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Edição n.º 1068
03/06 a 05/06/2014
 
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06/06/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

21/06/14 - SOLSTÍCIO DE VERÃO
13:00 – 14:00 - No Solstício de Verão, vamos recriar a medição do tamanho da Terra de uma forma semelhante àquela usada por Eratóstenes em 240 a.C. Juntamente faremos observações do disco solar com telescópio. Uma experiência e um pouco de matemática, para comemorar a chegada do Verão!

Público: Público em geral, local: CCVAlg
(dependente de meteorologia favorável)

28/06/14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
A actividade consiste na observação do Sol em segurança, e tem por objectivo dar algumas características da nossa estrela, podendo incluir outras actividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar.

 
EFEMÉRIDES

Dia 03/06: 154.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias. Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez na história dos EUA, num passeio que durou aproximadamente 20 minutos.

Observações: Esta noite, para cima da Lua temos a estrela Régulo e Gamma Leonis, ligeiramente mais ténue. São as estrelas mais brilhantes da "foice" de Leão.

Dia 04/06: 155.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 781 a.C. era registado pela primeira vez um eclipse solar total na China. 
Em 1769, um trânsito de Vénus é seguido cinco horas depois de um eclipse solar total, o intervalo de tempo mais curto para tais eventos na História.
Em 1783, os irmãos Montgolfier elevavam-se pela primeira vez no ar a bordo do seu balão de ar quente. 

Em 1996, o primeiro lançamento do Ariane 5, que explode após 20 segundos de voo. Transportava o satélie Cluster.
Em 2010, voo inaugural do Falcon 9, o foguetão da companhia SpaceX, lançado a partir de do Complexo de Lançamento Espacial 40, em Cabo Canaveral.
Observações: À medida que as estrelas surgem, Régulo e a foice de Leão encontram-se agora para a direita da Lua.

Dia 05/06: 156.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1819, nascia John Couch Adams, astrónomo e matemático inglês. É famoso por prever a existência e posição de Neptuno, usando apenas a matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias entre a órbita de Urano e as leis de Kepler e Newton. Ao mesmo tempo, para seu desconhecimento, os cálculos foram também feitos por Urbain Le Verrier, que ajudaria à localização do planeta em 1846.
Em 1965, nascia Michael E. Brown, cuja equipa descobriu muitos objectos trans-neptunianos, incluindo o planeta anão Éris, o único objecto desta categoria mais massivo que Plutão. Refere-se a ele próprio como o homem que "matou Plutão", pois ajudou à sua demoção de planeta principal para anão.
Em 1995, é criado pela primeira vez um concentrado Bose-Einstein.

Em 2012, começa o último trânsito de Vénus do século XXI.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 21:39.
Cassiopeia geralmente faz lembrar "frio!", no final de Outono e Inverno, quando esta famosa constelação está alta (para latitudes médias norte), mas mesmo nas quentes noites de Junho, encontra-se visível bem baixa. Após o anoitecer, procure-a perto do horizonte a Norte, com a sua forma de W. Quanto mais para Norte se encontra, mais alta aparece.

 
CURIOSIDADES


A Lua Cheia nasce sempre ao pôr-do-Sol e põe-se ao nascer-do-Sol.

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM UM NOVO TIPO DE PLANETA: "MEGA-TERRA"

Astrónomos anunciaram ontem a descoberta de um novo tipo de planeta - um mundo rochoso com 17 vezes a massa da Terra. Os teóricos pensavam que tal mundo não poderia existir porque algo tão pesado agarraria hidrogénio à medida que crescia e tornar-se-ia num gigante gasoso como Júpiter. Este planeta, porém, é sólido e muito maior que as "super-Terras" previamente descobertas, tornando-se numa "mega-Terra".

"Ficámos muito surpresos quando percebemos o que havíamos encontrado," afirma o astrónomo Xavier Dumusque do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA), que liderou a análise de dados e fez a descoberta.

"Este é o Godzilla das Terras!", acrescenta Dimitar Sasselov, investigador do CfA, director da Iniciativa Origens da Vida em Harvard. "Mas ao contrário do monstro do filme, Kepler-10c tem implicações positivas para a vida."

A conclusão da equipa foi apresentada ontem numa conferência de imprensa durante uma reunião da Sociedade Astronómica Americana (AAS).

Impressão de artista que mostra o sistema Kepler-10, o lar de dois planetas rochosos. Em primeiro plano está Kepler-10c, um planeta que tem 17 vezes a massa da Terra e mais do dobro do seu tamanho. Esta descoberta é um desafio para os teóricos da formação planetária, que tentam explicar como é que pode ter-se formado.
Crédito: Centro Harvard-Smithonian para Astrofísica/David Aguilar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A recém-descoberta mega-Terra, Kepler-10c, orbita uma estrela como o Sol a cada 45 dias. Está localizada a cerca de 560 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Dragão. O sistema também contém um "mundo de lava" com três vezes a massa da Terra, Kepler-10b, com um período de translação notavelmente rápido de 20 horas.

Kepler-10c foi originalmente descoberto pelo Kepler da NASA. O Kepler descobre planetas usando o método de trânsito, procurando uma estrela que tem o seu brilho diminuído quando um planeta passa à sua frente. Ao medir a quantidade de escurecimento, os astrónomos podem calcular o tamanho físico ou diâmetro do planeta. No entanto, o Kepler não consegue dizer se o planeta é rochoso ou gasoso.

Sabia-se que Kepler-10c tinha 2,3 vezes o diâmetro da Terra. Isto sugeria que se encontrava numa categoria de planetas conhecidos como mini-Neptunos, que têm invólucros densos e gasosos.

A equipa usou o instrumento HARPS-Norte no Telescópio Nazionale Galileo (TNG) nas Ilhas Canárias para medir a massa de Kepler-10c. Descobriram que tinha 17 vezes a massa da Terra - muito mais do que o esperado. Isto mostrou que Kepler-10c devia ter uma composição densa de rochas e outros sólidos.

"Kepler-10c não perdeu a sua atmosfera ao longo do tempo. É massivo o suficiente para ter mantido uma, se alguma vez teve," explica Dumusque. "Deve ter-se formado do modo como o vemos agora."

As teorias de formação planetária têm dificuldades em explicar como um mundo tão grande e rochoso pode ter-se desenvolvido. No entanto, um novo estudo observacional sugere que não está sozinho.

Também apresentado na reunião da AAS, o astrónomo do CfA Lars A. Buchhave descobriu uma correlação entre o período de um planeta (o tempo que leva para orbitar a sua estrela) e o tamanho em que um planeta transita de rochoso para gasoso. Isto sugere que serão encontradas mais mega-Teras à medida que os caçadores exoplanetários estendem os seus dados para órbitas de período mais longo.

A descoberta de que Kepler-10c é uma mega-Terra também tem implicações profundas para a história do Universo e a possibilidade de vida. O sistema Kepler-10 tem cerca de 11 mil milhões de anos, o que significa que se formou menos de 3 mil milhões de anos após o Big Bang.

O Universo jovem continha apenas hidrogénio e hélio. Os elementos mais pesados, necessários para produzir planetas rochosos, como o silício e ferro, tiveram que ser criados nas primeiras gerações de estrelas. Quando essas estrelas explodiram, espalharam estes ingredientes cruciais pelo espaço, que foram então incorporados em gerações posteriores de estrelas e planetas.

Este processo deveria ter levado milhares de milhões de anos. No entanto, kepler-10c mostra que o Universo era capaz de formar estas rochas enormes mesmo durante a altura em que os elementos pesados eram escassos.

"A descoberta de Kepler-10c diz-nos que os planetas rochosos poderiam formar-se muito mais cedo do que pensávamos. E se podemos fazer rochas, podemos fazer vida," afirma Sasselov.

Esta pesquisa sugere que os astrónomos não devem excluir estrelas velhas quando procurarem planetas semelhantes à Terra. E se as estrelas velhas também podem hospedar planetas rochosos, então nós temos uma melhor hipótese de localizar mundos potencialmente habitáveis na nossa vizinhança cósmica.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
New Scientist
EarthSky
PHYSORG
Discover
gizmag
sky NEWS
io9
AstroPT

Kepler-10:
Wikipedia
Kepler-10b (Wikipedia)
Kepler-10c (Wikipedia)
Kepler-10c (Exoplanet.eu)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
100 MILHÕES DE PLANETAS NA NOSSA GALÁXIA PODEM ALBERGAR VIDA COMPLEXA

De acordo com um estudo publicado a semana passada por dois cientistas anteriormente da Universidade do Texas em El Paso (UTEP) e colegas na sua revista online, Challenges, o número de planetas em que a vida complexa poderá existir na Via Láctea poderá ser tão alto quanto 100 milhões.

Segundo o autor principal do artigo já revisto por pares, o Dr. Louis Irwin, Professor Emérito e ex-presidente do departamento de Ciências Biológicas da UTEP, "isto constitui a primeira estimativa quantitativa do número de mundos na nossa Galáxia que podem abrigar vida acima do nível microbiano, com base em dados objectivos."

Irwin e colegas examinaram a lista crescente de mais de um milhar de exoplanetas conhecidos (planetas noutros sistemas estelares). Usando uma fórmula que considera a densidade planetária, temperatura, substrato (líquido, sólido ou gasoso), a química, a distância da sua estrela central, e idade, a equipa de Irwin calculou um "índice de complexidade biológica (ICB)", que classifica os planetas numa escala de 0 a 1,0 de acordo com o número e grau de características assumidas como importantes para o suporte de múltiplas formas de vida multicelular.

Muitos mundos com vida complexa.
Crédito: PHL @UPR Arecido, NASA, Richard Wheeler @ Zephyris
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O cálculo do ICB revelou que 1 a 2 por cento dos exoplanetas mostrou uma classificação superior à de Europa, uma lua de Júpiter que se pensa ter um oceano global abaixo da superfície que poderá abrigar formas diferentes de vida. Com base numa estimativa muito conservadora de 10 mil milhões de estrelas na Via Láctea, e assumindo uma média de um planeta por estrela, isto gera o número de 100 milhões. Poderia ser 10 vezes maior, se considerarmos um número maior de estrelas na nossa Galáxia.

Irwin salientou que o estudo não indica que a vida complexa existe em assim tantos planetas - apenas que as condições planetárias para o seu suporte existem. Também observa que vida complexa não significa vida inteligente (embora não a descarte), ou mesmo vida animal, mas simplesmente que organismos maiores e mais complexos que os micróbios poderiam existir num número de diferentes formas, provavelmente formando teias alimentares estáveis, como aquelas encontradas nos ecossistemas da Terra.

"Outros cientistas têm tentado fazer suposições educadas sobre a frequência de vida noutros mundos com base em palpites hipotéticos, mas este é o primeiro estudo que se baseia em dados observáveis de corpos planetários reais para lá do nosso Sistema Solar," acrescenta Irwin.

Apesar do grande número absoluto de planetas que possam abrigar vida complexa, a Via Láctea é tão grande que, estatisticamente, planetas com valores altos de ICB estão muito distantes uns dos outros. Um dos sistemas extrasolares mais próximos e promissores, conhecido como Gliese 581, tem possivelmente dois planetas com a capacidade aparente para albergar biosferas complexas, mas a distância entre o Sol e Gliese 581 é de cerca de 20 anos-luz. Um ano-luz é a distância que a luz percorre num ano.

Complexidade biológica (BCIrel) relativamente a parecença com a Terra (ESI), para planetas do Sistema Solar (quadrados cor-de-laranja) e satélites (quadrados amarelos), e para 365 exoplanetas para qual o BCIrel > 0. A vasta maioria dos exoplanetas conhecidos até à data são gigantes gasosos (círculos verdes), mas os que têm maiores valores de BCI são provavelmente mundos rochosos com água (círculos roxos).
Crédito: Irwin et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A maioria dos planetas com um alto ICB está muito mais longe. Se os 100 milhões de planetas que a equipa de Irwin diz terem a capacidade teórica para hospedar vida complexa estiverem distribuídos aleatoriamente por toda a Galáxia, estariam em média a cerca de 24 anos-luz de distância entre si.

"Por um lado," conta Irwin, "parece altamente improvável que estejamos sozinhos. Por outro, estamos provavelmente tão longe de outras formas de vida ao nosso nível de complexidade, que um encontro com tais formas alienígenas é extremamente improvável no futuro próximo."

Os co-autores do estudo incluem Dirk Schulze-Makuch, ex-professor adjunto de Ciências Geológicas da UTEP, agora na Universidade Estatal de Washington, Alberto Fairén da Universidade Cornell, e Abel Méndez, da Universidade de Porto Rico em Arecibo. Há dois anos atrás, estes mesmos cientistas fizeram parte da equipa que publicou um "Índice de Similaridade com a Terra (IST)", que classifica exoplanetas também numa escala de 0 a 1,0, de acordo com a sua parecença com a Terra.

Não surpreendentemente, os valores mais elevados de ICB tendem a ser correlacionados com os valores mais elevados de IST, mas há algumas excepções. "Os planetas com os maiores valores de ICB tendem a ser maiores, mais quentes, e mais antigos que a Terra," afirma Irwin, "de modo que qualquer busca de vida complexa e inteligente que está restrita apenas para planetas como a Terra, ou para a vida como a conhecemos na Terra será, provavelmente, demasiado redutora."

Links:

Notícias relacionadas:
Planetary Habitability Laboratory (comunicado de imprensa)
WSU News (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Air & Space magazine

Gliese 581:
Wikipedia
Exoplanet.eu
Gliese 581b (Wikipedia)
Gliese 581c (Wikipedia)
Gliese 581d (Wikipedia)
Gliese 581e (Wikipedia)
Gliese 581f (Wikipedia)
Gliese 581g (Wikipedia)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa Planetária Abell 36
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam BlockMt. Lemmon SkyCenterUniv. Arizona
 
O lindo manto gasoso de uma moribunda estrela como o Sol, neste caso a nebulosa planetária Abell 36, encontra-se a uns 800 anos-luz de distância na direcção da constelação de Virgem. A esta distância cobre aproximadamente 1,5 anos-luz nesta imagem telescópica. Expelindo as suas camadas exteriores, a estrela central da nebulosa está contraindo e tornando-se mais quente, evoluindo para a sua fase final de anã branca. De facto, em Abell 36, a estrela central tem uma temperatura superficial estimada em 73.000 graus Celsius, em comparação com os actuais 5500 graus Celsius do Sol. Como resultado, a estrela intensamente quente é muito mais brilhante no ultravioleta, em comparação com o seu aspecto visual aqui. A luz ultravioleta ioniza os átomos de hidrogénio e oxigénio na nebulosa e, finalmente, alimenta o lindo brilho visto no visível.
 

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