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Edição n.º 1075
27/06 a 30/06/2014
 
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28/06/14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
A actividade consiste na observação do Sol em segurança, e tem por objectivo dar algumas características da nossa estrela, podendo incluir outras actividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar.

 
EFEMÉRIDES

Dia 27/06: 178.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949 foi descoberto o asteróide Ícaro, a partir de um telescópio de 48 polegadas, que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteróide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta.
Em 1982 era lançada a missão STS-4 do vaivém Columbia.

Em 2013, a NASA lança o IRIS, uma sonda para observar o Sol.
Observações: Lua Nova, pelas 09:10.
Esta é a altura do ano em que a Ursa Menor flutua mesmo por cima da Polar (o fim da sua "pega") - com um balão preso a um fio, que escapou durante uma festa de Verão. Olhe para Norte.

Dia 28/06: 179.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caíram na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Observações: Onde vive, consegue ver o enxame estelar de Cabeleira de Berenice? Será que é a poluição luminosa que o esconde ou apenas não sabe para onde olhar? Está a 2/5 do caminho entre Denebola (a cauda de Leão) e o fim da "pega" da Ursa Maior. Os seus membros mais brilhantes formam um Y invertido. O enxame mede cerca de 5' - um brilho largo mas ténue, pelo menos sob um céu moderadamente escuro. Preenche quase um campo de visão binocular.

Dia 29/06: 180.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1818, nascia Angelo Secchi, astrónomo italiano. Foi Director do Observatório da Universidade Gregoriana Pontifical durante 28 anos. Foi um pioneiro na espectroscopia astronómica, um dos primeiros cientistas a afirmar autoritariamente que o Sol era uma estrela.
Em 1868, nascia George Hale, astrónomo solar americano.

Foi quem sugeriu a Einstein (após este lhe ter perguntado) que a sua teoria da curvatura da luz devido à gravidade só poderia ser testada durante um eclipse solar total do Sol.
Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático russo e soviético. É famoso por ser pioneiro ao afirmar que o Universo estava em expansão, dispondo de um conjunto de equações que desenvolveu, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir
Observações: Agora que Junho está prestes a dar a vez a Julho, o Bule de Chá de Sagitário está visível baixo a Sudeste após o anoitecer.

Dia 30/06: 181.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, Albert Einstein publica o artigo "Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento", no qual introduz a relatividade especial.
Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.

Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas da Salyut 1. A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula. Permanecem os únicos humanos a não ter morrido na Terra.
Em 1972, é adicionado o primeiro segundo ao sistema UTC
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.
Observações: A estrela mais brilhante a Este nestas noites é Vega. Para a sua esquerda e para baixo, temos Deneb. Mais para a direita encontra-se Altair. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão.

 
CURIOSIDADES


A missão "Time Capsule to Mars" (TC2M), é um projecto que se apoia em doações e que usará "CubeSats" para transportar messagens de dezenas de milhões de pessoas, de todos os cantos da Terra (em texto, áudio e vídeo), numa "cápsula do tempo" topo-de-gama até Marte. É a primeira missão liderada por estudantes ao Planeta Vermelho. Visite o site.

 
SUPER-TERRA VIZINHA À DISTÂNCIA IDEAL MAS COM CONDIÇÕES EXTREMAS
Representação artística da super-Terra potencialmente habitável, Gliese 832c, com um pano de fundo que contém uma imagem verdadeira da sua estrela, obtida a 25 de Junho.
Crédito: Efraín Morales Rivera, Astronomical Society of the Caribbean, PHL @ UPR Arecibo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um mundo recém-descoberto poderá ser capaz de sustentar vida - e está a "poucos passos" da Terra de um ponto de vista cósmico.

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um exoplaneta na zona habitável da estrela Gliese 832 - a gama de distâncias que podem permitir a existência de água líquida à superfície de um planeta. Conhecido como Gliese 832c, situa-se a 16 anos-luz da Terra (em comparação, a nossa Galáxia mede cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro; a estrela mais próxima da Terra [além do Sol], Proxima Centauri, está a 4,2 anos-luz de distância).

Gliese 832c é uma "super-Terra" com pelo menos cinco vezes a massa do nosso planeta, e completa uma órbita em torno da sua estrela-mãe a cada 36 dias. Mas essa estrela é uma anã vermelha, muito mais ténue e fria que o nosso Sol, por isso Gliese 832c recebe aproximadamente a mesma energia estelar que a Terra, apesar de orbitar muito mais perto.

De facto, segundo uma medida normalmente usada, Gliese 832c é um dos três exoplanetas mais semelhantes à Terra já descobertos, comenta Abel Mendez Torres, director do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico em Arecibo.

O Catálogo de Exoplanetas Habitáveis tem agora 23 objectos de interesse, incluindo Gliese 832c, o mais próximo da Terra dos três mais parecidos com a Terra.
Crédito: PHL @ UPR Arecibo
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"O Índice de Similaridade com a Terra (ESI, Earth Similarity Index) de Gliese 832c (ESI=0,81) é comparável com Gliese 667Cc (ESI=0,84) e Kepler-62e (ESI=0,83)," escreveu Mendez num blog. Uma gémea perfeita da Terra teria um ESI de 1.

"Isto torna Gliese 832c um dos três planetas mais parecidos com a Terra, de acordo com o ESI (isto é, com respeito ao fluxo estelar e massa da Terra) e o mais próximo da Terra dos três - um objecto ideal para observações de acompanhamento," acrescenta.

A equipa liderada por Robert Wittenmyer, da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália, descobriu Gliese 832c ao notar pequenas oscilações que a gravidade do planeta provocava no movimento da sua estrela hospedeira.

Observaram estas oscilações em dados recolhidos por três instrumentos diferentes - o Espectrógrafo Echelle da University College London acoplado ao telescópio Anglo-Australiano na Austrália, o PFS (Planet Finder Spectrograph) de Carnegie acoplado ao telescópio Magalhães II no Chile e o espectrógrafo HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), que faz parte do telescópio de 3,6 metros do Observatório La Silla do ESO no Chile.

Análise orbital de Gliese 832c, um mundo potencialmente habitável em torno da anã vermelha Gliese 832. Gliese 832c orbita a fronteira interior da zona habitável (estimativa conservadora).
Crédito: PHL @ UPR Arecibo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Gliese 832c é o segundo planeta a ser descoberto em torno da estrela Gliese 832. O outro, Gliese 832b, foi descoberto em 2009; é um gigante gasoso que orbita muito mais longe da estrela, completando uma órbita em aproximadamente 9 anos.

"Até agora, os dois planetas de Gliese 832 são uma versão reduzida do nosso próprio Sistema Solar, com um planeta potencialmente tipo-Terra mais interior, e um planeta gigante mais exterior, parecido com Júpiter," acrescenta Mendez.

No entanto, de momento não se sabe quão Gliese 832c se assemelha com a Terra. De facto, os seus descobridores pensam que o mundo recém-descoberto pode ser mais parecido com Vénus, com uma espessa atmosfera que levou a um efeito estufa descontrolado.

"Dada a grande massa do planeta, parece provável que tenha uma grande atmosfera, o que pode tornar o planeta inóspito," escreve Wittenmyer e sua equipa no artigo científico, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. "Na verdade, é mais provável que GJ [Gliese] 832c seja um 'super-Vénus', com um significativo efeito estufa."

Links:

Notícias relacionadas:
PHL (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG

Gliese 832c:
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Anglo-Australiano:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

Observatório de La Silla:
ESO
Telescópio de 3,6 metros (ESO)
Wikipedia

 
MISTERIOSO SINAL DE RAIOS-X APONTA PARA MATÉRIA ESCURA

Astrónomos usando observatórios de alta-energia da ESA e da NASA descobriram uma pista tentadora que aponta para um ingrediente indescritível do nosso Universo: a matéria escura.

Embora se pense ser invisível, nem emitindo nem absorvendo luz, a matéria escura pode ser detectada por meio da sua influência gravitacional sobre os movimentos e aparência de outros objectos no Universo, como estrelas ou galáxias.

Com base nesta evidência indirecta, os astrónomos acreditam que a matéria escura é o tipo dominante de matéria no Universo - mesmo assim, permanece obscura.

Agora, uma dica pode ter sido descoberta ao estudar enxames galácticos, os maiores aglomerados cósmicos de matéria, unidos pela gravidade.

Os enxames de galáxias contêm não somente centenas de galáxias, mas também uma grande quantidade de gás quente que preenche o espaço entre elas.

Um novo estudo do enxame galáctico de Perseu, visto aqui na imagem, e outros usando o Chandra e o XMM-Newton, revelou um misterioso sinal de raios-X nos dados. O sinal é também visto em mais de 70 outros aglomerados de galáxias com o XMM-Newton. O sinal desconhecido requer mais investigações para confirmar tanto a sua existência como a sua natureza, mas uma possibilidade é que representa o decaimento dos "neutrinos estéreis", um candidato proposto para a explicação da matéria escura.
Crédito: Chandra: NASA/CXC/SAO/E. Bulbul, et al.; XMM: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, a medição da influência gravitacional destes agregados mostra que as galáxias e o gás constituem cerca de um-quinto da massa total - pensa-se que o resto seja matéria escura.

O gás é principalmente hidrogénio e, a mais de 10 milhões de graus Celsius, é quente o suficiente para emitir raios-X. Traços de outros elementos contribuem com "linhas" adicionais na mesma gama e em comprimentos de onda específicos.

Ao examinar observações, pelo XMM-Newton da ESA e pelo Chandra da NASA, destas linhas características em 73 enxames galácticos, os astrónomos tropeçaram numa linha intrigante e ténue num comprimento de onda onde nada tinha sido visto antes.

"Se este sinal estranho tivesse sido provocado por um elemento conhecido presente no gás, deveria ter deixado outros sinais na radiação em raios-X em outros comprimentos de onda conhecidos, mas nenhum deles foi descoberto," afirma a Dra. Esra Bulbul do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano do Massachusetts, autor principal do artigo que discute os resultados.

"Por isso tivemos que procurar uma explicação para lá do reino da matéria normal e conhecida."

Os astrónomos sugerem que a emissão pode ser criada pelo decaimento de um tipo exótico de partícula subatómica conhecida como "neutrino estéril", que está prevista mas que ainda não foi detectada.

Os neutrinos comuns são partículas com muito pouca massa que interagem apenas raramente com a matéria através da chamada força nuclear fraca, bem como por meio da gravidade. Pensa-se que os neutrinos estéreis interagem com a matéria comum apenas através da gravidade, tornando-os num possível candidato à matéria escura.

"Se a interpretação das nossas observações estiver correcta, os neutrinos estéreis podem constituir pelo menos parte da matéria escura nos enxames galácticos", afirma a Dra. Bulbul.

O sinal descoberto é visto aqui dentro do círculo no gráfico da imagem acima. A linha de emissão em raios-X - um aumento de intensidade que ronda os 3,56 keV - requer mais investigações para confirmar tanto a sua existência como a sua natureza, mas uma possibilidade é que representa o decaimento dos "neutrinos estéreis", um candidato proposto para a explicação da matéria escura.
Crédito: NASA/CXC/SAO/E. Bulbul, et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os aglomerados de galáxias estudados situam-se numa ampla gama de distâncias, desde mais de uma centena de milhões de anos-luz até alguns milhares de milhões de anos-luz. O sinal fraco e misterioso foi descoberto ao combinar observações múltiplas dos enxames, bem como uma imagem individual do enxame de Perseu, uma estrutura gigantesca na nossa vizinhança cósmica.

Esta descoberta pode ter bastantes implicações, mas os cientistas estão sendo cautelosos. São necessárias mais observações de enxames com o XMM-Newton, com o Chandra e com outros telescópios de alta-energia, antes que a ligação com a matéria escura possa ser confirmada.

"A descoberta destes raios-X curiosos foi possível graças ao grande arquivo do XMM-Newton, e à capacidade do observatório em recolher grandes quantidades de raios-X em diferentes comprimentos de onda, levando a esta linha anteriormente desconhecida," comenta Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton da ESA.

"Seria extremamente emocionante confirmar que o XMM-Newton ajudou a encontrar o primeiro sinal directo da matéria escura."

"Não estamos lá ainda, mas certamente vamos aprender muito sobre o conteúdo do nosso Universo bizarro até lá chegarmos."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo na revista The Astrophysical Journal (requer subscrição)
Universe Today
Astronomy
NewScientist
SPACE.com
PHYSORG
EarthSky
redOrbit
science 2.0
UPI

Matéria escura:
Wikipedia

Neutrino estéril:
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
BLOCOS DE CONSTRUÇÃO DE TITÃ PODEM ANTECEDER SATURNO

Um estudo financiado pela NASA e pela ESA encontrou evidências firmes de que o azoto na atmosfera da lua de Saturno, Titã, teve origem em condições similares ao berço frio dos cometas mais antigos da nuvem de Oort. A descoberta põe de lado a possibilidade dos blocos de construção de Titã terem sido produzidos dentro do disco quente de material que se pensa ter cercado o jovem planeta Saturno durante a sua formação.

A principal implicação desta nova pesquisa é que os blocos de construção de Titã formaram-se no início da história do Sistema Solar, no frio disco de gás e poeira que formou o Sol. Este foi também o local do nascimento de muitos cometas, que retêm ainda hoje uma composição primitiva ou praticamente inalterada.

A investigação, liderada por Kathleen Mandt do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio, EUA, foi publicada esta semana na revista Astrophysical Journal Letters. Os co-autores incluem colegas do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e do Observatório de Paris.

Novas pesquisas sobre o azoto da atmosfera de Titã indicam que as matérias-primas da lua podiam ter estado fechadas dentro de gelos que condensaram antes de Saturno ter começado a formar-se.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O azoto é o ingrediente principal na atmosfera da Terra, bem como na de Titã. A lua de Saturno é frequentemente comparada com uma versão inicial da Terra, mas congelada.

O artigo sugere que a informação acerca dos blocos de construção originais de Titã está ainda presente na atmosfera da lua gelada, permitindo aos cientistas testar ideias diferentes da sua formação. Mandt e colegas demonstram que um químico em particular salienta que a origem do azoto de Titã é essencialmente a mesma hoje em dia como aquando da sua formação, há 4,6 mil milhões de anos. Esta pista é a proporção entre um isótopo, ou forma, do azoto, chamado azoto-14, e outro isótopo, chamado azoto-15.

A equipa descobriu que o nosso Sistema Solar não é suficientemente antigo para este rácio isotópico do azoto ter mudado significativamente. Isto é contrário ao que os cientistas geralmente assumiam.

"Quando olhamos de perto para o modo como esta proporção evoluiu com o tempo, descobrimos que era impossível ter mudado de forma significativa. A atmosfera de Titã contém tanto azoto que nenhum processo pode modificar significativamente este marcador, mesmo após mais de 4 mil milhões de anos de história do Sistema Solar," comenta Mandt.

A pequena mudança nesta razão isotópica ao longo de grandes períodos de tempo torna possível a comparação dos blocos de construção originais de Titã com outros objectos do Sistema Solar em busca de ligações entre eles.

À medida que os cientistas planetários investigam o mistério da formação do Sistema Solar, os rácios de isótopos são dos tipos mais valiosos de pistas que são capazes de recolher. Nas atmosferas planetárias e nos materiais à superfície, a quantidade específica de uma forma de um elemento, como o azoto, relativamente a outra forma desse mesmo elemento, pode ser uma poderosa ferramenta de diagnóstico, pois está intimamente ligada às condições sob as quais os materiais se formam.

Os blocos de construção dos cometas, e aparentemente da maior lua de Saturno, Titã, formaram-se sob condições semelhantes no disco de gás e poeira que formou o Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo também tem implicações para a Terra. Suporta a visão emergente de que o amoníaco gelado dos cometas não é provavelmente a fonte principal do azoto da Terra. No passado, os cientistas assumiram uma ligação entre os cometas, Titã e a Terra, e supuseram que o rácio isotópico do azoto na atmosfera original de Titã era o mesmo que o da Terra hoje em dia. As medições do rácio isotópico do azoto em Titã, por vários instrumentos da missão Cassini-Huygens, mostraram que este não é o caso - o que significa que esta proporção é diferente em Titã e na Terra - enquanto as medições em cometas viram a sua relação confirmada com a de Titã. Isto significa que as fontes do azoto na Terra e de Titã devem ter sido diferentes.

Outros cientistas já haviam mostrado que a razão isotópica de azoto na Terra provavelmente não tinha mudado significativamente desde a formação do nosso planeta.

"Alguns já sugeriram que os meteoritos trouxeram azoto para a Terra, ou que o azoto foi capturado directamente do disco de gás que formou o Sol. Este é um quebra-cabeças interessante para futuras investigações," salienta Mandt.

Mandt e colegas estão ansiosos por saber se as suas conclusões são suportadas por dados da missão Rosetta da ESA, quando estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko no inico do ano que vem. Se a sua análise estiver correcta, o cometa deverá ter um rácio mais baixo dos dois isótopos - neste caso de hidrogénio no gelo de metano - que o de Titã. Em essência, acreditam que esta proporção química em Titã é mais parecida com a dos cometas da nuvem de Oort do que a dos cometas que nascem na Cintura de Kuiper, que começa perto da órbita de Neptuno (67P/Churyumov-Gerasimenko é um cometa da Cintura de Kuiper).

"Este resultado emocionante é um exemplo-chave da ciência da Cassini que informa o nosso conhecimento da história do Sistema Solar e da formação da Terra," afirma Scott Edgington, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
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Titã:
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Saturno:
Solarviews
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Cassini:
Página oficial (NASA)
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Enxame Galáctico de Hércules
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ken Crawford
 
Estas são as galáxias do Enxame de Hércules, um arquipélago de universos-ilha a uns meros 500 milhões de anos-luz de distância. Também conhecido como Abell 2151, este enxame está repleto de galáxias espirais com gás e poeira que formam estrelas mas tem poucas galáxias elípticas, que carecem de gás e poeira e estrelas recém-nascidas associadas. As cores desta composição de céu profundo mostram claramente as galáxias que formam estrelas num tom azulado e galáxias com populações estelares mais antigas em tons amarelados. A imagem nítida cobre cerca de 3/4 de grau no centro do aglomerado galáctico, correspondendo a mais de 6 milhões de anos-luz à distância estimada do enxame. Os picos de difração estão em torno de estrelas de primeiro plano que se encontram dentro da nossa Via Láctea e são produzidos pelos apoios do espelho no telescópio que capturou a imagem. Nesta paisagem cósmica muitas galáxias parecem estar em colisão ou em fusão, enquanto outras parecem distorcidas - evidências claras de que as galáxias do enxame interagem frequentemente. De facto, o próprio Enxame de Hércules pode ser resultado de fusões em curso de enxames galácticos mais pequenos e pensa-se que seja semelhante a jovens enxames de galáxias no muito distante e primitivo Universo.
 

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