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Edição n.º 1062
13/05 a 15/05/2014
 
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31.05.14 - DESCOBRINDO O SOL
15h00 – 16h00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
A actividade consiste na observação do Sol em segurança, e tem por objectivo dar algumas características da nossa estrela, podendo incluir outras actividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar.

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/05: 133.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713, nascia Alexis Claude Clairaut, astrónomo, matemático e geofísico francês, conhecido pelo seu teorema de Clairaut, pela sua co-computação do regresso do Halley em 1759, entre outros.
Em 1733, num registo de um eclipse solar transmitido para a Sociedade Real, o astrónomo sueco Bigerus Vassenius torna-se na primeira pessoa a notar o brilho da Terra na Lua durante a totalidade.

Ele escreve que o seu telescópio, com um diâmetro focal de 6,4 metros, consegue observar algumas das principais características da Lua durante a obscuridade total.
Em 1861, o Grande Cometa de 1861 é descoberto por John Tebbutt em Windsor, Nova Gales do Sul, Austrália.
Observações: A Lua, praticamente Cheia, brilha perto de Saturno. "Encosta-se" 7,5º para a direita do planeta dos anéis. Para a Nova Zelândia e a maioria da Austrália, a Lua oculta Saturno.

Dia 14/05: 134.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1674, nascia Peder Horrebow, astrónomo holandês que inventou um método de determinar a latitude de um local a partir das estrelas, agora conhecido como Método Horrebow-Talcott.
Em 1861, um meteorito condrito de 859 gramas atinge a Terra perto de Barcelona e é apelidado de meteorito Canellas.
Em 1973, lançamento da primeira estação espacial americana, a Skylab.

É a última descolagem do foguetão Saturno V.
Observações: Lua Cheia, pelas 20:16. Para cima e para a direita, temos Saturno (a cerca de 6º). Quando a Lua já estiver alta, procure Antares e outras estrelas de Escorpião um pouco para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 15/05: 135.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de Março mas rejeitou a ideia pós ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de Agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa, que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.

É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888.
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografia, magnetismo, piezoelectricidade e radioactividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel, juntamente com a sua mulher, Marie Curie, e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Em 2013, o rover Opportunity quebra o recorde da maior distância já percorrida noutro mundo, desde o soviético Lunokhod 2 em 1973.
Observações: A brilhante estrela Acturo domina o céu a Este estas noites. É uma estrela tão familiar, mas na realidade é quase uma desconhecida. Está apenas a 37 anos-luz de distância, mas a sua alta velocidade, em comparação com a maioria das estrelas na nossa vizinhança, significa que está apenas a passar pela nossa parte da Galáxia. De facto, Arcturo parece ser parte de uma corrente estelar dispersa e de alta-velocidade, o último elemento identificável de uma antiga galáxia anã que se fundiu com a Via Láctea.

 
CURIOSIDADES


A partir de baixa órbita terrestre (entre 250-560 km), várias construções feitas pelo Homem são visíveis: aeroportos, pontes, barragens e auto-estradas. A Grande Muralha da China, um dos feitos da Humanidade que ficou bastante famoso por se afirmar que era visível do espaço mesmo antes da era espacial, é na realidade muito ténue e apenas observável sob condições perfeitas (clique na imagem para discernir como se vê a Muralha do espaço).

 
ASTRÓNOMOS ENCONTRAM HÁ MUITO PERDIDA "IRMÃ DO SOL", ABREM CAMINHO PARA REUNIÃO FAMILIAR

Uma equipa de investigadores liderada pelo astrónomo Ivan Ramirez da Universidade do Texas em Austin, EUA, identificou a primeira "irmã" do Sol - uma estrela que quase certamente nasceu da mesma nuvem de gás e poeira que a nossa. Os métodos de Ramirez vão ajudar os astrónomos a encontrar outras irmãs solares, o que poderá levar a um melhor entendimento de como e onde o nosso Sol se formou, e também como o nosso Sistema Solar tornou-se hospitaleiro para a vida. O trabalho será publicado na edição de 1 de Junho da revista The Astrophysical Journal.

"Queremos saber onde nascemos," afirma Ramirez. "Se pudermos descobrir em que parte da Galáxia o Sol foi formado, podemos restringir as condições no início do Sistema Solar. E isso pode ajudar-nos a compreender porque é que estamos aqui."

Adicionalmente, existe uma hipótese, "pequena, mas não é zero", diz Ramirez, que estas irmãs solares possam abrigar vida. Nos seus primeiros dias dentro do enxame onde nasceram, explica, as colisões podem ter projectado pedaços de planetas, e estes fragmentos podem ter viajado entre sistemas solares, e talvez até possam ter sido responsáveis por trazer a vida primitiva à Terra. "Por isso, pode-se argumentar que as irmãs do Sol são candidatas-chave na busca por vida extraterrestre," afirma Ramirez.

A irmã do Sol, HD 162826, não é visível a olho nu, mas pode ser vista com binóculos perto da brilhante estrela Vega.
Crédito: Ivan Ramirez/Tim Jones/Observatório McDonald
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A irmã que a equipa identificou é chamada HD 162826, uma estrela 15% mais massiva que o Sol, localizada a 110 anos-luz de distância na direcção da constelação de Hércules. A estrela não é visível a olho nu, mas pode ser facilmente observada com binóculos, não muito longe da brilhante estrela Veja (em Lira).

A equipa identificou HD 162826 como irmã do Sol ao seguir 30 possíveis candidatas descobertas por vários grupos espalhados pelo globo, à procura das irmãs do Sol. A equipa de Ramirez estudou em profundidade 23 destas estrelas com o Telescópio Harlan J. Smith do Observatório McDonald, e as estrelas restantes (visíveis apenas do Hemisfério Sul) com o Telescópio Magalhães do Observatório Las Campanas no Chile. Todas estas observações usaram espectroscopia de alta-resolução para obter uma compreensão profunda da composição química das estrelas.

Mas são necessários vários factores para realmente descobrir uma irmã do Sol, acrescenta Ramirez. Além da análise química, a equipa também incluiu informações sobre as órbitas das estrelas - onde foram e para onde estão indo nos seus percursos em redor do centro da nossa Via Láctea. Tendo em consideração tanto a química como as órbitas, os cientistas reduziram o campo das candidatas até apenas uma: HD 162826.

Ninguém sabe se esta estrela contém planetas potencialmente habitáveis. Mas por "sorte e coincidência", afirma Ramirez, a equipa de Pesquisa Planetária do Observatório McDonald já observa HD 162826 há mais de 15 anos. Os estudos de Michael Endl e William Cochran, da Universidade do Texas, bem como os cálculos de Rob Wittenmyer da Universidade de Nova Gales do Sul, descartaram quaisquer planetas gigantes numa órbita próxima da estrela (os chamados Júpiteres quentes) e indicam que é improvável existir um análogo de Júpiter em órbita. Os estudos não excluem a presença de planetas terrestres mais pequenos.

A irmã do Sol, HD 162826.
Crédito: Universidade do Texas, Ivan Ramirez
 

A descoberta de uma única irmã solar é intrigante, mas Ramirez salienta que o projecto tem um propósito maior: criar um roteiro de como identificar irmãs do Sol, em preparação para o dilúvio de dados esperados em breve de estudos como o Gaia, a missão da ESA para criar o maior e mais preciso mapa tridimensional da Via Láctea.

Os dados do Gaia "não vão ser limitados à vizinhança solar," comenta Ramirez, realçando que o observatório espacial vai fornecer distâncias precisas e movimentos próprios para mil milhões de estrelas, o que permite aos astrónomos procurarem irmãs solares até ao centro da nossa Galáxia. "O número de estrelas que podemos estudar vai aumentar por um factor de 10.000," salienta Ramirez.

Ele diz que o roteiro da sua equipa irá acelerar o processo de filtragem de potenciais irmãs solares.

"Não compensa investir muito tempo em analisar todos os detalhes de cada estrela," afirma. "Podemos concentrar-nos em certos elementos químicos fundamentais que serão muito úteis." Estes elementos são aqueles que variam muito entre as estrelas, que de outra forma têm composições químicas muito similares. Estes elementos químicos altamente variáveis são em grande parte dependentes de onde na Galáxia a estrela se formou. A equipa de Ramirez identificou os elementos bário e ítrio como particularmente úteis.

Assim que sejam identificadas mais irmãs do Sol, os astrónomos estarão um passo mais perto de saber onde e como este se formou. Para alcançar esse objectivo, os especialistas da dinâmica farão modelos que executam as órbitas de todas as irmãs solares para trás no tempo em ordem a descobrir onde se intersectam: o seu local de nascimento.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Texas (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Observatório McDonald
PHYSORG
Universe Today
Nature World News
Discovery News
redOrbit
UPI
io9

HD 162826:
Wikipedia

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Sol (Wikipedia)
Formação e evolução do Sistema Solar (Wikipedia)

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - T Tauri e a Nebulosa Variável de Hind
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bill Snyder (nos Sierra Remote Observatories)
 
A estrela amarelada perto do centro desta paisagem telescópica empoeirada é T Tauri, protótipo da classe de estrelas variáveis T Tauri. Logo ao lado está a nuvem cósmica historicamente conhecida como Nebulosa Variável de Hind (NGC 1555). A mais de 400 anos-luz de distância, na orla de uma nuvem molecular que seria de outra forma invisível, tanto a estrela como a nebulosa variam significativamente em brilho mas não necessariamente ao mesmo tempo, o que só aumenta o mistério em torno desta região intrigante. As estrelas T Tauri são agora reconhecidas como jovens (com apenas alguns milhões de anos) estrelas do género do Sol, ainda em estágios iniciais de formação. Para complicar ainda mais o cenário, as observações infravermelhas indicam que a própria T Tauri faz parte de um sistema múltiplo e sugerem que a Nebulosa Hind associada possa também conter um objecto estelar muito jovem. A imagem, naturalmente colorida, abrange cerca de 7 anos-luz à distância estimada de T Tauri.
 

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