que viajam, e esta compressão produz um padrão distinto na radiação cósmica de fundo. As ondas gravitacionais têm uma "lateralidade", tal como as ondas de luz, e podem ter polarizações "canhotas ou destras".

"O padrão torcido do modo-B é uma assinatura única de ondas gravitacionais por causa da sua lateralidade. Esta é a primeira imagem directa de ondas gravitacionais no céu primordial," afirma Chao-Lin Kuo, também co-líder do estudo (Stanford/SLAC).

A equipa examinou escalas espaciais no céu entre um a cinco graus (duas a dez vezes o diâmetro da Lua Cheia). Para tal, viajaram até ao Pólo Sul para tirar proveito do seu ar frio, seco e estável.

O telescópio BICEP, localizado no Pólo Sul.
Crédito: Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É no Pólo Sul que se encontram as condições de observação mais parecidas com aquelas do espaço," afirma Kovac. "É um dos locais mais secos e mais limpos da Terra, perfeito para observar as fracas microondas do Big Bang."

Ficaram surpresos ao detectar um sinal de polarização de modo-B consideravelmente mais forte que muitos cosmólogos esperavam. A equipa analisou os seus dados durante mais de três anos, num esforço de afastar quaisquer erros. Consideraram também se a poeira na nossa Galáxia podia produzir o padrão observado, mas os dados sugerem que isso é altamente improvável.

"Era como procurar uma agulha num palheiro, mas em vez disso, encontrámos um pé-de-cabra," afirma Clem Pryke, também co-líder (Universidade de Minnesota).

Quando lhe pediram para comentar sobre as implicações desta descoberta, o teórico de Harvard, Avi Loeb, disse: "Este trabalho oferece novas informações sobre algumas das nossas perguntas mais básicas: Porque é que existimos? Como é que o Universo começou? Estes resultados não são apenas uma prova derradeira da inflação do Universo, dizem-nos também quando é que ocorreu e quão poderoso foi o processo."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/10/2013 - Herschel ajuda a encontrar sinais elusivos do início do Universo

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
Vídeo sobre inflação cósmica (Nature - via YouTube)
Stanford News
NASA/JPL
SPACE.com
New Scientist
Sky & Telescope
Universe Today
PHYSORG
National Geographic
Wired
Forbes
ars technica
GIZMODO
BBC News
Reuters
AstroPT
Público
Expresso
Jornal i

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Radiação cósmica de fundo:
Wikipedia

BICEP2:
Página principal
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - As Galáxias da Antena em Colisão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Arquivo de Dados do HubbleNASAESA; Processamento e direitos de autor: Davide Coverta
 
Duas galáxias estão em luta na constelação de Corvo e aqui estão as imagens mais recentes. Quando duas galáxias colidem, as estrelas que as compõem normalmente não colidem. Isto porque as galáxias são principalmente espaço vazio e, independentemente do brilho, as estrelas ocupam apenas uma pequena percentagem desse espaço. Durante a lenta colisão de centenas de milhões de anos, uma galáxia pode rasgar a outra gravitacionalmente, e a poeira e o gás, comum a ambas, choca. Neste confronto de titãs, pilares de poeira escura marcam enormes nuvens moleculares, comprimidas durante o encontro galáctico, provocando o rápido nascimento de milhões de estrelas, algumas das quais estão agrupadas gravitacionalmente em grandes enxames estelares.
 

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