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Edição n.º 1056
22/04 a 24/04/2014
 
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26.04.14 - DESCOBRINDO O SOL
14:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela, podendo incluir outras atividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente actual do Espaço.
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como director científico do Projecto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 08:52.
Júpiter, alto a Oeste ao anoitecer, forma o topo de um grande pentágono "esmagado", visto de lado, juntamente com outros marcos celestes. Para a esquerda de Júpiter está Procyon, para baixo de Procyon está Sirius, para a direita de Sirius e um pouco para baixo, Rigel (no pé de Orionte), e para cima de Rigel está Betelgeuse. Finalmente voltamos a Júpiter.

Dia 23/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objecto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: Assim que seja visível, olhe moderadamente baixo para Oeste-Noroeste (bem para baixo de Capella) em busca do enxame das Plêiades, com o tamanho da ponta do seu dedo à distância de um braço esticado. Durante quanto tempo, na Primavera, é que M45 será ainda visível antes que se perca no brilho do pôr-do-Sol?

Dia 24/04: 114.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1066, foi observado o cometa Halley
Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro ser humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1. 
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileno, que se acredita ser um planeta extrasolar habitável.
Observações: Trânsito de Io, entre as 20:42 e as 23:01.
Trânsito da sombra de Io, entre as 21:55 e as 00:14 (já de dia 25).
Ao amanhecer de amanhã (Sexta, dia 25), procure a Lua e Vénus, baixos a Este-Sudeste, separados por pouco mais de 7º. É uma boa oportunidade fotográfica!

 
CURIOSIDADES


Cientistas estimam que entre três e cinco estrelas nascem todos os anos dentro da nossa Via Láctea.

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM PRIMEIRO BINÁRIO DE "AUTO-LENTE"

O que parecia à primeira vista uma espécie de planeta de cabeça para baixo, em vez disso revelou um novo método para o estudo de sistemas estelares binários, descoberto por um estudante de astronomia da Universidade de Washington.

Trabalhando com o astrónomo Eric Agol da mesma universidade, o doutorando Ethan Kruse confirmou o primeiro sistema binário de "auto-lente" - um sistema onde a massa da estrela mais próxima pode ser medida pela forma como poderosamente amplia a luz da sua estrela companheira mais distante. Embora o nosso Sol esteja sozinho, cerca de 40% das estrelas do seu tipo encontram-se em sistemas binários (duas estrelas) ou múltiplos, orbitando as suas companheiras numa dança gravitacional.

A descoberta de Kruse confirma a previsão de um astrónomo que em 1973, com base em modelos de evolução estelar da época, afirmou que tal sistema deveria ser possível. O artigo de Kruse e Agol foi publicado na edição de 18 de Abril da revista Science.

Imagem do Sol, usada para simular o efeito de lente gravitacional de uma anã branca sobre uma estrela parecida à nossa.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tal como tantas descobertas interessantes, esta aconteceu em grande parte por acidente.

Os astrónomos detectam planetas demasiado longe para observação directa pelo escurecimento na luz quando um mundo passa em frente, ou transita, a sua estrela-mãe. Kruse procurava trânsitos que outros podiam ter perdido em dados do telescópio espacial Kepler, quando viu algo no sistema binário KOI-3278 que não fazia sentido.

"Encontrei o que essencialmente parecia ser um planeta virado de cabeça para baixo," comenta Kruse. "O que normalmente esperamos encontrar é uma diminuição de brilho, mas o que vemos neste sistema é basicamente o oposto - parece um anti-trânsito."

As duas estrelas de KOI-3278, a cerca de 2600 anos-luz na direcção da constelação de Lira, revezam-se uma à outra como estrela mais próxima da Terra (no contexto do sistema) à medida que se orbitam a cada 88,18 dias. Estão separadas por aproximadamente 69 milhões de quilómetros, mais ou menos a distância do planeta Mercúrio ao Sol (no afélio). A anã branca, uma estrela que se pensa estar no final da sua vida, tem o tamanho da Terra mas é 200.000 vezes mais massiva.

Este aumento no brilho, em vez da diminuição que Kruse esperava ver, era a anã branca que curvava e ampliava a luz da sua vizinha mais distante através de lentes gravitacionais, como se fosse uma lupa.

"A ideia base é bastante simples," realça Agol. "A gravidade deforma o espaço e o tempo e à medida que a luz viaja para nós, ela curva-se, muda de direcção. Assim, qualquer objecto gravitacional - qualquer coisa com massa - actua como uma lupa," apesar de fraca. "Precisamos de grandes distâncias para que seja eficaz."

Variação no "output" de luz de um sistema binário entre uma estrela tipo-Sol e uma anã branca. Quando a anã branca eclipsa a sua companheira, a sua gravidade amplia a luz, fazendo com que a estrela pareça ligeiramente mais brilhante.
Crédito: Eric Agol
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O facto mais interessante, neste caso, é que o efeito de lente gravitacional é tão forte que somos capazes de medir a massa da anã branca mais próxima. E em vez de se obter uma diminuição de brilho, obtemos um aumento graças à ampliação gravitacional."

Esta descoberta melhora pesquisas em 2013 pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, que detectaram um efeito de auto-lente semelhante, mas sem o aumento de brilho, porque as duas estrelas estudadas estavam muito mais próximas uma da outra.

"O efeito neste sistema é muito mais forte," realça Agol. "Quanto maior a distância, maior o efeito."

As lentes gravitacionais são ferramentas comuns na astronomia. Já foram usadas para detectar planetas em torno de estrelas distantes na Via Láctea, e foram dos primeiros métodos usados para confirmar a teoria geral da relatividade de Albert Einstein. Lentes dentro da Via Láctea, como esta, são chamadas de microlentes.

Mas, até agora, o processo tinha sido usado apenas em casos fugazes de uma estrela próxima e uma estrela distante, sem estarem associadas de outra forma, apenas alinhadas por sorte (a partir da perspectiva da Terra) antes de se separarem novamente.

"É muito improvável," acrescenta Agol. "À medida que essas duas estrelas viajam pela Galáxia, nunca voltarão a estar alinhadas, por isso vemos o efeito de microlente apenas uma vez e nunca mais se repete. Neste caso, porém, tendo em conta que as estrelas orbitam-se uma à outra, repete-se a cada 88 dias."

As anãs brancas são importantes para a astronomia e são usadas como indicadores da idade da Galáxia. Basicamente "brasas" de estrelas queimadas, as anãs brancas arrefecem a um ritmo específico ao longo do tempo. Com esta lente, os astrónomos podem aprender com muito mais precisão qual a sua massa e temperatura, e observações de acompanhamento podem revelar o seu tamanho.

Ao expandir o conhecimento das anãs brancas, os astrónomos ficam um passo mais perto de melhor refinar a idade da Via Láctea.

"Esta é uma conquista muito importante para um estudante de pós-graduação," realça Agol.

Os dois pediram tempo de observação com o Hubble para estudar KOI-3278 em mais detalhe, e para ver se existem outros sistemas binários como este à espera de serem descobertos nos dados do Kepler.

"Se ninguém viu este, podem também existir muitos outros que ninguém viu," conclui Kruse.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Washington (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science (requer subscrição)
PHYSORG
PHYSORG - 2
Scientific American
ars technica
AstroPT

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Sistemas binários:
Wikipedia

Anãs brancas:
Wikipedia
Centro Aeroespacial Goddard da NASA

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
MESSENGER COMPLETA 3000.ª ÓRBITA DE MERCÚRIO, DEFINE DATA PARA MAIOR APROXIMAÇÃO

No dia 20 de Abril, a sonda MESSENGER completou a sua 3000.ª órbita de Mercúrio e mudou-se para mais perto do planeta do que qualquer outra sonda, descendo até uma altitude de 199 km acima da superfície do planeta.

"Estamos cortando através do campo magnético de Mercúrio numa geometria diferente, e isso lançou uma nova luz sobre a população de electrões energéticos," realça Ralph McNutt, cientista do projecto MESSENGER, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, EUA. "Além disso, estamos agora passando mais tempo perto do planeta em geral - o que, por sua vez, aumentou as oportunidades de todos os instrumentos fazerem observações de alta-resolução do planeta."

A MESSENGER tem completado três órbitas [em torno de Mercúrio] por dia desde Abril de 2012, quando duas manobras de correcção orbitais reduziram o seu período orbital de 12 para 8 horas. A órbita mais curta permitiu à equipa científica explorar novas questões acerca da composição de Mercúrio, evolução geológica e ambiente, levantadas por descobertas feitas durante o primeiro ano de operações orbitais.

Impressão de artista da sonda MESSENGER em órbita de Mercúrio.
Crédito: NASA/JHU/APL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Carolyn Ernst, do mesmo laboratório, que lida com o instrumento MLA (Mercury Laser Altimeter), disse que a mudança de uma órbita de 12 horas para uma órbita de 8 horas forneceu à sua equipa 50% mais dados de altimetria. "A cobertura do MLA leva muito tempo a construir, e dado o tamanho reduzido do laser, é necessária uma grande cobertura para obter uma boa resolução espacial. Quantos mais dados adquirirmos, melhor conseguimos resolver a topografia do planeta," comenta. "A órbita de 8 horas também permitiu-nos obter mais medições da reflectividade, que têm fornecido pistas importantes para a caracterização em radar de brilhantes depósitos nas latitudes altas do norte."

A sonda tem ficado mais próxima de Mercúrio desde Março de 2013, quase à mesma altura que a sonda atingia uma altitude mínima por cima do pólo norte de Mercúrio.

David Lawrence, cientista que participa na missão MESSENGER, disse que está animado com o que as órbitas de baixa-altitude vão revelar sobre a composição da superfície de Mercúrio. "Até à data, as nossas medições da composição com dados raios-X e raios-gama resolveram apenas áreas muito grandes da superfície de Mercúrio. A altitudes de 100 km ou menos, a MESSENGER permitir-nos-á identificar as assinaturas composicionais de características geológicas específicas, que por sua vez vão ajudar-nos compreender como é que a superfície se formou e mudou ao longo do tempo."

O ponto da órbita, mais próximo da superfície, continuará a diminuir até à primeira manobra de correcção orbital da campanha de baixa altitude, marcada para o dia 17 de Junho.

"O último ano das operações orbitais da MESSENGER será uma missão completamente nova," acrescenta Sean Solomon, investigador principal da sonda, do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia. "Com cada órbita, as nossas imagens, as nossas medições da composição da superfície, e as nossas observações dos campos magnéticos e de gravidade do planeta serão de resolução cada vez maior. Seremos capazes de caracterizar pela primeira vez o ambiente de partículas perto da superfície de Mercúrio. Mercúrio tem teimosamente mantido bastantes segredos, mas muitos vão finalmente ser revelados."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
EarthSky

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Missão LADEE termina com impacto planeado na superfície da Lua (via NASA)
Os controladores da NASA confirmaram que a sonda LADEE colidiu com a Lua entre as 05:30 e as 06:22 do passado dia 17 de Abril. A missão não tinha combustível suficiente para manter uma órbita lunar de longo-termo ou continuar as suas operações científicas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Título da imagem
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HubbleSubaru; Composição e direitos de autor: Robert Gendler
 
É uma das galáxias mais massivas que se conhece. A uns meros 46 milhões de anos-luz de distância, a galáxia espiral NGC 2841 pode ser encontrada na direcção da constelação de Ursa Maior. Esta nítida imagem do esplêndido universo-ilha mostra um impressionante núcleo amarelado e um disco galáctico. Correntes de poeira, regiões pequenas e cor-de-rosa de formação estelar, e jovens enxames azulados encontram-se embebidos nos braços espirais irregulares e intimamente enrolados. Em contraste, muitas outras espirais exibem enormes braços arrebatadores com grandes regiões de formação estelar. NGC 2841 tem um diâmetro de mais de 150.000 anos-luz, ainda maior que a nossa própria Via Láctea e foi capturada nesta composição que junta exposições do Telescópio Espacial Hubble de 2,4 metros e do Telescópio Subaru (terrestre) com 8,2 metros. Imagens em raios-X sugerem que os ventos e explosões estelares resultantes criam plumas de gás quente que se estendem até um halo em torno de NGC 2841.
 

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